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DO CONCEITO E TIPOS DE REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

CAPÍTULO IV A QUESTÃO DA REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

4.1 DO CONCEITO E TIPOS DE REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

Embora bastante disseminada em diferentes âmbitos da vida social, a noção de representação política carrega diferentes significados, que podem variar de contexto para contexto, e, por conseguinte, gerar diferentes possibilidades de aplicação. Enquanto elemento- chave da história política moderna, o conceito de representação política – e o seu conteúdo – continua controverso (COTTA, 1998), tornando-se mais complexo, ao passo que as práticas não correspondem aos modelos ideais em voga (MIGUEL, 2003). Em vista disso, aponta-se para duas explicações relacionadas às mudanças relevantes e permanência de elementos importantes nas instituições e sistemas políticos ao longo do tempo, e à ordem semântica, relacionada à polissemia da palavra representação e seus usos variados em campos distintos (da política, da literatura, artístico, jurídico).

Assim, de acordo com Cotta (1998), a palavra “representação” – e suas variações – se aplica a uma multiplicidade de experiências empíricas, inclusive quando se refere à representação especificamente política. O autor explica que os principais significados são substituir (agir no lugar de, em nome de alguém, de alguma coisa) e personificar (evocar simbolicamente alguém, alguma coisa). Assim, se dividem em uma dimensão de ação (segundo determinados cânones de comportamento) e em outra de reprodução de prioridades e peculiaridades existenciais (de determinadas “características que espelham ou evocam as dos sujeitos representados – ou objetos). Portanto, para Cotta (1998, p. 1102), o sentido da

representação política reside “na possibilidade de controlar o poder político, atribuída a quem não pode exercer pessoalmente o poder”.

Para Pitkin (2006), o significado do conceito de representação continua bastante complexo e abstrato, na história da palavra. A autora parte de uma análise etimológica e conceitual para compreender a ideia de representação e seus variados significados, enfatizando, assim, tanto a história do desenvolvimento etimológico como o sociopolítico. No seu estudo, que é considerado um marco teórico no debate do tema70, Pitkin (1985) compreende que o conceito de seres humanos representando outros seres humanos tem origem na modernidade, ou seja, não é apenas palavra, mas “em grande medida, um fenômeno cultural e político, um fenômeno humano” (PITKIN, 2006, p. 16).

Etimologicamente, o termo representação deriva do latim repraesentare, que pode significar tornar presente, manifesto; apresentar novamente; trazer à presença de alguém; apresentar-se à corte devido a uma convocação; tornar presente uma abstração em um objeto, por meio dele; substituir um objeto por outro; antecipar um evento ao trazê-lo para o presente. Segundo Pitkin (2006), no início o termo não tinha relação com a ideia de pessoas representando outras, ou com as instituições do Estado e da vida romana. Ao longo do tempo, a palavra representação – juntamente com suas derivações– ganha outros significados, de acordo com o local e a língua.

Na Idade Média, o termo se estendeu para a literatura cristã, na qual os líderes da igreja católica passam a ser vistos como a encarnação do Cristo e apóstolos. Por esse período, juristas medievais também passaram a utilizá-lo para personificar a vida coletiva, em que a comunidade passa a ser vista como uma pessoa por representação. No século XIII, canonistas começaram a utilizar a ideia derivada do direito romano, em que o imperador ou príncipe atuava pelo povo, de modo a desenvolvê-la e aplicá-la à vida religiosa.

Nas línguas francesa e inglesa, a ideia de representação se desenvolveu de modo semelhante: na primeira, a palavra représenter era utilizada tanto para imagens como para objetos inanimados que encarnavam abstrações – a ideia de um encarregado representando a pessoa de seu senhor começa no século XIII; na língua inglesa, surgiu a palavra represent – provavelmente no século XIV –, para significar as noções de trazer uma pessoa à presença alguém, simbolizar ou encarnar, trazer à mente. No século XV, “representar” passou a exprimir as noções de retratar, delinear, a ser aplicada a objetos que ocupam o lugar de algo ou alguém, além de produzir uma peça, figurar. Sobre relação dos seres humanos com esses usos iniciais

da palavra, Pitkin (2006, p. 20) afirma que “em primeiro lugar, a representação pode ser um objeto inanimado ou uma imagem substituindo um ser humano. Em segundo lugar, representar é uma atividade humana, mas não um agir para outros; é a atividade de apresentar, de figurar, de pintar um quadro ou encenar uma peça”. Até o século XVI, precisamente 1595, não se encontrou exemplo do uso da palavra representar cujo significado fosse ocupar o lugar de outra pessoa, de substituí-la.

