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Diversidade de fungos basidiomicetos em tocos de eucalipto

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51 eucalyptus. This work stands out as being the first to carry out a survey of the diversity of macroscopic basidiomycete fungi in eucalyptus stumps, in reforestation areas in the state of São Paulo, of different ages, with potential for use in biological stump removal.

Seven samplings were carried out between September 2016 and February 2017, where each fungus was photographed individually for identification. The most frequent fungi in the two years old stumps were of the genus Coprinus spp. and Ganoderma spp. In the area with one year old stumps, there was predominance of the genus Coprinus spp. and Galerina spp. No fungi were found on the stumps of the freshly cut area. There was a higher occurrence and diversity of macroscopic basidiomycetes fungi in the area of reforestation of eucalyptus with two years old stumps.

Keywords: Biological stump removal. Planted forest. Reforestation areas. Forest residues. Bioprospecting.

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INTRODUÇÃO

O eucalipto (Eucalyptus spp.) é originário da Oceania, sendo reconhecidas cerca de 730 espécies. Entretanto, apenas 20 delas são utilizadas para fins comercias em nível mundial (Santarosa et al., 2014).

Uma das maiores preocupações dos silvicultores são os resíduos deixados na área após o corte do eucalipto, sendo eles tocos, cepos ou cepas. Quando a área florestal é reformada, o próximo plantio é realizado nas entrelinhas, dobrando-se assim o número de tocos na área. Um método utilizado para solucionar o problema é o rebaixamento ou arranque desses tocos. Porém, são inúmeros os impactos negativos à sustentabilidade florestal, como remoção do carbono orgânico, aumento da erosão, exportação de nutrientes do solo e alterações nas ciclagens de nutrientes e na qualidade dos recursos hídricos (Foelkel, 2014).

Os principais problemas causados pelo rebaixamento e remoção de tocos são a compactação do solo, perturbação da microbiota, remoção de matéria orgânica, impactos no armazenamento do carbono e emissão de gases de efeito estufa, aumento na erosão e alteração da ciclagem de nutrientes, além da redução da biodiversidade (Casseli, 2013).

O emprego de fungos degradadores da madeira não patogênicos ao eucalipto, conhecidos como fungos de podridão branca, é um dos métodos com maior potencial para acelerar o processo de degradação de tocos e raízes. Nessa prática basicamente, é

52 feita a inoculação dos tocos com fungos adaptados à região onde serão aplicados, sendo esta prática denominada destoca biológica (Abreu et al., 2007).

A ação de fungos e bactérias é responsável pelo processo de degradação das raízes contribuindo para a sustentabilidade desse sistema, pois há uma redução da exportação de nutrientes da área e a manutenção da biodiversidade (Abreu et al., 2007;

Alonso et al., 2007).

O conhecimento da diversidade de fungos basidiomicetos degradadores de madeira é de extrema importância para o setor florestal brasileiro, visto que possuem potencial para serem empregados na destoca biológica do eucalipto. Este trabalho é o primeiro a avaliar a diversidade de fungos basidiomicetos macroscópicos de ocorrência nos tocos de eucalipto, além de estudar a relação da idade dos tocos com a sua diversidade.

MATERIAL E MÉTODOS

As coletas foram realizadas em áreas de reflorestamento de eucalipto da empresa LWARCEL Celulose em talhões com tocos recém cortados, e com um e dois anos de idade, totalizando-se três áreas: área 1 (tocos recém-cortados); área 2 (tocos com um ano de idade) e área 3 (tocos com dois anos de idade). Cada área foi dividida em três subáreas: 1A, 1B e 1C (subáreas da área 1); 2A, 2B e 2C (subáreas da área 2) e 3A, 3B e 3C (subáreas da área 3). A dimensão de cada subárea foi de 20 x 5 metros (20 tocos nas linhas x 5 tocos nas entrelinhas), em um total de 100 m2. Cada subárea foi espaçada em 200 metros entre si.

Os fungos foram coletados entre os meses de setembro de 2016 a fevereiro de 2017 totalizando-se sete coletas, nas seguintes datas: 08∕09∕2016 (1ª coleta); 28∕09∕2016 (2ª coleta); 27∕10∕2016 (3ª coleta); 27∕11∕2017 (4ª coleta); 14∕12∕2016 (5ª coleta);

24∕01∕2017 (6ª coleta) e 15∕02∕2017 (7ª coleta), sendo que em cada coleta todas as áreas foram vistoriadas em sua totalidade.

Cada fungo coletado foi fotografado no local de ocorrência e acondicionado em sacos de papel de 500 g em uma caixa de isopor para transporte até o Laboratório de Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade do Sagrado Coração para identificação dos gêneros e das espécies segundo Largent (1986) e Lincoff (1982).

