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4. TIPOLOGIA DAS LAMAS DA SUBREGIÃO DE SINTRA

4.3. Destino Final das Lamas nas ETAR de Sintra

A composição e a qualidade das lamas, como subproduto das ETAR, variam, não apenas com as características do afluente de que provêm, mas, sobretudo, também, da tecnologia e do tratamento a que foram sujeitas. A sua composição química, além de poder variar consoante a ETAR, varia dentro de cada uma, como consequência da variação da composição desses afluentes ao longo do ano.

Aliás, essa variação é perceptível nos valores obtidos nos diferentes parâmetros analisados para as amostras de lamas das ETAR da subregião de Sintra e inseridos nos quadros 4.1. e 4.2 anteriormente referidos. A variação da quantidade e da qualidade dos caudais afluentes às ETAR determinaram, quase inevitavelmente, essas oscilações dos padrões analíticos das lamas recolhidas.

Ora, dado que existe a possibilidade de variações da composição das lamas depuradas e, para se dar cumprimento ao estabelecido no Decrecto-lei n.º 118/2006 de 21 de Junho, a valorização agronómica só é viável se forem avaliadas e conhecidas as composições químicas quer das lamas, como dos solos a que se destinam na incorporação, de forma a que não exista qualquer impedimento legal que comprometa a qualidade desses subprodutos das ETAR, bem como a do próprio Homem, por via directa ou indirecta, através da água, dos solos, da vegetação e dos animais.

Com essa preocupação ambiental, os SMAS-Sintra confiam a gestão dessas lamas de depuração das ETAR à empresa Terra Fértil, Lda. A empresa ao desenvolver a actividade da valorização agronómica das lamas tem de proceder conforme se explicitou no parágrafo anterior, por questões legais, e, além disso, também, fornecer o acompanhamento e apoio técnico decorrente da incorporação dos biorresíduos em solos culturais.

Da gestão faz parte o registo da data, identificação e localização das parcelas ou explorações agrícolas, a cultura praticada e as quantidades de lamas valorizadas na agricultura em relação à sua proveniência, neste caso, as ETAR de Sintra.

Em relação às quantidades de lamas produzidas nas ETAR desta subregião, no ano 2007, a que corresponderam cerca de 3 759,2 t, foram valorizadas na agricultura, pela empresa Terra Fértil, um total de 3 125 t, distribuídas pelos dois semestres em quase igual volume, conforme se pode observar nos valores do gráfico da figura 4.6. A estes valores corresponde uma eficácia de valorização agronómica de cerca de 83% para o ano 2007. Os valores despendidos na valorização das lamas das ETAR de Sintra, para o mesmo período em avaliação, tiveram um custo de cerca de 36 250,00 €, de acordo com informação prestada pelos SMAS-Sintra.

Valorização Agrícola das Lamas em 2007 0 1000 2000 3000 4000 Qt. Lamas valorizadas (ton) Ano 2º Sem 1º Sem

Figura 4.6 - Quantidade de lamas das ETAR de Sintra valorizadas pela empresa Terra Fértil

em 2007. (Fonte: SMAS-Sintra, 2008).

Quanto ao destino final das lamas valorizadas na agricultura, os relatórios da empresa Terra Fértil, cujos valores podem ser observados na figura 4.7, demonstram que houve, em 2007, um predomínio de incorporação de lamas em explorações com práticas de culturas arvenses, cerca de 59%, seguindo-se-lhes explorações com culturas mistas (milho e tomate), 29%, prado, 9% e, por último, culturas de hortícolas, com 3%.

Incorporação de Lamas por Culturas

29% 59% 3%9% Milho Aveia Hortícolas Prado

Figura 4.7 - Percentagem de incorporação de lamas por cultura praticada em 2007.

(Fonte: SMAS-Sintra, 2008).

O destino das lamas para valorização agronómica, com localização da parcela, cultura realizada e quantidades aplicadas por mês, no período em análise, encontra-se descrito no quadro 4.5 seguinte.

Quadro 4.5 - Identificação da exploração, cultura realizada e quantidades incorporadas

para valorização agronómica das lamas das ETAR do concelho de Sintra em 2007.

Mês Localização Parcela Cultura realizada Quantidade (t)

Janeiro Palmela Milho 265

Fevereiro Montijo Milho 305

Coruche Aveia 220 Março

Palmela Aveia 30 Abril Palmela Aveia 240

Coruche Aveia 120 Maio

Palmela Aveia 145

Junho Palmela Aveia 360

Branca, Coruche Hortícolas 90 Julho

Palmela Aveia 180 Palmela Aveia 150 Agosto

Couço, Coruche Milho, Tomate 120 Setembro Couço, Coruche Milho, Tomate 210

Samora Correia Prado 270

Outubro

Palmela Aveia 60

Novembro Palmela Aveia 180

Branca, Coruche Aveia 60

Dezembro

Branca, Coruche Aveia 120

Total 3125

(Fonte: SMAS-Sintra, 2008).

A distribuição pelos concelhos de destino final está apresentada na figura 4.8, onde se verifica que o concelho com maior destino para incorporação de lamas valorizadas é o de Palmela, com 51% das lamas, seguido do concelho de Coruche com 30%.

Regiões Finais, por concelho, em 2007

51% 10% 30% 9% Palmela Montijo Coruche Benavente (SC)

Figura 4.8 - Destino final das lamas valorizadas na agricultura, por concelho de incorporação em

Incorporação de Lamas por Culturas em 2008 29% 56% 5% 10% Milho Aveia Hortícolas Prado

Região Final, por concelho, em 2008

50% 10% 30% 10% Palmela Montijo Coruche Benavente (SC)

A totalidade das lamas produzidas em 2008, pelas diferentes ETAR da subregião de Sintra, foi destinada a valorização agronómica. Resultou, assim, uma total incorporação no solo das 4 156 t geradas ao longo do ano, representando uma efíciência de incorporação de 100%. Os custos com essa valorização continuaram a ser da ordem dos 11,00 € por tonelada de lama produzida, o que perfez um total dispendido de 45 716,00 €.

No essencial, mantiveram-se os valores percentuais da aplicação das lamas nas culturas praticadas, bem como dos destinos de incorporação nessa valorização agronómica, conforme se pode observar nos valores inscritos nas figuras 4.9 e 4.10, respectivamente.

Figura 4.9 - Percentagem de incorporação de lamas por cultura praticada em 2008.

(Fonte: SMAS-Sintra, 2008).

Figura 4.10 - Destino final das lamas valorizadas na agricultura, por concelho de

5. CONCEPTUALIZAÇÃO DO MODELO DE GESTÃO DE LAMAS

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