dogma
(lat. e gr. dogma: opinião, crença, ponto de vista) 1. Doutrina ou opinião filosófica transmitida de modo impositivo e sem contestação por uma escola ou corrente de pensamento, fazendo apelo a uma adesão incondicional.2. Doutrina religiosa fundada numa verdade revelada e que exige o acatamento e a aceitação incondicionais por parte dos fiéis. No catolicismo, o dogma possui duas fontes: as Escrituras e o Magistério da Igreja. Está contido, em substância, no credo ou símbolo dos Apóstolos (Concílio de Nicéia, ano 325). Assim, os dogmas da Trindade e da Imaculada Conceição. por exemplo, são "verdades reveladas" estabeleci-das pela Igreja como fundamentais e incontestáveis, mesmo que pareçam desafiar a razão. Ver dogmática; dogmatismo.
dogmática
(lat. dogmaticus, do gr. dogmatikós) 1. Diz-se da pessoa que afirma uma opinião ou emite um ponto de vista de modo doutoral e categórico, sem admitir contestação ou crítica.2. Parte da teologia que tem por objeto de estudo os dogmas da fé.
3. É dogmática, por oposição a crítica, diz Kant, toda pretensão do conhecimento de atingir o absoluto. Ex.: a metafísica dogmática.
dogmatismo
1 . T o d a doutrina ou toda atitud e q u e professa a capacidade d o homem atingir a certeza absoluta; filosoficamente, por oposição ao ceticismo, o dogmatismo é a atitude que consiste em admitir a possibilidade, para a razão humana, de chegar a verdades absolutamente certas e seguras.2. No sentido vulgar, atitude que consiste em afirmar alguma coisa, de modo intransigente e contundente, sem provas nem fundamento.
3. Toda atitude de conhecimento que consiste em acreditar estar de posse da certeza ou da verdade antes de fazer a crítica da faculdade de conhecer (Kant).
4. A tradição marxista utiliza o termo "dogmatismo" para qualificar a tendência de se con-gelar uma teoria em fórmulas estereotipadas, cortando-as da prática e da análise concreta: "O marxismo não é um dogma. mas um guia para a ação" (Engels).
5. Observemos que, desde a Antigüidade, existem os filósofos céticos e os filósofos dogmáticos. Os primeiros se recusam a crer nas verdades estabelecidas, enquanto os segundos defendem as verdades de sua "escola". E com a representação kantiana da história da filosofia que o termo "dogmatismo" adquire um sentido novo: o criticismo só se define opondo-se aos dois perigos inversos, o empirismo e o dogmatismo. O dogmatismo consiste em crer que a razão pode edificar sistemas sólidos sem ter sido antes depurada pela crítica (cf. sentido 3). Kant visa às filosofias de Leibniz e de Wolf, nas quais o conhecimento se desenvolve a priori, sem recorrer à experiência: visa também ao empirismo, que reduz tudo à experiência, sem se inter-rogar sobre as formas a priori.
doutrina
(lat. doutrina: ensinamento, teoria) Conjunto sistemático de concepções de ordem teórica ensinadas como verdadeiras por um au-tor, corrente de pensamento ou mestre. Ex.: a doutrina de Tomás de Aquino, a doutrina do liberalismo.doxografia
(do gr. doxa: opinião, e graphein: escrever) Complicação das doutrinas ou opiniões (dosa) de filósofos, de forma sintética ou resumidas. As doxografias são as primeiras "histórias" da filosofia, sendo considerada a primeira a obra de *Teofrasto, discípulo de Aristóteles, intitulada Opiniões dos físicos. A mais famosa das doxografias da Antigüidade é a de *Diógenes Laércio, Vidas, doutrinas e sentenças dos filósofos ilustres, na qual encontramos uma exposição sistematizada segundo as doutrinas das diferentes escolas, ao contrário da obra de Teofrasto, puramente cronológica.dualismo
(do lat. dualis: em número de dois) 1. Na filosofia, o termo "dualismo" é freqüentemente empregado em referência a Descartes, cujo sistema filosófico repousa no dualismo do pensamento e da extensão: portanto, doutrina segundo a qual a realidade é composta de duas substâncias independentes e incompatíveis.2. Toda doutrina que admite, num domínio qualquer, dois princípios ou realidades irredutíveis: matéria e vida, razão e experiência, teoria e prática etc. A essa concepção, que requer dois princípios irredutíveis de explicação, opõe -se o monismo, doutrina que afirma a unidade do ser na multiplicidade de seus atributos e de suas manifestações. Ver monismo; pluralismo.