Segundo a autora, no século seguinte, XVII, já havia um desenvolvimento da ação unificada de cavaleiros e burgueses como possibilidade de promoção dos interesses das suas respectivas comunidades, perante – a convite do – o rei e lordes. Assim, passaram a ser vistos como agentes servidores de suas comunidades, participantes membros do parlamento, além de se reconhecerem enquanto corpo unificado, com queixas e demandas comuns. Desenvolve-se, ainda, a ideia de que os membros não só atuariam em nome das suas comunidades, mas também do país como um todo. Isso se relacionava com outras duas perspectivas: a de que todos os homens estão presentes no parlamento; a de que o governante simboliza ou encarna o país como um todo.

Uma das primeiras aplicações da palavra inglesa represent para se referir ao parlamento foi feita por Sir Thomas Smith, na obra De Republica Anglorum: the Maner of Gouernement

or Policie of the Realme of England, publicada em 1583 – escrita entre 1562 e 1565. Neste

período, todas as aplicações da palavra se referiam a ele como um todo e não a cada membro, que eram vistos como agentes, delegados das comunidades. A primeira referência aos membros do parlamento como representantes do povo aconteceu em 1651, através de um panfleto de Isaac Pennington.

É nesse mesmo ano que, conforme Pitkin (2006, 1985), se publica o primeiro exame sistemático da representação, do ponto de vista político: a obra Leviathan, de Thomas Hobbes. Para Hobbes, o representante é aquele (alguém) “que recebe autoridade para agir por outro, quem fica então vinculado pela ação do representante como se tivesse sido a sua própria” (PITKIN, 2006, p. 28). Assim, essa representação pode ser limitada, em que somente determinadas ações específicas, com restrições específicas, são autorizadas; ou pode ser ilimitada, dando lugar à soberania.

O ato da representação, para Hobbes, passa pela noção de persona, que não significa o mesmo que ser humano, pois “uma pessoa é aquela cujas palavras ou ações são consideradas quer como as suas próprias, quer como representando as palavras ou ações de outro homem, ou de qualquer outra coisa a que sejam atribuídas, seja verdade ou ficção” (HOBBES, 2003, p. 138). Nesse sentido, ele distingue a “pessoa natural” (quando considerada com suas próprias

palavras ou ações) da “pessoa artificial” ou “fictícia” (quando considerada como representando as palavras e ações de um outro).

Hobbes (2003) define como autoridade o direito de fazer qualquer ação, e “feito por autoridade” como fazer por licença daquele a quem pertence o direito. Pela definição do autor, explica Pitkin (2003, p. 29), “ao ser autorizado, o representante adquire novos direitos e poderes; o representado adquire apenas novas obrigações”. Nessa transferência de poder, do representado (autor) para o representante (ator), “cada homem confere ao seu representante comum a sua própria autoridade em particular, e a cada um pertencem todas as ações praticadas pelo representante” (HOBBES, 2003, p. 141), caso se tenha conferido uma autoridade sem limites; do contrário, ou seja, quando o limitam, a nenhum pertence mais do que aquilo em que deu licença para agir.

Essa concepção de representação faz Pitkin (2006, 1985) situar o pensamento de Hobbes como um tipo de interpretação formalista. Na continuidade do desenvolvimento da representação no campo da teoria política, a autora aponta que durante os séculos XVIII e XIX essa noção se desenvolveu em contextos de revoluções democráticas e de lutas políticas e institucionais, como “o sufrágio, a divisão em distritos e a proporcionalidade, os partidos políticos e os interesses e políticas, a relação entre as funções legislativas e executivas e as instituições legislativas e executivas” (PITKIN, 2006, p. 30).

