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4.3 Procedimentos para o Estudo de Caso Final

4.3.3 Design do Estudo

Para a verificação do modelo, foi criada uma região no MV, dividida em 9 partes/etapas, conforme Figura 28.

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Figura 28 – Mapa do ambiente

Fonte: Elaborado pelo autor

Essa construção se deu considerando a abordagem do Arco de Maguerez (descrito na Seção 2.4.2). A atividade proposta aborda a questão da poluição dos rios. Tal escolha se deu após conversas iniciais com os professores de Geografia (CMPA e IFFAR), e o objetivo era fazer com que os alunos refletissem sobre esse tema tão relevante na atualidade. Principalmente considerando que essa é uma preocupação global e que a não preservação dos rios (e dos recursos naturais como um todo) ameaça o futuro da humanidade.

Assim, buscou-se construir uma atividade que pudesse ser aplicada para o ensino de Geografia - tanto do 6º ano do Ensino Fundamental (Urbanização) quanto do 2º ano do Ensino Médio (consumo de agrotóxicos, Revolução Verde e a relação do crescimento da população e necessidade de aumentar a produção de alimentos). Essa escolha se deu também em função do calendário e dos tópicos que estariam sendo desenvolvidos ao longo do semestre em ambas as instituições. Além disso, a atividade pode ser adaptada para o ensino de Ciências, Ecologia, etc., conforme a necessidade da disciplina. A atividade foi inspirada em outras atividades para o ensino de Geografia disponíveis em repositórios especializados e também na literatura (e.g., FREITAS et al. (2014), CORDEIRO (2012) e EMBRAPA30).

A Figura 29 apresenta a relação entre cada uma das etapas do arco de Maguerez e as respectivas etapas do MV.

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Figura 29 – Relação entre as etapas do arco e as etapas do MV

Fonte: Elaborado pelo autor

Vale ressaltar que a última etapa do arco não foi considerada para a análise do modelo EIC. Quanto às etapas no MV, na Parte (1) “início”, ao entrar no MV o aluno tinha um player onde era possível tocar a música “Xote Ecológico”, composta por Batista e Gonzaga (1989), e iniciar a navegação no ambiente, nesta etapa imagens associadas à letra da música (Quadro 4) iam sendo mostradas e alternadas randomicamente a cada 4 segundos (Figura 30).

Quadro 4 – Letra da Música Xote ecológico de Luiz Gonzaga Fonte: Batista e Gonzaga (1989)

Não posso respirar, não posso mais nadar A terra está morrendo, não dá mais pra plantar E se plantar não nasce, se nascer não dá Até pinga da boa é difícil de encontrar Cadê a flor que estava aqui?

Poluição comeu

E o peixe que é do mar? Poluição comeu

E o verde onde que está? Poluição comeu

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O objetivo de inserir a música foi enriquecer a atividade, em função do assunto abordado e principalmente de sua letra, funcionando como um “despertador”, uma espécie de mensagem de fundo, relacionando, sobretudo, a primeira etapa do arco (observação da realidade).

Figura 30 – Início do ambiente

Fonte: Elaborado pelo autor

Conforme o aluno avançava, as imagens iam se alternando e tinham relação com a letra da música (Figura 31). Essa alternância nas imagens e a relação com a letra da música eram fundamentais para a Parte (2) do ambiente, denominada “chat”.

Figura 31 – Imagens associadas à letra da música

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Essa Parte (2) do MV pode ser associada à etapa 2 do arco, onde os alunos realizam uma reflexão, apontando, daquilo que foi observado nas imagens (problema da realidade), o que consideravam mais importante. Neste sentido, são identificados os pontos-chave do problema em questão e as variáveis determinantes da situação. Nesta sala (Figura 32), havia uma mensagem solicitando ao aluno que comentasse no chat se alguma figura havia chamado a sua atuação e se era possível relacionar alguma delas com a letra da música. À direita do quadro havia um botão “Voltar ao início”, com o objetivo de facilitar caso o aluno desejasse observar as imagens novamente, também era possível retornar andando ou voando.

Figura 32 – Sala chat

Fonte: Elaborado pelo autor

Por sua vez, na Parte (3) era apresentado o problema/desafio, onde painéis em formato de slides orientavam os alunos para que percorressem a área externa do ambiente (partes 4 a 8), observando e refletindo sobre a seguinte questão: “Como preservar o rio (principalmente considerando que é uma nascente), dando um tratamento adequado na área em questão?”. Nesta etapa, além dos painéis com as orientações, havia um painel indicando o acesso ao ambiente externo, onde ao clicar, os alunos eram imediatamente teletransportados para a área externa.

Ressaltando que, em virtude da atividade ter sido construída considerando os temas “urbanização” e “consumo de agrotóxicos, Revolução Verde e a relação do crescimento da população e necessidade de aumentar a produção de alimentos”, a parte externa do ambiente tinha como objetivo demonstrar a realidade de uma área rural. Mais especificamente, a necessidade de um manejo adequado dos resíduos de uma propriedade rural, considerando

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principalmente as questões relativas à preservação de um rio, evidenciando os diversos tipos de poluentes que podem comprometer, em maior ou menor grau, os recursos hídricos.

