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Determinação dos Parâmetros do Modelo do Transformador

A fim de utilizar o circuito equivalente do transformador da Figura 5.15, precisamos determinar os valores de vários  parâmetros.  Esses  parâmetros  podem  ser  obtidos  por  meio  de  dois  ensaios:  (1)  ensaio  de  circuito aberto (vazio) e (2) ensaio de curto­circuito.

Ensaio de Circuito Aberto

Neste  ensaio,  um  dos  enrolamentos,  por  exemplo,  o  enrolamento  2,  é  mantido  aberto,  como  mostrado  na

Figura  5.17,  ao  passo  que  no  enrolamento  1  é  aplicada  a  tensão  nominal.  A  tensão  rms  de  entrada  Vca,  a

corrente rms Ica e a potência média Pca são medidas, em que o subscrito “ca” significa a condição de circuito

aberto. Sob a condição de circuito aberto, a corrente no enrolamento é pequena e é determinada pela grandeza da  impedância  de  magnetização.  Portanto,  a  queda  de  tensão  na  indutância  de  dispersão  pode  ser  esquecida, conforme mostra a Figura 5.17. Em termos das quantidades medidas, Rhe pode ser calculado como segue:

5.8.3.2

FIGURA 5.17 Ensaio de circuito aberto.

FIGURA 5.18 Ensaio de curto­circuito.

Utilizando os valores medidos de Vca, Ica e Rhe calculados da Equação 5.43, podemos calcular a reatância de

magnetização Xm da Equação 5.44.

Ensaio de Curto­Circuito

Neste ensaio, um dos enrolamentos, por exemplo, o enrolamento 1, é curto­circuitado, como mostra a Figura

5.18a.  Uma  tensão  baixa  é  aplicada  ao  enrolamento  2  e  ajustada  de  tal  forma  que  a  corrente  em  cada

Observa­se que na Equação 5.46, da Figura 5.18a,

Portanto, substituindo a Equação 5.47 na Equação 5.46,

Isto  permite  ao  circuito  equivalente  sob  a  condição  de  curto­circuito  da Figura  5.18a  ser  redesenhado  na

Figura 5.18b, em que os componentes parasitas do enrolamento 1 foram movidos para o lado do enrolamento

2  e  são  incluídos  com  os  componentes  parasitas  do  enrolamento  2.  Logo,  ao  transferir  (referenciar)  a impedância  de  dispersão  do  enrolamento  1  para  o  lado  do  enrolamento  2,  pode­se  substituir  efetivamente  a porção do transformador ideal da Figura 5.18b com um curto. Assim, em termos das quantidades medidas,

Os transformadores são projetados para produzir aproximadamente iguais perdas I2 R  (perdas  no  cobre)  em

cada enrolamento. Isto implica que a resistência do enrolamento é inversamente proporcional ao quadrado de sua  corrente  nominal.  Em  um  transformador,  as  correntes  nominais  estão  associadas  à  relação  de  espiras como

em que a relação de espiras é explicitamente mencionada na placa de especificações do transformador, ou isto pode ser calculado da relação de tensões nominais. Portanto,

5.9

Substituindo a Equação 5.51 na Equação 5.49,

R1 pode ser calculado da Equação 5.51.

A reatância de dispersão em um enrolamento é aproximadamente proporcional ao quadrado do número de espiras. Portanto,

Utilizando as Equações 5.51 e 5.53 na Figura 5.18b,

Usando  os  valores  medidos  de  Vcc e Icc, e R2  calculado  da Equação 5.52  podemos  calcular  Xℓ 2  da Equação 5.54 e Xℓ1 da Equação 5.53.

