Mapa 18 – RMGV: Vias estruturantes/eixos dinamizadores
4 CINCO CIDADES DA RMGV E A GESTÃO DE IMPACTOS DE VIZINHANÇA
4.2 EIV – Legislação Municipal e gestão de impactos
4.2.5 Vitória
4.2.5.1. Diretrizes da PMV para implementação do EIV
Como cidade que acumula funções político-administrativas – qualidade inerente à sua condição de capital estadual, Vitória destaca-se como um centro urbano de caráter logístico, abrigando empresas comerciais e de serviços de apoio às demais atividades, inclusive de caráter metropolitano. Assim, a gestão de impacto de vizinhança deve cumprir a função cumulativa de administrar o uso do solo urbano e prever desdobramentos nos demais municípios da região metropolitana. Além disto, torna-se necessário um maior controle das atividades a serem implantadas em seu território, considerando sua evolução urbana e sua constituição atual como núcleo
146 Vitória abriga o único aeroporto do Estado, um Porto e cinco terminais de uso privativo (TUP), no total de nove TUP’s existentes no ES. (OLIVEIRA JUNIOR, et al.p.43, in: Vitória: transformações na ordem urbana, 2014). 147 Em 2007, o REGIC passa a considerar áreas conurbadas como uma única aglomeração, denominadas “Áreas de Concentração de População – ACPs”, como exemplo a ACP Vitória, constituída por Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana. (id., ibid., p.28).
metropolitano ligado radialmente às demais cidades pelas principais vias estruturantes da Região Metropolitana e a exiguidade de áreas disponíveis para novas instalações. No caso de Vitória, as primeiras normativas para a gestão de impacto de vizinhança se mostram pioneiras, em relação aos outros municípios já citados e também ao Estatuto da Cidade. Foi realizada a entrevista, que contou com três analistas da SEDEC/PMV148, e que também apresentaram um resumo da evolução do EIV no
município ao longo do período de sua implementação. Foi feito também o acompanhamento de uma audiência pública para apresentação do EIV/RIV de um empreendimento a ser implantado às margens da “Rodovia Norte-Sul”, importante via que liga Vitória com o município da Serra. No quadro 5 é demonstrado o levantamento dos marcos regulatórios referentes à prevenção de impactos e à implementação e normatização para o EIV no município de Vitória.
LEGISLAÇÃO RELACIONADA À IMPLEMENTAÇÃO DE ESTUDOS DE IMPACTO MUNICÍPIO DE VITÓRIA
PLANO DIRETOR
(ATUAL)
Lei Municipal 9.271/2018 – EIV: Título III, cap. I, seção III: arts. 66-78; título VII,
cap. II, seção IV, arts. 290-296 (CMPU*); seção VIII, art. 304 (Audiência Pública)
Leis anteriores relacionadas
Lei Orgânica 1990 (art. 160; art. 171, VII)
Lei Mun. 4.167/1994 (PDU): cap. III - seção VII-art. 70-73 (Relatório de Impacto
Urbano); art. 85;
Dec. 9.945/1996 (define parâmetros p/ exigência do RIU);
Lei Mun. 4.821/1998 - Código de Edificações – art. 14, XII; art.26, VII (**) Dec. 10.325/1999 (regulamenta Relatório de Impacto Urbano);
Leis correlatas Lei Municipal 6.705/2006 (PDU) EIV: art. 138, 143; cap. I - seção II: art. 144-149;
Lei Mun. 6.074/2003; Lei Mun. 7.644/2008 (alteram Código de Edificações)(**)
EIV - legislação atual
Dec. 14.242/2009 (regulamenta Comissão de análise para EIV – criada por Lei
6.705/2006);
Dec. 14.243/2009 (regulamenta TR e processos para o EIV); Lei Mun. 8.289/2012 (def. regras para Audiências Públicas);
Lei Mun. 8.295/2012 (obrigatoriedade de presença de tradutor de LIBRAS para
as audiências públicas)
Dec.16.223/2015; Dec. 17.137/2017 (regulamentam alguns artigos do Decreto
nº 14.242/2009)
(*) CMPU (Conselho Municipal de Política Urbana): órgão consultivo e deliberativo que também atua na aprovação de Estudos de Impacto de Vizinhança, no município de Vitória.
