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Detec¸c˜ ao de camadas em 10 pontos controlados do modelo

No documento Inversão de Marchenko em uma dimensão (páginas 81-92)

4.4 Ru´ıdo causado por uma pequena diferen¸ca de fase

4.5.2 Detec¸c˜ ao de camadas em 10 pontos controlados do modelo

Com intuito ilustrativo do m´etodo, a Figura 41 exibe 10 pontos de foco distintos em partes diferentes do modelo, com duas zonas de maior velocidade. Os tempos de foco tf

de cada ponto foram calculados usando a equa¸c˜ao (83). Em seguida, utilizou-se o esquema iterativo de van der Neut com 4 itera¸c˜oes para cada ponto de foco, a fim de se obter as

fun¸c˜oes de Green progressivas.

A Figura 42 exibe os passos requeridos pelo m´etodo. Primeiro, escolhem-se duas

solu¸c˜oes da fun¸c˜ao de G+ distintas (foram escolhidos os pontos xf 1 e xf 2). O tempo da

onda direta de cada uma das duas solu¸c˜oes ´e conhecido — tf 1 para o ponto xf 1 e tf 2 para

o ponto xf 2. O pr´oximo passo ´e deslocar para direita a solu¸c˜ao que possui menor tempo de

0 2 4 6 1.5 2 2.5 3 3.5 4 Distancia (km) Velocidade (km/s) Velocidade 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Figura 41: Modelo com duas zonas de alta velocidadede com 10 pontos de foco (xf i) distintos,

numerados de 1 a 10. 0 1 2 3 4 5 6 -2 0 2 4 6 Tempo (s) Amplitude

Pontos de foco 1 & 2

(a) Fun¸c˜oes G+ dos pontos de focamento 1 e 2.

0 1 2 3 4 5 6 -2 0 2 4 6 Tempo (s) Amplitude

Pontos de foco 1 & 2

(b) Fun¸c˜oes G+ dos pontos de focamento x f 1 e

xf 2. A solu¸c˜ao que possui tempo de focamento

menor foi deslocada em dt = |tf i− tf k|.

Figura 42: Sismogramas dos pontos de focamento xf 1 e xf 2 da (Figura 41), e deslocados em

tempo.

menor tempo, pois o sismograma ´e finito e n˜ao temos informa¸c˜ao para tempos maiores que

o tempo m´aximo de amostragem (t > 6s). Como ap´os o deslocamento os dois eventos s˜ao idˆenticos (Figura 42b), sabemos que os pontos xf 1 e xf 2 pertencem `a mesma camada.

0 1 2 3 4 5 6 -2 0 2 4 6 Tempo (s) Amplitude

Pontos de foco 1 & 4

Figura 43: Fun¸c˜oes G+ dos pontos de focamento xf 1 e xf 4. C´ırculo azul indica o primeiro

evento d´ıspar causado pela mudan¸ca de camada. A solu¸c˜ao que possui tempo de focamento menor foi deslocada em dt = |tf i− tf k|.

A Figura 43 exibe a situa¸c˜ao correspondente da Figura 42b para o caso em que as fun¸c˜oes

de Green redatumadas s˜ao calculadas para os dois pontos xf i: (i = 1 e 4), que encontram-se

em camadas distintas. O c´ırculo azul indica o primeiro evento d´ıspar entre as duas G+. Esse

evento aparece antes das reflex˜oes e m´ultiplas, compartilhadas pelas duas fun¸c˜oes. Como as duas fun¸c˜oes n˜ao s˜ao idˆenticas, sabemos que os respectivos pontos xf est˜ao em camadas

distindas.

As Figuras 44a, 44b e 44c tamb´em s˜ao exemplos de pontos de foco xf i: (i = 3 e 4), (i =

6 e 8) e (i = 9 e 10) que pertencem `a mesma camada (os sismogramas s˜ao idˆenticos), ao passo que os eventos d´ıspares das Figuras 44d a 44f indicam que houve mudan¸ca de camada

entre os respectivos pontos xf i: (i = 1 e 7), (i = 1 e 9) e (i = 3 e 8).

