1 INTRODUÇÃO
2.4 A NOTAÇÃO DE BPMN
2.4.1 Diagrama de processos de negócio e elementos de modelagem
De acordo com Weske (2007), modelos de processos de negócio são expressos em diagramas de processo de negócio, cada diagrama consiste em um conjunto de elementos de modelagem, esses elementos são divididos em conjuntos de elementos centrais e conjuntos de elementos complementares, nesse sentido, os principais elementos da linguagem BPMN são formados por eventos, atividades, gateways e fluxos de sequências (Quadro 5).
Quadro 5 - Eventos, Atividades, Gateways e Fluxo de Sequência.
Fonte: Adaptado de Business Process Model and Notation. v2.0 (OMG, 2011).
Dumas et al. (2013) afirma que eventos representam situações que ocorrem instantaneamente, enquanto atividades representam unidades de trabalho que tem certa duração, assim, Weske (2007) também informa que a ocorrência de estados do mundo real que são relevantes para os processos de negócio são representados por eventos, já as atividades representam o trabalho executado durante os processos de negócio e os gateways são utilizados para representar uma divisão ou junção de decisões para o controle de fluxo entre as atividades, eventos e os próprios gateways.
Eventos
Eventos podem ser divididos em três tipos baseados em sua posição nos processos de negócio (Figura 2): i) eventos de início que como o próprio nome já diz sinaliza o início do fluxo de processos e podem ter diferentes causas; ii) eventos intermediários que ocorrem durante o fluxo de processos e são utilizados para representar exceções ou atrasar a execução dos processos; iii) eventos finalísticos que são utilizados para finalizar imediatamente todas as atividades de um dado processo (WESKE, 2007).
Figura 2 - Tipos de Eventos
Fonte: Adaptado de Business Process Management (WESKE, 2007).
Eventos podem ter diferentes causas ou resultados, alguns deles são:
• Mensagem: Indica que uma mensagem é recebida por um participante e é representado por um evento de mensagem.
• Temporizador: Indica uma específica data ou ciclo (ex., cada segunda-feira às 9h) pode ser programado para dar início ao processo.
• Regra: Esse tipo de evento é iniciado quando a regra é validada como verdadeira.
• Conexão: Uma conexão é utilizada para conectar o fim de um processo com o início de outro.
• Múltiplo: Significa que há várias maneiras de se iniciar um processo, no entanto uma delas já é o suficiente.
• Erro: Um evento intermediário de erro gera uma exceção durante o fluxo de processo, quando uma exceção é gerada a respectiva atividade é iniciada.
Atividades
Cada atividade representada no fluxo de processos pode ser classificada como uma atividade atômica (que são denominadas tarefas), na qual a estrutura interna da atividade não é relevante para a modelagem, ou por subprocessos que podem ser expandidos ou minimizados, sendo que no segundo caso um sinal positivo irá aparecer na base da representação dos subprocessos (WESKE, 2007). Na Figura 3 pode ser visto que o processo minimizado é marcado
com um sinal de positivo, enquanto os subprocessos expandidos mostram a estrutura interna dos processos.
Figura 3 - Modelo de processos.
Fonte: Adaptado de Business Process Management (WESKE, 2007).
Diferentes tipos de tarefas podem ser identificadas, algumas delas são:
• Tarefa de serviço: Trata-se de uma tarefa que é implementada por um software que pode ser tanto uma interface WEB quanto um programa específico de um sistema.
• Tarefa de recebimento: É uma tarefa que aguarda o recebimento de uma mensagem, assim que a mensagem é recebida, a tarefa é concluída.
• Tarefa de usuário: Representa o fluxo de trabalho tradicional das tarefas que envolvem interação com o usuário. Quando o processo chega a um ponto onde uma tarefa específica é realizada pelo usuário, esse usuário é comunicado.
• Atividades manuais: São atividades realizadas sem o suporte de sistemas de software, por exemplo, envio de cartas ou documentos ou transferência de materiais em um ambiente logístico.
Fluxo de Sequência, Tokens e Gateways
Na notação BPMN, os fluxos de sequência são representados por flechas solidas que são alocadas entre objetos como atividades, eventos e gateways. De acordo com Weske (2007), os fluxos de sequência são permitidos apenas entre atividades que estejam inseridas dentro de uma mesma piscina, entretanto, o fluxo de sequência pode cruzar fronteiras das raias (os conceitos de piscina e raias serão vistos logo a seguir) e são representados principalmente por:
• Fluxo de exceção: Situações excepcionais são atingidas pelos fluxos de exceção, a única diferença para o fluxo normal é que ele não define o caminho esperado do fluxo de processos.
Segundo Dumas et al. (2013), uma vez que uma instância de processo é gerada, utiliza- se a noção de token para identificar o progresso (ou estado) dessa instância. Tokens são criados em eventos de início e seguem o fluxo dos processos modelados até atingirem os eventos finalísticos, eles podem ser descritos como pontos coloridos que são alocados sobre os modelos criados.
Gateways funcionam como controles de decisão em um fluxo de processos, eles podem agir como ferramentas de convergência ou divergência no comportamento de fluxos de trabalho, porém, caso não haja necessidade de controle de fluxo, os gateways são dispensados.
Os gateways podem ser baseados em dados ou em eventos (no caso de Ou exclusivo ou Complexo), segundo Weske (2007), a semântica do gateway baseado em eventos difere fundamentalmente daquele baseado em dados, pois no primeiro caso múltiplas atividades são habilitadas a receber e enviar mensagens ao mesmo tempo, enquanto no segundo caso as decisões dependem das condições estabelecias para cada gateway.
Seus símbolos de notação podem ser vistos na Figura 4 e representam as funções lógicas E (AND), OU (OR) e OU exclusivo (XOR), além da notação Complexo (Complex) que é utilizada para tomada de decisões arbitrárias.
