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6 DISCUSSÃO

6.4 Do ponto de vista de operacionalização do Programa

Quanto aos aspectos que envolveram a criação do Programa do ponto de vista operacional, o atendimento não está limitado aos lotes rurais sob tutela da Secretaria de Agricultura do DF, abrangendo inclusive projetos de assentamentos da reforma agrária do INCRA, propriedades particulares escrituradas entre outras.

Acredito que o programa deve continuar com foco na área rural, no entanto mais do que se deter aos lotes sob tutela da Secretaria de Agricultura, que é uma recomendação que já não é cumprida desde o princípio, deve ter um olhar direcionado para o ocupante da área, aquele que é o potencial aliado neste movimento de cooperação para a mudança.

Se constatada que não se trata de uma unidade de produção, estando em área rural e obrigatoriamente guardando características de ocupação rural, conforme as orientações do PDOT e ZEE principalmente, ainda assim deverá ser uma propriedade assistida, já que os critérios não se esgotam nesta seara.

Seguindo os pressupostos de contribuição para melhoria da qualidade ambiental do DF, é preciso considerar também a proximidade com Unidades Conservação, com Áreas de Proteção de Manancial, se a propriedade está inserida em uma Unidade Hidrográfica com maior potencial de recarga ou risco à contaminação, ou ainda, se a localização é estratégica para contribuir na formação de conectores ambientais. Neste caso, deverá também, ser atribuído grau de sensibilização ao interessado e observado o perfil do mesmo, buscando identificar se os cuidados necessários às mudas estão bem compreendidos, sem dispensar os registros formais que assegurem tal compreensão e concordância, por meio da assinatura do Termo de Adesão ao Programa.

Deve ser retomado o procedimento inicial de limitação de mudas por produtor, de 1,2 hectares para APP e 0,3 hectare para RL, por tratar-se fundamentalmente de apoio à adequação, e não de comprometer-se integralmente com a recuperação da área. Assim, teremos a possibilidade de atender mais pessoas interessadas nesse apoio.

A manutenção de alta diversidade de espécies produzidas no viveiro da Granja do Ipê deve ser uma premissa, saltar de 40 para 100 espécies por exemplo, com prioridade para aquelas espécies chave na recomposição dos diversos ambientes naturais, muitas vezes mais difíceis de encontrar ou cuja multiplicação não esteja facilmente disponível em protocolos de produção de mudas nas principais publicações técnicas. Espécies cuja multiplicação dificulta

o ganho de escala comercial costumam não interessar viveiros particulares e, portanto, são raramente encontradas em estabelecimentos comerciais. Dessa maneira o viveiro institucional da Secretaria de Agricultura estaria desempenhando importante papel na promoção e introdução de diversidade biológica, típica do bioma Cerrado nos projetos de recomposição ambiental no DF e contribuindo com informações sobre a multiplicação de espécies nativas a partir dos ensaios realizados no viveiro de produção de mudas da Granja do Ipê.

Sobre os indicadores constantes da proposta inicial, a produção de mudas dobrou, saindo de 60 mil mudas em 2008 para 120 mil mudas em 2010, e permanecendo neste patamar até 2015. Tais mudas disponibilizadas aos produtores também superam a promoção dos estimados 50 hectares por ano, mais que dobrando a meta, com 106 hectares em recuperação no ano 2014, representando o melhor resultado no período de 2008 a 2015. Quanto aos treinamentos e capacitações previstos, apenas em 2010 quando a equipe ainda estava fortalecida, foram realizados dois cursos nos municípios de Luziânia e Gameleira de Goiás no âmbito da parceria com a Corumbá Concessões S. A.8

Após a adesão ao Programa, deverá ser estabelecido um Cronograma de Recuperação da Área, com monitoramento técnico associado à realização de reuniões, palestras, dias de campo, num processo contínuo de sensibilização e comunicação dos resultados alcançados para a comunidade, inclusive para colaborar na geração de uma rede de compromissos sociais de uns com os outros, de auto-gestão, abrangendo mutirão de mão-de-obra para plantio e cercamento de nascentes, por exemplo.

Haja vista a relevância que os trabalhos de conservação de solo alcançam, quando associados à revegetação de áreas de preservação permanente e reserva legal para redução na perda de solo, aumento da infiltração, melhoria dos acessos de veículos às estradas e consequente redução de processos erosivos, aquelas propriedades que demandarem este tipo de serviço, deverão ser objeto de priorização na reserva do equipamento na Diretoria de Mecanização Agrícola da SEAGRI-DF.

Sobre o tema prevenção de incêndios florestais, deverão ser anexadas ao Cronograma de Recuperação da Área comprovações da execução de medidas que minimizem a ocorrência e os prejuízos decorrentes de incêndios florestais na referida área. Por outro lado, o governo deve articular por meio de seu órgão ambiental local e os detentores de equipamentos compatíveis com a execução de roçagens e aceiros, para otimização dos recursos públicos envolvidos, a realização de campanhas integradas com a comunidade no período que

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Empresa fundada em 06 de setembro de 2000 com o objetivo de construir o empreendimento hidrelétrico de Corumbá IV, localizado em Luziânia (GO), para contribuir para o abastecimento elétrico do DF e Entorno.

antecede a época mais seca do ano, entre os meses de maio e agosto. Cursos para formação de brigadas de prevenção e combate aos incêndios florestais também deverão ser disseminados para ampla divulgação e mobilização de agentes locais, com a destinação de kits como abafadores, bombas costais, facões, entre outros equipamentos de pequeno porte necessários ao trabalho.

A recuperação e a proteção de nascentes devem estar dentre as áreas de interesse de maior relevância, onde os esforços devem ser concentrados, no sentido de envolver a comunidade, inclusive no diagnóstico com informações sobre a situação, localização, Bacia Hidrográfica que é contribuinte, e, juntamente com o órgão ambiental local, mapear e tornar pública as ações de recuperação e de proteção das nascentes, como forma inclusive de incentivar a formação de brigadas voluntárias de prevenção aos incêndios florestais. As mudas poderão ser viabilizadas por meio da Secretaria de Agricultura, a mão-de-obra pelos produtores e a comunidade local (especialmente a escolar e religiosa), materiais como arame e estacas de madeira para o cercamento, por exemplo, podem ser adquiridas por meio de doação do Setor de Medidas Alternativas do MPDFT que colabora regularmente com o Programa Reflorestar desde 2008. Deverão ser instaladas placas de sinalização nas propriedades atendidas, bem como providenciada a premiação do produtor adotante da nascente com um certificado ou uma publicação, como reconhecimento por parte do governo de que o produtor é um guardião, um aliado indispensável neste processo.

Indicadores de monitoramento do Programa Reflorestar enquanto critérios que possam ser mensurados regularmente para identificação de tendências, podem ajudar os gestores a planejar suas prioridades em relação às necessidades do Programa. Deve-se ter em conta que não é suficiente falar somente em hectares plantados, produtores atendidos e mudas produzidas e disponibilizadas, mas falar em apropriação da política pública pela comunidade com seus efeitos percebidos, mensurados e avaliados coletivamente o que ensejará um aperfeiçoamento constante do instrumento.