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ENROLAMENTOS DO ESTATOR DISTRIBUÍDOS SENOIDALMENTE

Na  seguinte  descrição,  supõe­se  uma  máquina  de  2  polos  (com  p  =  2).  Essa  análise  é  posteriormente generalizada para uma máquina multipolo por meio do Exemplo 9.2.

Nas máquinas CA, idealmente os enrolamentos em cada fase devem produzir um campo radial distribuído senoidalmente (F, H e B) no entreferro. Teoricamente, isso requer um enrolamento distribuído senoidalmente em cada fase. Na prática, isto se aproxima de uma variedade de formas discutidas nas Referências [1] e [2]. Para visualizar a distribuição senoidal, considerar o enrolamento da fase a, mostrado na Figura 9.2a, em que, nas ranhuras, o número de espiras por bobina para a fase a se incrementa progressivamente afastando­se do eixo  magnético,  alcançando  o  máximo  em  θ  =  90°.  Cada  bobina,  tal  como  a  bobina  com  os  lados  1  e  1′, abrange 180 graus onde a corrente entra no lado 1 da bobina e retorna no lado 1′ contornando a extremidade posterior na parte de trás da máquina. Essa bobina (1, 1′) é conectada em série com a bobina (2, 2′), no lado 2 dessa  bobina,  e  assim  por  diante.  Graficamente,  como  exemplo,  um  enrolamento  para  a  fase  a  pode  ser desenhado como mostrado na Figura 9.2b, em que os maiores círculos representam as maiores densidades de condutores, observando que todos os condutores no enrolamento estão em série e por isso conduzem a mesma corrente.

FIGURA 9.1 Eixo magnético das três fases em uma máquina de 2 polos.

FIGURA 9.2 Enrolamento distribuído senoidalmente para a fase a.

Na Figura  9.2b,  na  fase  a,  a  densidade  de  condutores  ns(θ),  em  termos  do  número  de  condutores  por

ângulo em radianos, é uma função senoidal do ângulo θ, e pode ser expressa como

em que  s  é  a  máxima  densidade  de  condutores,  que  ocorre  em  θ = π/2.  Se  o  enrolamento  da  fase  tem  um

Igualando o lado direito das Equações 9.2 e 9.3,

FIGURA 9.3 Cálculo da distribuição de campo no entreferro.

Substituindo  s  da Equação  9.4  na Equação  9.1  resulta  na  distribuição  de  densidade  de  condutores

senoidal no enrolamento da fase a como

Em  uma  máquina  multipolo  (com  p  >  2),  o  pico  da  densidade  de  condutor  permanece  o  mesmo,  Ns/2,

conforme a Equação 9.5, para uma máquina de dois polos. (Isso é mostrado no Exemplo 9.2 e no Exercício 9.4.)

Antes  de  restringir  a  expressão  da  densidade  de  condutores  para  o  intervalo  0  <  θ  <  π,  você  pode interpretar  o  intervalo  negativo,  de  π < θ  <  2π,  da  densidade  de  condutores  associando  com  a  condução  da corrente em direção oposta, como indicado na Figura 9.2b.

Para  obter  a  distribuição  de  campo  no  entreferro  (fmm,  densidade  de  fluxo  e  intensidade  de  campo magnético) causada pela corrente do enrolamento, usa­se a simetria na Figura 9.3.

Os  campos  orientados  radialmente  no  entreferro  nos  ângulos  θ e (θ + π)  são  iguais  em  magnitude,  mas opostos  em  direção.  Supõe­se  que  seja  positiva  a  direção  do  campo  que  se  afasta  do  centro  da  máquina. Portanto, a intensidade de campo magnético no entreferro estabelecida pela corrente ia  (por  isso  o  subscrito

“a” do inglês air gap) nas posições θ e (θ + π) será igual em magnitude, mas com sinais opostos: Ha(θ + π) =

