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1.2 Design : conceitos e definições

1.2.1 Design gráfico

O design gráfico surgiu através de diversas demandas distintas do mercado, como comunicação, projeto, estética, arte, industrialização, entre muitas outras. Nota-se seu desenvolvimento mais forte conforme o avanço dos séculos, principalmente séculos XIX e XX. O termo design gráfico foi creditado ao designer de livros William Dwiggins em um artigo escrito pelo mesmo em 1922, descrito por Philip Meggs (2006) em seu livro A história

do design gráfico e também por Ellen Mazur Thomson (1997) em The origins of graphic design in America 1870-1920, porém, o design gráfico surgiu antes de assim ser chamado,

sendo sua história parte da história da arte – e não somente – mas não dependente dela. Dwiggins definiu o termo para descrever as atividades de um indivíduo que traz ordem estrutural e forma à comunicação impressa (MEGGS, 2006), e a partir daí, os profissionais de design criaram uma disciplina que combinava arte visual com comunicação em massa (MAZUR, 1997).

O design gráfico se realiza na intenção de comunicar algo a alguém. Para o professor emérito da universidade de Alberta, ex-presidente e membro da Icograda (International council of graphic design association – Conselho internacional de associações de design gráfico) Jorge Frascara, em obra organizada por Margolin e Buchanan (1996), o design gráfico é uma atividade que organiza a comunicação visual na sociedade, a qual está preocupada com a eficiência da comunicação, tecnologia, efeitos e impactos ambientais, ou seja, com a responsabilidade social. Podemos perceber aqui, que o design gráfico é visto principalmente não como uma coisa única, como ilustração ou fotografia, mas um conjunto de conhecimentos e técnicas que nos permitem moldar e formar uma determinada imagem ou coisa de maneira especificamente manipulada e dirigida. Nesta conformação, Richard Hollis afirma que design gráfico é “quando reunidas, as marcas gráficas formam imagens. O design gráfico é a arte de criar ou escolher tais marcas, combinando-as numa superfície qualquer para transmitir uma ideia” (2005, p. 01). Nas palavras do professor da Universidade do Rio de Janeiro Gilberto Strunck, “o design gráfico, ou programação visual, é um conjunto de teorias e técnicas que nos permite ordenar a forma pela qual se faz a comunicação visual” (2007, p. 53).

O design gráfico está inserido em um contexto metropolitano profundamente enraizado na cultura econômica material, de onde surgiu por necessidades advindas das

demandas de mercado e concorrência. Por este motivo, os estudos acadêmicos sobre o tema avançaram de maneira lenta em relação aos avanços exigidos do design gráfico pela indústria. Pelo fato da constante corrida mercadológica e tecnológica, os grupos e associações, objetivando fortalecer estes profissionais, formaram-se definições claras e objetivas para atender e esclarecer aos interesses e dúvidas do público – clientes e consumidores em potencial – e tornaram-se fontes respeitadas de pesquisa e referência sobre o assunto.

A Icograda (2013) define a profissão como a produção de um artefato projetual, como um processo estratégico que permite a comunicação em formatos visuais. Segundo o manual do código de conduta profissional para designers, da Icograda do ano anterior (2012), é permitido pressupor que o designer está preocupado com a comunicação gráfica e comunicação visual, com produtos e bens capitais. Para o manifesto educacional da Icograda , “o design gráfico vem se tornando muito mais uma profissão que integra idiomas e enfoques de várias essências visuais que se dão em múltiplos níveis de profundidade” (2000, p.17). O Conselho internacional também coloca o designer gráfico como aquele que tem a sensibilidade artística, experiência e é profissionalmente treinado para criar imagens para reprodução de qualquer tipo de comunicação visual que esteja preocupada com elementos estruturais de qualquer natureza, como ilustração, tipografia, caligrafia, superfície de embalagens, desenvolvimento de padrões, livros, materiais de anúncios e publicidade ou alguma outra forma de comunicação visual. De acordo com essa ideia, designers gráficos profissionais são especialistas em estruturar e organizar informações visuais para anúncios de comunicação e orientação.

O professor Marcos Paes de Barros em artigo sobre o que é design gráfico, no

website da Academia Brasileira de Arte, ABRA (s.d.), explica ser uma “atividade projetual,

funcional, comunicacional, comercial, visual e reproduzível intencionalmente por meios mecânicos”. Este é um processo de resolver problemas onde requer uma substancial criatividade, inovação e expertise técnica para construir tal relação. Também encontra-se na Associação de Design Gráfico do Brasil, ADG (2013), a definição do design gráfico não somente como um processo técnico, mas também criativo, que se utiliza de imagens e textos para comunicar mensagens, ideias e conceitos com objetivos comerciais ou de fundo social. Como uma extensão da ADG (2012), seu glossário de termos e verbetes utilizados em design

gráfico, nos traz o vocábulo como “termo utilizado para definir, genericamente, a atividade de

planejamento e projetos relativos à linguagem visual. Atividade que lida com a articulação de texto e imagem” (ABC da ADG, 2012). Diz também envolver noções de projeto gráfico,

assim como identidade visual, sinalização e demais atividades, alem de poder ser empregado como substantivo para assim ser definido como o próprio projeto.

Tratando-se de tanta pluralidade quanto ao uso do termo design, ao tentar definir o design gráfico, encontra-se pontos bastante claros sobre sua essência em termos de ofício, de exercer a profissão estabelecida pelo nosso sistema atual. Para o Instituto Americano de Artes Gráficas, tradicionalmente conhecido como AIGA, o design – e, a partir daí, suas ramificações – é um investimento em pensamento inovador, posicionamento, marca e comunicação que criam valores para negócios em termos de vantagens competitiva, confiança personalizada, lealdade e fatia de mercado. Seguindo nesta estrada, a associação de design gráfico da Austrália (AGDA, tradução nossa) vê o design gráfico como “uma atividade interdisciplinar de resolução de problemas que combina sensibilidade com habilidades e conhecimentos nas áreas de comunicação, tecnologia e negócios”. Um bom design gráfico seria capaz de comunicar emoções e tons sutis de significados, controlando cores, tipografias, imagens e ideias, seria assim o profissional que produz materiais que transmitem mensagens específicas ao público-alvo (GDC, Sociedade de design gráfico do Canadá).

André Villas-Boas aborda a questão do design gráfico, uma área de conhecimento que tem por objetivo compor peças gráficas destinadas a reprodução com objetivo expressamente comunicacional, que são relativas ao ordenamento estético-formal de elementos visuais e textuais. Para que uma atividade seja considerada design gráfico, ou um produto possa ser enquadrado como tal, Villas-Boas diz que a metodologia (problematização, concepção e especificação) deve ser expressamente considerada. Em suma, o designer gráfico pode ser visto como aquele que organiza toda a amplitude do que vemos (LAWSON, 2011).