Dühring, Karl Eugen
(1833-1921) Filósofo, jurista e economista alemão, nascido em Berlim. Discípulo de *Feuerbach e pensador polêmico, Dühring procurou unir o *positivismo ao *materialismo. Suas teses foram atacadas por Engels em seu Anti- Dühring (1878). Principais obras filosóficas: Dialética natural (1861), Filosofia da realidade (1895).Dummett, Michael Anthony Eardley
(1925-) Filósofo inglês. catedrático de lógica na Universidade de Oxford e professor visitante em diversas universidades americanas. Tem participado ativamente do movimento contra a discriminação racial na Grã-Bretanha. Pode ser con-siderado um dos principais filósofos da lingua-gem na tradição da filosofia *analítica. Seu trabalho é voltado sobretudo para o desenvolvi-mento da lógica intuicionista. No campo da filosofia da linguagem, notabilizou-se como intérprete de *Frege e de *Wittgenstein, desenvolvendo principalmente uma semântica baseada, não na noção de verdade, mas na de justificabilidade da asserção da sentença. E autor de: Frege, The Philosophy of Language (1973), The Justification of Deduction (1973), Elements of Intuitionism (1977), Truth and other enigmas (1978), Immigration: where the debate goes wrong (1978), The Interpretation of Frege's Philosophy (1981), The logic basis of metaphysics (1991).Duns Scotus, John
(c.1265-1308) Francis-cano de origem escocesa, de cuja vida pouco se conhece, estudou nas Universidades de Oxford e Paris, tendo sido professor nesta última, conhecido como Doctor subtilis, o doutor sutil. A originalidade de Duns Scotus, em relação A. tradição escolástica a que pertence, está em sua valorização do indivíduo, tanto do ponto de vista metafísico, ao estabelecer a inteligibilidadecomo uma propriedade do singular, contraria-mente às doutrinas platônica e aristotélica então dominantes, quanto do ponto de vista ético, ao defender o livre-arbítrio. A respeito da querela dos *universais, sua posição é a de que o indivíduo é inteligível em virtude do caráter formal do princípio de individuação — a haecceitas ( a "ecceidade", aquilo que faz de um indivíduo o que ele é, como indivíduo). Assim, Sócrates, além de ter a forma de um ser humano, o que o define, possui também a "socrateidade", uma propriedade individual sua, um princípio formal que o distingue, enquanto Sócrates, de todos os outros seres humanos. Suas principais obras são a Opus parisiensis ("Obra de Paris") e a O p u s oxoniensis ("Obra de Oxford"), também conhecida como Ordinatio, ambas provavelmente compilações por seus discípulos de seus cursos. Sua filosofia, e a d e seus seguidores, é conhecida como escotismo. Ver ecceidade; individual.
duração
(lat. medieval duratio) 1. Em seu sentido genérico, parte finita do *tempo: duraçào de um raciocínio. Em filosofia, distinguimos o tempo e a duraçào. O tempo é a medida da duração. diz Descartes. Por sua vez, Leibniz opõe o tempo à duração como o espaço A. extensão, a duração sendo a ordem de sucessão entre as percepções reais.2. Bergson opõe a duração (durée) ao tempo. Para ele, o tempo é a idéia matemática que fazemos da duração para raciocinar. A duração só pode ser apreendida por intuição, ao passo que o tempo é apreendido pela inteligência que divide e quantifica; válida para aquilo que é da ordem da quantidade, a inteligência fracassa em apreender o qualitativo (a duração): o tempo matematizado de nossos relógios não passa de uma falsa representação (espacial) da duração real e concreta, que es capa à quantificação. Portanto, a duração é uma realidade concreta, a trama mesma do devir da consciência, que só pode existir como tal caso se lembre de seu passado, mas inventando a cada instante para adaptar-se ao presente.
