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1 Diante desse contexto, conclui-se que: (1) até 28/04/1995, a ocupação

No documento EXEMPLAR DE ASSINANTE DA IMPRENSA NACIONAL (páginas 172-174)

de vigilante / vigia pode ser reconhecida como especial pela simples atividade, por equiparação à função de guarda prevista no código 2.5.7 do quadro anexo ao Decreto n.º 53.831/64; (2) de 29/04/1995 a 05/03/1997, é possível o reconhecimento da especialidade da ati- vidade de vigilante, desde que comprovada a periculosidade, me- diante demonstração, por exemplo, do uso de arma de fogo; e (3) por fim, após 05/03/1997, também é possível reconhecer o labor sob condições especiais, em razão da periculosidade constante na ati- vidade de vigilante, se houver comprovação mediante laudo técnico ou PPP regularmente confeccionado.

Pois bem. Analisemos o caso concreto.

O INSS, em seu pedido de uniformização, afirma que é indispensável o porte de arma de fogo para a equiparação da atividade de vigilante à de guarda, elencada no item 2.5.7 do anexo III do Decreto n.º 53.831/64.

Entretanto, sua pretensão não merece ser acolhida, pois vai de en- contro à jurisprudência desta TNU, que, e. g., de 29/04/1995 a 05/03/1997, considera possível o reconhecimento da especialidade da atividade de vigilante, desde que comprovada a periculosidade, me- diante a demonstração, por exemplo, do uso de arma de fogo. Ora, no entendimento deste colegiado, o uso de arma de fogo não é imprescindível para o reconhecimento do labor como vigilante: é uma das provas possíveis para a comprovação da aludida especialidade. Desse modo, entendo que, pelo fato de o acórdão recorrido esposar tese adotada por este colegiado, o incidente de uniformização da Autarquia Previdenciária não deve ser conhecido, nos termos da Questão de Ordem n.º 013 desta TNU.

4. Em face do exposto, tenho que o incidente nacional de unifor- mização de jurisprudência formulado pela Autarquia Previdenciária não merece ser conhecido.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, em que são partes as acima indicadas, decide a Turma Nacional de Uniformização de Jurispru- dência dos Juizados Especiais Federais NÃO CONHECER DO IN- CIDENTE NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRU- DÊNCIA veiculado pelo INSS, nos termos do voto-ementa do Re- l a t o r.

Brasília, 16 de março de 2016.

DANIEL MACHADO DA ROCHA

Juiz Federal Relator

PROCESSO:0500089-55.2015.4.05.8312

ORIGEM:1ª Turma Recursal Seção Judiciária de Pernambuco REQUERENTE:INSS

PROC./ADV.:PROCURADORIA-GERAL FEDERAL REQUERIDO(A):JOSÉ ANTÔNIO DOS SANTOS PROC./ADV.:CAIO GEYSON A. BARROS OAB:PE-26715

RELATOR(A):JUIZ(A) FEDERAL DANIEL MACHADO DA RO- CHA

E M E N TA

PEDIDO NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊN- CIA. TRABALHADOR RURAL. RECONHECIMENTO DA ESPE- CIALIDADE (ITEM 2.2.1 DO DECRETO N.º 53.831/1964). POS- SIBILIDADE. RECENTE JURISPRUDÊNCIA DESTE COLEGIA- DO. APLICAÇÃO DA QUESTÃO DE ORDEM N.º 013 DESTA TNU. INCIDENTE NÃO CONHECIDO.

1. Trata-se de pedido nacional de uniformização de jurisprudência formulado pela Autarquia Previdenciária em face de acórdão exarado por Turma Recursal dos JEFs da Seção Judiciária do Estado de Pernambuco, com o seguinte teor:

E M E N TA

PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CON- TRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DE PERÍODOS ESPECIAIS. TRABALHADOR RURAL EM AGROINDÚSTRIA. ENQUADRA- MENTO POR CATEGORIA PROFISSIONAL. DECRETO 53.831/64. POEIRA. PPP. ASSINATURA DE REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA. JUROS E CORREÇÃO NOS TERMOS DA LEI N. 11.960/09 A PARTIR DA SUA VIGÊNCIA. ADI 4.357/DF. RECURSO PROVIDO EM PARTE.

Trata-se de recurso inominado interposto pelo INSS em face da sen- tença que julgou procedente pedido de concessão de aposentadoria por tempo de contribuição.

