150 ALMEIDA, Maria Fátima Ramos. Cadernos de História, n° 1. p. 67-68.
151 PUBLICAÇÕES do LEAH. Cadernos de História aberto aos professores dos três níveis de ensino, com objetivo de publicar experiências no ensino de 1° e 2° graus. O Livro Didático em Discussão, publicação dos alunos do Curso de História da UFU, apresentando os resultados das investigações dos diversos aspectos que constituem o fazer do professor de História, através do livro didático.
Uma pesquisa desenvolvida e publicada por NUNES, no período pós-implantação do programa de História de MG/87, utilizando uma amostra de 9,6% das escolas urbanas da rede estadual de Uberlândia, revela as resistências, as críticas e os avanços sobre sua implantação:
Partimos do pressuposto de que as resistências ainda existem, mas que elas não se fundamentariam só no aspecto antidemocrático da Secretaria Estadual de Educação ou da 26ª Delegacia Regional de Ensino. A nosso ver, elas se embasariam nas dificuldades encontradas pelos professores no que diz respeito à sua formação profissional, como também numa indefinição filosófica de educação e ainda numa indefinição teórico- metodológica, aspectos que são muito mais sérios do que a falta de democracia da Secretaria de Estado da Educação152.
Com os resultados dessa pesquisa a autora constata que, apesar dos problemas enfrentados pela oficialização do programa de História de MG/86, este foi aceito com mais simpatia pelos professores do que o programa tradicional. A autora concorda com algumas críticas atribuídas a ele, mas reconhece que este trouxera muitas contribuições aos professores de História de 1° e 2° graus da rede pública estadual, tanto em promover um repensar de suas práticas de ensino, quanto em atender suas antigas reivindicações de valorização e aumento da carga horária da disciplina História.
Em suas constatações NUNES alega que
...a maioria dos nossos profissionais de história não possui uma definição filosófica de educação e isto influi decisivamente em seu trabalho
152 NUNES, Silma do Carmo. “Resistências às novas propostas de História nas escolas estaduais” In: Educação e Filosofia.. p 116.
cotidiano em sala de aula. Os problemas que eles conseguem enxergar nos programas que tentam desenvolver se reduzem muito às questões materiais: livro didático, materiais de consumo...acúmulo de tarefas, escassez de tempo disponível para estudar mais e propor mudanças no seu trabalho153.
Nos primeiros anos de sua implantação começam a surgir as dificuldades de compreensão sobre a teoria e os seus métodos de aplicação. Com isto a Universidade Federal de Uberlândia, que mantém o Curso de graduação em História, sente-se na obrigação de fornecer subsídios àqueles professores que não tiveram oportunidade de uma formação sobre a nova visão da História. Sensível a esse aspecto procura, através de seus órgãos de extensão, agilizar e direcionar suas atividades sobre esses problemas que vinham afetando grande parte dos professores de 1° e 2° graus.
Debates e encontros foram promovidos com essa finalidade, mas muitas vezes não eram bem aceitos e acabavam sendo repudiados, tanto pela 26ª Delegacia Regional de Ensino quanto pelos próprios professores da rede estadual. Isto acontecia principalmente porque, na tentativa de fornecer subsídios teóricos e auxiliar na busca de novas práticas de ensino, alguns professores da UFU, envolvidos nessas atividades, demonstraram uma certa arrogância, deixando transparecer em seus discursos uma falsa postura de superioridade, contradizendo assim o próprio conceito da História a que se propunham.
As críticas e aversões a essas posturas não se limitavam a indivíduos em particular e acabavam sendo propagadas de forma generalizada, prejudicando a continuidade das atividades que se pretendia e, conseqüentemente, um prejuízo para as atividades voltadas
153 Idem, Ibidem. p. 124.
para a melhoria de qualidade do ensino de História em Uberlândia. Essa situação gerava um mal estar que atingia a todos.
Muitos professores da UFU, embora preocupados com os rumos da nova metodologia e com os problemas da estrutura educacional, não conseguiam uma aproximação maior com os professores que atuavam nas escolas de 1° e 2° graus. Essa situação dificultou um conhecimento sobre os verdadeiros problemas que atingiam professores e alunos das escolas da rede pública de Uberlândia. Conseqüentemente, os planejamentos para sanar essas dificuldades muitas vezes eram elaborados e executados com base em dados superficiais, comprometendo, portanto, o resultado dos trabalhos e causando má impressão.
Conforme NUNES,
Pudemos perceber, de certa maneira, que a universidade também se encontra fora da realidade dos problemas que afetam o ensino de 1° e 2° graus e, conseqüentemente, faz críticas a esses níveis de ensino, mas concretamente não consegue ajudar em quase nada para a mudança do quadro educacional que hoje está colocado154.
Esse fato acabou sendo tema de discussões promovidas entre o LEAH e alguns professores da rede estadual de ensino, onde se chegou à conclusão de que a integração de atividades entre os professores de 1°, 2° e 3° graus poderia ser o início de uma luta para resolver os problemas da tradicional separação entre esses níveis de ensino.
A preocupação de um envolvimento maior com a comunidade faz parte de uma nova concepção de extensão que começa a ser veiculada nas universidades brasileiras, a partir de meados dos anos 80, mudando totalmente seu sentido, e levando o LEAH a
154 Idem, Ibidem. p. 125.
direcionar suas atividades para essa nova concepção de trabalho, junto às escolas públicas locais.