materialismo
1. Na filosofia clássica (sobre-tudo no *atomismo, *epicurismo e *estoicismo), doutrina que reduz toda a realidade à *matéria, embora o próprio conceito de matéria possa variar bastante. bem como variam as respostas às muitas dificuldades geradas por esta concepção. De modo geral, portanto, o materialismo nega a existência da *alma ou da *substância pensante cartesiana, bem como a realidade de um mundo espiritual ou divino cuja existência seria independente do mundo material. O próprio pensamento teria uma origem material, como mm produto dos processos de funciona -mento do cérebro. No início do pensamento moderno, o desenvolvimento da *física gerou uma concepção materialista conhecida como *mecanicismo, que procurava uma explicação cientifica do real baseada exclusivamente em mudanças quantitativas na matéria. Ver dualismo: fenomenalismo; imaterialismo. Oposto a espiritualismo. idealismo.2. Materialismo dialético: termo utilizado inicialmente pelo filósofo marxista russo Plekhanov (1857-1918), sendo empregado posterior-mente por *Lenin para caracterizar sua doutrina, que interpreta o pensamento de *Marx em ter-mos de um *socialismo proletário. enfatizando o *método dialético em oposição ao materialismo mecanicista. Ver dialética; marxismo. 3. Materialismo histórico: termo utilizado na filosofia marxista para designar a concepção materialista da *história, segundo a qua] os processos de transformação social se dão através do conflito entre os interesses das diferentes classes sociais: "Até o presente toda a história tem sido a história da luta entre as classes, as classes sociais em luta umas com as outras são sempre o produto das relações de produção e troca, em uma palavra, das relações econômicas de sua época; e assim, a cada momento, a estrutura econômica da sociedade constitui o fundamento real pelo qual devem-se explicar em última análise toda a superestrutura das instituições jurídicas e políticas bem como as concepções religiosas, filosóficas e outras de todo período histórico" (Engels, Anti-Di:ihring). Ver luta de classes; marxismo.
máxima
(do lat. medieval sententia maxima) 1. Pensamento filosófico, de formulação concisa, contendo geralmente um preceito moral. Ex.: As Máximas de L a Rochefoucauld. "Não te consideres jamais um filósofo e não pronuncies belas máximas diante dos ignorantes. Ao contrário, faze aquilo que as máximas prescrevem" (Epicteto, Manual).2. Na ética kantiana, a máxima é um princípio subjetivo, com base no qual um indivíduo orient a sua conduta. "A máxima é o principio subjetivo que o próprio sujeito dá a si mesmo como regra (trata-se de como ele deseja agir). O princípio do dever, ao contrário, é aquilo que a razão lhe prescreve de modo absoluto, portanto objetivamente (trata-se de como ele deve agir)" (Kant, Doutrina do direito).
mecanicismo/mecanismo
(lat. tardio mechanisma: invenção engenhosa, máquina) 1. No pensamento moderno, principalmente com Galileu, Descartes e Newton, dá-se a substituição das teorias organicistas de Aristóteles e da escolástica por uma concepção de espaço geometrizado, no interior do qual as relações entre os objetos são governadas deterministicamente por uma causalidade cega. A natureza passa a ser considerada como uma "máquina", um meca-nismo em funcionamento. Os fenômenos fisicos seriam assim explicados pelas leis do movimento.
2. O próprio corpo humano, na concepção dualista de Descartes. é visto como uma máquina, animada pela alma: "Suponho que o corpo não é senão uma estátua ou máquina ... Todas as funções que atribuo a essa máquina ... seguem-se naturalmente da pura disposição de seus órgãos, da mesma forma como ocorre ... com os movimentos de um relógio" (Descartes). Oposto a vitalismo.
3. Em um sentido estrito, o mecanicismo é a filosofia que se explicitou no inicio do séc.XVII, postulando que todos os fenômenos naturais deveriam ser explicáveis, em última instância, por referência à matéria em *movimento. Em seu sentido metafísico, o mecanicismo sustenta que o movimento da matéria exige, para se conservar, não somente uma garantia de sua duração, mas um princípio de sua emergência; nesse sentido, não é incompatível com uma *teologia, por admitir a figura de um Deus criador.
mediação
(do lat. tardio mediatio) 1. Em um sentido genérico, ação de relacionar duas ou mais coisas, de servir de intermediário ou "pon-te", de permitir a passagem de uma coisa a outra.2. Na tradição filosófica clássica, a noção de mediação liga-se ao problema da necessidade de explicar a relação entre duas coisas, sobretudo entre duas naturezas distintas, p.ex., o mundo sensível e o mundo inteligível, em Platão; Deus e o homem, na escolástica; o corpo e a alma, em Descartes.