Durkheim, Émile
(1858-1917) Sociólogo e filósofo francês considerado o fundador da sociologia científica. Procurou elaborar uma ciência do fato social. marcada por uma preocupação ética. buscando caracterizar o fato social como fenômeno coletivo, valorizando inclusive a interpretação histórica. Assim, estudou a criminalidade em seu De la division du travail social (1893), o suicídio em seu Le suicide (1897), e a magia em Les formes élémentaires de la vie religieuse (1912), que constituem aplicações de seu método de análise apresentado em Les règles de la méthode sociologique (1895). Exerceu grande influência no desenvolvimento da socio-logia no séc.XX.Dussel, Enrique
(1934-2003) Filósofo argentino (nascido em Mendoza) de renome inter-nacional. Filosofia, teologia e história são os passos sucessivos dos estudos de Dussel. Mas todos convergem para uma preocupação dominante: a América Latina. Após uma formação tradicional em seu país, parte para a Europa (Espanha e França) onde confessa ter descob erto a América Latina. Essa experiência européia e o contato marcante com Paul Ricoeur, Husserl e Heidegger levaram-no a assumir racionalmente a pretensa e afirmada "barbárie" de seu povo. De volta à Argentina (1966), aí permanece até o retorno do peronismo, quando se exila no México, onde se converte numa espécie de "apóstolo" da filosofia da libertação, movimento por ele liderado em 1972. Desde então, constrói todo um conjunto de categorias novas de análise, visando buscar uma explicação racional da realidade latino-americana. História e razão, anedota e conceito convivem e se interpenetram na imensa obra de Dussel. Para ele, toda filosofia que aspire a ter vigência e universalidade precisa ser um pensar a partir de uma situação. Em seu caso, a situação latino-americana na qual vive-mos, sofremos, somos explorados, e que tenta-mos mudar. Porque, na realidade latino-americana, a função primordial do filósofo é liberta-dora, criticando todas as ideologias que ocultam a dominação e pensando o processo de libertação a partir da realidade concreta e vivida do povo. Obras principais: Caminos de liberación latinoamericana I: Interpretación histórica de nuestro continente latinoamericano (1972), América Latina, dependencia y liberación (1973), Para una ética de la liberación latinoamericana (1973), Método para una filosofía de la liberación: Superación analéctica de la dialéctica hegeliana (1974), Introducción a la filosofía de la liberación latinoamericana (1977), Filosofía de la liberación (1977), Filosofía ética latinoamericana (5 vols. 1977-1983).
dúvida
(do lat. dubitare: hesitar, vacilar), 1. Incapacidade de determinar se algo é verdadeiro ou falso ou de decidir pró ou contra alguma coisa.2. Dúvida cética: suspensão definitiva do juízo, nada afirmando ou nada negando, o sujeito instalando-se na posição: "nada sei".
Dúvida metódica: método de conhecimento que tem por objetivo descobrir a verdade, consistindo em considerar provisoriamente como falso tudo aquilo cuja verdade não se encontra assegurada. Trata-se da dúvida cartesiana, destinada a ser um método utilizado para atingir uma certeza maior do que as certezas da vida cotidiana, caracterizada pelo fato de ser indubitável. O cogito ergo sum será o indubitável, correspondendo, intelectualmente, à alavanc a de Arquimedes e permitindo eliminar-se toda possibilidade de dúvida. O caráter voluntário e metódico dessa dúvida aparece claramente no recurso ao "gênio maligno", simples hipótese usada por Descartes para permanecer na dúvida enquanto não consegue encontrar o indubitável.