O m´etodo descrito neste trabalho ´e ´util para identificar o n´umero de camadas utilizando

apenas o sismograma, sem que seja necess´ario conhecer do modelo de velocidade. Entretanto, o m´etodo n˜ao permite determinar os valores da velocidade nas camadas detectadas e, por

consequˆencia, sem o modelo de velocidade, n˜ao ´e poss´ıvel conhecer a posi¸c˜ao da camada no espa¸co, mas apenas no tempo.

0 1 2 3 4 5 6 -2 0 2 4 6 Tempo (s) Amplitude

Pontos de foco 3 & 4

(a) Fun¸c˜oes G+ dos pontos de focamento 3 e 4. 0 1 2 3 4 5 6 -2 0 2 4 6 Tempo (s) Amplitude

Pontos de foco 6 & 8

(b) Fun¸c˜oes G+ dos pontos de focamento 6 e 8. 0 1 2 3 4 5 6 -2 0 2 4 6 Tempo (s) Amplitude

Pontos de foco 9 & 10

(c) Fun¸c˜oes G+ dos pontos de focamento 9 e 10. 0 1 2 3 4 5 6 -2 0 2 4 6 Tempo (s) Amplitude

Pontos de foco 1 & 7

(d) Fun¸c˜oes G+ dos pontos de focamento 1 e 7. 0 1 2 3 4 5 6 -2 0 2 4 6 Tempo (s) Amplitude

Pontos de foco 1 & 9

(e) Fun¸c˜oes G+ dos pontos de focamento 1 e 9. 0 1 2 3 4 5 6 -2 0 2 4 6 Tempo (s) Amplitude

Pontos de foco 3 & 8

(f) Fun¸c˜oes G+ dos pontos de focamento 3 e 8.

Figura 44: V´arias solu¸c˜oes com tf distintos. As solu¸c˜oes que possuem tempo de focamento

5 CONCLUS ˜OES

Esta disserta¸c˜ao resumiu a dedu¸c˜ao te´orica da equa¸c˜ao integral de Marchenko e apre- sentou uma dedu¸c˜ao alternativa das equa¸c˜oes acopladas de Marchenko em uma dimens˜ao.

Essas equa¸c˜oes foram resolvidas por esquemas iterativos com a finalidade de se comparar a qualidade da solu¸c˜ao em rela¸c˜ao `a solu¸c˜ao por diferen¸cas finitas e avaliar sua sensibilidade

ao ru´ıdo.

A equa¸c˜ao integral de Marchenko pode ser resolvida pelo esquema iterativo desenvolvido

por Rose (2002). Em s´ıntese, cada itera¸c˜ao envolve trˆes passos, a saber: o c´alculo da resposta de reflex˜ao, o c´alculo da coda pela opera¸c˜ao de mascaramento e sua revers˜ao no tempo e, por

fim, a inje¸c˜ao de um novo pulso, que ´e a subtra¸c˜ao entre o pulso inicial e a coda. Broggini e Snieder (2012) mostram que a solu¸c˜ao, ap´os a convergˆencia, pode ser utilizada para recuperar

a fun¸c˜ao de Green redatumada no ponto xf.

A solu¸c˜ao das equa¸c˜oes acopladas de Marchenko tamb´em pode ser obtida por meio

de um esquema iterativo que faz uso de um operador de mascaramento, desenvolvido por van der Neut et al. (2015). Nesse esquema, a cada itera¸c˜ao, calcula-se a parte regressiva da

solu¸c˜ao por meio da parte progressiva da itera¸c˜ao anterior, para ent˜ao calcular a coda. O esquema de Broggini e Snieder utiliza uma modelagem/convolu¸c˜ao em cada itera¸c˜ao,

enquanto o esquema de van der Neut utiliza duas — apontando que este esquema tem custo computacional pelo menos duas vezes maior.