–Ha(θ).  Para  explorar  esta  simetria,  aplica­se  a  Lei  de  Ampère  a  uma  trajetória  fechada  mostrada  na Figura 9.3 através dos ângulos θ e (θ + π). Supõe­se que a permeabilidade seja infinita no ferro do estator e rotor e por  conseguinte  a  intensidade  de  campo  H  seja  zero  no  ferro.  Em  termos  de  Ha(θ),  a  aplicação  da  Lei  de

em que ℓg  é  o  comprimento  de  cada  entreferro,  e  o  sinal  negativo  está  associado  à  integral  na  direção  para

dentro porque, enquanto a trajetória de integração é para dentro, a intensidade de campo é medida no lado de fora. No lado direito da Equação 9.6, ns(ξ) × dξ é o número de voltas fechadas no ângulo diferencial dξ com

relação ao ângulo ξ como medido na Figura 9.3. Na Equação 9.6, a integração de 0 a π fornece o número total de  condutores  fechados  pela  trajetória  escolhida,  incluindo  os  condutores  “negativos”  que  conduzem  a corrente na direção oposta. Substituindo a expressão da densidade de condutores da Equação 9.5 na Equação 9.6,

Utilizando  a Equação  9.7,  a  densidade  de  fluxo  radial  Ba(θ)  e  a  fmm  Fa(θ)  atuando  no  entreferro  no

ângulo θ podem ser escritas como

a.

 

b.

No enrolamento da fase a, distribuído senoidalmente, mostrado na Figura 9.3, Ns = 100; a corrente é ia = 10

A; o comprimento do entreferro é ℓg = 1 mm. Calcule os ampères espiras contidos e a correspondente H, F e

B do campo para as seguintes trajetórias de integração da Lei de Ampère: (a) para θ igual a 0° e 180°, como

mostrado na Figura 9.5a; (b) para θ igual a 90° e 270°, como mostrado na Figura 9.5b.

Amostra

Em θ = 0°, das Equações 9.7 a 9.9,

Todas as quantidades do campo alcançam sua magnitude máxima em θ = 0° e θ = 180°, porque a trajetória através delas fecha todos os condutores que estão conduzindo a corrente na mesma direção.

Das Equações 9.7 a 9.9, em θ = 90°,

A metade dos condutores fechados por essa trajetória, como mostrado na Figura 9.5b, conduz a corrente em direção  oposta  à  outra  metade.  O  efeito  líquido  é  o  cancelamento  de  todas  as  quantidades  do  campo  no entreferro em 90 e 270 graus.

FIGURA 9.5 Trajetórias correspondentes ao Exemplo 9.1.

Devemos notar que há um número limitado de ranhuras ao longo da periferia do estator, e, em cada fase, está distribuída somente uma fração do total de ranhuras. Apesar dessas limitações, a distribuição do campo

anteriormente. Como o objetivo do livro não é o projeto da máquina, deixamos para os leitores interessados investigar detalhes sobre o tema, nas Referências [1] e [2].

Exemplo 9.2

Considere o enrolamento da fase a para um estator de 4 polos (p = 4), como mostrado na Figura 9.6a. Todos os condutores estão em série. Assim como na máquina de 2 polos, a densidade de condutores é uma função senoidal. O número total de espiras por fase é Ns. Obtenha as expressões para a densidade de condutores e a

distribuição de campo, ambas em função da posição.

Amostra Definir um ângulo elétrico θe em termos do ângulo real (mecânico) θ:

Saltando  alguns  passos  (veja  o  Exercício  9.4),  podemos  mostrar  que  em  termos  de  θe  a  densidade  de

condutores na fase a de um estator de p polos deve ser

Para calcular a distribuição de campo, aplica­se a Lei de Ampère ao longo da trajetória através de θe e (θe

+ π), conforme mostra a Figura 9.6a, e usa­se a simetria. O procedimento é similar àquele utilizado para uma máquina  de  2  polos  (os  passos  intermediários  são  saltados,  deixando­os  como  dever  de  casa  no  Exercício 9.5). Os resultados para uma máquina multipolo (p ≥ 2) são como a seguir.