A navegação na parte externa era livre e não tinha uma sequência pré-definida, contudo para uma melhor adequação ao modelo e consequente captura dos dados, foi organizada em 5 partes: (4) “vacas”, (5) “porcos”, (6) “coleta d’água”, (7) “veneno” e (8) “nascente do rio”. Essas partes foram delimitadas por meio de sensores programados utilizando a linguagem OSSL para que pudesse ser realizado o controle da trajetória do aluno, ou seja, verificar se cada uma das regiões havia sido “explorada” pelo aluno.

No momento em que o avatar do aluno era teletransportado para o ambiente externo, o aluno iniciava a exploração pela Parte (4), que ilustrava a criação de gado. Essa parte era composta por alguns animais soltos no ambiente, sem qualquer tipo de cerca que pudesse impedir o acesso dos animais à nascente do rio (Figura 33).

Na mesma figura, indicado pela seta, é possível visualizar um dos “totens” de ajuda disponíveis. Essas alternativas de ajuda, conforme descrito na Seção 4.1.1 estão disponíveis no ambiente em formas de “cubos flutuantes” identificados por um ponto de interrogação, e consistem tanto em um texto com informações gerais sobre o conteúdo como em formato de link para um mecanismo de buscas. O uso ou não do recurso e a quantidade de pedidos de ajuda escolhida permite inferir sobre os níveis de independência e confiança do participante.

Figura 33 – Área externa – criação de gado

Fonte: Elaborado pelo autor

A Figura 34 apresenta a Parte (5), uma área de criação de porcos, que assim como na área de criação de gado, não possuía nenhuma infraestrutura que pudesse inibir o acesso dos

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animais ao leito do rio. Também não havia nenhum sistema de tratamento que pudesse auxiliar na redução e estabilização da matéria orgânica biodegradável de dejetos dos suínos. Próximo aos animais (indicado pela seta na figura) havia um quadro com um QR Code, onde os alunos podiam verificar a partir de seus smartphones um vídeo sobre a criação de porcos. O ponto destacado por um círculo, ainda na Figura 34, refere-se à Parte (6), ou seja, o ponto de coleta de água. Era composto basicamente por um reservatório e canos que faziam a captação de água do rio, subindo um pequeno morro até a bomba.

Figura 34 – Área externa – criação de porcos

Fonte: Elaborado pelo autor

Na Parte (7) “veneno”, os alunos deparavam-se com uma área desmatada, com troncos de árvores caídos (Figura 35, esquerda) e embalagens de agrotóxicos descartadas de maneira irregular (Figura 35, direita). Vale ressaltar que, o descarte correto de embalagens vazias de agrotóxicos não é apenas uma atitude consciente, mas obedece a Lei 9.974/2000 e Decreto 4.074/2002. O descarte fora do prazo determinado em lei ou de forma incorreta pode implicar em multa para o agricultor, o revendedor e até o fabricante do agroquímico.

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Figura 35 – Área externa - veneno

Fonte: Elaborado pelo autor

Na Parte (8) “nascente do rio”, os alunos novamente se deparavam com uma área desmatada, com a vegetação da mata ciliar comprometida e com lixo jogado no leito do rio (pneus, garrafas plásticas e inclusive um televisor) (Figura 36). Esse era um dos principais pontos que deveria ser observado pelos alunos, uma vez que, as nascentes têm importante papel ambiental sendo consideradas legalmente como uma Área de Preservação Permanente (APP).

Figura 36 – Área externa – nascente do rio

Fonte: Elaborado pelo autor

Resumindo, o objetivo era que ao percorrer o ambiente externo os alunos fossem identificando essa série de fatores, como: acúmulo de dejetos (esterco, urina, embalagens de agrotóxicos, lixo, etc.), falta de um isolamento/cerca separando os animais da nascente, desmatamento e assoreamento das margens, entre outros agentes poluidores que pudessem interferir na qualidade da água.

Ao considerar que a exploração do ambiente, a partir da identificação dos pontos-chave e teorização (Etapa 3 do Arco), estivesse concluída, os alunos podiam acessar as salas colaborativas. O acesso se dava a partir de quadros de navegação que permitiam o teletransporte para uma das 4 salas (Figura 37).

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Figura 37 – Quadro de navegação

Fonte: Elaborado pelo autor

Na Parte (9) “salas colaborativas” (Figura 38), os alunos deviam compartilhar as suas opiniões em um uma espécie de “quadro branco”, que por meio de um script exibia as sugestões enviadas pelos demais alunos. A divisão em 4 salas se deu tanto para incentivar o trabalho colaborativo em formato de grupos quanto por questões técnicas, a fim de uma melhor interação e perfeito funcionamento dos scripts de programação OSSL.

