Capítulo III: Farmácia Comunitária
5.5 Devolução de produtos e controlo de prazos de validade
de validade dos produtos. Este dado é inserido no sistema informático no momento da receção. Posto isto, é importante que, mensalmente, através do SIFARMA, se imprima uma listagem dos produtos cujo período de utilização expire nos 3 meses seguintes. Quando estes existem, são devolvidos ao fornecedor.
As devoluções por prazo de validade para os diferentes produtos na farmácia são os seguintes:
Medicamentos: 90 dias antes do fim de validade;
Dispositivos médicos e produtos do protocolo da diabetes mellitus: 180 dias antes do fim da validade;
Produtos veterinários: 120 dias antes do fim da validade.
Também se devolvem produtos, quando as embalagens estão danificadas, descontinuidade dos mesmos ou trocas na encomenda (o que é recebido não corresponder ao pedido).
Através do software, realizei o procedimento inerente às notas de devolução. Estas são impressas em triplicado. O triplicado fica na farmácia, o original e o duplicado, em conjunto com uma cópia da fatura, acompanham o produto devidamente acondicionado. As notas de devolução têm de ser submetidas, previamente, à Autoridade Tributária, pois só assim se pode proceder (legalmente) ao seu transporte. O fornecedor, após as analisar, emite uma Nota de Crédito e é devolvida a totalidade/parte do valor do produto ou um igual ao devolvido. No caso de a nota não ser aceite, o produto é remetido de novo à farmácia e considera-se como quebra, com o respetivo prejuízo que daí advém.
6 Interação farmacêutico-utente-medicamento
A postura, atitude e aconselhamento adotados pelo farmacêutico na hora de encarar o utente é transversal à correta utilização dos medicamentos, à melhoria da adesão, à terapêutica e à conquista da confiança do mesmo.
Enraizado pela sua personalidade, educação e valores académicos adquiridos, cumpre os princípios éticos e deontológicos da classe, proporciona um atendimento sigiloso no qual dedica única e exclusivamente a sua atenção ao utente e às suas confidências. [8]
A credibilidade científica transmitida à população sempre de forma honesta, genuína e adequada, contribui para uma procura crescente dos seus saberes.
No que concerne, por exemplo, ao nível sociocultural de um individuo, o farmacêutico deverá adaptar uma linguagem apropriada àquela situação em particular. Deve ter o cuidado de não utilizar vocabulário extremamente complexo e científico a quem não compreenda a mensagem que lhe é transmitida (no caso de algumas pessoas de idade avançada, por exemplo) ou demasiado simples para aqueles que estão familiarizados com a medicação ou
que revelem conhecimento da terapêutica e dos termos utilizados. Um dos desafios que enfrentei no atendimento, foi a adequação do discurso em possíveis explicações, como por exemplo, o uso das palavras “calmante” ou “para ajudar a dormir” em vez de ansiolítico ou indutor do sono.
A posologia e modo de administração são aspetos importantes no ato da cedência de medicamentos e, portanto, devem ser devidamente explicados (exemplificados quando necessário), principalmente com idosos, indivíduos de literacia limitada ou outras que não compreendam corretamente as indicações facultadas pelo médico. Por vezes, nestes casos é necessário recorrer a pictogramas ou à escrita com letra bem legível nas embalagens.
Os dispositivos tecnologicamente avançados (formas farmacêuticas em aerossol, como as “bombas” da terapêutica da asma, ou o funcionamento de aparelhos de medição da glicemia) são exemplos de demonstração prática. Durante o atendimento, recorri a exemplificações deste tipo de dispositivos e pictogramas por forma a explicar as tomas diárias.
Outro aspeto importante reflete-se nas indicações acerca do acondicionamento de certos medicamentos, como é o caso das insulinas e vacinas. Foi-me possível explicar a um utente que, por exemplo, no caso das vacinas que não são administradas logo após a dispensa, dever-se-ia acondiciona-las a meio do frigorífico onde a temperatura não sofre grandes oscilações. Os restantes medicamentos seriam acondicionados em local fresco e seco protegidos da luz.
Em relação a alguns xaropes, é imprescindível alertar o utente para o curto prazo de validade após abertura. Tive oportunidade de reconstituir um xarope para administração pediátrica e informar o familiar da criança da importância da agitação antes da toma, o modo de acondicionamento (no frigorífico) e prazo de validade (7 dias, naquele caso a duração do tratamento). Semelhante situação surgiu na cedência de outro para o tratamento da tosse com expetoração com 15 dias de utilização após a abertura.
Na farmácia existe o programa do Valormed e, como tal, é função de todos os funcionários relembrar os utentes acerca do funcionamento do mesmo. Os medicamentos fora de prazo ou que já não são utilizados podem ser entregues neste local para posterior incineração ou reciclagem. Relembrei e informei alguns utentes sobre o programa de reencaminhamento de medicamentos para a gestão de resíduos e procedi ao encerramento de vários contentores do Valormed. [9]
7 Dispensa de medicamentos
Dentro das diretrizes legais, a farmácia é considerada um serviço de saúde público e um local onde a dispensa de medicamentos, por parte dos farmacêuticos, é a sua primordial função. Este ato implica responsabilidade e faz parte da competência do profissional de saúde.
Conforme a legislação presente no Decreto-Lei 209/94 de 6 de agosto que define o regime jurídico da classificação de medicamentos de uso humano quanto à dispensa ao público, estes podem ser considerados como medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM) ou medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM).
Para ser considerado MSRM tem de estar presente um dos seguintes requisitos: a) que direta ou indiretamente possam constituir um risco, mesmo quando usados para o fim a que se destinam, caso sejam utilizados sem vigilância médica; b) sejam com frequência utilizados em quantidade considerável para fins diferentes daquele a que se destinam, se daí puder resultar qualquer risco, direto ou indireto, para a saúde; c) contenham substâncias, ou preparações à base dessas substâncias, cuja atividade e ou efeitos secundários seja indispensável aprofundar; d) sejam prescritos pelo médico para serem administrados por via parentérica. [10]
Os medicamentos não sujeitos a receita médica são aqueles que não se inserem em qualquer uma das condições enumeradas anteriormente.