FONTE: Monografia de Angola1
Uma melhor compreensão de Angola, enquanto país africano em desenvolvimento levou-nos a percorrer um caminho inicial, que nos possibilitou chegar ao conceito de desenvolvimento sustentável e verificar que há uma forte correlação entre a pobreza e a baixa escolarização. As gritantes necessidades educativas, por parte da grande maioria
1
MONOGRAFIA DE ANGOLA (2001), Ministério do Planeamento, Governo de Angola, Executive Center, Luanda, p.10
das populações africanas, levou-nos a salientar a importância do formador, como peça fundamental para a melhoria da qualidade de vida de diferentes grupos populacionais. As riquezas naturais são obviamente importantes para o crescimento económico. Contudo, sem o domínio do conhecimento para uma aplicação científico-técnica e tecnológica, as populações não se desenvolvem de forma sustentável e os países, apesar de politicamente independentes, não se tornam autónomos.
Os sistemas educativos desenvolvem-se em contextos específicos da vida de um país ou de um povo e que, em princípio, os mesmos se devem circunscrever ao tempo e ao espaço para que foram concebidos. Antes de nos debruçarmos sobre o papel da formação dos recursos humanos, torna-se indispensável conhecer primeiro e com algum detalhe este país, nas suas diferentes vertentes: geográfica, político-administrativa, económica e sócio-cultural. Um tipo de conhecimento indispensável que, por razões de ordem histórica e educacional, muitos dos próprios angolanos desconhecem e/ou deturpam.
1. Geografia física
Atendendo aos seus recursos naturais agrícolas e minerais espalhados por todo o território e orla marítima, Angola ficou conhecida em todo o Mundo como um dos países com maiores potencialidades económicas da África subsahariana. Ocupa uma área de 1.246.700 Km2 na parte Ocidental da África Austral e situa-se: entre os paralelos 4º 22´ e 18º 02´ no Hemisfério Sul, e os meridianos 4º 05´ e 11º 41´ a Este de Greenwich.
A República de Angola, com uma configuração geométrica semelhante a um quadrado, é o quinto maior país, em extensão, da África ao sul do Sahara. A sua paisagem vai desde o deserto à floresta virgem tropical. A sua costa marítima tem 1.650 km e é das mais extensas do continente africano. Já as suas fronteiras terrestres totalizam 4.837 km. O comprimento máximo no sentido Norte/Sul é de 1.277 Km e a sua máxima largura no sentido Oeste/Leste é de 1.236 Km.
Etimologicamente, Angola deriva de “Ngola”2, nome atribuído a uma dinastia dos povos Ambundu,3 fixados no médio-Kwanza. O país é limitado a Norte, pela República do Congo e por uma parte da República Democrática do Congo (ex-Zaíre); a Leste, pela República da Zâmbia e por uma outra parte da República Democrática do Congo; a Sul, pela República da Namíbia e a Oeste, pelo Oceano Atlântico, abrangendo ainda o Enclave de Cabinda. Este encontra-se situado a Norte, entre a República do Congo e a República Democrática do Congo.
O território dispõe de três importantes portos de mar: Luanda, Lobito e Namibe, sendo o segundo considerado um dos melhores da costa ocidental de África. Alguns dos seus vários acidentes geográficos tornaram-se, do ponto de vista turístico, em autênticas atracções, tais como: as baías de Cabinda, de Luanda, de Porto Amboim e dos Tigres; as saliências conhecidas como a Ponta do Dande e Cabo Ledo, na província do Bengo; as quedas de Kalandula na província de Malange; a fenda da serra da Tundavala, na província da Huíla…
2
SANTOS, Eduardo dos; (1969), Religiões de Angola, Junta de Investigações do Ultramar, Lisboa, p.19
3
