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Desenvolvimento Rural

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Analisados os conceitos de desenvolvimento e crescimento econômico, o proposto trabalho se preocupará neste momento nas discussões sobre o meio rural, devido a ser a proposta deste trabalho.

A emergência de conceitos do que seria o desenvolvimento rural, hoje é uma questão bastante discutida não só no meio acadêmico, como em setores da política pública brasileira. Conforme dito anteriormente, conceituar desenvolvimento é uma tarefa complexa, devido a própria característica de complexidade do fenômeno. Schneider (2004) explica a necessidade de novas concepções de desenvolvimento rural cresceu através de ideias e noções de estudiosos e pensadores de outros países. Para o autor temas que influenciaram bastante no debate sobre desenvolvimento foram ao redor das temáticas sobre sustentabilidade e a problemática ambiental, o enfoque local e territorial das atividades não agrícolas, além da interelação entre o rural e o urbano.

Diante destes argumentos, de acordo com o autor supracitado, as transformações na sociedade a partir da reestruturação econômica e institucional dos últimos anos tem influenciado o pensamento de vários pesquisadores e estudiosos, que passaram a repensar as abordagens analíticas e os enfoques utilizados para a definição de desenvolvimento rural. Dessa forma, os estudos sobre a temática fora do Brasil tem se baseado nas discussões teóricas, analíticas e seus efeitos normativos e institucionais, onde a maiorias dos estudiosos abordam pelo menos quatro elementos: a erradicação da pobreza, o território como unidade de referência, a sustentabilidade ambiental, o protagonismo dos atores sociais e sua participação política. Como exemplo, para Ellis (2000) o desenvolvimento rural poderia ser definido como um conjunto de ações e práticas com finalidade de reduzir a pobreza nas áreas rurais, estimulando assim, o processo de participação e consequentemente afetando no empoderamento destes habitantes, tornando capazes de gerir suas prioridades para a mudança. Para estudiosos brasileiros, o desenvolvimento só pode ser definido com a simplificação de alguns aspectos e certa aproximação de outros (KAGEYANA, 2004). De acordo com a autora citando Veiga (2000), o desenvolvimento rural não existe separado do

desenvolvimento urbano. De forma que em muitas vezes, por meio da simplificação, pode estudar separadamente o lado do desenvolvimento rural.

Kageyama (2004) afirma que outros estudiosos da temática afirmam que desenvolvimento rural carece de disciplinas especificas, dessa forma, é necessário estudar outras disciplinas que tratam do assunto, tais como economia regional, dentre outras que analisam as áreas rurais. Todavia, o desenvolvimento dessas áreas pode ser dificilmente analisado através de apenas um das teorias desses campos de estudo. O que é possível observar é que no campo dos estudos e análise de áreas rurais, podem ser identificados pelo menos três enfoques

(...) o do desenvolvimento exógeno, o enfoque do desenvolvimento endógeno e uma combinação dos dois. No primeiro enfoque do desenvolvimento endógeno centra-se no desenvolvimento rural, é imposto por forças externas e implantado em certas regiões. Exemplo emblemático é os das políticas de modernização da agricultura como forma de estimular o desenvolvimento rural. O enfoque do desenvolvimento endógeno centra-se no desenvolvimento local, gerado por impulsos locais e baseado predominantemente em recursos locais, em que os atores e as instituições desempenham papel crucial; o caso típico é o dos modelos dos distritos industriais. Finalmente, o desenvolvimento rural pode ser visto como uma combinação de forças internas e externas à região, em que os atores das regiões rurais estão envolvidos simultaneamente em um complexo de redes locais e redes externas que podem variar significativamente entre regiões (KAGEYAMA, 2004, p. 383).

Dentro desta perspectiva, o desenvolvimento rural implica na criação de novos produtos que venham a estar associados a novos mercados; procura formas de redução de custos através de novas trajetórias tecnológicas e tenta renovar a agricultura em nível regional, não somente nos estabelecimentos (KAGEYAMA, 2004). Já para Ploeg (2000) o desenvolvimento rural estaria associado à três aspectos essenciais: o caráter multinível, o de multiatores e o multifacetado. De forma que a complexidade das instituições envolvidas no processo de desenvolvimento rural faz com que o mesmo dependa de diversos atores, que podem estar envolvidos em relações locais e a economia global. Por outro lado, o caráter multifacetado estaria associado às novas práticas nestas áreas tais como: o turismo rural e o agroturismo, a agricultura orgânica, a conservação da natureza, entre outros. Estabelecimentos estes que estavam à margem do paradigma da modernização e assumiram novos papéis com estas atividades.

Dentro dessa lógica, Kageyama (2004) apresenta motivos para a nova definição do desenvolvimento, que se deu em função da necessidade de reorientação do protecionismo da Política Agrícola Europeia (PAC) que reconheceu os problemas criados pela agricultura intensiva e a multifuncionalidade ou pluriatividade do novo espaço rural.