3. Na lógica aristotélica, o termo médio é aquele que realiza no silogismo uma função de mediação entre os outros termos das premissas, permitindo que se chegue à conclusão.
4. Na dialética hegeliana, e posteriormente na marxista, a mediação representa especifica-mente as relações concretas — e não meramente formais — que se estabelecem no real, e as articulações que constituem o próprio processo' dialético.
mediato
(lat. tardio mediatus) Que se obtém através de um intermediário, indireto; por exemplo, conhecimento mediato é aquele que se obtém de maneira indireta. Oposto a imediato.latim, na qual pretende fundamentar o conhecimento humano, refutando o *ceticismo, e demonstrar a existência de *Deus e a imortalidade da *alma. O filósofo começa por duvidar de tudo, a fim de só admitir como verdadeiro aquilo que se impuser a ele de modo claro e distinto. A primeira certeza é o ato mesmo de duvidar, que é um ato de pensar. Fica assim estabelecida a existência do pensamento: "Penso, logo existo" (Cogito, ergo sum), primeiro objeto do conhecimento verdadeiro. Após examinar todas as idéias que possui em seu espírito, Descartes demonstra que o homem não pode ser autor da idéia de *infinito, que nos ultrapassa, sendo o sinal tangível da realidade de Deus. A certeza de Deus é nosso segundo conhecimento verdadeiro. Da idéia mesma de Deus, de sua perfeição, podemos deduzir sua existência e conseqüentemente a veracidade de nosso conhecimento do mundo natural, estabelecendo assim os princípios que fundamentam a ciência (física). Ver cogito.
megárica, escola, ou Mégara, escola de
Escola filosófica grega, fundada por Euclides de Mégara (cidade próxima a Atenas), que floresceu entre os sécs.V e IV a.C., sofrendo a influência tanto do eleatismo quanto do pensamento de Sócrates. Também conhecida como escola erística. Notabilizou-se sobretudo pela elaboração de paradoxos, dos quais o do mentiroso ou paradoxo de Epimênides. formulado por Eubúlides de Mileto, é o mais célebre. Nenhum escrito dos megáricos sobreviveu, sendo a obra deles conhecida apenas através de referências em outras fontes. Ver Epimênides, paradoxo de.Meinong, Alexius von
(1853-1920) Filósofo e psicólogo austríaco. foi aluno de *Brentano na Universidade de Viena. Professor na Universidade de Graz, ali fundou o primeiro laboratório de psicologia experimental na Áustria. Em sua obra principal, Sobre a teoria do objeto (1904), formula uma teoria dos objetos baseada em uma psicologia descritiva. distinguindo três elementos básicos no pensamento: o ato mental, seu conteúdo e o objeto. O objeto é definido como aquilo a que o ato mental se dirige, sendo que pode não existir como uma entidade real. Essa concepção de "objeto subsistente", existente como objeto do pensamento apenas, foi violentamente atacada por Bertrand *Russell, sobretudo em sua teoria das descrições definidas. Escreveu ainda: Sobre os fi.undamen-tos empíricos de nosso saber (1906), Sobre a situação da teoria dos objetos no sistema das ciências (1907), Sobre possibilidade e probabilidade (1914).