E
ecceidade
(lat. ecceitas, derivado de ecce: eis) Na filosofia escolásica, a ecceidade ë aquilo que permite a um indivíduo ser ele mesmo, distinto de todos os outros. Sinônimo de *ipseidade, poderíamos traduzir esses termos por individualidade. Retomada pelos existencialistas, por referência ao *Dasein heideggeriano, a ecceidade passou a designar o fato de ser-aí (no mundo).Eckhart, Johannes, dito Mestre
(1260-1327) Teólogo e místico alemão (nascido em Hochheim), mais conhecido como Mestre Eck-hart, considerado o criador da linguagem filosófica alemã e o fundador do misticismo ocidental. Depois de algumas viagens a Paris, ensinou cm Estrasburgo e, em seguida, em Colônia. onde respondeu a um processo de heresia que culminou com a condenação de toda a sua obra. Seu pensamento, uma mescla de aristotelismo, agnosticismo, neoplatonismo e de concepções árabes, levava ao panteísmo. Preocupado em esclarecer o que Deus não é, chegou à conclusão de que Deus não existe, porque a existência é uma imperfeição para o Absoluto. Seus Tratados e sermões o situam na origem da mística ocidental. Sua importância filosófica, porém, se deve a seu modo de demonstração. Hegel o considera o precursor de sua dialética. Escreveu ainda: Opus tripartitum e Quaestiones.ecletismo
(fr. écletisme, do gr. eklektikós de eklegein: esconder) Método filosófico que consiste em retirar dos diferentes sistemas de pensamento certos elementos ou teses para fundi-los num novo sistema. Também é uma escola de filosofia, cujo principal representante é VictorCousin (1792-1867), que procurou construir uma doutrina escolhendo em outros sistemas as teses que lhe pareciam verdadeiras. "O ecletismo é um método histórico que supõe uma filosofia avançada capaz de discernir o que há de verdadeiro e o que há de falso nas diversas doutrinas, e, após tê-las extraído e depurado pela análise e pela dialética, de dar a todas uma parte legítima numa doutrina melhor e mais ampla." Ver Cousin.
efeito (lat. effectus: realização, execução) Todo fenômeno considerado como o produto ou resultado de uma causa eficiente. Em outras palavras, é o termo correlativo de *causa, sendo sua realização. E conhecida a expressão do determinismo vulgar: "não há efeito sem causa" (cada termo sendo definido um pelo outro).
efetivo
(lat. effectivus) 1. Aquilo que constitui o produto de um efeito, devendo sua realidade a um encadeamento causal. 2. Para Hegel, o efetivo é o "plenamente real", vale dizer, aquilo que, na empiria, responde à necessidade descrita pelo movimento dialético do pensamento.eficácia
(lat. efficacia). 1. Propriedade de uma coisa ou de uma pessoa de poder agir efetivamente. 2. Toda causa real ou todo poder capazes de produzir um efeito.eficiente, causa
Na terminologia escolástica, derivada de Aristóteles, a causa eficiente, distinguindo-se da causa final, mas pressupondo-a, designa o ato criador pelo qual um efeito é produzido. Posteriormente, a expressão "causa eficiente" passou a englobar, virtualmente, to-das as transcrições filosóficas da *causalidade científica (com exceçào das causas cuja descrição é redutível a termos puramente materiais). Ver causa.ego
1 . A palavra latina ego, que significa "eu", é utilizada, em geral, para designar o sujeito substancial o u o "eu" transcendental, ou seja, o "eu" que, para além do empirismo, condiciona a experiência e as representações.2. Ego transcendental: na fenomenologia de Husserl, designa o próprio sujeito, mas na medida em que se distingue de suas operações e coloca entre parênteses a consciência psicológica.