QUADRO 5
No âmbito da prevenção de impactos, como medida anterior à promulgação do EC, a Lei orgânica do município de Vitória (05/04/1990) prevê o “Relatório de Impacto Urbano para investimentos que provoquem mudanças significativas na estrutura espacial do Município ou na região em que ele se insere” (art. 160). Mais adiante, menciona também “estudo prévio de impacto ambiental”, para “atividades de significativo potencial poluidor, incluindo a avaliação de efeitos sobre o meio ambiente, bem como sobre a saúde dos trabalhadores e da população” (art. 171, VII).
Na sequência, para aprimorar os procedimentos, a Lei Municipal nº 4.167/1994 (Plano Diretor Urbano), cria o Conselho Municipal do Plano Diretor Urbano – CMPDU (art.18). Institui o “Relatório de Impacto Urbano” (RIU), que deve ser elaborado por “profissionais habilitados”, e exigido para “empreendimentos, públicos ou privados”, que venham a representar uma “excepcional sobrecarga na capacidade da infraestrutura urbana ou, ainda, que possam vir a provocar danos ao meio ambiente natural ou construído” (art. 70).
Como complemento às normas para a gestão de impactos, o Dec. nº 9.945/1996
define parâmetros para empreendimentos de impacto e estabelece procedimentos para apresentação do RIU; ato em seguida regulamentado pelo Dec. nº 10.325/1999. Vale considerar a Lei nº 6.074 (29/12/2003), que alterou artigos do Código de Edificações (Lei nº 4.821/1998) para introduzir a previsão de RIU no mesmo contexto. Essas normas foram elaboradas com o intuito de orientar a prevenção de impactos urbanos com propósitos semelhantes à gestão dos impactos de vizinhança, sendo aprimorados após a promulgação do EC. Sendo assim, a LM nº 6.705/2006, que institui o PDU e reestrutura o CMPDU (arts. 45-50), ao incluir o tema, menciona a gestão dos “empreendimentos geradores de impactos urbanos, incomodidades e interferências no tráfego” (art. 136-143), apresentando em seguida várias diretrizes para implementação do EIV nos artigos 144 a 149.
Outras leis que compuseram o conjunto de normas para o EIV no município, contaram com algumas medidas para alteração de leis já consolidadas. Foi o caso da Lei nº 7.644/2008 que inclui no Código de Edificações: os incisos XII do art. 14 (para procedimentos administrativos e consulta prévia para EIV) e VII do art. 26 (sobre o alvará de aprovação mediante EIV). A regulamentação da Comissão Técnica de
Análise de Impacto Urbano – CTA, veio pelo Dec. nº 14.242/2009; e conjuntamente, o Dec. nº 14.243/2009 regulamenta o Termo de Referência e os processos para o EIV. Mais adiante, a Lei municipal nº 8.289 de 11/05/2012 define regras para a realização de audiências públicas, que servem como diretrizes para os procedimentos atuais, em atendimento aos princípios da gestão participativa. Como importante iniciativa de inclusão no processo de participação popular, a Lei municipal nº 8.295, de 18/05/2012 dispõe sobre a obrigatoriedade da presença de tradutor na Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS) nas audiências públicas realizadas no Município de Vitória. Para atualização e aprimoramento das ações administrativas na gestão de impactos, atualmente os Decretos nº 16.223 (04/02/2015) e nº 17.137 (03/08/2017) – regulamentam o funcionamento e as atribuições da Comissão Técnica de Análise de Impacto (CTA).