A nova filosofia da Comissão Europeia partiu de algumas premissas que permitiram, no fim dos anos 80 e início dos 90, chegar aos novos enfoques do desenvolvimento rural. Essas premissas eram: a) o reconhecimento de que a modernização agrícola incidirá sempre sobre o emprego no sentido de reduzi-lo, mas a população pode permanecer no seu local de origem praticando atividades não agrícolas; b) devido ao desemprego urbano, a população deve ser dissuadida de abandonar o campo; c)o espaço rural perde a função primordial produtiva, e outras passam a ser valorizadas (funções paisagísticas, turísticas e ecológicas); d) a “desagrarização” do meio rural não deve significar a falência da produção familiar, mas seu fortalecimento por meio da diversificação das fontes de renda, da agregação de valor aos produtos aproveitando nichos de mercado e a conversão de agricultor em “empresário rural”, e) o reforço da pluriatividade tanto sob a forma de atividades complementares dentro do próprio estabelecimento, como pela integração a outros setores econômicos (industria e serviços). (SACCO DOS ANJOS, 2003, p. 76 apud KAGEYAMA, 2004, p. 385)

Em resumo, o desenvolvimento rural pode ser considerado como a combinação entre o aspecto econômico, o social (grau de vida socialmente aceitável) e a diversificação das atividades que geram renda, ou seja, a pluriatividade no campo (KAGEYAMA, 2004). A autora supracitada afirma ainda que o desenvolvimento rural deve mobilizar diversos setores produtivos e de apoio, de forma que tenha o caráter multisetorial. Todavia, é importante observar que as áreas rurais podem desempenhar diferentes funções no processo de desenvolvimento que pode ser modificado ao longo dos anos, como por exemplo, a função produtiva que antes estava associada somente ao setor agrícola, passa a abranger outras atividades tais como o artesanato e outros produtos relacionados ao turismo rural, ao agroturismo e à conservação ambiental. A função populacional, que geralmente cedia mão de obra barata para as áreas urbanas, passa a reter grande número de mão de obra devido ao desenvolvimento de infraestrutura, serviços e oferta de emprego no meio rural; a questão ambiental passa a ter grande importância, principalmente após industrialização e isso também pode estar relacionado ao crescimento de alguns segmentos turísticos nas áreas rurais: o ecoturismo, turismo ecológico e turismo de aventura.

Outros autores apontam formas que podem influenciar no desenvolvimento rural, principalmente quando analisadas em conjunto. Segundo Veiga (2000) a integração mercantil entre as cidades da região junto com o dinamismo das cidades de médio porte onde se destaca a criação de atividades no setor terciário, podem ajudar no desenvolvimento das localidades do entorno. O mesmo autor salienta também que a combinação da agricultura familiar consolidada e o processo de urbanização e industrialização local descentralizado consequentemente acarreta um mercado local de produtos diversificados, fortalecendo assim a matéria prima e mão de obra rural para indústria local, favorecendo dessa forma o processo de desenvolvimento rural na localidade. Para Kageyama (2004) a diversidade de fontes de renda permite a maior autonomia em relação à atividade agrícola exclusiva e a menor instabilidade da renda são fatores de imensa importância para alavancar o desenvolvimento rural. Além da pluriativadade das famílias rurais, que permite a diminuição do êxodo rural. Por fim, Kageyama (2004) analisando dados da OCDE (Organisation de Coopération et

Développement Èconomiques ou Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico,

1995) afirma que os programas de geração de emprego e de melhoria na qualidade de vida podem reduzir o êxodo rural e o isolamento das regiões rurais, além do fato que a existência dos recursos territoriais que permitam produzir para mercados específicos , permitindo a internalização de externalidades positivas, que podem ajudar no processo de desenvolvimento rural.

Dessa forma, a ruralidade é baseada em grandes diversidades, principalmente pela introdução de novas atividades neste meio. Assim, entender essa diversidade ajuda no esclarecimento da dimensão espacial do desenvolvimento (KAGEYAMA, 2003).

Já que de acordo com Tomazzoni (2009) os estudos de desenvolvimento podem se dividir geograficamente, considerando o meios rural e urbano. De forma, que para os dois contextos, podem-se aplicar os mesmos parâmetros abordados no capítulo (renda, segurança, educação e saúde, ou seja, parâmetros associados a situação de vida com qualidade para cada individuo). Todavia, existem também peculiaridades entre o meio rural e urbano. Por exemplo, uma das principais peculiaridades que refere-se ao desenvolvimento rural é a capacidade de as comunidades produzirem seus próprios alimentos e desfrutarem de privilégios como a vida em local mais preservado. Já o meio urbano dispõe de melhores condições de acesso ao atendimento nas áreas da educação, saúde, comunicações e transportes.

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