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6.2 RESULTADOS DO EXPERIMENTO I, FASE REMOTA

6.2.1 Caracterização dos participantes do experimento I fase remota

6.2.2.1 Dificuldade percebida e tempo percebido na execução

A caracterização da complexidade associada à execução das tarefas de uso e geração de geoinformação no mapeamento colaborativo iniciou-se ainda no experimento I. Desse modo, perguntou-se aos indivíduos participantes qual o nível de dificildade e o tempo de execução por eles percebidos para a realização do exercício de geração de conteúdo no OSM. A Figura 20 sumariza o resultado deste questionamento sobre o nível de dificuldade percebido.

Ao se observar a Figura 20 é possível verificar que, para a maioria dos entrevistados (sessenta [60] indivíduos), o exercício de geração de conteúdo no OSM ocupou os estratos de dificuldade “Muito fácil” e “Fácil”. Em contrapartida, apenas um (1) entrevistado achou a tarefa

“Extremamente difícil” – mesmo a tendo finalizado – e dois (2) entrevistados classificaram-na como sendo de “Dífícil” execucação. Dos indivíduos que indicaram as classes “Difícil” e

“Extremamente difícil”, dois (2) não conseguiram estabelecer qual o tempo percebido para a execução da tarefa e um (1) indicou o tempo de 8 minutos. O nível de formação destes indivíduos é o mesmo - doutorandos, sendo um com formação em Eng. Cartográfica e mestrado concluído em Ciências Geodésicas, um com formação em Eng. Qúimica e mestrado concluído

em Eng. de Alimentos e um com formação em Eng. de Alimentos e mestrado em Eng. de Bioprocessos e Biotecnologia. Nenhum desses indivíduos contribuiu com o OpenStreeMap em outra ocasião. Percebeu-se, também, que diferentes graus de percepção da dificuldade na interação e colaboração com o OpenStreetMap foram relatados por indivíduos com um mesmo nível de formação acadêmica e, além disso, a percepção desses níveis de dificuldade não demonstrou ter relação com a existência ou inexistência de educação formal em Cartografia.

FIGURA 20 – PERCEPÇÃO SOBRE A DIFICULDADE DE EXECUÇÃO DAS TAREFAS DE USO E GERAÇÃO DE GEOINFORMAÇÃO NO OSM, EXPERIMENTO I, FASE REMOTA

FONTE: O Autor (2017).

Perguntou-se, ainda, qual o tempo por eles percebido para se concluir o exercício proposto. Neste caso, três (3) indivíduos do gênero masculino declararam ter demorado menos do que 1 minuto para gerar conteúdo no OpenStreetMap. Desse primeiro grupo, apenas um (1) indivíduo (28 anos de idade) tem formação no campo da Cartografia – Graduação em Engenharia Civil, Téc. em Informática e Téc. em Geoprocessamento, enquanto os outros dois (2) indívíduos têm formação em Relações Internacionais (25 anos de idade) e Ensino básico (fundamental e/ou médio) completo (60 anos de idade), respectivamente. Este resultado apresenta indícios de que a educação formal em Cartografia não é uma variável a melhorar o tempo de execução da tarefa de geração de geoinformação no OSM.

Dezenove (19) pessoas – dezesseis (16) do gênero masculino e três (3) do gênero feminino - declararam ter demorado de 1 a 4 minutos para concluir a tarefa de gerar conteúdo no OSM. Neste grupo tem-se pessoas com variação de idade que vai dos dezessete (17) aos quarenta e seis (46) anos e com nível de formação variado. Dentre os indivíduos desse grupo, tem-se um doutor em Ciências Geodésicas, um aluno de mestrado em Cartografia, um aluno de mestrado em Geografia e um aluno de graduação em Eng. Cartográfica e de Agrimensura.

O restante tem formação variada, e.g., técnologo em logística, técnicos em edificações e

administração, Eng. Eletricista, Eng. da Computação. Cinco (5) indivíduos deste grupo declararam nunca terem contribuído com alguma plataforma de mapeamento colaborativo e apenas um (1) desses nem mesmo utilizou esta tecnologia.

A maioria dos participantes (quarenta e três [43] indivíduos) declarou ter demorado entre 5 e 10 minutos para cumprir a tarefa. Apenas quatro (4) indicaram ter levado de 20 a 30 minutos. Do grupo de quatro (4) pessoas que indicou o tempo percebido de 20 a 30 minutos, duas mencionaram nunca terem colaborado com o OpenStreetMap , apenas uma (1) nunca contribuiu com uma plataforma colaborativa, sendo que todas já haviam utilizado o OpenStreetMap ao menos uma vez. A formação deste grupo de indivíduos conta com uma Psicóloga, um Engenheiro com especialização em administração rural, um bacharel em Relações Internacionais e um Geógrafo com doutorado em andamento em Planejamento e Gestão do Território.

Por vezes, a tarefa de gerar conteúdo na plataforma do OpenStreetMap provocou frustração em alguns dos entrevistados. Por exemplo, um dos participantes respondeu o questionário de modo a atender as expectativas da entrevista, até o momento em que se pediu para que fossem geradas informações na plataforma do OSM. A frustração desse indivíduo ficou explicitada em seu comentário, ao indicar que a “pesquisa não se encontra adequada”, mesmo tendo respondido a questões similares, anteriormente. Apesar da aparente frustração e da não realização da tarefa, o participante US64 indicou que a execução da tarefa foi “fácil” e que levou “5” minutos para ser cumprida. O efeito da frustação pode estar relacionado com a dificuldade que tiveram tais usuários ao realizar a tarefa, por conta de problemas da interface, infraestrutura (e.g. conexão, dispositivo) ou mesmo, das más condições ambientais durante a realização da pesquisa, algo similar ao que explicaram Harrower e Sheesley (2005).

Ainda, é possível afirmar que não se encontrou aparente relação de causa e efeito entre esses resultados e as características dos entrevistados, quando analisados caso a caso. Dessa maneira, pode-se inferir que não há aparente relacionamento entre o nível de formação, idade, ocupação profissional ou quaisquer outras variáveis levantadas pelo questionário de indentificação, com a dificuldade e o tempo percebidos na execução e conclusão da tarefa de geração de conteúdo no OpenStreetMap. Em contrapartida há indícios de que o não conhecimento dos procedimentos para gerar-se conteúdo na plataforma do OpenStreetMap pode ser um fator a causar maior dificuldade no uso e geração de geoinformação no mapeamento colaborativo (HARROWER e SHEESLEY, 2005; JONES e WEBER, 2012). No que se refere a esta última constatação, Jones e Weber (2012) e Behrens et al. (2015) afirmam que é imprescindível que plataformas como o OpenStreetMap permitam fácil interação dos

usuários com suas interfaces, uma vez que o propósito é “cativar” maior quantidade de colaboradores.

6.2.3 Aderência das TLMs tradicionais ao novo contexto de uso e geração de geoinformação