ÍMÃS PERMANENTES

Muitas máquinas elétricas diferentemente das máquinas de indução consistem em ímãs permanentes em caso de  pequenas  especificações.  Contudo,  o  uso  de  ímã  permanente  se  estenderá,  sem  dúvida,  a  grandes máquinas,  porque  o  ímã  permanente  fornece  fluxo  independentemente  de  uma  fonte  de  fluxo,  que  em  outro caso  teria  que  ser  criado  por  enrolamentos  conduzindo  uma  corrente,  o  que  incorreria  em  perdas  i2R  na

resistência do enrolamento. A mais alta eficiência e a mais alta densidade de potência fornecida por máquinas de  ímã  permanente  as  tornam  mais  atrativas.  Em  anos  recentes,  significativos  avanços  foram  realizados  em materiais como Nd­Fe­B que têm atrativas características magnéticas em comparação com os materiais de ímã permanente mostrado na Figura 5.19.

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. FIGURA 5.19 Características de vários materiais de ímãs permanentes.

RESUMO/QUESTÕES DE REVISÃO

Qual  é  a  função  dos  circuitos  magnéticos?  Por  que  são  desejáveis  os  materiais  magnéticos  com  alta permeabilidade?  Qual  é  a  faixa  típica  das  permeabilidades  relativas  de  materiais  ferromagnéticos  de ferro? Por que pode ser ignorada a “dispersão” em circuitos elétricos, mas não em circuitos magnéticos? Que é a Lei de Ampère e que quantidade é calculada com ela? Qual é a definição de força magneto motriz (fmm), F? Qual é o significado de “saturação magnética”? Qual é a relação entre ϕ e B? Como pode ser calculada a relutância magnética ℜ? Qual quantidade do campo é determinada dividindo a fmm F pela relutância ℜ?

Em  circuitos  magnéticos  com  entreferro,  o  que  geralmente  domina  na  relutância  total  na  trajetória  do fluxo: o entreferro ou o resto da estrutura magnética? Qual é o significado de fluxo enlaçado l de uma bobina? Que lei permite calcular a força eletromotriz induzida? Qual é a relação entre a tensão induzida e o fluxo enlaçado? Como é estabelecida a polaridade da fem induzida? Supondo variações senoidais com o tempo em uma frequência f, como estão relacionados o valor eficaz da fem induzida, o valor pico do fluxo enlaçado na bobina e a frequência de variação f ? Como a indutância L de uma bobina relaciona a Lei de Faraday à Lei de Ampère? Em uma estrutura magnética linear, defina a indutância da bobina em termos de sua geometria.

16. 17. 18. 19. 1. 2. 5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 5.6 5.7 5.8 5.9 induzida pelo fluxo principal no núcleo magnético?

Em  estruturas  magnéticas  lineares,  como  é  definida  a  energia  armazenada?  Em  estruturas  magnéticas com entreferro, onde é principalmente armazenada a energia?

Qual é o significado de “indutância mútua”?

Qual  é  a  função  dos  transformadores?  Como  é  definido  um  transformador  ideal?  Que  elementos parasitas  devem  ser  incluídos  no  modelo  de  um  transformador  ideal  para  este  representar  um transformador real? Quais são as vantagens de utilizar ímãs permanentes?

REFERÊNCIAS

G. R. Slemon, Electric Machines and Drives (Addison­Wesley, 1992). Fitzgerald, Kingsley, and Umans, Electric Machinery, 5th ed. (McGraw Hill, 1990).

EXERCÍCIOS

No Exemplo 5.1, calcule a intensidade de campo dentro do núcleo: (a) próximo do diâmetro interno e

(b) próximo do diâmetro externo. (c) Compare os resultados com o resultado da intensidade de campo na trajetória média.

No Exemplo 5.1, calcule a relutância na trajetória das linhas de fluxo, se μr = 2000.

Considere  as  dimensões  do  núcleo  do Exemplo 5.1.  A  bobina  requer  uma  indutância  de  25  μH.  A corrente  máxima  é  3  A  e  a  máxima  densidade  de  campo  não  excede  1,3  T.  Calcule  o  número  de espiras N e a permeabilidade relativa μr do material magnético que deve ser usado.

