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2 FUNDAMENTAÇÃO CONCEITUAL

2.3 A Competência Informacional no contexto educacional

2.3.3 Dimensões da Competência e a Competência do Professor

A Competência Informacional envolve uma série de aspectos relacionados ao desenvolvimento intelectual humano, vinculado ao crescimento tanto pessoal como profissional das pessoas. A disseminação da Competência Informacional ocorre principalmente dentro de escolas e bibliotecas por serem espaços de desenvolvimento humano e de busca de informação, na tentativa das pessoas de sanarem suas dúvidas e questionamentos a fim de construir conhecimentos.

4 Em seus primeiros textos Campello utilizava o termo Competência Informacional, com a evolução de seus estudos ela passou a adotar o termo letramento informacional. Pode-se verificar na sua produção dos anos de 2003 e 2009 a modificação nos termos utilizados pela autora.

Na obra Sociedade da Informação no Brasil - Livro Verde, (TAKAHASHI, 2000, p.7), alega que “na nova economia, não basta dispor de uma infra-estrutura moderna de comunicação, é preciso competência para transformar a informação em conhecimento”. Nesta perspectiva, o professor passará por algumas transformações, porém é necessário além da capacitação pedagógica e tecnológica, uma reflexão sobre sua prática docente para que ele consiga acompanhar o desenvolvimento da sociedade e efetuar o seu trabalho com qualidade.

Na escola, a competência informacional deve ser disseminada e praticada por professores e bibliotecários, porém o foco deste estudo será na competência do professor. Assim como outros profissionais, o professor deve inserir em sua prática docente algo que contribua para o desenvolvimento intelectual e social dos alunos e da comunidade, ou seja, ao realizar o seu trabalho com qualidade estará também demonstrando sua competência informacional.

Considerando a competência global do professor em sua prática docente buscou-se na literatura outras fontes sobre as dimensões da competência dos professores. A partir dessa busca, encontrou-se a obra de Rios (2005) que descreve algumas categorias da competência do professor. Ela define que a competência se apresenta “como uma totalidade que abriga em seu interior uma pluralidade de propriedades, um conjunto de qualidades de caráter positivo, fundadas no bem comum, na realização dos direitos do coletivo de uma sociedade” (RIOS, 2005, p. 93).

A visão multidimensional da competência do professor auxiliará a compreender em que contexto e sob quais os parâmetros essas dimensões da competência oferecem-lhe instrumentos e reflexões que o auxiliem e facilitem o desenvolvimento da competência informacional no ambiente escolar.

As dimensões da competência são apresentadas por Rios (2005, p. 108) como: dimensão técnica, dimensão estética, dimensão ética e dimensão política, justificando que para uma docência de melhor qualidade as dimensões devem ser refletidas da seguinte forma:

a) a dimensão técnica diz respeito à capacidade de lidar com os conteúdos – conceitos, comportamentos e atitudes – e à habilidade de construí-los e reconstruí-los;

b) a dimensão estética está relacionada à presença da sensibilidade e sua orientação numa perspectiva criadora;

c) a dimensão política envolve a participação na construção coletiva da sociedade e ao exercício de direitos e deveres;

d) a dimensão ética compreende a orientação da ação, fundada no princípio do respeito e da solidariedade, na direção da realização de um bem coletivo;

Embora sejam distinguidas e tratadas em termos e objetivos diferentes, para que ocorra uma docência de qualidade e com competência é necessário que o professor busque nas dimensões apresentadas instrumentos que contribuam com sua prática diária junto aos alunos.

Outro aspecto que auxilia na questão da aprendizagem dos alunos e propicia melhores condições de trabalho, baseado na dimensão política da competência, é a parceria que o professor pode fazer com o bibliotecário. Neste sentido Campello (2009 p. 77) ressalta que as ações de letramento informacional estão sendo favorecidas pelas pesquisas que aprofundam as questões de aprendizagem, em que bibliotecários e profissionais da educação tenham condições de trabalhar de forma colaborativa em prol da aprendizagem dos alunos.

É importante ressaltar que as dimensões da competência devem fazer parte do cotidiano da relação aluno professor e que as mesmas não devem ser praticadas separadamente; ao professor cabe refletir e praticar todas as dimensões, levando em consideração a dimensão ética, que é a dimensão base das demais dimensões, é a partir dela que as outras fluem e transformam o ato de ensinar algo de boa qualidade, e por consequência um professor competente.

Para complementar as dimensões da competência apresentadas por Rios (2005), recorre- se na literatura educacional à obra de Perrenoud (2000) que faz uma abordagem da competência e fixa objetivos para a formação do professor competente. No livro “10 Novas competências para ensinar”, o autor relaciona o que é imprescindível saber para ensinar com qualidade e eficácia numa sociedade em que o conhecimento e a informação estão cada vez mais acessíveis.

As dez competências apontadas por Perrenoud (2000) se configuram da seguinte maneira:

a) Organizar e dirigir situações de aprendizagem; b) Administrar a progressão da aprendizagem;

c) Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação; d) Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho; e) Trabalhar em equipe;

f) Participar da administração escolar; g) Informar e envolver os pais;

i) Enfrentar os deveres e dilemas éticos da profissão; j) Administrar a própria formação.

Nessa relação de competências necessárias ao professor, ressalta-se a questão do profissionalismo e da qualidade do ato de ensinar, que vão muito além do contexto da sala de aula. Mesmo sendo dez, as competências sugeridas por Perrenoud, não contemplam todas as relações que se estabelecem em sala de aula.

A lacuna existente entre a prática pedagógica dos professores, e a melhor forma de aprender de cada aluno, justifica o entender e incorporar as dimensões da competência no ato de ensinar e aprender.

Um exemplo, que se pode mencionar, é a dimensão estética, que contextualiza a atuação do professor com sensibilidade e afetividade, que quando utilizada no relacionamento, no convívio e na interação com os alunos pode ser um caminho na busca pela melhoria das relações em sala de aula.