Figura 4 - Tipos de Gateways.
Fonte: Adaptado de Business Process Management (WESKE, 2007).
• XOR gateway (decisão mutualmente exclusiva)
Utilizado para definir um caminho a ser seguido, é um momento de decisão, apenas um caminho será válido dentro das possibilidades de entrada, nesse caso, esses caminhos são caracterizados como mutualmente exclusivos. Caso nenhuma das condições seja atendida,
existe a possibilidade de se criar um caminho alternativo padrão para que o token possa seguir o fluxo, esse caminho é opcional e caracterizado por um corte oblíquo no fluxo de sequência.
• AND gateway (caminho paralelo)
Utilizado para a criação ou combinação de fluxos de atividades paralelas, não há condições a serem verificadas.
Essas atividades não são dependentes umas das outras, no caso de múltiplos fluxos de entrada, o gateway irá aguardar que todos sejam realizados para dar sequência ao fluxo de processos (denomina-se essa espera de sincronismo).
• OR gateway (caminho inclusivo)
Utilizado para a modelagem de processos onde uma ou mais situações podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Do ponto de vista do token, ao passar pelo OR gateway, ele divide-se em um número equivalente à quantidade de caminhos verdadeiros do fluxo, contudo, caso todas as opções sejam falsas, também há a possibilidade de se criar um caminho alternativo padrão para que o token possa seguir o fluxo.
• Complex gateway e XOR gateway (baseados em eventos)
Gateways baseados em eventos representam pontos onde haverá uma decisão que terá as mesmas regras já mencionadas, entretanto serão impulsionados por eventos.
Um gateway complexo pode ser utilizado para a tomada de decisão de unir ou separar eventos que normalmente demandariam múltiplas combinações de gateways, ou seja, é mais utilizado quando há a necessidade de modelar o comportamento de sincronismos complexos.
Segundo Weske (2007), aspectos organizacionais são representados no BPMN por diagramas constituídos por dois níveis hierárquicos, esses níveis são denominados piscinas (pools) e raias (lanes) (Quadro 6), dessa forma, cada processo reside exclusivamente em uma piscina e as raias são utilizadas para atribuição dos processos aos atores envolvidos.
Piscina (Pool)
Piscinas representam participantes específicos do processo, geralmente organizações e frequentemente também podem representar funções de entidades de negócio como, por exemplo, fornecedores ou clientes.
Weske (2007) afirma que em uma colaboração típica entre organizações denominada business-to-business, é levado em consideração a comunicação estruturada baseada nos processos externos e visíveis das organizações, sendo os processos internos considerados irrelevantes. Nesse sentido, diagramas de piscinas podem ser utilizados para representar esse nível de abstração dos processos de negócio ao permitir mostrar apenas a interface de comunicação necessária entre os parceiros de negócio.
Raia (Lane)
De acordo com Dumas et al. (2013), raias são utilizadas para particionar as piscinas em subclasses, e essas subclasses alocam os processos de departamentos, setores ou sistemas de software dentro de uma organização. As raias podem ser criadas em múltiplos níveis, por exemplo, ao modelar os processos de um departamento e suas atividades pode-se utilizar uma raia mais externa para o departamento como um todo e raias internas para as funções desse departamento.
Fluxo de Mensagem
Segundo Dumas et al. (2013), o fluxo de mensagem representa o fluxo de informação entre duas piscinas separadas. É descrito como sendo uma linha tracejada que tem início em um círculo vazio terminando em uma flecha também vazia (Quadro 6) e o fluxo carrega um rótulo indicando o conteúdo da mensagem. O modelo de fluxo de mensagem representa qualquer tipo de comunicação entre duas organizações independentemente se a comunicação é eletrônica, verbal ou manual.
Associação de Dados
Ainda de acordo com Dumas et al. (2013), a associação de dados indica quais artefatos de informação (documentos, arquivos) são necessários para a realização de uma atividade e
quais são produzidos como resultado dessas atividades, ela é representada por uma linha pontilhada com uma seta aberta na ponta (Quadro 6) e conecta os objetos de dados que envolvem as ordens do modelo de processos de negócio. Utiliza-se a direção da seta na associação de dados para estabelecer se um objeto de dados é uma entrada (Input) ou uma saída (Output) para uma dada atividade.
Quadro 6 - Fluxo de Mensagem, Associação, Piscina e Raia.
Fonte: Adaptado de Business Process Model and Notation. v2.0 (OMG, 2011).
Objeto de Dados
Objeto de dados representam as informações que entram e saem das atividades; elas podem ser do tipo físico como faturas, cartas e documentos ou digitais como e-mail e arquivos. É representado no BPMN como um documento com a parte superior direita dobrada (Quadro 7) que é conectada às atividades pelo elemento de associação de dados já mencionado anteriormente.
Mensagem
De acordo com ABPMP (2013), uma mensagem identifica o conteúdo de comunicação entre dois participantes e é representada por um retângulo com duas linhas diagonais convergentes que saem dos cantos superiores criando a aparência de um envelope.
Grupo
De acordo com Weske (2007), grupos de objetos são ferramentas utilizadas para agrupar elementos de um processo, eles não possuem um significado formal e servem apenas para a finalidade de documentação.
Anotação de Texto
Segundo ABPMP (2013), o objeto de anotação de texto pode ser conectado a qualquer objeto no diagrama com o elemento de associação, no entanto não afeta o fluxo de processo e serve apenas para fornecer informação adicional para o leitor.
Quadro 7 - Objeto de Dados, Mensagem, Grupo e Anotação de Texto.
Fonte: Adaptado de Business Process Model and Notation. v2.0 (OMG, 2011).