CAPÍTULO 2 – MAPEAMENTO DAS META-ANÁLISES EM REDE
2.5 DISCUSSÃO
O mapeamento das NMA revelou um crescimento acelerado desse tipo
de publicação como ferramenta para comparação de intervenções
farmacológicas, principalmente após 2010. Um padrão de crescimento similar já
foi reportado para publicações envolvendo meta-análises convencionais entre os
anos de 1994 (n=386 artigos publicados por ano) e 2014 (n=8203 por ano)
140,141.
O crescente interesse em NMA como ferramenta de síntese de
informações é ainda mais notável quando se observa que mais de 50% dos
estudos foram conduzidos depois de 2014 por autores de mais de 30 países e
publicados em mais de 200 revistas científicas diferentes. Sabe-se que a
produção científica, de um modo geral, segue um padrão de distribuição
geográfica associado com o número de pesquisadores, acesso à tecnologia,
incentivo e financiamento de um país, e colaborações internacionais
155,156. Um
estudo sobre a produção global de meta-análises convencionais (amostra de
n=736 meta-análises), publicadas por 3178 autores de 51 países, revelou que
países mais desenvolvidos como Estados Unidos da América, Reino Unido e
Canadá são os maiores produtores
157. De maneira similar, foi demonstrado que
a produção de NMA é mais proeminente em países desenvolvidos, porém,
países emergentes como China e Itália apresentaram importante contribuição
para as publicações, o que pode, no futuro, alterar os padrões de produção
nessa área
158,159. Ademais, há uma tendência de outros países entrarem na
produção de NMA, provavelmente porque essa ferramenta é uma alternativa
válida, relativamente barata e rápida para embasar tomadas de decisão em
saúde, política de preços e aprovação de novas tecnologias no mercado,
especialmente quando da falta de comparações ou estudos head-to-head na
literatura
122,146.
O aumento na taxa de publicação de NMA também pode ter sido uma
das causas na redução do Fator de Impacto de revistas científicas publicando
esse tipo de estudo. A baixa inclinação da curva de correlação entre o Fator de
Impacto e o escore metodológico das NMA sugere, praticamente, nenhuma
associação. Aparentemente, quando as NMA foram lançadas como ferramenta
inovadora para reunião de evidências, revistas com alto Fator de Impacto
estavam mais interessadas em publicar informações sobre essa técnica. No
entanto, com a difusão acelerada das NMA, mais revistas – incluindo aquelas
com menor Fator de Impacto – também entraram nessa produção.
A qualidade do reporte de aspectos metodológicos tanto nas revisões
sistemáticas como na parte estatística das NMA parece ter significativamente
melhorado nos últimos anos. Similar ao que ocorreu com estudos contendo
apenas revisões sistemáticas
59,160, mais NMA têm reportado a condução de
buscas manuais e na literatura cinza. Também houve um crescimento no número
de estudos com protocolo registrado no PROSPERO e seguindo
recomendações PRISMA para sua condução. Entretanto, apesar de os guias da
Cochrane Collaboration estarem disponíveis desde 1994, poucas NMA
descreveram ter seguido alguma dessas recomendações. Ademais, apesar de
os autores terem realizado buscas em ao menos duas bases de dados
eletrônicas, como é o recomendado
9,56, apenas um terço deles forneceu a
estratégia de busca completa. Como esperado, PubMed/MEDLINE foi a base de
dados mais frequentemente utilizada, provavelmente devido à sua cobertura
ampliada nas áreas de biomedicina e ciências da saúde, e acesso livre
(não-pago)
161. Por outro lado, Web of Science foi utilizada apenas por uma em cada
dez NMA. O processo altamente restritivo para indexação de periódicos
realizado na Web of Science, que é alegado como uma fortaleza para calcular o
Fator de Impacto
161-163, pode ser o principal motivo pelo qual essa base de dados
não foi considerada útil em cerca de 90% das pesquisas para condução de NMA.
Provavelmente, uma das fraquezas mais importantes de muitas NMA é
a falta de critérios padronizados de elegibilidade de moléculas para a rede
164-166