memória
(lat. memoria) Capacidade de reter um dado da experiência ou um conhecimento adquirido e de trazê-lo à mente; considerada essencial para a constituição das experiências e do conhecimento científico. A memória pode ser entendida como a capacidade de relacionar um evento atual com um evento passado do mesmo tipo, portanto como uma capacidade de evocar o passado através do presente. Segundo Aristóteles, "E da memória que os homens derivam a experiência, pois as recordações repetidas da mesma coisa produzem o efeito de uma única experiência" (hletafisica, I, I).Mendelssohn, Moses
(1729-1786) Filósofo alemão de origem judaica, nasceu em Dessau. Bastante influenciado pelo racionalismo iluminista, seu sistema de pensamento buscava con-ciliar as verdades da razão e as verdades oriundas da experiência sensorial. Defendeu ainda as crenças e as práticas judaicas no interior das sociedades cristas, procurando reformar e modernizar o judaísmo. *Kant se opôs na Crítica da razão pura a seus argumentos sobre a imortalidade da alma. Principais obras: Diálogos filosóficos (1755), Cartas sobre as sensações (1756), Escritos filosóficos (1766), b"édon, ou a imortalidade du alma (1767), Jerusalém, ou sobre o poder religioso e o judaísmo (1786).Menipo
Filósofo e poeta grego (nascido em Gadara, Síria), que floresceu no sée.11I a.C., da escola cínica. Afirma-se ter sido um escravo liberto, de origem fenícia. Escreveu sátiras em prosa e verso, que não chegaram até nós, num estilo muito pessoal, ridicularizando as fraquezas dos homens, especialmente de outros filósofos.mentalidade
Conjunto de idéias, crenças, valores. nem sempre conscientes, subjacentes aos costumes, práticas, hábitos de uma sociedade ou grupo social, caracterizando sua maneira de agir, seus sentimentos, sua produção cultural. Ex.: mentalidade provinciana, mentalidade progressista. Ver ideologia.mente
(lat. mens, mentis: espírito) Termo sinônimo de "espírito". "intelecto", "consciência", utilizado entretanto geralmente em um sentido mais positivo e experimental. Designa assim o conjunto de faculdades ou poderes racionais do homem, tais como o pensamento, a percepção, a memória, a imaginação, o desejo etc. As teorias substancialistas, como a de Des-cartes, supõem que a mente existe como tal: enquanto que as teorias empiristas como a de Hume não consideram a mente como existente por si mesma, mas apenas como o conjunto de suas funções de pensar, perceber etc. Oposto a corpo. Ver dualismo.mentira
1. Ato através do qual um emissor altera ou dissimula deliberadamente aquilo que ele reconhece como verdadeiro, tentando fazer com que o ouvinte aceite ou acredite ser verdadeiro algo que é sabidamente *falso. Diferente-mente do *erro e do engano, a mentira supõe a *intenção de dizer o falso, sendo por este motivo moralmente condenável.2. Por extensão, mentira é todo esforço de dissimulação de um individuo para parecer o que não é ou, ao contrário, não parecer o que é. *Rousseau faz dela o símbolo da sociedade de sua época e diz que o teatro é a oticialização da mentira. Ver *Epimênides, paradoxo de.
3. E m u m sentido freudiano, a mentira constitui um mecanismo de defesa, uma forma de racionalização. ou seja, de construção. diante de uma ameaça real ou possível (em geral, imaginária) a certos interesses do indivíduo, de um discurso de auto-justificação.
Merleau-Ponty, Maurice
(1 908- 196 I ) Fundador, com Sartre, da célebre revista Les Temps Modernes, o filósofo francês Merleau-Ponty sofreu a influência do *existencialismo e das *fenomenologias de Husserl e 1-leidegger, tendo sido professor na Sorbonne e no Collège de France. Além de obras de filosofia política, cm que reflete sobre a situação européia do pós-guerra como Humanismo e terror (1947). Merleau-Ponty desenvolveu uma importante obra sobre a consciência, incluindo A Estrutura do Comportamento (1942) e o clássico A fenomenotogia da percepção (1945). Sua "filosofia da ambigüidade" sustenta que a experiência humana possui um sentido eminentemente enigmático. Defendeu o papel e a importância da reflexão filosófica na situação conturbada do mundo contemporâneo, sobretudo em sua obra Elogio da filosofia (1953). Levando em conta os trabalhos da psicologia contemporânea, da psicanálise e da lingüística, Merleau-Ponty tenta elucidar, fundado na tradição fenomenológicade Husserl. a relação originária do homem com o mundo. e evidenciar as camadas de sentido pré-intelectuais e pré-discursivas a partir das quais e contra as quais torna-se possível o dis-curso das ciências. Pensador político preocupa-do com os problemas de seu tempo. ele os analisa (o messianismo revolucionário, o terrorismo militante, o clericalismo stalinista, por exemplo) em As aventuras da dialética (1955).