53 RESULTADOS E DISCUSSÃO

O maior número de fungos basidiomicetos foi detectado na área com os tocos de dois anos de idade (área 3) (Tabela 1), sendo o maior número encontrado nos meses de setembro (1ª coleta), outubro (3ª coleta) e dezembro (5ª coleta). Na área com tocos de um ano de idade (área 2) os fungos foram encontrados apenas no mês de outubro (3ª coleta) (Tabela 1). Não foram encontrados fungos basidiomicetos na área com os tocos recém-cortados (área 1) (Tabela 1).

A maior abundância de fungos basidiomicetos foi verificada na área com os tocos de dois anos de idade (área 3), sendo predominantes os gêneros Coprinus spp., Ganoderma spp. e Pycnoporus sanguineus (Tabela 2).

Tabela 1. Número de fungos basidiomicetos macroscópicos coletados em tocos de eucalipto em sete coletas realizadas em três áreas de reflorestamento com tocos de diferentes idades: área com tocos recém-cortados (Área 1 – subáreas 1A, 1B e 1C); área com tocos de um ano de idade (Área 2 – subáreas 2A, 2B e 2C); e área com tocos de dois anos de idade (Área 3 – subáreas 3A, 3B e 3C).

Área 1 Área 2 Área 3

Coletas 1A 1B 1C 2A 2B 2C 3A 3B 3C

1 0 0 0 0 0 1 7 14 5

2 0 0 0 0 0 0 1 0 2

3 0 0 0 4 0 4 0 1 4

4 0 0 0 0 0 0 0 0 0

5 0 0 0 0 0 0 0 4 0

6 0 0 0 0 0 0 0 0 0

7 0 0 0 0 0 0 1 0 0

54 Tabela 2. Abundância de fungos basidiomicetos macroscópicos coletados em três áreas de reflorestamento com tocos de diferentes idades: área com tocos recém-cortados (Área 1 – subáreas 1A, 1B e 1C); área com tocos de um ano de idade (Área 2 – subáreas 2A, 2B e 2C); e área com tocos de dois anos de idade (Área 3 – subáreas 3A, 3B e 3C).

Área 1 Área 2 Área 3

Gênero ∕ Espécie 1A 1B 1C 2A 2B 2C 3A 3B 3C

Auricularia spp. 0 0 0 0 0 0 0 1 0

Coprinus spp. 0 0 0 2 0 3 1 11 1

Fuscoporia spp. 0 0 0 0 0 0 0 0 4

Galerina spp. 0 0 0 2 0 2 0 0 1

Ganoderma spp. 0 0 0 0 0 0 7 4 3

Pycnoporus

sanguineus 0 0 0 0 0 0 1 3 5

CONCLUSÕES

A idade dos tocos influenciou a quantidade e a diversidade dos fungos basidiomicetos macroscópicos nas áreas de reflorestamento de eucalipto avaliadas.

REFERÊNCIAS

ABREU, L.D. and MARINO, R.H. and MESQUITA, J.B. and RIBEIRO, G.T., 2007.

Degradação da madeira de Eucalyptus sp. por basidiomicetos de podridão branca.

Arquivos do Instituto Biológico, vol. 74, pp. 321-328.

ALONSO, S.K. and SILVA, A.G. and KASUYA, M.C.M. and BARROS, N.F. and CAVALLAZZI, J.R.P. and BETTUCCI, L. and LUPO, S. and ALFENAS, A.C., 2007.

Isolamento e seleção de fungos causadores de podridão branca da madeira em florestas de Eucalyptus sp. com potencial de degradação de cepas e raízes. Revista Árvore, Viçosa, vol. 31, pp. 145-155.

CASSELI, V., 2013. Remoção de tocos de eucalipto com sistema de serra tubular.

Piracicaba: Escola Superior de Agronomia “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo. 111 p. Dissertação de Mestrado em Ciências.

55 FOELKEL, C., 2014. O Problema dos Tocos Residuais das Florestas Plantadas de Eucaliptos. Eucalyptus Online Book & Newsletter.

LARGENT, D. L., 1986. How to identify mushrooms. Eureka, CA: Mad River Press.

LINCOFF, G. H., 1982. Guide to Mushrooms. New York: Simon & Schuster. 511 p.

SANTAROSA, E. and PENTEADO JÚNIOR, J.F. and GOULART, I.C.G.R., 2014.

Transferência de tecnologia florestal: cultivo de eucalipto em propriedades rurais:

diversificação da produção e renda. Brasília: Embrapa. 138 p.

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Avaliação de microrganismos contaminantes da

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