CíilA AN/\UATE E MARIA INS FALCÃO INTROdUÇÃO
TOMANDO-SE a própria publicação de Hermann Rorschach podemos observar que, no
Psicodiagnóstico,
o autor denominava a prova de “Interpretação de Formas Fortuitas” .Nesse sentido, sua preocupação consistia em pesquisar os aspectos formais das respostas a fim de obter um “apanhado geral das funções
de percepção e de concepção” (grifo do autor) (1)• Dito de outra forma, buscava-se (como ainda o fazemos) distinguir quais as características das manchas que se impõem à percepção do examinando: se relacionadas à
forma
apenas e/ou à outros fatores como cinestesia,cor, luminosidade
ouperspectiva,
uma vez que estas últimas também podem ter, em seu bojo, a participação da forma na construção da imagem assocjada.
O
QUE E FORMA?A forma é o aspecto mais importante do mundo visível, é o princípio ordenador do unjverso. E construtiva quando dá ordem e estrutura os borrões e destrutiva quando se torna estereotipada, não permitindo a flexibilidade. A visão reconhece as características peculiares de um objeto. A forma demanda um olhar ativo e seletivo, exige focalizacão, estruturação e atenção ativa. A percepção da forma é uma função da consciência relacionada a adaptação à realidade. A forma é o mais freqüente e o mais importante dos determinantes (2)•
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FREQUÊNCiA dAS RESpOSTAS dE FORMA
(RF)
Após a investigação iniciada com o criador do método, outros estudiosos da Prova de Rorschach também preocuparam-se em estabelecer critérios para a freqüência das respostas de forma, destacando-se os trabalhos de Beck (7) e Small (8)•
Sabemos que as
RF
são as maisfreqüentemente encontradas
nos protocolos de Rorschach. “mesmo nos casos particulares” (1) e, como bem situa Coelho (4), “ela é inerente a toda e qualquer porção das manchas e comum a toda a série”. Este tipo de percepção representa, em média, maisda
metade
das associações frente às manchas (1,2, 3,4, 5,6, 7, 8) A Sociedade Rorschach de SãoPaulo,
baseada na elaboração do psicograma tal como definido pelo seu fundador, o Prof. Aníbal Silveira (5), utiliza-se de critérios estatísticos para verificação da freqüência do determinante forma, obtendo- se dados atualizados no último estudo realizado pela Prof Lúcia Coelho (6) Devemos aqui assinalar uma distinção que nos parece fundamental para a classificação das RF. Trata-se da distinção entre qualidadeformal,
avaliada segundo a freqüência estatística com que determinadas áreas evocam conteúdos específicos, em função da pregnância formal neles encontrada, e a precisãoformal,
que correspondem ao grau de nitidez e da estruturação da imagem nas diferentes respostas produzidas pelo examinando. Qualidade e precisão formal correspondem a mecanismos perceptuais diversos, daí a necessidade de distingui-las.OuANdo CLASSiFiCAR
LiMA RESpOSTA COMO RF?Apenas o contorno da figura é levado em conta pelo sujeito e
nenhuma
outra característica é considerada. E o maiscomum
em um protocolo. Aparece em média em 64,8% das respostas do protocolo, com faixa normal de variação entre59%
e 71%. O inquérito é fundamental para constatar não haver outra característica presente. A resposta é classificada em F, F- ou F° conforme a freqüênc.: da resposta dada. Segundo pesquisas estatísticas constatamos o sinal + ou — dasestendida
para falar a respeito de respostas que contêm uma resposta de forma porém há outro determinante junto, priorizando a resposta. Respostas M, m, Ps, FC, CF, C’, L necessariamente contém uma respostade forma
RORSCHACH CL1NIc0 — MANUAL BÁSICO 51
implícita,
mas não classificamos como RF, uma vez que não se trata do mesmo processo psíquico.DisTiNçÃo ENTRE AS
RF
A Prova de Rorschach é constituída de estímulos ambíguos e “as respostas dadas podem ser mais ou menos congruentes com a forma do estímulo” (4)• Desde Hermann Rorschach há um empenho no estabelecimento de critérios para distinguir respostas de forma bem vistas (F) das respostas de forma mal vistas (F) — e das menos freqüentemente encontradas (F°), segundo nossos estudos (4, 5)•
Tal como procedia Hermann Rorschach, outros autores procuraram estabelecer medidas objetivas, portanto, segundo critério
estatístico
(5,7) Isto eqüivale dizer que respostas mais freqüentemente associadas a uma determinada área serão consideradas F, ao passo que as menos freqüentes serão consideradas F; as respostas que têm freqüência tão rara que sequer puderam ser tratadasestatisticamente serão F°.
Alguns autores consideram como forma bem vista aquela que se enquadra no
critério subjetivo
do aplicador,
ou seja, umjulgamento
particular (10 1 porém, acreditamos que tal procedimento acaba por prejudicar a análise, urna vez que confundem precisão comqualidade formal.
Para definição das respostas consideradas como F, F- ou F°, utilizamos, atualmente, a
Tradução
Adaptada e Atualizada das Tabelas de Localização de Beck e Small para Classificação
da Prova de Rorschach
(9)•OuANdo CLASSiFiCAR COMÕ F F OU F°?
—
l Passo: Para
objetivar, portanto, a classificação, procedemos aconsulta
da resposta naTabela
Atualizada de Qualidade Formal, citada anteriormente (9) Para cada prancha há uma folha de localização demarcando as áreas associadas e uma lista de respostas frente à elas, com indicação da
qualidade formal
da resposta de acordo com o ângulo de posição da prancha na qual a resposta foi associada (uma vez que a mesma pode variar, mudando, assim, a qualidade formal da resposta). Se nada consta na tabela sobre a52 ROPSCHACH CLINIc0 — MANUAL BÁSICO posição, esta foi vista em posição normal.
Localizando a
resposta em si
dada pelo sujeito na referida tabela, podemos classificá-la conforme a indicação encontrada: F ou F.— 2° Passo: Quando não encontramos a resposta específica do sujeito para a área associada, devemos procurá- la, quando indicado, na(s) área(s) citada(s) à frente da localização original do sujeito e, encontrando a resposta em uma
área alternativa,
podemos classificá-la conforme a orientação da tabela, portanto, comoF
ou F-.—
3° Passo:
Se, ainda assim, não conseguimos encontrar a resposta dada, devemos procurar uma resposta que tenha umagesta!t
semelhante para classificarmos como
F
ou F.— 4° Passo: Ao final, se não encontrarmos a resposta do sujeito nos passos anteriores, classificamos como F°. Ressaltamos que fica reservada a classificação F° somente para aquelas respostas que
não constam
da Tabela de Localização,nem por aproximação.
EXEMPLOS DE F, F e F° (sendo todas F Ordinárias)
Pranchas
(p24) “tem tipo uma saia” = P4 ampulheta (mesma gestalt de saia): F
II (P 2) “Bota” = F
II (p31) “A boca de um camelo” = F III (P 8) “Os pulmões”
III (E24) “Um vaso” = F (taça grande / tigela) IV (p 21) “Duas cabecinhas aqui de perfil” F IV (G) “cabeça de buldogue” =
V (P3) “Seta indicando direção a seguir” = P3 palito de fósforo (mesma gestalt de seta) = F+ V (PiO) “Duas cabeças de jacaré” = F
VI (p21) “As garras de uma aranha” = F VII (G) “Parece um colar” = F
VII (E7: metade inferior) “Um Rato” = F°
(Continuação)
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