Em uma situa¸c˜ao real, esses dois esquemas iterativos n˜ao podem ser aplicados por meio de modelamento, por falta de conhecimento do modelo de velocidade. Ao inv´es disso,

os campos espalhados precisam ser determinados por meio da convolu¸c˜ao do pulso a ser injetado com o sismograma de reflex˜ao. Se o tra¸co s´ısmico ´e uma boa aproxima¸c˜ao da fun¸c˜ao

de Green normalizada, os esquemas convergem e recuperam a cinem´atica dos eventos com boa precis˜ao, sem a necessidade de uma corre¸c˜ao intermedi´aria. Para o exemplo em que o

tra¸co foi obtido com uma wavelet Gaussiana, os esquemas convergiram bem e apresentaram a mesma cinem´atica da solu¸c˜ao de referˆencia. A dinˆamica foi comprometida, de modo que,

ap´os sucessivas convolu¸c˜oes, os eventos tiveram suas amplitudes reduzidas e sua dura¸c˜ao incrementada (efeito atribu´ıdo `a auto-convolu¸c˜ao da wavelet). Dessa forma, utilizando uma

simples normaliza¸c˜ao de√2, em cada passo convolutivo dos esquemas iterativos, a dinˆamica da solu¸c˜ao iterativa n˜ao foi corrigida.

Em rela¸c˜ao ao custo computacional, o esquema por convolu¸c˜ao tem custo muito menor

se comparado a diferen¸cas finitas — cerca de 200 vezes menor para os esquemas de van der Neut.

Ambos os m´etodos iterativos foram aplicados a dois tra¸cos s´ısmicos obtidos em dois modelos de velocidade distintos — o primeiro, simples, apresenta duas zonas de alta ve-

locidade; o segundo, complexo, amostrado em um perfil vertical do modelo Marmousi. No primeiro modelo, foi apresentado o problema do escalamento incorreto da fonte para o ponto

de foco posicionado em regi˜ao cuja velocidade ´e maior que a do ponto de inje¸c˜ao. Sua an´alise tamb´em permitiu testar a robustez dos m´etodos iterativos para tra¸co s´ısmico com presen¸ca

de ru´ıdo. A partir do modelo mais complexo, foi poss´ıvel avaliar a qualidade das solu¸c˜oes dos esquemas iterativos em compara¸c˜ao com a solu¸c˜ao de referˆencia por diferen¸cas finitas.

Observamos que, em suma, os dois esquemas apresentaram bons resultados no modelo simples, visto que foi poss´ıvel recuperar a cinem´atica dos eventos eventos mais importantes.

A dinˆamica, entretanto, sofreu pelo escalamento incorreto da fonte. A solu¸c˜ao do tra¸co s´ısmico com ru´ıdo recuperou a cinem´atica da solu¸c˜ao de referˆencia em ambos os esquemas —

sem a utiliza¸c˜ao de um crit´erio de parada, entretanto, as solu¸c˜oes divergiram pelo crit´erio de convergˆencia. Comparativamente, o esquema de van der Neut apresentou maior sensibilidade

ao ru´ıdo.

No perfil extra´ıdo do modelo Marmousi, os dois esquemas apresentaram boa precis˜ao

cinem´atica, recuperando os eventos de maior amplitude. Contudo, para longos tempos no sis- mograma (onde predominam m´ultiplas de baixa amplitude), o erro causado por uma pequena

diferen¸ca de fase no c´alculo da resposta de reflex˜ao comprometeu as acur´acias cinem´atica e dinˆamica.

A an´alise da solu¸c˜ao da fun¸c˜ao de Green progressiva do esquema de van der Neut permitiu apresentar um m´etodo para detec¸c˜ao de camadas: ao comparar duas solu¸c˜oes (G+)

para tempos de foco diferentes, podemos avaliar se h´a ou n˜ao interfaces entre esses dois tempos.

tra¸co com ru´ıdo em modelos complexos. Al´em disso, este trabalho mostrou que o m´etodo de

detec¸c˜ao de camadas foi bem sucedido para um modelo bastante simples — seria necess´ario verificar sua precis˜ao em modelos complexos.

Por fim, para aplicar os esquemas iterativos por convolu¸c˜ao a modelos reais ´e preciso que o tra¸co s´ısmico inicial seja uma boa aproxima¸c˜ao da fun¸c˜ao de Green, ou que se adicione

um passo intermedi´ario de deconvolu¸c˜ao para a remo¸c˜ao do efeito da wavelet ap´os cada convolu¸c˜ao, a fim de se controlar o efeito da auto-convolu¸c˜ao.