9.2.1

da  distribuição  abrange  180  graus  mecânicos;  portanto,  a  distribuição  é  repetida  duas  vezes  em  torno  da periferia do entreferro.

Enrolamentos Trifásicos do Estator Distribuídos Senoidalmente

Na seção anterior, focamos somente a fase a, que tem seu eixo magnético ao longo de θ = 0°. Há mais dois enrolamentos idênticos distribuídos senoidalmente para as fases b e c, com eixos magnéticos em θ = 120° e θ = 240°, respectivamente. Esses enrolamentos são conectados geralmente em estrela juntando os terminais a′, b′ e c′, conforme mostrado na Figura 9.7b.

As  distribuições  de  campo  no  entreferro  devido  às  correntes  ib  e  ic  são  idênticas  em  forma  àquelas  nas

Figuras 9.4a e 9.4b, devido a ia, mas alcançam o valor máximo ao longo de seus respectivos eixos magnéticos

da fase b e fase c. Pela Lei de Correntes de Kirchhoff, na Figura 9.7b,

Exemplo 9.3

Em qualquer instante t, os enrolamentos do estator de uma máquina de 2 polos mostrado na Figura 9.7b têm

ia = 10 A, ib = –7 A e ic = –3 A. O comprimento do entreferro ℓg = 1 mm, e cada enrolamento tem Ns = 100

espiras.  Desenhe  a  densidade  de  fluxo  em  função  de  θ  produzido  por  cada  corrente  e  a  densidade  de  fluxo resultante Bs (θ) no entreferro devido ao efeito combinado das três correntes do estator nesse tempo. Note que

o  subscrito  “s”  (que  se  refere  ao  estator,  do  inglês  stator)  inclui  o  efeito  das  três  fases  do  estator  na distribuição de campo no entreferro.

Amostra Da Equação 9.8, o pico da densidade de fluxo produzido pela corrente i de qualquer fase é

As  distribuições  das  densidades  de  fluxo  são  desenhadas  em  função  de  θ  na Figura  9.8  para  os  valores fornecidos das correntes de fase.

Note que Ba tem seu pico em θ = 0°, Bb tem seu pico negativo em θ = 120°, e Bc tem seu pico negativo

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números complexos, que foram abordados no Capítulo 3.

De  forma  similar,  em  máquinas  CA,  em  qualquer  instante  t,  as  distribuições  espaciais  senoidais  dos campos (B, H, F)  no  entreferro  podem  ser  representadas  por  vetores  espaciais.  Em  qualquer  instante  t,  na representação de uma distribuição de campo no entreferro com vetores espaciais, deve­se notar o seguinte:

O pico da distribuição de campo é representado pela amplitude do vetor espacial.

A distribuição de campo tem seu pico positivo, e o ângulo θ, medido com relação ao eixo magnético da fase  a  (por  convenção  escolhido  como  o  eixo  de  referência),  é  representado  pela  orientação  do  vetor espacial.

De modo similar aos fasores, os vetores espaciais são expressos por números complexos. Esses vetores espaciais  são  denotados  pelo  sinal  “→”  na  parte  superior,  e  sua  dependência  do  tempo  é  explicitamente mostrada.

Consideremos  primeiro  a  fase  a.  Na  Figura  9.9a,  em  qualquer  instante  t,  a  fmm  produzida  pelo enrolamento da fase a distribuído senoidalmente tem uma forma cossenoidal (distribuição) no espaço, ou seja, essa distribuição sempre atinge o valor de pico ao longo do eixo magnético da fase a; em outras partes, esse valor varia com o cosseno do ângulo θ afastando­se do eixo magnético.

A amplitude da distribuição espacial cossenoidal depende da corrente ia da fase, a qual varia com o tempo.

Portanto, como mostrado na Figura 9.9a, em qualquer instante t, a distribuição da fmm devido a ia pode ser

FIGURA 9.9 Representação do vetor espacial da fmm em uma máquina.