A recente aprovação do novo Plano Diretor Urbano – PDU, pela Lei Municipal nº 9.271, promulgada em 21/05/2018, trouxe algumas alterações estruturais em relação ao PDU (LM nº 6.705/2006). Neste sentido, são atualizadas definições e orientações sobre os empreendimentos geradores de impacto de vizinhança (arts. 66-78). Destaca-se a obrigatoriedade de realização de audiência pública, antes da aprovação do EIV, “quando o empreendedor prestará esclarecimentos a respeito do empreendimento gerador de impacto urbano à população de sua área de influência, sob pena de nulidade do ato” (art. 72)149.
O PDU atual também reestrutura o Conselho Municipal, renomeado como “Conselho Municipal de Política Urbana – CMPU”, definindo sua composição, atribuições e competências (arts. 290-296). Com respeito às contrapartidas destinadas à minimização de impactos, o texto menciona, além das medidas mitigadoras e compensatórias, as de qualificação urbanística: “medidas qualificadoras”, apresentadas como intervenções a serem realizadas pelo empreendedor no entorno imediato do empreendimento, que resultem em melhorias no meio urbano. Recomendadas para empreendimentos especiais que, “devido ao seu porte ou a sua natureza, bem como às características do seu funcionamento ou local de implantação”
149 A obrigatoriedade da realização de audiências públicas, antes da aprovação do EIV e condicionada a penalidade, é um fator que reforça a intenção de legitimar o envolvimento da população no processo decisório para a gestão democrática dos impactos de vizinhança. (ver também cap. 2, item 2.5.1)
venham a causar impactos ou “incomodidades na região onde se localizam” (art. 57). Para orientação quanto ao grau de impacto dos empreendimentos, o anexo 08 contém a lista de “atividades distribuídas em grupos e subgrupos”.
Conforme já observado, o crescimento de Vitória e a expansão de sua malha urbana estenderam-se ao máximo de possibilidades de ocupação territorial, incluindo a sua porção continental. Essa expansão urbana provocou o surgimento de novas áreas de centralidade e de novos subcentros regionais para atender aos setores periféricos da Região Metropolitana. Assim, as novas centralidades regionais foram reforçadas e consolidadas pela presença das vias estruturantes da RMGV, que direcionam sua dinâmica metropolitana. Não por acaso, por ocasião das discussões do diagnóstico para formulação do PDUI, na oficina realizada no município de Vitória, para estabelecer “desafios e potencialidades”, foram enfatizados os aspectos negativos da metropolização. Entre estes, foram citados principalmente, os impactos negativos acarretados pelo trânsito, incluindo as consequências consideradas nocivas do adensamento populacional.
Foram também destacados, como “eixos potenciais de desenvolvimento” as seguintes vias: Av. Adalberto Simão Nader, principal via de acesso ao aeroporto, e a Av. Leitão da Silva, atualmente em obras. Além dessas vias, devido à sua importância local e regional, destacam-se como potencialidades gerais: Av. Norte-Sul, Av. Fernando Ferrari, N. Sra. da Penha (tradicionalmente denominada como “Reta da Penha”). São também incluídas as avenidas Dante Micheline, Maruípe, César Hilal e Vitória, classificadas como “corredores de concentração e atividades de Vitória”150.
Conforme verificado, a gestão de impactos em Vitória tratava inicialmente da exigência de Relatórios de Impacto Urbano, antes da promulgação do Estatuto da Cidade e das diretrizes para implementação do EIV. Assim, os registros de estudos aprovados no período inicial compõem um volume razoável, considerando ambos os modelos de instrumento de prevenção de impactos, para um panorama quantitativo de EIV’s e RIU’s. A quantidade dos Estudos apresentados e Relatórios aprovados em Vitória e nos demais municípios encontra-se no Anexo 1 deste estudo.
150 Conforme estudo elaborado pelo IJSN (2009), nessa classificação são consideradas as avenidas: Vitória, Beira Mar, Alberto Torres, Paulino Muller, Marechal Campos, César Hilal, N. Sra. da Penha, Leitão da Silva, Maruípe, Fernando Ferrari e Adalberto Simão Nader. (IJSN. PDUI. 2017, Vol. 2, p. 92; p. 160)