Insurge-se a autarquia alegando não ter estado o autor exposto a agentes nocivos durante os períodos de 30/08/1977 a 05/03/1985, 23/10/1992 a 25/01/1993, 11/11/1993 a 28/02/1994, 11/07/1994 a 12/04/1995, 05/06/1995 a 14/03/1996, 03/06/1996 a 14/04/1997 e 27/04/2004 a 28/02/2005.

A Carta Magna expressamente determina a adoção de critérios e requisitos diferenciados para a concessão de aposentadoria àqueles que exerçam atividades sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física.

O tempo de serviço prestado com exposição a agentes agressivos, bem como os meios de sua comprovação, devem ser disciplinados pela lei vigente à época em que foi efetivamente prestado. A redação original do art. 57 da Lei 8.213/91 permitia o reconhe- cimento do tempo de serviço especial por enquadramento da categoria profissional, conforme a atividade realmente desempenhada pelo se- gurado, ou por exposição a agentes agressivos previstos na legis- lação.

Com o advento da Lei 9.032/95 foi exigida a comprovação efetiva do trabalho prestado em condições especiais, de forma habitual e per- manente, o que se comprovava através da apresentação do documento de informação sobre exposição a agentes agressivos (conhecido como formulário SB 40 ou DSS 8030).

A imposição da apresentação do laudo pericial apenas foi expres- samente exigida pela Lei nº. 9.528/97, objeto de conversão da MP 1.523/96. Não obstante, o STJ firmou posicionamento no sentido de que essa exigência só é possível a partir de 1997, edição daquele diploma legal, e não da data da Medida Provisória mencionada (Pre- cedente: AgREsp nº 518.554/PR).

É consabido a possibilidade de conversão do tempo de serviço es- pecial em comum do trabalho prestado em qualquer período, in- clusive após 28 de maio de 1998, conforme precedentes da TNU, que cancelou a Súmula 16 (PEDILEF 200461840622448).

Entendeu o STF - ARE nº 664335 - que, havendo o uso de EPI eficaz, capaz de neutralizar ou reduzir a nocividade da sujeição, não há a caracterização da especialidade da atividade desenvolvida. As- sentou-se, ainda, a tese de que, na hipótese de exposição do tra- balhador ao agente nocivo ruído, acima dos limites legais de to- lerância, a declaração do empregador, no âmbito do Perfil Profis- siográfico Previdenciário (PPP), da eficácia do Equipamento de Pro- teção Individual (EPI), não descaracteriza o tempo de serviço especial para aposentadoria.

Com relação à atividade de trabalhador rural em usina, a Turma Regional de Uniformização já tem posição sedimentada sobre a ma- téria objeto do Pedido de Uniformização interposto, consoante se extrai do seguinte precedente:

"PREVIDENCIÁRIO. INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DA JU- RISPRUDÊNCIA REGIONAL. APOSENTADORIA ESPECIAL. TRABALHADOR RURAL EM AGROINDÚSTRIA. ATIVIDADE EM CONDIÇÕES ESPECIAIS. ENQUADRAMENTO POR CATE- GORIA PROFISSIONAL. EXISTÊNCIA. TEMPO PARA APOSEN- TADORIA ESPECIAL. INSUFICIÊNCIA. INCIDENTE CONHECI- DO E PROVIDO EM PARTE.

- As atividades agropecuárias exercidas por trabalhadores vinculados à antiga Previdência Social Urbana, ou seja, àqueles empregados de empresas agroindustriais ou agrocomerciais enquadram-se no item 2.2.1 do Anexo do Decreto n. 53.831/64 ("Agricultura - Trabalha- dores na agropecuária"), sendo consideradas especiais, por categoria profissional, até a vigência da Lei n. 9.032/95.

- O titular de aposentadoria por tempo de contribuição não tem direito à conversão desse benefício em aposentadoria especial quando não preenche o tempo exigido (25 anos) de trabalho em condições es- peciais.

