2.4 DADOS ABERTOS GOVERNAMENTAIS
2.4.2 Dimensões do Conceito Dados Abertos Governamentais
Por intermédio de uma Revisão Sistemática de Literatura (RSL) de artigos científicos sobre o tema Dados Abertos Governamentais foi possível identificar quais abordagens estão sendo adotadas em artigos sobre esse tema, quais são as técnicas de análise utilizadas, como evolui o conceito e quais os artigos mais referenciados. De acordo com as indicações de Cooper et al. (2009), a análise dos artigos foi composta por sete fases, resumidas no Apêndice B.
No Quadro 2 são demonstradas algumas evidências de termos utilizados na definição do conceito Dados Abertos Governamentais, obtidos por intermédio da RSL. A amostra de definições utilizou como critério a clareza e o poder de síntese da definição. Os termos utilizados nas definições serviram para origem das categorias de dimensões do conceito sobre DAG. Notadamente, destaca-se dentre os conceitos a ideia de que os governos, motivados pela necessidade de transparência, disponibilizaram dados, aos quais se espera que seja agregado valor, por intermédio da reutilização dos dados em serviços criados por empresas e cidadãos, gerando inovação à sociedade. Os termos em negrito foram classificados como dimensões das definições sobre DAG.
Quadro 2 – Amostra de definições sobre o conceito Dados Abertos Governamentais
Indispensáveis na elaboração de políticas públicas e prestação de serviços, valiosos para os cidadãos, organizações e empresas públicas, na tomada de decisão e para a criação de produtos e serviços inovadores (JANSSEN, 2011).
Os últimos anos tem visto o surgimento de uma "Web de dados", alimentada pelas iniciativas de transparência do Governo Aberto que tornaram uma quantidade significativa de informações do setor público disponível livremente para o uso e redistribuição sem restrições (O’RIAIN et al. 2012).
Os dados do governo aberto são um componente importante no apoio à inovação em dados, uma abordagem na qual as empresas analisam os dados para obter informações a respeito do seu ramo de atividade, sobre as partes interessadas e concorrentes, ou sobre o desenvolvimento de novas oportunidades de serviço (O’RIAIN et al., 2012).
Dados abertos do setor público são dados em formado aberto que relacionam informações úteis para os cidadãos e empresas nas suas transações com o setor público (GALIOTOU e FRAGKOU, 2013).
As iniciativas abertas de dados governamentais baseiam-se na transparência, participação e colaboração para o fortalecimento da democracia. Através destes três pilares, a publicação de conjuntos de dados governamentais não só tem o potencial de melhorar a accountability e a diminuição da corrupção, como também afeta todos os envolvidos de várias maneiras (ATTARD et al., 2015).
Transparência para melhorar a accountability pública, melhorar a participação dos cidadãos; e a colaboração
de parcerias intersetoriais (LINDERS, 2013).
A formulação de políticas baseadas em evidências, planejamento estratégico, acompanhamento de desempenho e gestão baseada em resultados, requer amplo conhecimento sobre as condições atuais de um país e do impacto dos projetos e exigem enormes quantidades de dados de uma ampla variedade de fontes sobre tudo. Plataformas de dados abertos podem ajudar a tornar públicos esses componentes essenciais do conhecimento. A poderosa vantagem de uma abordagem de dados aberto é que ele também faz com que esses dados encontráveis,
reutilizáveis, acessíveis, interoperáveis e legível por máquina; possam melhorar dramaticamente eficiência das
análises e dos insights. (LINDERS, 2013).
Conjuntos de dados disponíveis, coletados pelos departamentos governamentais com financiamento do contribuinte. A partir dos quais as empresas privadas são encorajadas a fornecer serviços comerciais, que utilizem esses dados abertos, agregando valor para o usuário final (JEFFERY e ASSERSON, 2014b).
Refere-se a dados produzidos ou comissionados pelo governo ou por entidades controladas pelo governo, que podem ser utilizados livremente, reutilizados e redistribuídos por qualquer pessoa. O núcleo do movimento sobre DAG estabelece a divulgação proativa de dados brutos não estruturados, visando em primeiro lugar à
inovação e o crescimento econômico, através da exploração dos dados fornecidos para a produção de novos
produtos com valor agregado, e em segundo lugar à accountability e transparência, fornecendo acesso a dados que tem valor político (YANNOUKAKOU e ARAKA, 2014).
Fornecem informações úteis aos cidadãos e às empresas para a sua operação com o setor público, disponível a qualquer um para analisar e reutilizar, está organizada e publicada de maneira caótica e sua exploração no seu estado atual continua a ser uma tarefa difícil. Esta situação será facilitada apenas se os dados do setor público forem transformados em Dados Abertos Conectados, a fim de satisfazer os requisitos mínimos para interligação dos dados e reutilização. O termo dados conectados refere-se a dados publicados na web de tal forma que é legível por máquina e ligado a outros conjuntos de dados externos e pode por sua vez ser ligada a partir de conjuntos de dados externo (FRAGKOU et al., 2014).
Está disponível por razões de transparência e para promover um mercado de serviços de valor agregado. Começando com o desejo dos governos de aparecer mais transparente, tornou-se uma tendência nos países ocidentais. Na verdade, a principal motivação é que, fazendo conjuntos de dados disponíveis recolhidos pelos departamentos governamentais, com financiamento do contribuinte, sociedades comerciais serão incentivadas a fornecer serviços comerciais que utilizam esses dados abertos e agregar valor para o usuário final (JEFFERY et al., 2014).
