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1 INTRODUÇÃO

1.2. OBJETIVOS

2.2.1. Desenvolvimento sustentável, sustentabilidade e

Desenvolvimento, como um processo, é um conjunto de linhas interdependentes para produzir coisas, conduzido por pessoas que, em sua essência, têm a criatividade como parte de sua natureza (VEIGA, 2006). Esse processo provoca mudanças que transformam a cultura de uma organização ou de uma sociedade.

Schenini (2009) considera o conceito de desenvolvimento sustentável, no que tange a sua aplicação, como algo de grande amplitude e complexidade, pois exige que a sociedade mude alguns paradigmas relacionados com a forma de vida voltada ao consumo nos dias de hoje. Isso se dá pela percepção de que a natureza já não mais comporta as necessidades de recursos que o crescimento econômico exige e, toda iniciativa que se tenha, torna-se um desafio para a sociedade.

A constatação do aumento do consumo e a consequente redução de recursos, mais observados a partir da década de 90, é o marco referencial para a consolidação do conceito de desenvolvimento sustentável. A partir dessa constatação percebe-se a verdadeira necessidade de preocupação com a preservação dos recursos essenciais à vida humana, caso contrário, os danos causados ao meio ambiente

podem ser irreversíveis (TACHIZAWA, 2011; VEIGA, 2006; BERTÉ, 2009).

Desta forma, desenvolvimento sustentável é uma ligação entre gestão ambiental e desenvolvimento econômico, que exige que a sociedade esteja envolvida no processo de tomada de decisão referente aos planos de desenvolvimento que devem ser traçados e implementados (SCHENINI, 2009).

Para clarificar, existe uma diferença entre crescimento e desenvolvimento econômico. Para Veiga (2006), essa diferença é de que o crescimento econômico origina mudanças quantitativas, enquanto o desenvolvimento econômico gera mudanças qualitativas.

Além disso, para Munck, Borim-de-Souza e Zagui (2012), as ações de desenvolvimento sustentável são consideradas existentes, quando contidos na estratégia organizacional, comportamentos resultantes de princípios e atitudes que resultam em ações socialmente responsáveis.

A inclusão de objetivos socialmente responsáveis na estratégia da organização trata-se de uma das principais ações perante a sustentabilidade, conceito interdisciplinar voltado para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.

Para Munck, Borim-de-Souza e Zagui (2012), a sustentabilidade baseia-se, entre outras, na tríade entre relações ambientais, econômicas e sociais, que, na sua inter-relação objetivam a conscientização da sociedade em relação ao uso responsável dos recursos naturais. O escopo desta ação de conscientização é permitir que a humanidade mantenha, para si e para seus descendentes, sua sobrevivência de forma saudável e qualitativa.

Entende-se por sustentabilidade ambiental, o balanceamento de recursos perante a produção e o consumo, garantindo que os ecossistemas tenham capacidade de reposição de danos. A dimensão econômica refere-se à eficiência energética necessária para suprir a demanda de produção, utilizando inovações tecnológicas para substituir as fontes não renováveis por fontes renováveis. Já a dimensão social abrange a busca pela satisfação das necessidades básicas e melhoria de qualidade de vida de toda a sociedade, reduzindo, principalmente, padrões de desigualdades (NASCIMENTO, 2012).

Para Pfitscher (2004), a sustentabilidade depende de um processo de gestão ambiental, pois é vinculada às atividades da organização, juntamente com os valores e atitudes individuais dos colaboradores perante a atividade profissional, que culminam no conhecimento necessário para pôr em prática ações de preservação do meio ambiente.

Para viabilizar a inclusão de objetivos relativos às ações socialmente responsáveis, podem ser implementados Sistemas de Gestão Ambiental (SGA), que viabilizam o controle, por meio de indicadores de sustentabilidade, das ações de gestão ambiental. Esse sistema pode estabelecer maior comprometimento dos colaboradores, fornecedores e clientes finais da organização com a sustentabilidade (PFITSCHER, 2004).

As ações com foco na sustentabilidade têm na sua gestão a importância de causar o menor impacto possível ao meio ambiente e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento socioeconômico de forma a preservar a vida atual e futura (MUNCK; BORIM-DE-SOUZA; ZAGUI, 2012).