- Incidente de uniformização conhecido e parcialmente provido ape- nas para reconhecer como especial a atividade agropecuária exercida pelo empregado rural de empresa agroindustrial antes da vigência da Lei n. 9.032/95, sem transformar o benefício de aposentadoria por tempo de contribuição em aposentadoria especial. (Processo nº 0513531-91.2010.4.05.8400, Relator: Juiz Federal Rubens de Men- donça Canuto Neto, 11/09/2012)"

No caso em comento, o recorrido realizou atividade de trabalhador rural em agroindústria de 30/08/1977 a 05/03/1985, 23/10/1992 a 25/01/1993, 11/11/1993 a 28/02/1994, 11/07/1994 a 12/04/1995, mo- tivo pelo qual tais períodos devem ser considerados especiais. Entretanto, para as atividades realizadas entre 05/06/1995 e 28/02/2005, o recorrido juntou aos autos PPPs (anexos 6 a 9) para comprovar sua exposição a agentes nocivos. Entretanto, os referidos documentos atestam exposição a poeira e radiação não ionizante, agentes não enquadrados nos Decretos n. 53.831/64 e 83.080/79, motivo pelo qual devem os períodos posteriores e 05/06/1995 serem considerados comuns.

Computando os períodos acima referidos como comuns, verifica-se que o recorrido faz jus a aposentadoria por tempo de contribuição integral pleiteada.

No que pertine à forma de atualização da dívida judicial (juros de mora e correção monetária), por força da decisão em medida cautelar proferida pelo Ministro Teori Zavascki, já ratificada pelo Pleno do STF, no julgamento iniciado dos embargos de declaração da ADI n.º 4.357/DF, aplica-se o art. 5º, da Lei n.º 11.960/2009.

Recurso provido em parte.

Sentença reformada para considerar comuns os períodos de 05/06/1995 a 14/03/1996, 03/06/1996 a 14/04/1997 e 27/04/2004 a 28/02/2005 e para determinar a aplicação de juros e correção mo- netária conforme fundamentação supra

Sem condenação em honorários advocatícios, ausente a figura do recorrente vencido.

Custas ex lege.

ACÓRDÃO Vistos, etc.

Decide a 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais de Pernambuco, à unanimidade, dar provimento, em parte, ao recurso inominado, nos termos da ementa supra.

Recife/PE, data do julgamento.

Sustenta o INSS, em síntese, que: (a) o acórdão atacado adota en- tendimento diverso do Superior Tribunal de Justiça; e (b) a atividade de trabalhador rural não se enquadra na categoria profissional prevista no item 2.2.1 do Decreto n.º 53.081/1964.

Aponta como paradigmas julgados do STJ (REsp n.º 291.404 e AgRg no REsp n.º 1.137.303).

2. O Min. Presidente desta TNU encaminhou os autos para melhor exame.

3. Em 2012, tinha esse colegiado que o Decreto n.º 53.831/64, no seu item 2.2.1, considerava como insalubre somente os serviços e as atividades profissionais desempenhados na agropecuária, não se en- quadrando como tal o labor apenas na lavoura (PEDILEF 200871580019758).

Entretanto, tal jurisprudência restou alterada quando do julgamento do representativo de controvérsia n.º 0500180-14.2011.4.05.8013. Por meio dele, esta TNU uniformizou o entendimento no sentido de que a expressão "trabalhadores na agropecuária", contida no item 2.2.1 do anexo ao Decreto n.º 53.831/1964, refere-se tanto aos tra- balhadores rurais que exercem atividades agrícolas como empregados em empresas agroindustriais e agrocomerciais.

Dessa forma, a alegação do INSS de que a especialidade somente poderia ser reconhecida se comprovado que o trabalho rural foi de- senvolvido na agropecuária merece ser desprovida.

