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Usabilidade do Produto

2.1 O que é usabilidade?

2.1.3 Design de produto, ergonomia e usabilidade

O termo 'design' vem sendo utilizado para descrever qualquer atividade criativa que promova uma ideia existente ou apresente uma alternativa original, que tenha sido estendida para vários campos de conhecimento. Sendo assim, é possível ao design, entre outras coisas, a elaboração de planos, estratégias, projetos, e produtos de consumo para o dia-a-dia (SÁENZ, 2008). Nos dias atuais, design pode também ser considerado como uma experiência ou um processo que gera mudanças significativas na vida das pessoas (PRESS; COOPER, 2009).

A ergonomia pode ser entendida como uma disciplina focada na natureza das interações do ser humano com os artefatos, a partir de uma perspectiva unificada da ciência, engenharia, design, tecnologia e gerenciamento da compatibilidade humano-sistema, incluindo uma variedade de produtos, processos e ambientes naturais e artificiais, e que vem atualmente

sendo indicada como uma das principais disciplinas de suporte ao design de produtos (KARWOWSKI, 2005). Corroborando com este entendimento, Dul et al. (2012), definem ergonomia como uma disciplina científica preocupada com o entendimento das interações entre o ser humano e os outros elementos de um sistema, sendo a profissão que aplica princípios teóricos, dados e métodos para o design, a fim de intensificar o bem estar e o desempenho global.

De acordo com Karwowski, Soares e Stanton (2011), a ergonomia utiliza uma abordagem holística centrada no usuário, que considera as questões física, cognitiva, social, organizacional, ambiental e outros fatores relevantes ao seu campo de ação, utilizando metodologias adequadas para melhorar o design. Assim, a ergonomia se envolve nas diversas etapas de tomada de decisão, quando um produto está sendo desenvolvido, conduzindo a mesma a ter um papel fundamental na melhoria de seu desempenho.

Na relação entre ergonomia e design, os aspectos referentes aos seres humanos e as perspectivas do objeto determinam as condições apropriadas entre o usuário e o produto, tendo em conta o ambiente no qual estas condições existirão (ZAPATA, 2011). Soares (2011) aponta que a aplicação dos princípios ergonômicos no design contribui para a redução de acidentes, riscos de mau funcionamento do produto, melhoria da usabilidade e redução de custos no ciclo de vida do produto.

Desta forma, a ergonomia passa a ser considerada como uma disciplina de apoio ao design na concepção de produtos que trabalhem atendendo as necessidades humanas, evidenciando o usuário do produto (algumas vezes referido como o usuário final), cujo objetivo principal é garantir que os produtos sejam fáceis de usar, fáceis de aprender, produtivos e seguros (CUSHMAN; ROSENBERG, 1991).

De acordo com Schulze (2011), a ergonomia tem se preocupado com o processo de design por duas vertentes principais. Na primeira há uma preocupação para a otimização do processo de design, a fim de reduzir os efeitos do acaso e os erros no projeto. Na segunda existe a preocupação de se incorporar os requisitos do usuário final tão cedo quanto possível nas etapas iniciais da metodologia de design.

Conforme Göbel (2011), a ergonomia no design de produtos lida com a adaptação do produto para o usuário ou mais precisamente, com as necessidades do mesmo, incluindo não apenas o sujeito, como também a circunstância de uso, sua finalidade e as condições ambientais. Considerando que a ergonomia tem como foco lidar com tais atributos, o termo usabilidade muitas vezes passa a ser utilizado como sinônimo da ergonomia.

Conforme visto, a ergonomia lida com um largo escopo de problemas relevantes ao design contribuindo para a inovação de produtos e serviços e auxiliando empresas na inovação de

processos e operações que forneçam novas e eficientes formas de produção (DUL et al. 2012). Karwowski (2006) enfatiza tal afirmação advogando que a ergonomia é uma disciplina orientada ao design.

Neste contexto, a usabilidade passa a fazer parte de um dos atributos da ergonomia com o objetivo de ajustar produtos e sistemas ao usuário, levando em consideração suas necessidades, habilidades e limitações. Apresenta-se como a fronteira entre o usuário e partes do sistema com o qual está interagindo. Nesse sentido, a ergonomia e a usabilidade passam a exercer a mesma função.

Corroborando com tal afirmação, Cybis, Betiol e Faust, (2010, p. 16-17) afirmam:

"Pode-se dizer que a ergonomia está na origem da usabilidade, pois ela visa proporcionar eficácia e eficiência, além do bem-estar e saúde do usuário, por meio da adaptação do trabalho ao homem. Isto significa que o seu objetivo é garantir que sistemas e dispositivos estejam adaptados à maneira como o usuário pensa, comporta-se e trabalha e, assim, proporcionem usabilidade."

Em Cushman e Rosenberg (1991), tal afirmação é consolidada quando enfatizam que os testes de usabilidade ao serem conduzidos pelo ergonomista, correspondem a uma parte importante do trabalho de projeto de qualquer produto, independentemente dos métodos usados para se tomar as decisões de projeto. Obviamente deve-se considerar que a ergonomia aplica-se num contexto mais amplo que a usabilidade, quando investiga, por exemplo, questões relacionadas à organização do trabalho e aspectos fisiológicos e cognitivos da relação humano x máquina.

Os autores acrescentam que existem três formas nas quais os atributos relacionados à ergonomia podem ser introduzidos no projeto de um produto:

• Evolução do produto (tentativa e erro); • Intuição;

• Aplicação da tecnologia da ergonomia durante o projeto.

A primeira forma corresponde ao processo evolucionista, que é o mais comum, cuja facilidade de uso e capacidades funcionais vão se aprimorando ao longo do tempo, o que demanda um longo período, podendo ser uma desvantagem quando aplicado a produtos de consumo devido às necessidades de mercado.

A intuição é a segunda forma pela qual os problemas ergonômicos podem ser tratados durante o projeto do produto. Esta é utilizada quando não existe base empírica ou teórica para se tomar uma decisão de design, e o designer simplesmente decide como a interface

do usuário com o produto irá parecer e funcionar, baseado apenas na sua personalidade, saberes, experiência e preferências. É importante destacar que nesta fase o teste de usabilidade é especialmente importante, a fim de evitar inadequações para o usuário a que se destina (CUSHMAN; ROSENBERG, 1991).

A terceira forma pode ser abordada sob dois aspectos: (1) A abordagem por diretrizes, envolvendo a aplicação de princípios de design específicos, baseados em dados empíricos; (2) a abordagem modelo causal/teórica, correspondendo ao desenvolvimento de modelos causais ou teorias específicas do comportamento humano.

Ainda segundo os autores, os designers irão perceber na prática que as três formas de integrar a ergonomia e o projeto do produto são úteis, porém destaca que a tecnologia ergonômica deve ser utilizada, sempre que possível, como base para se tomar as decisões de design iniciais que irão afetar o usuário.