Livre para usar, reutilizar e redistribuir, compartilhar pela mesma licença. Neste contexto, o movimento Open Government Data realiza um grande esforço para espalhar essa visão em órgãos públicos pelo mundo inteiro, com o objetivo de tornar a informação disponível ao público e a geração de economia de escala devido à
reutilização de dados e a criação de serviços mais-valorados e enriquecidos com dados (ALVAREZ-
RODRÍGUEZ et al., 2014).
É a política de informação que fornece uma estrutura particular no qual os conjuntos de dados que são z . O “ ” z por organismos públicos devem ser abertos para que todos possam ser reusados, a título gratuito e sem discriminação (BATES, 2014).
Ao abrir seus dados as agências governamentais têm o potencial de promover a transparência, aumentar a
participação dos cidadãos e estimular a inovação. Além disso, as iniciativas de dados abertos podem ajudar os
cidadãos a aprender sobre as atividades do governo, melhorar a accountability do governo e permite que os cidadãos participem no processo político. Iniciativas de dados abertos podem também fornecer os dados partes independentes precisam avaliar a qualidade da política orientada a tomada de decisão do governo (WHITMORE, 2014).
Cumprir um dos principais objetivos do governo aberto: promover a transparência através da publicação de dados do governo e, portanto, permitir a accountability dos agentes públicos e a reutilização dos dados divulgados com valor social ou econômico (LOURENÇO, 2015).
Quaisquer dados e informações produzidas ou promovidas por organismos públicos, que podem ser usados livremente, reutilizados “Nó -G ” cidadãos ter um papel ativo, com os governos e cidadão se tornando parceiro na coprodução de informações e serviços (KARAKIZA, 2015).
Nos últimos anos, uma série de movimentos de dados abertos surgiu em torno do mundo, com transparência e
reutilização de dados como dois dos principais objetivos. Os Portais de Dados Abertos Governamentais
resultante de tais movimentos fornecem meios para os cidadãos, e as partes interessadas, obter informações do governo sobre a localidade ou país em questão (ATTARD et al., 2015).
O detalhamento sobre as dimensões obtidas a partir das definições consta no Apêndice B. Em síntese foram obtidas as seguintes dimensões: transparência, participação, inovação, reuso, accountability, colaboração e valor agregado. Como exemplo da dimensão colaboração, o artigo de V jk ć . (2014) que a colaboração visa uma tomada de decisão mais responsiva com base no trabalho colaborativo e na informação de feedback, e identificam diferentes tipos de colaboração no governo: G2G (governo ao governo), G2B (governo para as empresas) e G2C (governo aos cidadãos).
Nesse sentido, a publicação de DAG pode estimular a cooperação de vários envolvidos, facilitando o seu uso (ZUIDERWIJK et al. 2014a). Sieber e Johnson (2015) defendem que um modelo participativo apresenta os Dados Abertos Governamentais como um canal formalizado entre o cidadão e o governo, no qual as contribuições dos cidadãos são integradas nas tomadas de decisões, com o governo focado em atender demandas de dados existentes e dados futuros.
Por outro lado, no Modelo de Maturidade Aberta do Governo, sugerido por Lee e Kwak, (2012), agências governamentais atingem maturidade de Colaboração (correspondente ao quarto nível), ao promover a colaboração entre as agências governamentais, o público e o setor privado, quando o envolvimento público em tarefas ou projetos complexos visa gerar resultados específicos. Nesse sentido, Zuiderwijk e Janssen (2014b) apontam como possíveis razões para a falta de colaboração dentre organizações governamentais: a) a operabilidade entre diferentes níveis governamentais, com diferentes responsabilidades e diferentes tipos de dados; b) diferenças entre as organizações referentes aos tipos de missão; c) as motivações por trás do desenvolvimento de políticas; e c) os objetivos das políticas.
No que tange a dimensão “valor agregado” proporcionado pelo DAG, o artigo de Zeleti et al. (2016) se destaca por abordar modelo de negócios e a forma de explorar o valor acrescido aos DAG. Nesse sentido, Al-Debei e Avison (2010) derivaram um modelo de negócios baseado em uma revisão abrangente da literatura. Já Gonzalez-Zapata e Heeks (2015) classificam o valor adicionado pelo DAG em econômico, social, governamental ou político. Os autores argumentam que o valor governamental pode ser uma inovação tecnológica dentro dos sistemas de Dados Abertos Governamentais, o valor público ou social podem ser melhorias nos serviços públicos através de uma maior eficiência e eficácia da gestão de dados. O valor de governança pode ser a maior transparência, responsabilidade, participação e capacitação, e o valor econômico pode ser obtido por meio de novos produtos, serviços, receita, lucros e empregos. Neste sentido, o artigo de Janssen e Zuiderwijk (2014) compara diferentes modos de agregação de valor e modelos de negócios com Dados Abertos
Governamentais: a) aplicativos de uso único; b) aplicativos interativos; c) agregadores de informações; d) modelos de comparação; e) repositórios de dados abertos; e e) plataformas de serviços.
Durante a RSL sobre DAG também foram identificados os termos mais utilizado nos artigos, a metodologia utilizada para esse intuito consta no Apêndice B. Dentre os artigos analisados, os termos (politics, policy) e legislação (legislation) foram recorrente, presentes em 146 artigos que enfatizavam principalmente a política para geração de legislação de incentivo e continuidade a publicações de DAG, além do estabelecimento e garantia da continuidade da transparência governamental.
Dessa forma, foi considerado importante realizar a análise de conteúdo da legislação nacional relativa à publicação de dados governamentais destinados aos cidadãos, com os principais aspectos descritos a seguir.