A amplitude de   é (Ns/2) vezes ia(t), e   é sempre orientado ao longo do eixo magnético da fase a no

ângulo 0°. O eixo magnético da fase a é sempre utilizado como eixo de referência. Uma representação similar à distribuição da fmm pode ser utilizada para a distribuição da densidade de fluxo.

Analogamente,  em  qualquer  tempo  t,  as  distribuições  da  fmm  produzida  pelos  enrolamentos  das  outras duas  fases  podem  ser  representadas  pelos  vetores  espaciais  orientados  ao  longo  de  seus  respectivos  eixos magnéticos em 120° e 240°, como mostrado na Figura 9.9a para os valores negativos de ib e ic. Em geral, em qualquer  instante,  temos  os  seguintes  três  vetores  espaciais  representando  as  respectivas  distribuições  de fmm:

Note  que  a  distribuição  senoidal  da  fmm  no  entreferro  em  qualquer  tempo  t  é  uma  consequência  da distribuição senoidal dos enrolamentos. Como mostrado na Figura 9.9a para um valor positivo de ia e valores

negativos de ib e ic  (tal  que  ia + ib  +  ic  =  0),  cada  um  desses  vetores  está  apontado  na  direção  de  seu  eixo

magnético correspondente, com sua amplitude dependendo da corrente no enrolamento nesse tempo. Devido às três correntes do estator, a distribuição resultante da fmm é representada pelo vetor espacial resultante, que é obtido pela soma dos vetores na Figura 9.9b:

em  que  s  é  a  amplitude  do  vetor  espacial  e  θFs  é  a  orientação  (com  o  eixo  a  como  referência).  O  vetor

espacial   representa a distribuição da fmm no entreferro nesse tempo t

FIGURA 9.10 (a) Vetor espacial da resultante da densidade de fluxo; (b) distribuição da densidade de fluxo. devido às três correntes;  s representa o pico da amplitude da distribuição, e θFs é a posição angular em que

o pico positivo da distribuição é localizado. O subscrito “s” se refere à fmm composta devido às três fases do estator. O vetor espacial   nesse tempo na Figura 9.9b representa a distribuição de fmm no entreferro, que é desenhado na Figura 9.9c.

Expressões similares a   na Equação 9.16a podem ser obtidas para os vetores espaciais representando a densidade de fluxo composta do estator e as distribuições da intensidade de campo:

Como  estão  relacionadas  entre  si,  essas  três  distribuições  de  campo,  representadas  por  vetores  espaciais definidos  nas Equações 9.16a  a 9.16c?  Essa  questão  é  respondida  pelas Equações  9.21a  e 9.21b  na Seção

9.4

Exemplo 9.4

Em uma máquina trifásica de dois polos, cada um dos enrolamentos distribuídos senoidalmente tem Ns = 100

espiras. O comprimento do entreferro é ℓg  =  1,5  mm.  Em  um  tempo  t, ia  =  10  A,  ib  =  –10  A,  e  ic  =  0  A.

Utilizando vetores espaciais, calcule e desenhe a resultante da distribuição de densidade de fluxo no entreferro nesse tempo.

Amostra Das Equações 9.15 e 9.16, notando que matematicamente 1 ∠ 0° = cos θ + j sen θ

Das Equações 9.8 e 9.9, Ba(θ) = (µ0/ℓg)Fa(θ). A mesma relação se aplica às quantidades de campo devido

às três correntes de fase do estator sendo aplicadas simultaneamente; isto é, Bs(θ) = (µ0/ℓg)Fs(θ).  Portanto,

em qualquer tempo t,

Esse vetor espacial é desenhado na Figura 9.10a. A distribuição de densidade de fluxo tem um valor de pico de 0,73 T, e o pico positivo está localizado em θ = –30°, como mostrado na Figura 9.10b. Em outras partes, a densidade de fluxo radial no entreferro, devido à ação composta das três correntes de fase, é cossenoidalmente distribuída.

REPRESENTAÇÃO COM VETORES ESPACIAIS DAS TENSÕES E CORRENTES