O que pertence à etnia Mbundu. O que pertence ao grupo Ambundu. O que fala a língua Kimbundu. Habitante de Luanda. PARREIRA, Adriano; (1990), Dicionário Glossográfico e Toponímico da documentação sobre Angola – séculos XV-XVII, Editorial Estampa, Lisboa, p.24. Contudo, José Redinha não considera a existência de um grupo etno-linguístico Ambundu e, tal como Vatomene Kukanda, designando-o como grupo etno-linguístico Kimbundu. REDINHA, José (1974), Etnias e Culturas de Angola, Instituto de Investigação Científica de Angola; Luanda, p.33 e KUKANDA, Vatomene, op. cit., p.23. Para este dois autores, os Ambundu são um sub-grupo do Grupo Etno-linguístico Kimbundu, chegando mesmo Redinha à afirmação de que “são no entanto obscuras as origens dos Ambundos e as suas relações étnicas com os Ngola e os Jingas, também componentes do grande Grupo Etno-linguístico Quimbundo”. Cf., REDINHA, José (1974), op. cit., p.33. Ainda para Redinha, Mbundo (embora com uma grafia diferente daquela que é utilizada por Adriano Parreira e Vatomene Kukanda), é uma designação semelhante a Ovimbundu; ou seja, “Grupo Mbundo ou Ovimbundo”. Cf., REDINHA, José (1974), op. cit., p.39. Já Vatomene Kukanda designa este último grupo etno-linguístico apenas por “Grupo Umbundu”. KUKANDA, Vatomene, op. cit., p.23. Todavia, José Redinha, explica ainda o seguinte: “Mbundo é uma forma da palavra Ambundo (povo do grupo etno-linguístico Kimbundo) e também da palavra Bundo (povo do grupo etno-linguístico Umbundo). O Radical mbundo aparece-nos repetidamente e sob a forma Quimbundo (foneticamente igual a Kimbundo), é usada como nome de etnia ou de tribo para os referidos Bundos, população dum grupo étnico e dialectal diferente que é o Umbundo, já anteriormente referido. Seja que uma língua designada mbundo, por alguns, dividida em Kimbundo do norte e Kimbundo do sul, abrangeu (e em certa medida ainda abrange) confundindo-os étnica e linguisticamente, os Mbundus ou Bundos (Umbundos) a sul daquele rio. Limitando-nos apenas aos territórios a norte do rio Cuanza, depara-se-nos, desde longa data, por motivos de identificação ou de confusão entre aqueles nomes, a palavra Ambundo (ou Ambundos), com um sentido amplo de grupo linguístico. Assim o expressam muitas notícias e diversos autores, incluindo Chatelain, o melhor conhecedor da sua língua, para quem os Ambundos compreendiam os Dembos, os Mbacas, os Ngolas ou Ndongas da bacia do Uamba, e os habitantes de Luanda. Ainda segundo Cordeiro da Mata, abrangiam, inclusive, os Quissama, Libolo e Haco. Evitando aumentar os exemplos desta ordem, que tomariam imprevistas dimensões, passamos a apontar dois factos contraditórios entre si: a) A importância dos Ambundos levada até um significado de grupo etno-linguístico. b) A ausência dos Ambundos na quase totalidade dos registos e cartas étnicas angolanas”. Cf., REDINHA, José (1965), Distribuição Étnica da Província de Angola, Centro de Informação e Turismo de Angola, Luanda, p.5
Existem em Angola duas estações climáticas distintas: a das chuvas – húmida e quente, que decorre de Setembro a Abril, pronunciando-se com alguma antecedência ou mais tardiamente em algumas regiões – e a do cacimbo4 – seca e fria, que vai normalmente de Maio a Setembro. Dada a extensão do território, há uma grande variedade climática de região para região: no litoral a precipitação média anual é inferior a 600 mm, mas na província de Cabinda, a Norte, chega a atingir por vezes valores na ordem dos 800 mm, enquanto que, na província do Namibe, no litoral sul, atinge apenas 50 mm. Tal facto ocorre porque o litoral norte apresenta um clima tropical seco e o litoral sul um clima desértico. A costa marítima angolana sofre ainda a influência da corrente fria de Benguela.
A humidade relativa média anual é superior a 30% e a pluviosidade diminui de norte para sul. Nas regiões do interior a precipitação varia entre 600 mm e 1000 mm. A Norte e a Nordeste o país apresenta clima tropical húmido com temperatura e pluviosidade elevadas. Nos planaltos, por influência da altitude, o clima modifica-se: a temperatura média desce abaixo dos 19º C., ou ainda menos durante a estação seca, com amplitudes térmicas diárias acentuadas. Este é também o clima que caracteriza o Sudeste do país. Já o Sudoeste é semi-árido, com pluviosidade anual que varia normalmente entre 500 e 800 mm e com temperaturas baixas no cacimbo e durante a noite. O Leste apresenta um clima tropical moderado e o Sul clima desértico.