Nesse sentido, a mais atualizada jurisprudência desta TNU: PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO FORMULADO PELA PARTE AUTORA. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL. TEMPO DE ATIVIDADE ESPECIAL. TRABALHADOR RURAL. AGROPECUÁRIA. MUDANÇA DE ENTENDIMENTO DA TNU. QUESTÃO DE ORDEM Nº 20. INCIDENTE CONHECIDO E PAR- CIALMENTE PROVIDO. 1. Prolatado acórdão pela Segunda Turma Recursal de Pernambuco, que negou provimento ao recurso do Autor, para manter a sentença que não reconheceu como atividade especial o trabalho rural no período de 01/09/1976 a 16/12/1998. 2. Incidente de Uniformização de Jurisprudência interposto tempestivamente pelo Autor, com fundamento no art. 14, § 2º, da Lei nº 10.259/2001. Alegação de que o acórdão recorrido diverge do entendimento da Segunda Turma Recursal de São Paulo (processo nº 0004398- 18.2007.4.03.6307), segundo o qual o labor rural configura a es- pecialidade prevista no item 2.2.1 do Quadro Anexo do Decreto nº 53.831/64. 3. Incidente não admitido pela Presidência da Turma de origem, sendo os autos encaminhados a esta Turma Nacional após agravo. 4. Nos termos do art. 14, § 2º, da Lei nº 10.259/01, o pedido de uniformização nacional de jurisprudência é cabível quando houver divergência entre decisões sobre questões de direito material pro- feridas por turmas recursais de diferentes regiões ou em contrariedade a súmula ou jurisprudência dominante da Turma Nacional de Uni- formização ou do Superior Tribunal de Justiça. 5. Configurado o dissídio, posto que o acórdão recorrido entendeu que, "(...) O en- quadramento no item 2.2.1 do Decreto 53.831/64 depende de efetiva comprovação de atividade agropecuária, não abrangendo todas as espécies de trabalhadores rurais, motivo pelo qual a atividade exer- cida pelo autor como rurícola não pode ser considerada como de natureza especial. 3. No caso vertente, não há nos autos qualquer prova de que o autor se dedicasse a atividade que envolvesse agri- cultura e pecuária (agropecuária)..", grifo no original. 6. A TNU, inclusive esta Relatora, tinha o entendimento de que somente o tra- balho agrário e pecuário configura o labor especial. Entretanto, houve mudança de entendimento, tanto que na sessão passada foi julgado o processo nº 0500180-14.2011.4.05.8013, Representativo de Contro- vérsia, onde consta que: "(...) esta Turma, no julgamento do Pedilef 0509377-10.2008.4.05.8300 (Relator p/ acórdão Juiz Federal André Carvalho Monteiro, j. 04/06/2014), uniformizou o entendimento de que a expressão "trabalhadores na agropecuária", contida no item 2.2.1 do anexo ao Decreto n.º 53.831/64, se refere aos trabalhadores rurais que exercem atividades agrícolas como empregados em em- presas agroindustriais e agrocomerciais, fazendo jus os empregados de tais empresas ao cômputo de suas atividades como tempo de serviço especial. Dessa forma, a alegação do INSS de que a es- pecialidade somente poderia ser reconhecida se comprovado que o trabalho rural foi desenvolvido na agropecuária merece ser despro- vida. (...)" (Rel. João Batista Lazzari, DJ 11/09/2014). 7. Copio ex- certo esclarecedor do Voto Vencedor do citado PEDILEF nº 0509377- 10.2008.4.05.8300: "(...) Revisão da interpretação adotada por esta Tuma Nacional de Uniformização, fixando entendimento de que a expressão "trabalhadores na agropecuária", contida no item 2.2.1 do anexo do Decreto n. 53.831/64, também se aplica aos trabalhadores que exercem atividades exclusivamente na agricultura como empre- gados em empresas agroindustriais e agrocomerciais, fazendo jus os empregados de tais empresas ao cômputo de suas atividades como tempo de serviço especial. (...)" (Rel. Designado Juiz Federal André Carvalho Monteiro, D.J. 04/06/2014). 8. Como o tempo de labor como "lavrador" abrange período antes e depois da Lei nº 9.032/95, necessário o retorno dos autos à Turma Recursal de origem para a análise das provas produzidas, nos termos da Questão de Ordem nº 20 da TNU. 9. Pedido de Uniformização de Jurisprudência conhecido e parcialmente provido para (i) reafirmar a tese de que "a expressão "trabalhadores na agropecuária", contida no item 2.2.1 do anexo do Decreto n. 53.831/64, também se aplica aos trabalhadores que exer- cem atividades exclusivamente na agricultura como empregados em empresas agroindustriais e agrocomerciais, fazendo jus os empre- gados de tais empresas ao cômputo de suas atividades como tempo de serviço especial"; (ii) anular o acórdão recorrido, determinando a realização de novo julgamento à luz do entendimento desta Turma Nacional. (PEDILEF 05003939620114058311, Rel. Juíza Federal KYU SOON LEE, DOU 24/10/2014, PÁGINAS 126/240) (grifei) PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO. PREVIDENCIÁRIO. ATIVIDA- DE ESPECIAL. TRABALHADOR RURAL. EMPRESA AGROIN- DUSTRIAL E AGROCOMERCIAL. POSSIBILIDADE. MATÉRIA UNIFORMIZADA. VIGILANTE. ENQUADRAMENTO ATÉ 28/04/1995. CATEGORIA PROFISSIONAL. ACÓRDÃO QUE CONFIRMA SENTENÇA FUNDAMENTADA NO CONJUNTO PROBATÓRIO. SÚMULA TNU N. 42. INCIDENTE PARCIAL- MENTE CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Trata-se de Pedido de Uniformização interposto contra acórdão da Turma Recursal dos Jui- zados Especiais Federais de Alagoas que confirmou a sentença assim fundamentada: "[...] Neste diapasão, examinando-se os autos e em conformidade com o pedido do autor em sua inicial, percebe-se que o tempo de serviço trabalhado de 10/07/1980 a 13/01/1981, 09/03/1981 a 03/02/1982 e 05/03/1982 a 28/04/1995, deve ser contado como especial por enquadramento em categoria profissional, uma vez que o autor comprovou satisfatoriamente, mediante anotações em sua CTPS, laudo e PPP (constantes no processo administrativo), que exerceu atividades em condições especiais, como trabalhador rural, vigia e vigilante, sendo que, nestes últimos vínculos o autor tra- balhava portando arma de fogo (anexo nº 8, pág. 6), o que é su- ficiente para comprovar otempo de serviço especial, de acordo com o Decreto nº 53.831/64, item 2.5.7. Neste sentido, é a jurisprudência do STJ, TRF da 5ª Região e TNU [...]". 2. Em seu pedido de uni- formização, o INSS defende que o acórdão recorrido contraria a jurisprudência da 2ª Turma Recursal do Rio Grande do Sul, desta