Diante disso, surgem questões conceituais que acompanham as experiências empíricas da política, como, por exemplo, a chamada controvérsia mandato-independência originada do significado paradoxal de representação, que é “fazer presente algo que, contudo, não está presente em um sentido literal” (PITKIN, 1985, p. 157, tradução nossa). O debate sobre esse ponto sintetiza-se no questionamento se o representante eleito deve fazer o que seus representados eleitores exigem ou o que ele julga melhor71. Em resumo:

Um teórico defensor de um mandato altamente restritivo poderia argumentar que a verdadeira representação acontece apenas quando o representante atua seguindo instruções explícitas de seus eleitores, e que qualquer exercício de discrição é um desvio desse ideal. Uma posição mais moderada poderia argumentar que o representante pode exercer alguma discrição, mas que deve consultar os seus eleitores antes de realizar algo novo ou que pode levantar controvérsias, e então fazer o que eles querem ou renunciar a seu cargo. Uma posição ainda menos extrema poderia ser aquela segundo a qual o representante pode atuar como ele acredita que seus votantes desejariam, a menos que ou até que receba instruções deles, e, nesse caso, obedecê-las.

71 Subjaz esse questionamento outras preocupações importantes, como a “relação entre os representantes na

legislatura, o papel dos partidos políticos, a medida em que os interesses locais e parciais se encaixam no bem nacional, a forma pela qual a deliberação se relaciona com o voto e ambas se relacionam com o exercício do governo etc.” (PITKIN, 2006, p. 30).

Muito próximo da postura da independência estaria o argumento de que o representante deve fazê-lo como acredita que seja melhor, exceto na medida em que está vinculado por promessas feitas em campanhas ou programas eleitorais. Noutro extremo está a ideia da completa independência, afirmando que os eleitores nem sequer têm o direito de exigir o cumprimento das promessas feitas nas campanhas eleitorais; uma vez que um homem elegido deve ser completamente livre para usar seu próprio julgamento (PITKIN, 1985, p. 159, grifos e tradução nossa).

Assim, nesse espectro que tem de um lado o caráter restritivo e de outro o independentista do mandato, as diferentes posturas teóricas buscam suas próprias analogias para se defenderem: o representante é apenas um agente para servir a vontade dos seus eleitores, que juntos (de localidade em localidade) formam o interesse nacional; o representante é um agente livre, administrador que precisa de liberdade para executar suas tarefas, e atender aos interesses da nação. Como mencionado, ao avaliar a proposta de Hobbes sobre a representação, Pitkin (2006, 1985) a situa como sendo formalista. Esse tipo constitui uma classificação maior formulada pela autora para compreender as interpretações teóricas no campo da ciência política acerca do conceito de representação política. Portanto, propõe quatro tipos: representação formalista, representação descritiva, representação simbólica e representação substantiva.

Na perspectiva formalista, define-se a representação em termos das formalidades da relação representante-representado, ou seja, em termos de uma transação que tem lugar no princípio, antes da verdadeira representação. Essa perspectiva comporta a dimensão da autorização, na qual um representante foi autorizado, via delegação ou concessão, para atuar (representar); assim, ser um representante significa estar isento da responsabilidade habitual pelas ações de alguém. Comporta, também, a dimensão da responsabilidade – menos presente nas discussões dos teóricos – na qual um representante é alguém que tem de ser visto como responsável frente ao representado, que responderá a outro do que faça, que prestará contas àqueles a quem representa; ser representante significa adquirir obrigações novas e especiais.

Na perspectiva descritiva de Pitkin (1985), a representação ganha significado na ideia de fazer presente algo ou alguém que está ausente pelas vias da semelhança ou imagem, como um espelho; assim, os representantes precisam corresponder a um reflexo não distorcido daqueles que representam, de modo a constituírem um retrato exato, uma miniatura da nação. Em virtude disso, ao contrário do tipo formalista, na representação descritiva o representante não atua pelo representado e sim o substitui. Entre os defensores do tipo descritivo, segundo a autora, estão os proporcionalistas, que recorrem a metáfora do mapa para ressaltarem o valor de cada parte que o constitui. Dessa maneira, todos os grupos sociais significam no e pelo todo, todas as opiniões e interesses precisam estar representados – mesmo adotando-se o critério de

maioria para a tomada de decisões, as minorias têm o direito de representação. Na crítica de Pitkin (1995), as metáforas de mapa e reflexo (espelho), por exemplo, são insuficientes: embora sejam representações, mapas não são representativos, isso porque podem conter característica diferentes de acordo com a sua finalidade, além de que são estruturas que apresentam-se como similares dos territórios que representam; o espelho pode distorcer a imagem que reflete, além do fato de ele refletir apenas características visuais, e não estruturas ou relações abstratas.

