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2.1 Responsabilidade Socioambiental Empresarial

2.1.1 Dimensões da Responsabilidade Social Empresarial

Carroll (1979) define a responsabilidade social das empresas como a compreensão das expectativas econômicas, legais, éticas e discricionárias que a sociedade possui relacionada às organizações em dado período. E seu modelo conceitual piramidal oriundo dessas quatro expectativas ou responsabilidades tornou-se a base de muitos programas e modelos de gestão da responsabilidade social.

A primeira e principal responsabilidade da empresa é a econômica, pois é uma unidade econômica básica da sociedade, buscando a geração de emprego e renda, e de lucro para os acionistas/proprietários através da oferta de bens e serviços. Como os outros papéis a serem desempenhados dependem da responsabilidade econômica, essa está assentada na base da pirâmide do modelo. Acima da responsabilidade econômica está a responsabilidade legal que regula, através de leis e normas, a atuação organizacional e produtiva da empresa (CARROLL, 1979; OLIVEIRA, 2008; BARBIERI; CAJAZEIRA, 2009).

Em seguida, vem a responsabilidade ética que trata de comportamentos e atividades não cobertos pela legislação. Representa as expectativas da sociedade, naquilo que ela considera certo e justo, como forma de evitar ou minimizar danos às pessoas. No ápice da pirâmide, a responsabilidade discricionária. Para Carroll (1979), essa dimensão diferentemente das outras não possuía uma indicação direta e precisa da sociedade, ficando a cargo de escolhas e julgamentos dos gestores empresariais.

Carroll (1991) substituiu a palavra “discricionária” por “filantrópica”, pois considerava essa responsabilidade uma restituição à sociedade de parte do que a organização recebeu dela. A responsabilidade filantrópica seria a resposta empresarial às expectativas da sociedade quanto aos seus programas e ações cidadãs, promovendo o bem-estar humano. Para ser socialmente responsável, a empresa precisava ser lucrativa, obedecer às leis, atender as expectativas da sociedade e ser cidadã, simultaneamente.

Schwartz e Carroll (2003) percebem que o uso gráfico da pirâmide no modelo original pode gerar confusões ou formas inadequadas de uso, como: a) a sugestão de uma hierarquia entre as dimensões; b) a responsabilidade filantrópica ser mais importante já que está no topo;

e c) mesmo usando linhas pontilhadas entre as secções, a não captura integral das interações entre as quatro responsabilidades. Além disso, a filantropia mostra-se uma dimensão específica por ser difícil a distinção entre atividades éticas e filantrópicas, podendo ser praticada apenas por interesses econômicos.

Dessa forma, os autores propõem o aperfeiçoamento do modelo piramidal de Carroll (1979, 1991), apresentando o modelo dos três domínios da responsabilidade social (figura 02). Nessa nova proposta, os autores utilizaram novas perspectivas conceituais no entendimento da Responsabilidade Social Empresarial e suas práticas efetivas, utilizando círculos indicadores de campos ou domínios da RSE, a saber: econômico, legal e ético. O modelo permite à identificação da importância ou ênfase empresarial às diferentes categorias da Responsabilidade Social, sendo o ideal à empresa que os três domínios estejam em equilíbrio (SCHWARTZ; CARROLL, 2003; BARBIERI; CAJAZEIRA, 2009).

Econômico/ Legal/ Ético Econômico/ Legal Legal/ Ético Exclusivamente Econômico Exclusivamente Legal Exclusivamente Ético Econômico/ Ético Econômico/ Legal/ Ético Econômico/ Legal Legal/ Ético Exclusivamente Econômico Exclusivamente Legal Exclusivamente Ético Econômico/ Ético

Figura 02: Modelo dos Três Domínios da Responsabilidade Social Empresarial.

Fonte: SCHWARTZ e CARROLL (2003, p.509); BARBIERI e CAJAZEIRA (2009, p.57).

As atividades na produção de impactos econômicos positivos, diretos e indiretos, ou a maximização do lucro estão contidas no campo econômico. No campo da responsabilidade legal estão as respostas dadas pela empresa, relacionadas a normas e princípios legais sob os aspectos da conformidade legal e das medidas para evitar litígios e antecipatórias às leis (SCHWARTZ; CARROLL, 2003).

Os aspectos da conformidade legal da empresa advêm da sua: a) passividade e conveniência em acidentalmente atender a legislação vigente; b) obrigatoriedade em cumprir essa legislação; ou c) atitude oportunista, ao operar em locais de exigências legais brandas ou ao tirar vantagens das lacunas legais em certas atividades. A resposta a litígios está baseada em medidas ao impedimento de comportamentos negligentes, como encerrar a produção de

produtos perigosos ou de atividades prejudiciais ao meio ambiente. Por fim, a resposta a antecipações está relacionada a ações preventivas as mudanças legais (SCHWARTZ; CARROLL, 2003; BARBIERI; CAJAZEIRA, 2009).

O domínio ético no modelo está ligado às responsabilidades com os imperativos domésticos relacionados às expectativas da população e com os globais direcionados aos stakeholders, mediante três padrões éticos gerais: o convencional, o consequencialista e o deontológico. O convencional ou relativismo ético representa padrões e normas sociais aceitas como necessárias ao funcionamento das empresas nos setores atuantes, nas associações profissionais e sociedade em geral. Para contornar a variação dessas normas em diferentes grupos sociais, a empresa deve elaborar e aplicar códigos formais de ética (SCHWARTZ; CARROLL, 2003).

O padrão consequencialista, no qual as ações promotoras do bem-estar social são julgadas ou decididas por suas conseqüências, no propósito da maior quantidade de benefícios ou o menor custo, em comparação as demais alternativas. O último padrão ético geral, o deontológico, envolve noções de obrigação e dever como objetos dessas ações promotoras do bem-estar social (SCHWARTZ; CARROLL, 2003).

A sobreposição desses domínios da responsabilidade gera sete novas categorias socialmente responsáveis. As três primeiras são as de domínio exclusivo econômico, legal e ético; do seu cruzamento surgem quatro categorias combinadas: as pertencentes ao mundo dos negócios que são Econômico/Legal, Econômico/Ético e Legal/Ético e a superposição ideal central, Econômico/ Legal/Ético na qual todos os domínios estão presentes simultaneamente (SCHWARTZ; CARROLL, 2003).

Como limitações desse modelo, Barbieri e Cajazeira (2009) apontam: o fato de estabelecer domínios distintos torna as categorias exclusivas e, na verdade, todas elas se combinam inseparavelmente; e a desconsideração das questões ambientais (componentes da responsabilidade social das organizações que fazem parte do alcance do desenvolvimento sustentável) como uma dimensão específica, tratadas como questões econômicas e legais.

Mesmo com essas limitações, os domínios da Responsabilidade Social Empresarial, propostos por Schwartz e Carroll (2003), auxiliam no direcionamento de ações socioambientais empresariais que demonstrem seu Comportamento Socioambiental.