3. MATERIAIS E CONCRETOS
3.1. DIMENSÕES DOS CORPOS DE PROVA PRISMÁTICOS
A Norma DNIT 049-ES (2012) prescreve que, para a inspeção do concreto,
deve ser determinada a resistência à tração na flexão, na idade de controle fixada no
projeto e que a moldagem e ensaio dos corpos de prova devem seguir a ABNT NBR
7583 (1986), que determina que o controle tecnológico para pavimentação deva ser
realizado por meio de ensaios em tração na flexão de corpos de prova prismáticos
com dimensões de 150 mm x 150 mm x 500 mm, moldados e curados de acordo
com a ABNT NBR 5738 (2003).
Os ensaios de determinação de resistência pela tração indireta na flexão em
corpos de prova prismáticos, recomendados pela ABNT NBR 12142 (1991) indica a
utilização de amostras prismáticas com dimensões que deverão ser escolhidas
preferencialmente entre as dimensões básicas “d” de 150, 250 e 450 mm, onde os
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corpos-de-prova deverão ter seção quadrada de aresta igual à dimensão básica “d”
e comprimento, no mínimo, igual a 3d + 50 mm. A ABNT NBR 5738 (2003)
estabelece ainda que a dimensão básica das amostras prismáticas deve atender a d
≤ 3D, sendo que d é a dimensão básica da amostra, e D é a dimensão máxima
característica do agregado. Entretanto, para agregados com dimensão máxima
característica menor ou igual a 50 mm, a norma estabelece a utilização de moldes
com dimensão básica igual a 150 mm.
Alguns inconvenientes apresentados ao longo da realização de tais ensaios
impulsionaram a pesquisa sobre a possibilidade de redução das dimensões desses
corpos de prova prismáticos. Pode-se citar algumas das inconveniências existentes
da adoção das dimensões recomendadas pelas normas vigentes, tais como:
- disponibilidade de fornos com dimensões internas disponíveis para a
realização dos ensaios de elevação de temperatura;
- as dificuldades em se posicionar corretamente um corpo-de-prova aquecido
com peso elevado no equipamento para ensaio em tração na flexão;
- maior custo de ensaio, para dosagem ou controle tecnológico, onde o
consumo de materiais é bastante elevado e poderia ser reduzido com a adoção de
corpos-de-prova de menores dimensões.
Modificações no processo de moldagem por meio da redução das dimensões
dos corpos-de-prova utilizados para ensaios em tração na flexão, que garantiriam
ganhos em termos de facilidade, precisão e custos de execução, devem comportar a
razão entre a dimensão máxima do agregado graúdo e a área transversal da vigota,
tornando possível o adensamento da massa fresca do concreto no molde.
A forma de adensamento precisaria ser repensada, uma vez que o método
convencional estabelece que em amostras de 150 mm x 150 mm x 500 mm o
adensamento ocorra por imersão de agulha vibratória de 25 mm de diâmetro externo
(conforme prescrito na ABNT NBR 5738), o que poderia não ser adequado para
corpos-de-prova com dimensões reduzidas em relação aos padrões prescritos em
norma (BALBO et al., 2003 e CERVO et al., 2004).
Conforme ressalta CERVO (2004), trabalhos têm sido realizados utilizando
corpos de prova com dimensões inferiores àquelas preconizadas pela ABNT NBR
5738 (2003).
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OH (1981b), para determinar o comportamento à fadiga do concreto em
flexão, preparou e ensaiou corpos-de-prova prismáticos nas dimensões de 100 mm
x 100 mm x 500 mm, uma vez que as normas existentes em outros países
possibilitam a utilização de corpos-de-prova com dimensões inferiores àqueles
indicadas pela norma brasileira.
HSU e GAO (1998), com o intuito de determinar a resistência à fadiga em
concretos submetidos à tensão de compressão uniaxial, moldaram e realizaram
ensaios estáticos e dinâmicos em amostras prismáticas nas dimensões de 100 mm x
100 mm x 300 mm.
Estudando as condições de umidade, idade e taxa de carregamento na fadiga
do concreto simples em flexão, RAITHBY e GALLOWAY (1974) realizaram testes
em prismas compactados em mesa vibratória com dimensões de 102 mm x 102 mm
x 510 mm, com vão de 406 mm carregados nos terços médios.
GUIMARÃES et al. (2000) moldaram corpos-de-prova prismáticos com
dimensões de 100 mm x 100 mm x 400 mm, compactados em mesa vibratória, para
determinar a tenacidade à flexão em concretos reforçados com fibra de aço.
CERVO (2004) também moldou corpos de prova prismáticos com dimensões
de 100 mm x 100 mm x 400 mm, compactados em mesa vibratória, para determinar
a resistência à fadiga em concretos.
Contudo, como a resistência de referência em vigor deveria, em caso de
controle tecnológico, seguir os padrões da ABNT NBR 12142 (1991), restava
compreender se, empregando-se corpos-de-prova de dimensões reduzidas,
chegar-se-ia a resultados semelhantes. Em caso positivo, a pesquisa experimental poderia
ser amplamente simplificada pelas razões anteriormente expostas.
O principal motivo para se optar pela redução das dimensões dos corpos de
prova foi a viabilização dos ensaios de elevação da temperatura pela
compatibilização com as dimensões internas dos fornos a serem utilizados no
referido ensaio, pois os fornos utilizados para a presente experimento possui
dimensões internas de 300 mm x 140 mm x 150 mm, conforme FIG. 3.1.
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FIG. 3.1 Forno utilizado com dimensões internas 300 mm x 140 mm x 150 mm.
Outros motivos foram: o transporte e posicionamento dos corpos de prova
aquecidos, a necessidade de grande quantidade de material e o custo elevado para
a confecção dos corpos de prova e a existência de estudos anteriores com amostras
de tamanho inferior àquele especificado por norma.
Com o intuito de determinar possíveis dimensões passíveis de moldagem dos
corpos-de-prova, foram observados requisitos básicos que as amostras deveriam
apresentar. Estas especificações foram descritas da seguinte maneira:
- Dimensões adequadas ao tamanho dos fornos e da prensa em que seriam
executados os ensaios;
- Execução dos ensaios em tração na flexão, considerando-se o terço médio
dos corpos-de-prova, segundo a norma brasileira ABNT NBR 12142 (1991);
- Possibilidade de se utilizar a mesma expressão indicada por norma (ABNT
NBR 12142, 1991) empregada para as amostras de 150 mm x 150 mm x 500 mm, a
fim de calcular a resistência à tração na flexão;
- Correlação dos resultados de resistência à tração na flexão obtida para a
nova dimensão dos corpos-de-prova e aqueles obtidos para as amostras de 150 mm
x 150 mm x 500 mm.
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A partir de análises, adotou-se um fator de redução para as dimensões
existente e chegou-se às dimensões de 100 mm x 100 mm x 300 mm para a
pesquisa proposta.
Para se obter uma relação entre as resistências e as dimensões, foram
confeccionados corpos de prova de dimensões menores, de 60 mm x 60 mm x 200
mm e corpos de prova de dimensões padronizadas, de 150 mm x 150 mm x 500
mm, onde se avaliou o efeito tamanho e determinou-se a correlação destas
dimensões com a dimensão padronizada na norma vigente para ensaios estáticos
de flexão.
No documento
Rio de Janeiro 2014
(páginas 48-52)