Na descrição, representar significa dar informações sobre o representado, ou seja, ser um bom representante significa fornecer informações precisas. Troca-se, aqui, o “atuar por” pelo “dar informações sobre”, dispensando a autorização e a responsabilidade. Em razão disso, os teóricos da representação descritiva sustentam que a função de uma assembleia representativa é deliberar antes de governar, aponta (PITKIN, 1985).

A terceira perspectiva da representação corresponde à simbólica. Nela, entende-se toda a representação como uma simbolização, ou seja, através dos símbolos torna-se também presente algo ou alguém que está ausente: um representante político pode ser entendido no mesmo sentido de uma bandeira que representa uma nação, um emblema que representa uma doutrina religiosa. Nessa lógica, a representação simbólica não implica uma conexão justificável, objetiva e racional entre o que representa e o que é representado, mas psicológica, afetiva e emocional. São respostas que se baseiam nestes aspectos que dão condições para o surgimento da representação, que ocorre na medida em que os representados aceitam e acreditam no símbolo.

Pitkin (1985) propõe um outro tipo de representação, chamada por ela de substantiva, referindo-se à ideia de substância do que é feito; em outras palavras, avalia-se as atividades e ações dos representantes em nome e no interesse dos representados (FERREIRA, 2013). Representação, assim, significa “atuar em interesse dos representados, de maneira sensível a eles. O representante deve atuar independentemente [...] de tal maneira que não haja conflito, ou caso este surja, torna-se preciso uma explicação” (PITKIN, 1985, p. 233, tradução nossa). Para a autora, o representante não deve se constranger frente ao representado e, sim, ter certa independência para atuar e julgar.

Nos termos formulados por Monedero (2009), entende-se por representação o ato mediante o qual um representante, seja governante ou legislador, atua em nome de um representado para a satisfação, ao menos em teoria, dos interesses deste. Nessa perspectiva, os representados devem ter o direito e a possibilidade de controlar e exigir, ao governante, responsabilidades por meio de mecanismos eleitorais institucionalizados. A representação, portanto, supõe uma relação social em que há um dominante que age em nome de um dominado.

Nessa relação, o representado pode controlar o representante não apenas e exclusivamente através de eleições periódicas.

Na proposta classificatória elaborada por Sartori (1992), a representação divide-se em três: na ideia de mandato ou de delegação; de representatividade (semelhança ou similitude); e de responsabilidade. No primeiro tipo, mandato ou delegação, o significado advém do direito privado e designa a doutrina jurídica da representação, sendo o representante entendido como um delegado ou um mandatário que segue instruções. De acordo com Monedero (2009), nesse tipo – representação jurídica –, os atos dos representantes são imputáveis à comunidade que vive sob a jurisdição efetiva deles, de modo que devido ao fato de ser representada, a comunidade obedece às ordens que partem daqueles que a representam; quando esta relação de obediência é interrompida, acaba a representação. Esse tipo de representação evidencia a centralidade do poder na política, revelando que mesmo na democracia está à vista (às vezes disfarçado) e não deixa de sê-lo. Cotta (1998), por sua vez, afirma que no tipo de relação de delegação, “o representante é concebido como um executor privado de iniciativa e de autonomia, das instituições que os representandos lhe distribuem; seu papel aproxima-se muito ao de um embaixador” (COTTA, 1998, p. 1102).