Os cursos de água em Angola têm a sua origem na vertente ocidental e correm quase todos de leste para oeste, em direcção ao Atlântico. Os rios da vertente norte correm para a Bacia do Zaire, confluindo no rio Kassai e Kwango. O rio Kwanza dirige-se na linha norte/sul e, posteriormente, para ocidente. Já os rios que surgem da vertente sul correm para a Bacia do Zambeze. Há cursos de água de alimentação constante ou regular; rios cujo caudal varia com as estações (das chuvas e do cacimbo); e rios temporários. A maioria dos rios, que corre em Angola, é temporária. De entre os cursos de água de alimentação constante, destaca-se, a Norte, o rio Zaire, de regime equatorial, o que se justifica pela sua localização na zona de chuvas permanentes. Os rios do Sul, como o Bero, na província do Namibe, correm nas regiões secas e são temporários.
4
Do Kimbundu “Kisibu”. Estação mais seca e temperada que a das chuvas, cuja duração varia consoante o espaço geográfico; PARREIRA, Adriano (1990), op. cit., p.32
Com excepção do rio Zaire, a grande maioria dos rios em Angola não favorecem a navegação, constituindo-se, no entanto, num incalculável potencial, como fontes de energia.
Dentre os rios mais importantes enumeramos os seguintes: na fronteira Norte, o Zaire, que apenas numa parte do seu curso corre em Angola; o Kwanza, com uma extensão navegável de 960 km, corre de norte e, posteriormente, para oeste, em direcção ao Atlântico; o Cunene que, do Planalto Central, corre para a fronteira sul, numa extensão navegável de 200 km; o Kubango, com 975 km, avança em direcção à República da Namíbia; e o Keve, que segue no sentido leste/oeste.
A estrutura geológica de Angola é principalmente caracterizada por três unidades: orla sedimentar litoral (3,3%), que acompanha a costa; formações de cobertura (59%), abrangendo as regiões nordeste, leste, sudeste e parte sul; maciço antigo (38%), cobrindo quase toda a metade oeste. Do ponto de vista geo-morfológico a partir da costa encontram-se as seguintes unidades: faixa litoral, zona de transição, cadeia marginal de montanhas, planalto antigo, bacia do Zaire, bacia do Zambeze e bacia do Lubango.5
O território é principalmente caracterizado por extensos planaltos e pelo Talude Atlântico, escadaria abrupta em direcção ao Oceano. O ponto mais elevado do território é o Monte Moco, com 2.620 metros. Nos planaltos situam-se as grandes bacias hidrográficas, sendo as dos rios Zaire, Mbridge, Kwanza (a maior), Queve, Cunene e Cuando as mais importantes.
Mais de 50% dos solos sofrem processos constantes ou periódicos de erosão provocados pelas chuvas e pela incidência solar. Os solos mais férteis encontram-se junto aos rios, onde se concentram aluviões por eles transportados e que, em geral, são ricas em elementos minerais e compostos orgânicos. Tal facto proporciona uma maior rega com menor dispêndio. Mas, nas regiões mais secas, de clima desértico, o solo é pouco fértil.
Angola possui vastos recursos florestais, principalmente na floresta do Maiombe (província de Cabinda), e na região dos Dembos (província do Kwanza Norte), onde se
5
encontram madeiras de valor económico elevado, como: pau-preto, ébano, sândalo, pau- raro e pau-ferro. Dos recursos minerais destacam-se: o petróleo (Cabinda, Soyo e Kissama) e os diamantes (Lunda Norte, Lunda Sul e Malange). Além destes recursos minerais, Angola possui ainda grandes jazidas de ferro, cobre, ouro, chumbo, zinco, manganês, volfrâmio, estanho e urânio.
Das principais cidades, destacam-se: Luanda, a capital, que, em 1988, deveria ter cerca de 2.081.000 habitantes, mas hoje, calcula-se que comportará mais de 3 milhões de pessoas. Em 1983, o Huambo teria cerca de 203 mil habitantes, Benguela 155 mil, Lobito 150 mil e, em 1984, a cidade do Lubango teria cerca de 105 mil habitantes.6
2. Divisão administrativa e órgãos de soberania
A administração angolana, em 2000, apresentava a seguinte configuração: 1.271 povoações, 376 comunas, 163 municípios e 18 províncias.7
São órgãos de soberania o Presidente da República, a Assembleia Nacional, o Governo e os Tribunais. O Presidente da República é o Chefe de Estado e também o Comandante em Chefe das Forças Armadas. O seu mandato é de cinco anos, podendo, no entanto, ser reeleito para mais um mandato. Presentemente, o Governo da República está constituído em Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN) e integra os representantes dos partidos políticos com assento na Assembleia Nacional.8
O poder político caracteriza-se, hoje, como sendo uma democracia presidencial. O Eng. José Eduardo dos Santos é, desde 20 de Setembro de 1979, o chefe de Estado, após ter sucedido ao Dr. António Agostinho Neto. O Eng. José Eduardo dos Santos foi confirmado como Presidente da República nas eleições de 29 e 30 de Setembro de 1992, que tiveram lugar na presença de observadores internacionais.