Assim, pode-se afirmar que essas ações resultam na intensa preocupação da organização perante o desenvolvimento da sociedade, mantendo atitudes socialmente responsáveis e agregando valor social a todos os indivíduos envolvidos com a organização.

Uma organização socialmente responsável é aquela que, não só se preocupa com as suas atitudes internas, mas, que exige ações de responsabilidade social de todos os seus stakeholders, inserindo valores e princípios éticos de sustentabilidade. Entende-se por stakeholder todo o público estratégico que esteja envolvido com a organização, compreendendo os ambientes interno e externo (PFITSCHER, 2004).

Para tanto, como responsabilidade socioambiental, Petrelli e Colossi (2006) entendem que é o processo de transformação social da organização, comprometido com os resultados globais das ações realizadas, as quais deve promover a preservação ambiental, a qualidade de vida e o bem-estar da sociedade.

Alinhado a esta concepção, o entendimento do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social (2014) para que a gestão seja considerada socialmente responsável, é de que o resultado da atuação da organização deve proporcionar benefícios para a sociedade, para os profissionais em sua carreira, para o meio ambiente e para investidores e fornecedores. Assim, afirma-se que a gestão socialmente responsável é um modelo interdisciplinar, que envolve todos as partes interessadas em prol de um objetivo comum, a construção de uma sociedade sustentável.

Nesse sentido, face à importância da gestão ambiental para o desenvolvimento sustentável, Aligleri, Aligleri e Kruglianskas (2009) dão o exemplo de que os fornecedores e distribuidores das organizações também devem estar preocupados com a sua responsabilidade social, buscando, em conjunto, oportunidades para inovações e redução de custos de produção.

Característica das organizações atuais, em meio a competitividade, a exigência de fornecedores comprometidos com a responsabilidade socioambiental começa a fazer parte da política corporativa das organizações, ultrapassando fronteiras de modelos de gestão ultrapassados (TACHIZAWA, 2011).

Dessa forma, tem-se que a visibilidade de uma organização preocupada com as atitudes de todos os demais envolvidos nos seus processos, é aumentada favoravelmente, em detrimento daquelas que não dão a devida atenção para esses detalhes socioambientais.

Essa preocupação se torna cíclica, quando apoiada por políticas e diretrizes aliadas à estratégia da organização, visto que o consumidor final avalia o produto ou serviço de acordo com o todo. Apesar de os produtos e serviços serem constituídos de diversos procedimentos, peças e atuação humana, independente se internos ou externos à organização, a avaliação de todo o processo faz parte de uma atitude natural do ser humano (ALIGLERI; ALIGLERI; KRUGLIANSKAS, 2009).

Além da importância da avaliação do consumidor final, as posturas socialmente responsáveis conduzem a organização a obter benefícios de produtividade, ganhos econômicos e qualidade de vida no trabalho para os funcionários, no momento em que opta por valorizar as práticas voltadas à sustentabilidade. Estas práticas incluem reutilização de materiais, o destino correto para o lixo e resíduos, economia de energia e práticas de educação ambiental e prevenção de acidentes (ALIGLERI; ALIGLERI; KRUGLIANSKAS, 2009).

A legislação ambiental brasileira já exige que as organizações destinem adequadamente todo detrito gerado em seus sistemas de produção, mas, ressalta-se que a discussão em torno da sustentabilidade e responsabilidade social deve ir além do simples cumprimento à legislação, considerando que os próprios conceitos se referem à formação de uma consciência crítica e ética socialmente responsável na sociedade.

Portanto, esse apontamento reflete na necessidade da organização preocupar-se com a postura dos seus stakeholders e exigir dos gestores um senso de responsabilidade maior em relação à amplitude dos processos decisórios, para que todos os colaboradores tenham participação e possam trabalhar em equipe, no âmbito de suas funções (TACHIZAWA, 2011).

A necessidade de adaptação das organizações, em especial das IFES, perante a postura socioambiental responsável, exige que seus colaboradores atuem de forma a garantir o desempenho de seus papeis

com a melhor performance possível, para que as organizações sejam conduzidas à realização dos seus objetivos.

Isso implica na necessidade de as pessoas desenvolverem as competências necessárias para atingirem essas metas. Portanto, serão trabalhados na seção a seguir os conceitos relacionados às competências e à gestão por competências, incluindo as competências para as práticas de sustentabilidade, mapeamento e treinamento e desenvolvimento de competências.