egocentrismo
(do lat. ego: eu, e centrum: centro) Tendência espontânea do sujeito de con-verter-se no centro do mundo, de tudo referir a seu ponto de vista próprio e de só se interessar pelos outros na medida em que eles servem a seus interesses.eidética
(al. eidetisch, do gr. eidetikós: que concerne ao conhecimento) 1. Termo de utilização recente, notadamente na *fenomenologia de Husserl, para caracterizar aquilo que se refere às essências, por oposição ao suporte fatual que depende de outras ciências. A fenomenologia não deve se preocupar mais com a existência dos "vividos de consciência " do que a geometria com a existência das figuras traçadas no quadro: "A geometria e a fenomenologia, enquanto ciências de essência, não comportam nenhuma contestação referente A. existência mundana" (Husserl). Assim, por oposição às coisas mesmas, a eidética é a "ciência" das formas das coisas no espírito.2. Ciências eidéticas são as que tomam por objeto as relações entre as *essências ideais (lógica e geometria); é a intuição eidética que nos permite apreender as essências; redução eidética consiste em se passar do fenômeno empírico ou existencial à sua essência.
Einstein, Albert
(1879-1955) Considerado o maior cientista de nosso século, o alemão Albert Einstein (nascido em Ulm) tem sua importância no campo da filosofia, porque, ao escrever Mein Welthild (1934) (traduzido porComo eu vejo o mundo), apresenta-se, no dizer de Alexandre Koyré, como "a revanche de Des-cartes sobre os positivistas". Seu livro reflete bem uma teoria metafísica de cientista. Mesmo admitindo a crítica de Hume, ele se recusa a eliminar a especulação metafísica. Sem dúvida, os sentidos constituem a fonte do conhecimento. Contudo. "as noções presentes em nosso pensa -mento e em nossas expressões da linguagem são todas, do ponto de vista lógico, criações livres do pensamen to e não podem ser obtidas das experiências sensíveis por via indutiva". O ape-go de Einstein ao *determinismo, que o impediu de aceitar as relações de indeterminação de Heisenberg, levou-o a certo *espinosismo e a uma "religião cósmica" suscetível de fundar, segundo ele, a ordem descoberta pelas ciências. Ele recusa um Deus justiceito e a Providência, mas aceita, como Descartes, um Deus geômetra: "Na base de todo trabalho científico um pouco delicado encontra-se uma convicção análoga ao sentimento religioso que o mundo é fundado sobre a razão e pode ser compreendido. Essa convicção, ligada a um sentimento profundo de uma razào superior, que se manifesta no mundo da experiência, constitui para mim a idéia de Deus: na linguagem ordinária, podemos chamá-la de panteísta" (Espinosa).
elã vital
A expressão francesa élan vital (em português, "elã vital") é utilizada por Bergson para designar um impulso original de criação de onde provém a vida e que, no desenrolar do processo evolutivo, inventa formas de complexidade crescente até chegar, no animal, ao ins-tinto e, no homem, à intuição, que é o próprio instinto tomando consciência de si mesmo e de seu devir criador.eleatas
Filósofos pré-socráticos da escola eleática (da Eléia, antiga cidade no sul da Itália), fundada por Xenófanes e a que pertencem Parmênides e Zenào de Eléia, que afirmam a identidade absoluta do ser consigo mesmo e a impossibilidade do devir e do movimento. "Quanto à nossa tribo eleata, que começou com Xenofonte, ela expõe o que se denomina Tudo é Um" (Platão).elemento
(lat. elementum) 1. Segundo uma longa tradição, remontando a Empédocles e, em seguida, aos estóicos, os elementos são os "ingredientes"constitutivos de toda matéria: água, fogo, ar e terra. Alguns alquimistas acrescentaram um quinto elemento: o éter ou *quinta-essência. Nos sécs.XVIII e XIX. eram chamados elementos o que hoje denominamos corpos simples.2 . São considerados elementos de uma ciência, os princípios e o s primeiros conceitos a partir dos quais é construída dedutivamente: os elementos da álgebra.