Merquior, José Guilherme
(1940-1991) Filósofo, cientista social. ensaísta e critico literário, nascido no Rio de Janeiro. Formado em filosofia e e m direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutorou-se em literatura brasileira pela Universidade de Paris-Sorbonne, vindo também a estudar na London School of Economics, onde sofreu a influência das idéias de *Popper e do pensamento liberal. Diplomata de carreira, chegou a embaixador no México e junto à Unesco. em Paris. Adotando um estilo irônico e polêmico, Merquior, inicialmente influenciado pela escola de *Frankfurt, foi um defensor intransigente do liberalismo e crítico ferrenho do estruturalismo e do marxismo. Principais obras, algumas publicadas originalmente em língua estrangeira: Formalismo e tradição moderna (1974), L 'esthéthique de Lévi-Strauss (1977). Rousseau and Weber: two studies in the theory of legitimacy (1980), As idéias e as for-mas (I 98 I ). O argumento liberal (1983), Michel Foucault ou le nihilisme de la chaire (1986), From Prague to Paris: structuralism and post-structuralist itineraries (1986), Liberalism, old and new (1991).Mersenne, Marin
(1588-1648) Enorme foi a importância do padre Mersenne (pertencia à Ordem dos Mínimos) para a filosofia na primeira metade do séc.XV11. Na França, onde nasceu, tornou-se uma espécie de "caixa de ressonância" dos saberes filosófico, científico e teológico. Na cela de seu convento, reuniam-se os grandes sábios da época. Correspondente e confidente privilegiado de Descartes, contribuiu decisivamente para a difusão das idéias cartesianas, sobretudo ao reunir as "Objeções" às Meditações metafísicas de Descartes. Além de combater incessantemente o ceticismo pirronista e a impiedade dos deístas, ateus e libertinos, Mersenne foi um dos fundadores e impulsiona-dores da filosofia mecanicista. Para ele, o *mecanicismo, filosofia da nova ciência, não se opõe à verdadeira religião. Pelo contrário, vem apoiá-la. Porque o conhecimento da grande máquina do mundo constitui o conhecimento mesmo da ordem instituída por Deus mediante leis. Suas obras principais são: A impiedade dos deístas, dos ateus e dos mais sutis libertinos, 2 vols. (1624), A verdade das ciências contra os céticos e os pirronistas (1625), Harmonia universal (1836).messianismo
(do aramaico meschîkha: ungi-do ou escolhido) I. Na religião judaica, crença no Messias, o enviado de Deus, que teria como missão a libertação do povo judeu do domínio estrangeiro, sua condução à Terra Prometida e à vida em paz. Para os judeus, o Messias ainda não chegou; para os cristãos, já esteve entre nós na pessoa de Jesus e voltará novamente no fim dos tempos.2. Em um sentido genérico, crença em um líder carismático que seria capaz de "salvar" seu povo e conduzi -lo à felicidade e à glória. Em nossos dias, o messianismo designa a tendência coletiva de esperar "tudo" da atividade de um único homem dotado de poderes carismáticos e considerado como capaz de trazer a "salvação" ou de mudar os rumos da história.
Metafísica
1. O termo "metafísica" origina-se do título dado por *Andronico de Rodes, principal organizador da obra de Aristóteles, por volta do ano 50 a.C., a um conjunto de textos aristotélicos — ta meta ta physikd — que se seguiam ao tratado da fisica, significando literalmente "após a física", e passando a significar depois, devido a sua temática, "aquilo que está além da física, que a transcende".2. Na tradição clássica e escolástica, a meta-física é a parte mais central da filosofia, a ontologia geral, o tratado cio ser enquanto ser. A metafisica áefine-se assim como filosofia primeira, como ponto de partida do sistema filosófico, tratando daquilo que é pressuposto por todas as outras partes do sistema, na medida em que examina os princípios e causas primeiras, e que se constitui como doutrina do ser em geral, e não de suas determinações particulares; inclui ainda a doutrina do Ser Divino ou do Ser Supremo.
3. Na tradição escolástica, especificamente, temos uma distinção entre a metafísica geral, a ontologia propriamente dita, que examina o con-
ceifo geral de ser e a realidade em seu sentido transcendente: e a metafísica especial, que trata de domínios específicos do real e que se subdivide, por sua vez, em cosmologia, ou filosofia natural — o tratado do mundo e da essência da realidade material; psicologia racional, ou tratado da alma, de sua natureza e propriedades; e teologia racional ou natural, que trata do conhecimento de Deus e das provas de sua existência através da razão humana (e não apenas pelo apelo à fé). Ver teodicéia.