No Exercício 5.3, suponha que a permeabilidade do material magnético seja infinita. Para satisfazer as condições  de  máxima  densidade  de  fluxo  e  a  indutância  necessária,  um  pequeno  entreferro  é introduzido.  Calcule  o  comprimento  deste  entreferro  (não  considerar  o  espraiamento  do  fluxo)  e  o número de espiras N.

No Exemplo 5.4, calcule a máxima corrente acima da qual a densidade de campo no núcleo excede 0,3

T.

O  toroide  retangular  da Figura  5.7  no Exemplo  5.4  consiste  em  um  material  cuja  permeabilidade relativa  é  considerada  infinita.  Os  outros  parâmetros  são  como  fornecidos  no Exemplo  5.4.  Um entreferro de 0,05 mm de comprimento é inserido. Calcule (a) a indutância da bobina Lm supondo que

o  núcleo  não  está  saturado,  e  (b)  a  máxima  corrente  acima  da  qual  a  densidade  de  campo  no  núcleo excede 0,3 T.

No Exercício 5.6, calcule a energia armazenada no núcleo e no entreferro em uma densidade de campo de 0,3 T.

Na  estrutura  da Figura  5.11a,  Lm  =  200  mH,  Ll  =  1  mH  e  N  =  100  espiras.  Sem  considerar  a

resistência da bobina. Uma tensão de regime estacionário é aplicada, onde  em uma frequência de 60 Hz. Calcule a corrente Ī e i(t).

5.12

5.13

5.14

uma  carga  de  1,1  Ω  com  um  fator  de  potência  de  0,866  (atrasado)  é  conectada  ao  enrolamento secundário, calcule Ī1.

No Exercício 5.11, o núcleo do transformador consiste agora em um material com μr que é a metade

daquele  do  Exercício  5.11.  Sob  as  condições  de  operação  listadas  no  Exercício  5.11,  determine  a densidade  de  fluxo  do  núcleo  e  a  corrente  de  magnetização.  Compare  esses  valores  com  aqueles  do Exercício 5.11. Calcule Ī1.

Um  transformador  de  2400/240  V,  60  Hz  tem  os  seguintes  parâmetros  no  circuito  equivalente  da

Figura 5.16: a impedância de dispersão no lado de alta é (1,2 + j2,0) Ω, a impedância de dispersão no

lado de baixa é (0,012 + j0,02) Ω, e Xm no lado de alta é 1800 Ω. Despreze Rhe. Calcule a tensão de

entrada  se  a  tensão  de  saída  é  240  V  (rms)  e  fornecendo  a  uma  carga  de  1,5  Ω  com  um  fator  de potência de 0,9 (atrasado).

Calcule  os  parâmetros  do  circuito  equivalente  de  um  transformador,  se  os  seguintes  dados  são fornecidos para um transformador de distribuição para os ensaios de curto­circuito e circuito aberto: 60 Hz, 50 kVA, 2400:240 V:

Ensaio de circuito aberto com o lado de alta aberto: Vca = 240 V, Ica = 5,0 A, Pca = 400 W, Ensaio de

____________

6.1

6.2

6

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA CONVERSÃO

ELETROMECÂNICA DE ENERGIA

INTRODUÇÃO

Em  máquinas  elétricas,  como  motores,  a  potência  elétrica  que  entra  é  convertida  em  potência  mecânica  na saída, como mostrado na Figura 6.1. Essas máquinas podem ser operadas isoladamente como geradores, mas podem também entrar no modo de geração quando ocorre desaceleração (durante frenagem regenerativa) em que  o  fluxo  de  potência  é  invertido.  Neste  capítulo,  vamos  examinar  brevemente  a  estrutura  básica  das máquinas elétricas e os princípios fundamentais das interações eletromagnéticas que governam sua operação. Limitaremos  a  discussão  às  máquinas  rotativas,  embora  os  mesmos  princípios  se  apliquem  a  máquinas lineares.