Para o experimento da tese, a atividade era considerada concluída após a participação na sala colaborativa, a partir da identificação dos problemas observados no ambiente e suas respectivas hipóteses de solução. No entanto, para complementar as 5 etapas propostas pelo Arco de Maguerez faltava a “Aplicação à realidade (Prática)”. Essa etapa não foi considerada para o experimento da tese, principalmente em função do tempo necessário.

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Figura 38 – Sala colaborativa

Fonte: Elaborado pelo autor

Além disso, ficou a critério dos professores a melhor forma de trabalhar esta etapa, que poderia ser realizada tanto no MV (neste caso era necessário a liberação da região para que os alunos pudessem editar, excluindo e/ou inserindo novos objetos) quanto em um ambiente real, por exemplo, levando os alunos até uma propriedade rural. Além disso, a partir da atividade no MV, pode ser promovido uma série de atividades práticas, tais como plantio de mudas, recolhimento de lixo das margens de córregos, palestras, entre outros.

4.3.3.1 Monitoramento e coleta de dados

Para identificar a motivação, é necessário conhecer a trajetória do participante durante a interação, ou seja, com quais elementos ele interagiu e quando ocorreu esta interação. Além disso, os pedidos de ajuda se constituem em dados fundamentais para essa identificação.

No entanto, Nunes et al. (2016a) afirmam que o processo de monitoramento e avaliação das tarefas educacionais realizadas pelos usuários dentro dos mundos virtuais é um aspecto problemático, uma vez que este tipo de suporte genuinamente não é fornecido pelos MV. Isso pode ser justificado pelo fato desses ambientes não terem sido criados exclusivamente para o uso educacional, pelo contrário, são ambientes que surgiram com fins de entretenimento e que foram gradualmente sendo adaptados e utilizados na educação.

Assim, diferente de outros AVA, como o Moodle, que são desenvolvidos com foco no âmbito educacional e preparados para realizar o monitoramento e avaliação das atividades educacionais realizadas pelos estudantes, existem limitações e dificuldades no processo de

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coletar os dados resultantes das interações dos usuários no ambiente. Deste modo, para a coleta dos dados foi necessário utilizar sensores, compostos por um conjunto de scripts inseridos em objetos no MV que identificam/rastreiam as ações dos alunos e posteriormente gravam esses dados em um servidor MySQL.

Os sensores foram criados no Mundo Virtual utilizando a linguagem OSSL para efetuar a programação necessária, em que foram adicionadas pequenas esferas na cor vermelha em diferentes locais do ambiente, cada uma com sua função específica, esquematizando desta forma o processo de monitoramento no Mundo Virtual. Os scripts OSSL foram interligados à arquivos externos desenvolvidos utilizando a linguagem de programação PHP e hospedados no servidor Web. A comunicação “cliente x servidor” era realizada por meio dos comandos: “HTTP Request”, que envia os dados capturados no ambiente pelos scripts OSSL para os respectivos scripts PHP no servidor Web e “HTTP Response”, que após processar cada ação definida para os dados conforme o script PHP, gera uma resposta e envia para o script OSSL correspondente (NUNES et al., 2016a).

Para coletar os dados para o estudo de caso final, foi seguido e adaptado o modelo proposto por Nunes et al. (2016a), onde foram criadas as seguintes tabelas:

• record_activities – como o nome sugere, essa tabela foi utilizada para armazenar os dados referentes às atividades realizadas durante a interação dos alunos. Ao longo do MV foram criados sensores de presença (um sensor para cada uma das 9 etapas). Essas etapas são descritas em detalhes na Seção 4.3.3. Os dados coletados foram o nome do usuário e seu identificador único, o local visitado, a data e hora de início de cada registro e o tipo de ação que o avatar estava executando em cada momento. O sensor analisa cinco tipos diferentes de ações do aluno (escrevendo, ausente, voando, andando ou parado (considerado um estado de observação)), sendo armazenados os tempos totais que cada usuário ficou em cada uma destas posições. Um recorte da tabela pode ser visualizado na Figura 39;

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Figura 39 – Recorte da tabela “record_activities”

Fonte: elaborado pelo autor

• touch_user_activity – essa tabela foi utilizada para gravar os toques (interações) dos usuários com os objetos do MV. Para o modelo proposto serviu principalmente para identificar e contabilizar os pedidos de ajuda;

• resposta_user – essa tabela foi utilizada para gravar as respostas dadas pelos usuários em cada uma das 4 salas colaborativas. Para o modelo proposto serviu como um indicador da conclusão da tarefa.

Mais detalhes sobre os dados que foram capturados, bem como das tabelas utilizadas são descritos ao longo da próxima seção, onde são apresentados os resultados tanto do estudo de caso piloto quanto do estudo de caso final.

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5 RESULTADOS

Neste capítulo são descritos os resultados obtidos a partir da aplicação do modelo desenvolvido. Assim, são apresentados: na Seção 5.1, os resultados do estudo piloto, dividido em grupo de controle, experimental e discussão dos resultados; na Seção 5.2, os resultados do estudo de caso final; na Seção 5.3, uma discussão dos resultados.