4. No pensamento moderno, a metafísica perde. em grande parte, seu lugar central no sistema filosófico, uma vez que as questões sobre o conhecimento passam a ser tratadas como logicamente anteriores à questão do ser, ao problema ontológico. A problemática da consciência e d a subjetividade torna-se assim mais fundamental. No desenvolvimento desse pensamento, sobretudo com Kant, a filosofia crítica irá impor limites às pretensões de conhecimento da metafísica, considerando que deve-mos distinguir o domínio da razão, que produz conhecimento, que possui objetos da experiência, que constitui a ciência, portanto, do domínio da razão especulativa, em que esta se põe questões que. em última análise, não pode solucionar, embora essas questões sejam inevitáveis. Teríamos portanto a metafisica. Kant vê solução para as pretensões da metafísica apenas no campo da razão prática. isto é, não do conhecimento, mas da ação, da moral. "A metafisica, conhecimento especulativo da razão isolada e que se eleva completamente para além dos ensinamentos da experiência através de simples conceitos ... (Kant). "Por metafísica entendo toda pretensão a conhecimento que busque ultrapassar o campo da experiência possível, e por conseguinte a natureza, ou a aparência das coisas tal como nos é dada, para nos fornecer aberturas àquilo pelo qual esta é condicionada; ou para falar de forma mais popular. sobre aquilo que se oculta por trás da natureza, e a torna possível ... A diferença (entre a física e a metafísica) repousa, grosso modo, sobre a distinção kantiana entre fenômeno e coisa-em-si" (Schopenhauer). Metafísica Obra de *Aristóteles, na verdade reunião de 12 tratados editados por *Andrônico de Rodes, que lhes atribui este título e acabou por denominar uma das áreas mais centrais da filosofia. Nestes tratados, Aristóteles discute o problema do *conhecimento e a noção de filosofia, introduzindo e conceituando algumas das noções mais centrais da filosofia como *substância, *essência e *acidente, *necessidade e *contingência, *verdade etc. Teve grande in-fluência no desenvolvimento da tradição filosófica, sobretudo a partir do séc.XII1, quando a obra de Aristóteles é reintroduzida no Ocidente. Foram inúmeros os comentários a esta obra, tanto na tradição do helenismo quanto entre os árabes e os escolásticos medievais.
metáfora
(lat. e gr. metaphora: transposição) Figura de retórica pela qual se faz uma comparação, utilizando-se uma palavra que denota uma coisa para representar uma qualidade definidora de outra. Segundo a definição de Aristóteles, a metáfora é uma"palavra usada com um sentido alterado", Ex.: uma raposa política; uma flor de pessoa; um mar de lama no palácio.
metalinguagem
O prefixo grego meta, significando "além", "após", "acima de", e também "sobre", é utilizado na formação de vários termos que designam a passagem para um nível mais elevado ou mais abstrato de análise, ou ainda uma investigação acerca de algo. Isto seria representado, em um sentido genérico, pelos termos "metateórico" e "metateoria", isto é. "a teoria das teorias", ou seja, a análise do estatuto teórico de uma teoria específica. A metalinguagem, por sua vez, seria precisamente uma linguagem utilizada para se falar de outra lingua-gem — a chamada "linguagem objeto" — ou para analisá-la. O discurso teórico ou científico sobre a linguagem seria assim tipicamente um discurso metalingüístico, na medida em que nele a linguagem é usada não para falar das coisas, mas para falar d e s i própria. Em um sentido análogo, temos os termos "metamatemática" e "metalógica", que significam um estudo das propriedades teóricas da própria matemática e da própria lógica, respectivamente.metempsicose
(do lat. tardio e do gr. meternpsychosis) Termo de origem grega significando literalmente "passagem da alma de um corpo para outro". Doutrina religiosa oriental, encontrada sobretudo no hinduísmo e no budismo, que sustenta o princípio da transmigração da alma, segundo o qual esta poderia passar sucessivamente por várias encarnações, não só em corpos humanos, mas até mesmo em animais e vegetais. Só a purificação da alma poderá libertá-la desse ciclo, fazendo com que volte aoNirvana, ou ao Todo. Essa doutrina foi aparen-temente introduzida ao pensamento grego por Pitágoras, e encontra-se uma versão dela em Platão (República, X).
método
(lat. tardio methodus, do gr. methodos, de meta: por, através de; e hodos: caminho) 1. Conjunto de procedimentos racionais, baseados em regras. que visam atingir um objetivo determinado. Por exemplo, na ciência, o estabelecimento e a demonstração de uma verdade científica. "l'or método, entendo as regras certas e fáceis, graças às quais todos os que as obser- vam exatamente jamais tomarão como verdadeiro aquilo que é falso e chegarão, sem se cansar com esforços inúteis, ao conhecimento verdadeiro do que pretendem alcançar" (Descartes).2. Método axiomático: o que emprega a formalização e utiliza os recursos da lógica formal para derivar a verdade que pretende estabelecer a partir de uma relação de termos primitivos (indefiníveis) e de um conjunto de axiomas que servem de ponto de