6
Ibidem
7
MONOGRAFIA DE ANGOLA, op. cit., pp.10-11. Veja-se em ANEXOS II-A a organização administrativa da República de Angola
8
Quanto ao poder legislativo angolano, a Assembleia Nacional conta com 223 membros eleitos por voto directo, para mandatos de 4 anos. Dada a situação de guerra civil, que prevaleceu em Angola até Abril de 2002, o Parlamento tinha inicialmente votado uma primeira prorrogação até ao ano 2000.9 Hoje aguarda-se pelo fim de uma nova revisão constitucional para serem, posteriormente, convocadas eleições, já com o país pacificado.
Os partidos políticos mais representativos são o Movimento Popular de Libertação de Angola – MPLA, que se encontra no poder desde a data da independência do país, em 11 de Novembro de 1975; a União Nacional para a Independência dos Territórios de Angola – UNITA – principal partido da oposição; a Frente Nacional de Libertação de Angola – FNLA; a Frente para a Democracia – FPD; o Partido Reformador Social – PRS; o Partido Liberal Democrático – PLD; o Partido Democrático Angola – PDA; e o Partido Social Democrático Angolano – PSDA. É ainda de referir a existência de um movimento independentista denominado, Frente de Libertação do Enclave de Cabinda – FLEC – que apresenta várias tendências e desenvolve acções armadas na região, com o objectivo de alcançar a independência do Enclave.10
Após a realização das primeiras eleições multipartidárias e apesar da situação político- militar, naquela época, se caracterizar pela existência de uma guerra levada a cabo pela UNITA e pela FLEC, contra o governo democraticamente instituído, registou-se, a partir de 1994, o aparecimento das primeiras publicações da imprensa privada: O
Imparcial Fax, o Correio da Semana e o Comércio Actualidade fazem a sua entrada no
mercado luandense e passam a sair para a rua juntamente com o Jornal de Angola, o diário oficial.11
Em 1996, havia em Angola quatro jornais com uma tiragem média de 12 exemplares por mil habitantes.12 Posteriormente, surgiram outros periódicos na imprensa privada
9
GUIA DO MUNDO, op. cit., p.18
10
Sobre o caso do enclave de Cabinda veja-se SOUINDOULA, Simão (1994), Paz para Cabinda: Dados históricos do projecto de autonomia, In, COLLOQUE DE PARIS (16-18 Février 1994), Paix, Progrès et Démocratie en Angola, Edition du Centre Culturel Angolais, Paris, pp.36-44; CARVALHO, Paulo de (2000), Guerra e Paz aos olhos dos luandenses; In, La Reconciliation en Angola. Une Contribuition pour la Paix en Afrique Australe, Centre Culturel Angolais, Paris, pp.211-222; e ainda CARVALHO, Paulo de (2002), op. cit., p.39-43
11
MONOGRAFIA DE ANGOLA, op. cit., p.23
12
como: o bi-semanário Folha 8, o Agora, o Angolense, o Actual e o Independente. Também por volta de 1996 registava-se a existência de 54 receptores de rádio, 6,6 televisores e 4,7 telefones por mil habitantes. Em 1997, por cada 10.000 habitantes havia apenas 0,02 utilizadores de Internet.13
3. População
Desde 1970 que não é realizado em Angola um censo geral da população. Nesse ano o país tinha cerca de 5.673.000 indivíduos, o que correspondia a uma densidade global de 4,55 habitantes/Km2.
