• Nenhum resultado encontrado

Design educacional privilegiado pela pesquisa 26 /

2 REVISÃO DE LITERATURA E FUNDAMENTOS TEÓRICOS: DIVAGANDO PELO BOSQUE TEÓRICO.

3. MATERIAIS E MÉTODO – “O CAMINHO DO BOSQUE”

3.1 Design educacional privilegiado pela pesquisa 26 /

“É claro que para descrever a forma do mundo a primeira coisa a fazer é estabelecer em que posição me encontro,

não estou dizendo o lugar, mas o modo em que estou orientado, porque o mundo de que estou falando tem isso de diferente de outros mundos possíveis...”“.

(CALVINO, 2000:107)

A Física Quântica torna viável a adoção de um modelo teórico que permite à contemporaneidade construir uma visão sistêmica, do todo, holística. Esta visão possibilita compreender a educação e a aprendizagem dentro de uma perspectiva biológica e cultural (PIAGET, 1970; VYGOTSKY, 1991). Os seres humanos se constituem na própria relação orgânica, na relação com o outro e com a natureza da qual são partes integrantes. Surgem, assim, as interações sociais que se apropriam da educação, construindo-a e servindo também como ferramenta para a resolução de seus próprios problemas.

Os bosques da educação, aqui, se apresentam enquanto bosques de relações. Isto requer uma visão da inteligência, da consciência e do pensamento como algo contínuo, processual e dinâmico, o que vai possibilitar atribuir ao conhecimento e à aprendizagem também tais atributos. As características mutantes e caleidoscópicas do conhecer e do aprender exigem uma abordagem processual, ampla e holística, estimulando o avanço dos processos de aprendizagem com o apoio das ferramentas

26 A presente seção foi concebida por se entender que, apesar do esforço de neutralidade, no processo

da pesquisa o olhar do pesquisador fica comprometido pelas suas lentes, as quais são constituídas pela sua vivência e conhecimentos prévios, de suas leituras e paradigmas. São estes atributos que possibilitam aos sujeitos estabelecer conexões, produzir inferências e atribuir significados às coisas existentes. MORAES (1997:76), citando David Bohm, permite inferir que, diante da realidade, “o conteúdo do fato não pode ser coerentemente visto como separado dos modos de observação, da instrumentação e dos modos de entendimento teórico”.

27 PAAS, Leslie. Design Educacional para a sociedade da informação. Aula 4. Mestrado em Mídia e

Conhecimento, LED/PPGEP/UFSC: maio/2001 (nota de sala de aula). O design educacional deve abordar o processo educativo de forma mais ampla e holística, visando à melhoria contínua da educação no contexto da sociedade atual e futura.

adequadas que o contexto histórico e cultural oferecem, visando à melhoria contínua da sociedade.

Para se atender a uma realidade tão moldável e mutante, o olhar desta pesquisa é marcado por uma abordagem cultural de análise e por princípios pedagógicos ativos, construtivistas. A aprendizagem ganha significado na relação com os sujeitos e na aprendizagem colaborativa de fundamentação socioconstrutivista. Os fatos e fenômenos requerem uma visão integrativa, onde o sujeito individual, respeitada a sua subjetividade, transforma-se em sujeito coletivo, com ações práticas que ampliam a consciência humana (MORAES, 1997).

O conhecimento escolar, aqui, é visto como fruto dos interesses dos alunos, de sua postura crítica diante dos problemas contemporâneos que vivem e das relações estabelecidas com o conhecimento disciplinar, ou seja, através do legado cultural da humanidade. Os homens são sujeitos históricos capazes de reconstrução e autoconstrução. O patrimônio cultural é uma forte referência para qualquer ação. Ele corresponde aos desejos e anseios de avanço e de identidade histórica. Todavia, é preciso rever alguns aspectos tais como: a compartimentalização e a fragmentação histórica dos conteúdos e saberes escolares, bem como a formação estrita de especialistas, que promove profissionais fechados dentro de uma área, ignorando as outras. A integração das disciplinas, na resolução de problemas e projetos de trabalho, possibilita práticas sociais, onde o conhecimento pode ser visto como instrumento para a compreensão e intervenção no real.

A realidade, marcada pelo avanço técnico e científico, solicita uma política cultural que possa urbanizar e valorizar a tecnologia, utilizando o conhecimento e a técnica como instrumentos do fazer e do entender. Esta política ressalta a importância da cultura e da tecnologia como patrimônio que garanta a qualidade do futuro. Paz (1991:8) aponta a sentença implacável do progresso: o homem está “condenado a ser moderno”, “sem poder prescindir da técnica e da ciência”. Continua o autor, ainda: “É impossível e impensável a ”volta ao passado” como solução ao impasse da sociedade

industrial. O problema consiste em adequar a tecnologia às necessidades humanas, e não o contrário, como ocorreu até hoje”.

Cabe aqui ressaltar o papel da educação enquanto ação emancipatória e de crescimento dos indivíduos. Enquanto proposta educativa, o fazer pedagógico deve privilegiar a tecnologia no atendimento às necessidades humanas, sobretudo nas atividades de formação. “A técnica é internacional. Suas construções, seus procedimentos e seus produtos são os mesmos em toda parte”. Contudo, “o perigo da técnica não reside apenas na índole mortífera de muitas de suas invenções, mas em que ameaça até a essência do processo histórico. Ao acabar com a diversidade das sociedades e culturas, acaba com a própria história” (PAZ, 1991:54). As transformações decorrentes do avanço científico e tecnológico devem estar em prol de ideais de liberdade e não da extirpação do outro.

Educação e tecnologia devem-se desenvolver paralelamente, uma se beneficiando da outra; esta é uma exigência da realidade, onde o saber “não mais existe de uma forma linear e hierárquica”, mas “em redes de conhecimentos que estão disponíveis dentro e fora da Escola” (GRINSPUN, 1999:18). Esta mesma realidade demanda um olhar por inteiro, global e holístico sobre si própria. Assim, diante das evidências técnicas e educacionais, reafirma-se aqui a expectativa por uma concepção globalizante de conhecimento e aprendizagem, onde o sentimento, as emoções, a corporeidade e o processo de ensino e aprendizagem coexistam com as variáveis racionalistas. É preciso que seja incorporada sensibilidade à tecnologia para que ela não fique tão bruta, lutando-se pelo acesso de todos à mesma, bem como por uma verdadeira inclusão digital, com respeito e compartilhamento.