ISSN 1677-7042

EXEMPLAR DE ASSINANTE DA IMPRENSA NACIONAL

Este documento pode ser verificado no endereço eletrônico http://www.in.gov.br/autenticidade.html , Documento assinado digitalmente conforme MP no-2.200-2 de 24/08/2001, que institui a

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Turma Nacional e do Superior Tribunal de Justiça, trazendo ao co- nhecimento deste Colegiado os seguintes temas: a) que somente as atividades prestadas por trabalhadores da agropecuária, que tenham efetivamente laborado na lavoura e na pecuária, é que podem ser enquadradas por categoria profissional, nos termos do Decreto n. 53.831/64, que não teria contemplado o exercício de atividade rural na lavoura como insalubre (paradigma processo n. 2008.71.64.002558-7, TRRS; e RESP 291.404/SP); e b) que o en- quadramento como especial da atividade de vigilante ou vigia so- mente é possível se comprovada a habilitação para o exercício da atividade e o porte de arma de fogo (paradigma Pedilef 200871950073870). 3. O incidente de uniformização foi admitido na origem. 4. Quanto ao ponto a, esta Turma, no julgamento do Pedilef 0509377-10.2008.4.05.8300 (Relator p/ acórdão Juiz Federal André Carvalho Monteiro, j. 04/06/2014), uniformizou o entendimento de que a expressão "trabalhadores na agropecuária", contida no item 2.2.1 do anexo ao Decreto n.º 53.831/64, se refere aos trabalhadores rurais que exercem atividades agrícolas como empregados em em- presas agroindustriais e agrocomerciais, fazendo jus os empregados de tais empresas ao cômputo de suas atividades como tempo de serviço especial. Dessa forma, a alegação do INSS de que a es- pecialidade somente poderia ser reconhecida se comprovado que o trabalho rural foi desenvolvido na agropecuária merece ser despro- vida. 5. No tocante ao ponto b, entendo que o pedido de unifor- mização não pode ser conhecido. Afirmo isso apenas com base nos fundamentos da sentença que enfatiza que, quanto à atividade de vigilante, houve prova do porte de arma de fogo. É dizer, verificar as alegações do INSS - de que a instância julgadora anterior considerou como tempo especial o período laborado pelo autor na condição de vigilante/vigia, sem prova da habilitação e do efetivo porte de arma de fogo -, demandaria, necessariamente, o reexame de provas, pro- vidência inviável em sede de uniformização de jurisprudência nos termos da Súmula TNU 42 ("Não se conhece de incidente de uni- formização que implique reexame de matéria de fato"). 6. Julgamento nos termos do artigo 7º, inciso VII, alínea "a", do RITNU, servindo como representativo de controvérsia. (PEDILEF 05001801420114058013, Rel. Juiz Federal JOÃO BATISTA LAZ- ZARI, DOU 26/09/2014, PÁG. 152/227) (grifei)

Desse modo, como a Autarquia Previdenciária pretende que seja adotada tese rechaçada por este colegiado, tenho que não é caso de conhecimento do incidente de uniformização, nos termos da Questão de Ordem n.º 013 desta TNU.

