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DIFERENÇA ENTRE DIRIGENTE SINDICAL, REPRESENTANTE DOS

Imperioso informar que não se deve confundir representante dos trabalhadores com dirigente sindical, tendo em vista que esse é eleito pelos membros do sindicato para representação da categoria, enquanto aquele nem precisa ser sindicalizado, bastando apenas pertencer ao quadro de trabalhadores de uma determinada empresa e ser escolhido pelos demais trabalhadores para representá-los.6

Com relação às atribuições dos dirigentes sindicais, é necessário apresentar a diferença basilar entre estes tipos de representantes, haja vista possuírem formas e atribuições distintas.

O dirigente sindical compõe a diretoria de uma entidade sindical para a qual é eleito a fim de exercer a função de representante de uma determinada categoria. Em virtude disso, possui a condição de obter os efeitos da estabilidade provisória7 e da inamovibilidade.

A função de representante dos trabalhadores surge da possibilidade de empresas com mais de 200 empregados possuírem alguém que correlacione os interesses entre empregados e empregadores, contudo não representam

5

BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943: aprova a consolidação das leis do trabalho. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/decretolei/Del5452compilado.htm>. Acesso em: 4 set. 2010.

6 MARTINS, 2008, p. 745. 7

Apesar de estabilidade e garantia de emprego serem institutos com conceitos próximos,

imprescindível saber suas diferenças. A garantia de emprego é mais ampla, é gênero, constitui-se numa série de medidas que visam à manutenção dos empregados no trabalho. Já na estabilidade o empregado abrangido por ela só pode ser dispensado caso venha acometer falta grave e mediante apuração de inquérito judicial. Cf. MARTINS, 2008, p. 391.

propriamente uma entidade sindical.8 Acerca da condição de eleição destes representantes, a Constituição Federal em seu artigo 11, assim dispõe:

“Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores.”9

Evidencia-se no artigo citado a condição para que empresas com uma quantidade mínima de empregados eleja um representante para tratar de assuntos de interesse recíprocos entre empregadores e empregados. Todavia, não há qualquer referência à entidade sindical, ou dirigente sindical. Necessário elucidar que a escolha destes é feita por todos os empregados de uma mesma empresa, mediante eleição direta.10

Em face da diferença de atuação entre dirigentes sindicais e representantes dos trabalhadores, Nascimento comenta:

A observação de que, quando há representantes sindicais e não sindicais, devem ser tomadas medidas para que a presença destes últimos não se exercite de forma a debilitar a situação dos sindicatos interessados ou de seus representantes e se desenvolva de modo a fomentar a colaboração entre os dois tipos de representantes.11

Os representantes dos trabalhadores não são abrangidos pelos efeitos da estabilidade provisória, por ausência de dispositivo legal em face desta condição, o Art. 1112 da Constituição Federal de 1988 não disciplina expressamente esta matéria, ao contrário dos dirigentes sindicais, que possuem sua estabilidade provisória disciplinada no Artigo 8º, inciso VIII da referida Constituição13, bem como na Consolidação das Leis do Trabalho, em seu artigo 543, § 3º.14

8

MARTINS, 2008, p. 745.

9

BRASIL. Constituição da república federativa do Brasil de 1988. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/_ConstituiçaoCompilado.htm>. Acesso em: 14 ago. 2010.

10

MARTINS, op. cit., p. 746.

11

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao direito do trabalho. 35. ed. São Paulo: LTr, 2009. p. 474.

12 Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um

representante destes 05 de setembro de 2010. Cf. BRASIL, op. cit.

13 VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo

de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei. Cf. BRASIL, op. cit.

14

§ 3º - Fica vedada a dispensa do empregado sindicalizado ou associado, a partir do momento do registro de sua candidatura a cargo de direção ou representação de entidade sindical ou de associação profissional, até 1 (um) ano após o final do seu mandato, caso seja eleito inclusive como suplente, salvo se cometer falta grave devidamente apurada nos termos desta consolidação. Cf. BRASIL. Decreto-lei n° 5.452. Loc. cit.