QUADRO 2.1 – DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO ANGOLANA POR PROVÍNCIAS
PROVÍNCIAS POPULAÇÃO % BENGO 220.000 1,9 BENGUELA 1.400.000 12,2 BIÉ 950.000 8,3 CABINDA 164.000 1,4 CUANDO CUBANGO 333.000 2,9 CUNENE 362.000 3,2 HUAMBO 1.400.000 12,2 HUÍLA 1.100.000 9,6 KWANZA NORTE 350.000 3,0 LUANDA 2.450.000 21,3 LUNDA NORTE 302.000 2,6 LUNDA SUL 162.000 1,4 MALANGE 740.000 6,4 MOXICO 324.000 2,8 NAMIBE 116.000 1,0 UÍGE 855.000 7,4 ZAIRE 250.000 2,2 TOTAL 11.478.000 100,0
FONTE: PAM, In Revista Angola Informação14
Em 1993, dados do PAM – Programa de Alimentação Mundial – afirmavam que a população angolana andaria pelos 11 milhões de habitantes. De acordo com este dado, a densidade demográfica era pouco inferior a 9 habitantes/Km2, dos quais 37% viviam nas zonas urbanas e os restantes 63% nas zonas rurais. Considerou ainda esta fonte que, até ao final do milénio, a população angolana deveria corresponder a um total de 11.478.000 habitantes, distribuídos pelas 18 províncias do país, de acordo com o quadro 2.1.
13
Ibidem.
14
ANGOLA INFORMAÇÃO (Maio de 1997), Especial Economia, Publicação nº4 da Embaixada de Angola em Portugal, Lisboa, p.35. Veja-se em ANEXOS II – Organização Administrativa da República de Angola.
Em 2000, as estimativas oficiais, que incluem deslocados e refugiados, apresentaram um universo populacional de 14.602.000 indivíduos, o que equivale a uma densidade média global de 11,71 habitantes/Km2.15 De acordo com estas fontes, em 2000 registavam-se cerca de 3.830.000 deslocados e mais 300 mil refugiados em países vizinhos.16
QUADRO 2.2 – PERCENTAGEM ENTRE A POPULAÇÃO URBANA E A POPULAÇÃO RURAL
FONTE: Instituto Nacional de Estatística da República de Angola
Entre 1995 e 2000, constatou-se que os angolanos, até aos 13 anos de idade, representavam em média 43,1% da população total; enquanto a população até aos 17 anos, no mesmo período de tempo, correspondia a 52,1%. A população em idade activa representou pouco mais de 51% (1990-2000) e o peso da população oficialmente considerada pré-activa (entre os 6 e os 13 anos de idade) rondou os 21,7%. Uma das características da população angolana é ser muito jovem.
Com já afirmámos anteriormente, a longo prazo isto constitui um potencial de recursos humanos para o desenvolvimento do país. Mas, a curto prazo, esta população jovem representa, sobretudo, dificuldades acrescidas em termos de despesas e encargos sociais, que terão que recair sobre a População Economicamente Activa (PEA).17 Em termos globais, as províncias mais populosas são as de Luanda (devido ao processo de deslocação das populações do interior para o litoral, que se iniciou praticamente após a independência do país), do Huambo, do Bié, de Malange e do Uíge.
15
MONOGRAFIA DE ANGOLA, op. cit., p.17
16
Se tivermos em linha de conta a movimentação forçada das populações, por motivos ligados à instabilidade político-militar há quase quatro décadas, é de se entender alguma disparidade entre os dados fornecidos pelas organizações internacionais, ou pelas próprias autoridades angolanas.
17
QUADRO 2.3 – POPULAÇÃO RESIDENTE POR PROVÍNCIAS ANOS PROVÍNCIAS 1990 1995 1998 2000 BENGUELA 643.000 1.400.000 1.045.992 1.614.883 HUÍLA 868.000 1.062.000 889.512 1.225.004 HUAMBO 1.522.200 1.386.000 1.838.424 1.598.734 KWANZA NORTE 376.700 350.000 468.100 403.721 KWANZA SUL 649.700 700.000 759.863 807.441 LUANDA 1.526.900 2.449.000 2.746.238 2.824.891 LUNDA NORTE 290.700 350.000 388.140 403.721 BIÉ 1.060.900 950.000 1.366.581 1.095.813 CABINDA 161.500 180.000 199.969 207.628 KWANDO KUBANGO 128.500 334.000 256.004 385.265 UÍGE 835.300 855.000 1.044.000 986.232 KUNENE 228.400 352.000 284.716 406.028 BENGO 65.200 333.000 190.604 384.111 ZAIRE 191.300 250.000 296.984 288.372 NAMIBE 114.100 239.000 368.168 275.684 MOXICO 315.100 336.000 369.428 387.572 LUNDA SUL 154.000 391.000 177.082 451.014 MALANGE 890.500 742.000 1.077.195 855.888 TOTAL 10.022.000 12.659.000 13.767.000 14.602.002 FONTE: Cadernos do PRC e Boletim demográfico do INE nº3318