No segundo tipo de Sartori (1992), associado à ideia de representatividade, o significado parte de uma perspectiva sociológica, na qual a representação se configura como “essencialmente um fato existencial de semelhança, que transcende toda ‘eleição’ voluntária e consequentemente a própria consciência” (SARTORI, 1992, p. 225, tradução nossa). Assim, entende-se o representante como alguém que personifica características de determinado grupo (“representativo de”). Nessa representação sociológica, ressalta-se a ideia de identidade, em que o representado se vê refletido no representante – como um espelho –, este que se torna um igual que vai defender os interesses do eleitorado, com o qual participa do mesmo território, classe ou compartilha as mesmas afinidades ideológicas (MONEDERO, 2009). O organismo representativo, então, é pensado como um microcosmo em que se reproduz o que é característico do corpo político, assim centra-se “mais sobre o efeito de conjunto do que sobre o papel de cada representante” (COTTA, 1998, p. 102).

No terceiro tipo entende-se um governo representativo como governo responsável (SATORI, 1992), ou seja, aqui enfoca-se a ideia de responsabilidade e controle do representante; este só o é porque submete-se à fiscalização dos representados. Referindo-se a esse tipo como representação política, Monedero (2009) aponta que para que não lhe seja retirada a confiança, o representante eleito deve atuar com responsabilidade sobre as exigências da cidadania que o sustenta. Cotta (1998) sinaliza para uma relação de confiança, em que tanto

atribui-se ao representante uma posição autônoma como para o fato de ele ter que orientar suas ações com base no interesse (que percebe) dos representados.

Embora pareçam sugerir modelos fechados e isolados, os autores destacam que ocorrem de modo correspondente, ou seja, não são puros, mas permeáveis e se mesclam nos sistemas representativos – não necessariamente de forma igual, mas com algum valor mínimo presente de cada. Para Cotta (1998, p. 1105), que define a representação política como “um sistema institucionalizado de responsabilidade política, realizada através da designação eleitoral livre de certos organismos políticos fundamentais (o mais das vezes, os parlamentos)”, o modelo da confiança empresta a possibilidade de uma autonomia, o da delegação o vínculo da sujeição e de certo controle, o do espelho as exigências simbólicas e psicológicas. Já para Sartori (1992), a representação política se relaciona com a sociológica quando trata-se, por exemplo, de temas como sobrerrepresentação e infra-representação; e se relaciona com a jurídica, por exemplo, na medida em que a representação política está formalizada juridicamente nas estruturas institucionais, além de fazer parte do constitucionalismo.

Quadro 5 - Tipos-modelos do conceito de representação política

A u tor ia Pitkin (1985) Sartori (1992) Cotta (1998)* Monedero (2009)* Alkmim (2013)** Ti p os d e r ep re se n taç ão Formalista; Descritivo; Simbólico; Substantivo. Mandato ou delegação; Representatividade (semelhança ou similitude); Responsabilidade. Relação de delegação; Relação de confiança; Espelho ou representatividade sociológica. Representação jurídica; Representação sociológica; Representação política. Autorizativo; Liberal; Crítico; Identidade; Processual.

* Ambas as propostas são, de certo modo, interpretações (adições) daquela elaborada por Sartori (1992). ** Inspirado em Hanna Pitkin (1985, 2006).

Fonte: O autor (2018).

Ao refletir sobre o conceito e a prática da representação política, Alkmim (2013) ressalta aquilo que considera como paradoxo lógico próprio da relação entre representantes e presentados, ou seja, da representação. Para isso, ele retoma as contribuições de Hanna Pitkin para denotar o paradoxo da representação política “como a impossibilidade de igualdade dos termos da A = B, pois na esfera do poder esta igualdade é logicamente impossível, porque um

sujeito ou vontade pessoal não pode se expressar através de outro sujeito ou vontade (ALKMIM, 2013, p. 57). O autor evoca a discussão – mencionada aqui – da controvérsia mandato-independência como evidenciação da impossibilidade lógica da representação, se referindo ao fato de representantes e representados jamais poderem ser igualados

A crítica de Alkmim (2013) é calcada em formulações de teóricos que questionam os princípios da representação política, como Jean-Paul Sartre, para quem a democracia indireta (portanto a representação indireta) é uma mistificação criada pelos efeitos de atomização (pulverização de eleitores) e serialização (junção de eleitores pulverizados), e Jean-Jacques Rousseau, que defende a participação (o “exercício direto da vontade política”) como forma de ação política no lugar da representação. Além desses, o autor arrola outros argumentos sobre o paradoxo da representação, como a impossibilidade da representação da vontade; o contraste