Martins refere que “até o momento, o representante dos trabalhadores não goza de qualquer espécie de garantia de emprego, o que pode dificultar seu mister de promover o entendimento direto com os empregadores.”15

Martins, ainda, acrescenta que “o representante dos trabalhadores [...] não interfere na gestão da empresa, nem a referida representação dos trabalhadores se confunde com a co-gestão.”16

Torna-se importante salientar que, por intermédio de norma coletiva podem-se ampliar os efeitos da estabilidade provisória aos representantes dos trabalhadores. O Precedente Normativo 86 da Seção de Dissídios Coletivos (SDC), vislumbra essa possibilidade .17

Brito Filho menciona a possibilidade de mais de um representante dos trabalhadores:

[...] entendemos que o que a Constituição assegura é apenas um representante dos empregados, podendo, entretanto, concordar o empregador com a existência de mais de um, o que deve ser encarado, porém, como ato de liberalidade, frente a uma reivindicação, nesse sentido, dos trabalhadores.18

Já os delegados sindicais podem ser eleitos ou indicados, dependendo do estatuto da entidade sindical a que fazem parte, suas atribuições também dependerão dos critérios estabelecidos pela entidade.19

Em decorrência da demanda de atribuições sindicais, somente os membros dos órgãos internos do sindicato não são suficientes para desempenhá- las, diante dessa necessidade surgem os delegados sindicais.20

Arouca explica que “o delegado em causa nada tem a ver com representação do sindicato nos locais de trabalho, isto é, no interior das empresas.”21

Brito Filho afirma:

É preciso, pois, criar novos cargos, neles sendo colocadas pessoas que desempenhem algumas funções externas das organizações sindicais, normalmente setorizadas, restritas a determinado ponto. [...] sendo comum a existência de seções ou delegacias sindicais, que atuem sobre determinada parcela da base territorial da entidade sindical, que pode ser

15 MARTINS, 2008, p. 748. 16 Ibid., p. 745.

17

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. 4. ed. São Paulo: LTr, 2008. p. 990.

18 BRITO FILHO, 2007, p. 311. 19 Ibid., p. 304.

20

Ibid., p. 303.

21

uma região e, em muitos casos, uma empresa, ou estabelecimento de uma empresa. Estas delegacias são integradas por representantes sindicais que são, comumente, denominados delegados sindicais e que pode por elas responder isoladamente ou em colegiado.22 (grifo nosso).

Os delegados sindicais por não serem abrangidos pela definição de cargo de direção ou de representação sindical, somente realizam funções externas dos sindicatos. Desta feita, não são abrangidos pela estabilidade provisória, conforme se verifica no julgado abaixo do Tribunal Superior do Trabalho:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. DELEGADO SINDICAL. ESTABILIDADE SINDICAL. NÃO-CONFIGURAÇÃO. OJ 369 DA SDI-1/TST. Ressalvado o entendimento deste Relator no sentido de que as Convenções da OIT n°s 98 e 135, ratificadas pelo Brasil, concedem proteções adequadas e eficientes à representação dos trabalhadores (o que conduziria a extensão da garantia sindical de emprego aos delegados sindicais eleitos), a reiterada jurisprudência do TST, pela SBDI-1 e diversas Turmas, inclusive a 6ª, encaminhou-se na direção de considerar o delegado sindical não abrangido pela definição de cargo de direção ou de representação sindical previsto no § 4° do art. 543 da CLT, fato impeditivo do reconhecimento de sua estabilidade no emprego. Nesse sentido a atual OJ 369 da SDI-1/TST. Agravo de instrumento desprovido.23 (grifo nosso)

No entanto, por mais que existam diferenças básicas no tocante às formas de representação dos trabalhadores e na abrangência de algumas prerrogativas direcionadas a estes, o imprescindível é que as pretensões de uma categoria representada não fiquem prejudicadas.