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APˆENDICES

A Transformada de Fourier

Seja f (t) um fun¸c˜ao real. Definimos sua transformada de Fourier e sua transformada

inversa como

b f (ω) =

Z ∞

−∞

f (t)eiωtdt , (A.1)

f (t) = 1 2π

Z ∞

−∞

b

f (ω)e−iωtdω . (A.2)

Neste trabalho, supomos que as transformadas de Fourier de todas as fun¸c˜oes envolvidas existem. Com as equa¸c˜oes (A.1) e (A.2), obtem-se algumas propriedades importantes, a

saber: b f (−ω) = bf∗(ω) ; (A.3) F {f(−t)} = bf∗(ω) ; (A.4) F {d dtf (t)} = −iω bf (ω) ; (A.5) F {f ∗tg} = bf (ω)bg(ω) , (A.6)

ondeF denota a transformada direta de Fourier, o superscrito * denota o complexo conjugado de bf (ω) e ∗t, o operador de convolu¸c˜ao temporal.

B Divis˜ao por ω

Na equa¸c˜ao (33) precisamos efetuar uma divis˜ao por ω. Essa opera¸c˜ao n˜ao ´e poss´ıvel se ω = 0. Estudamos, neste apˆendice, o procedimento correto neste caso. Iniciamos as nossas

considera¸c˜oes com a observa¸c˜ao de que a fun¸c˜ao Heaviside (H(t)) pode ser escrita como

H(t) = Z t

−∞

Note que a integral na equa¸c˜ao (A.7) ´e igual a Z t −∞ δ(τ )dτ =            0, se t < 0 ; 1 2, se t = 0 ; 1, se t > 0 , (A.8)

que ´e a fun¸c˜ao Heaviside. Esse resultado mostra que a fun¸c˜ao Heaviside ´e a primitiva da distribui¸c˜ao δ(t).

A transformada de Fourier da fun¸c˜ao Heaviside ´e dada por

b H(ω) =

Z ∞

0

cos(ωt) + i sen(ωt)dt . (A.9)

Podemos calcular o resultado da integral em cos(ωt) e sen(ωt) da seguinte maneira. Primeiro, para a integral com o cos(ωt), seu resultado pode ser obtido tomando a transfor-

mada inversa de Fourier da fun¸c˜ao bδ(ω)

πδ(t) = Z ∞

0

cos(ωt)dω . (A.10)

Aqui usamos que bδ(ω) = 1 e tamb´em usamos as propriedades das integrais de fun¸c˜oes pares

e ´ımpares avaliadas em um intervalo sim´etrico — onde supomos que o intervalo [−∞, ∞] ´e sim´etrico.

Para a integral com o sen(ωt) avaliamos dois casos. No primeiro, para ω = 0, notamos que seu resultado ser´a zero. Agora, avaliamos o segundo caso em que ω 6= 0. Para calcularmos

seu resultado, tomamos ωt = π2 − χ e reescrevemos a integral como

i Z ∞ 0 sen(ωt)dt = i ω Z ∞ −π 2 cos(χ)dχ . (A.11)

Separando o intervalo de integra¸c˜ao do lado direito em dois [−π2, 0] e [0, ∞], temos

i Z ∞ 0 sen(ωt)dt = − 1 iω " Z 0 −π 2 cos(χ)dχ + Z ∞ 0 cos(χ)dχ # . (A.12)

Executando as integrais da direita temos

i Z ∞

0

sen(ωt)dt = − 1

iωsen(0) − sen(−

π

2) + πδ(1)



(A.13)

como sen(0) = δ(1) = 0 e −sen(−π2) = 1, segue que

i Z ∞ 0 sen(ωt)dt =      0, se ω = 0 ; − 1 iω, se ω 6= 0 . (A.14)

Substituindo (A.10) e (A.14) na equa¸c˜ao (A.9), obtemos a transformada de Fourier da fun¸c˜ao Heaviside

b

H(ω) = πδ(ω) −

1

iω , (A.15)

aqui express˜ao 1 possui aspas como lembrete, pois ela equivale a zero no caso ω = 0. Esse ´e um resultado muito importante, pois formaliza as express˜oes que s˜ao divididas por iω no

No documento Inversão de Marchenko em uma dimensão (páginas 81-92)

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