4. Em face do exposto, tenho que o incidente nacional de unifor- mização de jurisprudência formulado pela Autarquia Previdenciária não merece ser conhecido.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, em que são partes as acima indicadas, decide a Turma Nacional de Uniformização de Jurispru- dência dos Juizados Especiais Federais NÃO CONHECER DO IN- CIDENTE NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRU- DÊNCIA veiculado pelo INSS, nos termos do voto-ementa do Re- l a t o r.

Brasília, 16 de março de 2016.

DANIEL MACHADO DA ROCHA

Juiz Federal Relator

PROCESSO:0510136-73.2014.4.05.8102

ORIGEM:CE - SEÇÃO JUDICIÁRIA DO CEARÁ REQUERENTE:JOSÉ GUILHERMINO DA SILVA

PROC./ADV.:AURENICE NUNES DE ALENCAR SANTANA OAB:CE-9436

REQUERIDO(A):INSS

PROC./ADV.:PROCURADORIA-GERAL FEDERAL

RELATOR(A):JUIZ(A) FEDERAL DANIEL MACHADO DA RO- CHA

E M E N TA

PEDIDO NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊN- CIA. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚ- MULA N.º 042 DESTA TNU. NÃO CONHECIMENTO.

1. Trata-se de pedido nacional de uniformização de jurisprudência formulado pela parte autora em face de acórdão exarado por Turma Recursal dos JEFs da Seção Judiciária do Estado do Ceará, com o seguinte teor:

RECURSO INOMINADO. APOSENTADORIA POR IDADE DE SEGURADO ESPECIAL. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUI- SITOS LEGAIS. CARÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEFE- RIMENTO DO BENEFÍCIO. SENTENÇA MANTIDA. DESPRO- VIMENTO DO RECURSO.

I - A condição legal de trabalhador(a) rural, apta a conferir o direito à percepção do benefício de aposentadoria por idade, depende de um conjunto harmônico de provas em que haja, no mínimo, um início de documentos consistentes, o qual, adicionado à prova testemunhal compatível e não contraditória com a documentação trazida, demons- tre que a parte autora detinha a condição de segurada especial durante o período de carência;

II - Para a aposentadoria por idade da parte recorrente como se- gurado(a) especial/trabalhador(a) rural, é necessária a comprovação do labor na agricultura em regime de economia familiar ou individual durante o período de carência estabelecido na tabela constante do art. 142 da Lei n.º 8.213/91, nos meses imediatamente anteriores à data do requerimento administrativo;

III - O Enunciado nº 14 da TNU estatui não ser necessário, para a concessão de aposentadoria rural por idade, que o início de prova material corresponda a todo o período equivalente à carência do benefício;

IV - Trata-se de recurso interposto pela parte autora em face de sentença que julgou improcedente pedido de aposentadoria por idade de segurado especial.

V - No caso dos autos, verifica-se que a parte postulante anexou aos autos cópias dos seguintes documentos: Carteira do Sindicato, com filiação em 14/11/2011; Certidão de Casamento constando como agri- cultor a profissão do autor; Comprovante de recolhimento do Ga- rantia-Safra no período de 2013/2014; Recibos de produtos agrícolas; dentre outros documentos de menor importância;

VI - Embora a documentação supramencionada possa ser aceita como início de prova material, há que ter em conta que o "início de prova material", como o próprio nome já o indica, não configura prova absoluta e incontrastável dos fatos alegados, necessitando ser com- plementado pela prova testemunhal. Tais documentos, apesar de in- dispensáveis à concessão do benefício, não são, por si sós, suficientes para a comprovação da condição de segurado especial. Sua presença apenas aponta para a possibilidade de veracidade dos fatos e permite o seguimento da instrução, a fim de que, no cotejo de todas as provas produzidas, seja possível aferir a correção da versão autoral; VII - Na espécie, contudo, a prova oral produzida não contribuiu para

No documento EXEMPLAR DE ASSINANTE DA IMPRENSA NACIONAL (páginas 172-174)

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