emanação
(lat. emanatio) Diferentemente da criação, a emanação é um processo segundo o qua] Deus ou o Ser criador gera ou produz os seres particulares que constituem o universo. sem que haja descontinuidade nesse processo de geração. A emanação implica a sucessão dos seres no tempo e, por conseguinte, o devir. Ex.: o bramanismo repousa na idéia de uma emanação contínua dos seres finitos a partir do infinito; segundo a Cabala, os Sephirots nascem por emanação do Absoluto; segundo o neoplatonismo, o Real é constituído de emanações a partir do Uno, através da Inteligência e da Alma.emanatismo
Doutrina panteísta segundo a qual o universo não foi criado por um ato livre do poder divino, mas procedeu (ou emanou) necessariamente de Deus pelo efeito de urna lei da própria natureza divina.emergência
(do lat. emergere: mergulhar) Termo utilizado pelos filósofos para designar o fato de um fenômeno brotar de um outro, não podendo ser analisado em termos de explicação causal. Assim, um fenômeno é denominado emergente quando é impossível, a partir das leis disponíveis no momento, fornecer-lhe uma explicação causal. Por isso, a emergência se reduz a uma constatação, sendo relativa a um estado histórico do desenvolvimento das ciências.Emerson, Ralph Waldo
(1803-1882) Filósofo romântico norte-americano, nascido em Boston, estudou na Universidade de Harvard. Influenciado por pensadores românticos como Schelling, desenvolveu uma filosofia idealista, sobretudo em sua principal obra, Nature (1836). Nietzsche e Bergson foram seus admiradores. Mais recentemente tem havido urna retomada do interesse por suas idéias críticas da sociedade industrial e da cultura de massas.Empédocles
(483-430 a.C.) Filósofo grego (nascido em Agrigento) pré-socrático, Empédo-cies propôs uma explicação geral do mundo, considerando todas as coisas como resultantes da fusão dos quatro princípios eternos e indestrutíveis: terra, fogo. ar e água. Esses princípios ou elementos são misturados ou separados pelo amor e pelo ódio.
empiria
Experiência sensível bruta, antes de toda e qualquer elaboração.empírico
(lat. empiricus, do gr. empeirikós: médico que confia apenas na experiência) 1. Qualificativo daquele que procede da experiência imediata ou passada, sem estar preocupado com uma doutrina lógica. Por extensão, qualifica aquele que procede por experiências sucessivas.2. Designa tudo aquilo que constitui o campo do conhecimento antes de toda intervenção racional e de toda sistematização lógica.
empiriocriticismo
(al. Empiriokritizismus) Sistema filosófico da experiência pura. criado por Richard Avenarius. que excluía todas as suposições metafísicas que atuam não somente no racionalismo, mas em todas as correntes filosóficas. Algumas dessas teses foram aceitas e defendidas por Ernst Mach. Lenin escreveu a obra /ilaierialirnto e empiriocriticismo especial-mente para censurar os russos partidários desse princípio filosófico. Ver Lenin; Mach Ernst.empirismo
(fr. empirisme) I. Doutrina ou teoria do conhecimento segundo a qual todo conhecimento humano deriva, direta ou indiretamente, da experiência sensível externa ou in-terna. Freqüentemente fala-se do "empírico" como daquilo que se refere ã experiência, às sensações e às percepções, relativamente aos encadeamentos da razão. O empirismo, sobretudo de Locke e de 1-lume, demonstra que não há outra fonte do conhecimento senão a experiência e a sensação. As idéias só nascem de um enfra- quecimento da sensação, e não podem ser inatas. Daí o empirismo rejeitar todas as especulações como vãs e impossíveis de circunscrever. Seu grande argumento: "Nada se encontra no espírito que não tenha, antes, estado nos sentidos." "A não ser o próprio espírito", responde Leibniz. Kant tenta resolver o debate: todos os nossos conhecimentos, diz ele, provêm da experiência, mas segundo quadros e fbrmas a priori que são próprios de nosso espírito. Com isso, tenta evitar o perigo do dogmatismo e do empirismo. Ver racionalismo.2. Empirismo lógico: é o mesmo que *físicalismo, positivismo lógico ou neopositivismo.
em-si
1. Na filosofia clássica, o em-si caracteriza a * substância que existe nela mesma e não em outra coisa.2. Na filosofia existencialista, o em-si (ensoi) é tudo o que não é existência (pour-soi): "Ele é o ser que é plenamente aquilo que