QUADRO 2.4 – ESTRUTURA PROVINCIAL DA POPULAÇÃO ANOS PROVÍNCIAS 1990 1995 1998 2000 Benguela 6,42 11,06 7,60 11,06 Huíla 8,66 8,39 6,46 8,39 Huambo 15,19 10,95 13,35 10,95 Kwanza Norte 3,76 2,76 3,40 2,76 Kwanza Sul 6,48 5,53 5,52 5,53 Luanda 15,24 19,35 19,95 19,35 Lunda Norte 2,90 2,76 2,82 2,76 Bié 10,59 7,50 9,93 7,50 Cabinda 1,61 1,42 1,45 1,42 Kuando Kubango 1,28 2,64 1,86 2,64 Uíge 8,33 6,75 7,58 6,75 Kunene 2,28 2,78 2,07 2,78 Bengo 0,65 2,63 1,38 2,63 Zaire 1,91 1,97 2,16 1,97 Namibe 1,14 1,89 2,67 1,89 Moxico 3,14 2,65 2,68 2,65 Lunda Sul 1,54 3,09 1,19 3,09 Malange 8,89 5,86 7,82 5,86 TOTAL 100,00 100,00 100,00 100,00
FONTE: In, Monografia de Angola19
Essencialmente por razões de instabilidade política e militar, entre 1995 e 2000 as províncias do interior foram apresentando uma tendência para uma perda líquida de população. Daí que, as províncias de Luanda, Benguela e Bengo tivessem sido as que, proporcionalmente, atraíram mais população. As províncias de Luanda, Huambo, Bié,
18
MONOGRAFIA DE ANGOLA, op. cit., p.18
19
Uíge e Benguela representam no seu conjunto pouco mais de 16% da área territorial do país e concentram quase 56% da população total.
QUADRO 2.5 – PROJECÇÃO DA POPULAÇÃO DO PAÍS POR GRUPOS DE IDADE (MIL HABITANTES) GRUPO DE IDADES ANOS 1995 1996 1997 1998 1999 2000 0-4 5-9 10-14 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 65 e + 2128 1618 1456 1133 1017 848 1647 578 523 450 324 301 289 347 2299 1667 1500 1167 1048 821 1667 595 536 417 333 310 298 360 2256 1750 1545 1202 1079 846 1744 623 557 439 343 319 307 368 2324 1768 1591 1238 1131 871 1763 652 574 462 369 328 316 379 2394 1821 1639 1275 1245 898 1729 670 585 475 384 338 331 390 2466 1876 1688 1313 1315 925 1750 670 603 499 405 348 342 402 TOTAL 12.659 13.009 13.378 13.767 14.174 14.602 FONTE: INE, Boletim Demográfico nº9, Mesa Redonda de Doadores – Bruxelas 199520
A análise da estrutura etária da população angolana permite também verificar o seguinte:
- Praticamente 50% da população total projectada para 2000 deveria ter menos de 19 anos de idade;
- A população em idade pré-escolar representava cerca de 17% da população total;
- A população mais idosa (com mais de 60 anos) deveria constituir 5,1% da população total em 2000;
- A população potencialmente estudantil (5-24 anos), em 2000, representava provavelmente 42,4% da população total;
- A população potencialmente empregável (25-64 anos) corresponderia a 37,9% da população em 2000.
As taxas de crescimento demográfico são relativamente elevadas, o que leva a inferir que a população angolana ainda se encontra numa fase ascendente de transição
20
demográfica. No entanto, o elevado ritmo de crescimento, que chegou a rondar os 3,3% (1990-1997), poderá ter resultado da conjugação das elevadas taxas de fertilidade com a relativa regressão nas taxas gerais de mortalidade.
QUADRO 2.6 – QUALIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO DA POPULAÇÃO EM 1999 – INDICADORES GERAIS
PAÍSES ESVIDA TANAADU TESCPRI TESCSEC TEXCUNI TESCBC IDH
ANGOLA ASS SADC 45 48,8 47,5 58 40,4 28,2 34,7 56,2 -- 31,2 41,4 -- 9,1 28,4 -- 23 42 56,5 0,442 0,467 0,520 NOTAS: ESPVIDA – Esperança de vida à nascença; TANAADU – Taxa de Analfabetismo dos adultos; TESPRI – Taxa de escolarização do primário; TESCSEC – Taxa de escolarização do secundário; TESCUNI – Taxa de Escolarização Universitária; TESCBC – Taxa de escolarização bruta combinada; IDH – Índice de Desenvolvimento Humano; ASS – África Sub-Sahariana; SADC – Southern African Development Community21