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5 RESULTADOS

5.1 Quanto à análise do Programa

5.1.1 Pesquisa documental

5.1.1.1 As origens do Programa Reflorestar

A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária de Abastecimento do Distrito Federal - SEAPA buscando o desenvolvimento rural sustentável do DF lançou em 2007, concomitantemente à criação do Núcleo de Proteção e Reabilitação Ambiental, o Programa de Reabilitação Ambiental da Área Rural do DF – Programa Reflorestar. O Programa foi criado com o objetivo de apoiar a adequação ambiental dos lotes rurais sob tutela da SEAPA, cujos pilares de sustentação fundamentaram-se na recuperação e proteção dos recursos hídricos, na conservação do solo e na educação ambiental.

Tal apoio se concretizaria por meio de ações baseadas no envolvimento e na participação comunitária, na adimplência ambiental dos lotes rurais através do cumprimento da legislação específica e da adequação dos sistemas de produção aos critérios de sustentabilidade social, econômica e ambiental, no âmbito da Bacia Hidrográfica na qual encontram-se inseridos. Apoio este, essencialmente, por meio da disponibilização de mudas nativas do bioma Cerrado para a recuperação das áreas de preservação permanente e recomposição das áreas de reserva legal das propriedades.

Em 1º de janeiro de 2011, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Distrito Federal – SEAPA, por meio do Decreto n° 33.228/2011, passou a denominar-se Secretaria de Estado de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal – SEAGRI-DF.

Consta das competências legais da SEAGRI-DF planejar, orientar e dirigir a implementação de programas de educação ambiental no âmbito da área de atuação da Secretaria, bem como promover ações de educação ambiental voltadas aos produtores, trabalhadores e comunidades rurais, e supervisionar e avaliar o desenvolvimento de atividades técnicas, educativas e de capacitação para produtores rurais, estudantes, pesquisadores e profissionais interessados no setor agropecuário de modo geral, nos espaços de produção animal e vegetal da Secretaria.

5.1.1.2 Arcabouço legal

As bases legais que fundamentaram a criação do Programa foram o Código Florestal à época (Lei n˚ 4.771/65) e a Política Ambiental do DF (Lei n˚41/89), com a indicação para

que o Poder Executivo local, viabilizasse a publicação de um instrumento legal determinando aos produtores rurais a adequação das propriedades à legislação ambiental e fomentasse a parceria entre os produtores rurais e o Ministério Público do DF e Territórios através da assinatura de Termos de Ajustamento de Conduta entre a SEAPA e os produtores.

A referida Lei n˚ 41/89, estabeleceu muito acertadamente a necessidade do “acompanhamento crítico da Política Ambiental do DF através da participação comunitária, da descentralização de ações”, indicando como um dos seus objetivos, “a necessidade de adequação das atividades socioeconômicas rurais, a utilização adequada do espaço territorial e dos recursos hídricos destinados para fins urbanos e rurais” e ainda estabeleceu mecanismos de controle, fiscalização, vigilância e proteção ambiental, educação ambiental que deverão ser aplicados às áreas de agricultura e pecuária, dentre outras como desenvolvimento urbano e industrial, saúde pública.

Em colaboração com o Distrito Federal, que deve a partir da Lei n˚ 41/89, promover a educação ambiental, o Programa Reflorestar deve compor o Plano Local da Gestão Ambiental (Plano Distrital de Proteção ao Meio Ambiente) quando da sua criação, integrando-se a outros programas, seus respectivos projetos e atividades, também em cumprimento à lei. É dever do DF também, e de todas as pessoas e entidades que no uso da propriedade, no manejo de produção (...) deverão respeitar as limitações administrativas e demais determinações estabelecidas pelo Poder Público, com vistas a assegurar um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado, para as presentes e futuras gerações.

O esforço da equipe idealizadora com apoio institucional para a aprovação do Projeto de Lei do Programa Reflorestar em 2011, parece ter tido reconhecimento por parte dos gestores sobre a importância de que as ações tenham caráter permanente, uma vez que se alterou o seu status quo de uma política de governo, para uma política de Estado refletindo enquanto executora da política agrícola, o compromisso da SEAPA com a política ambiental, duas diretrizes fundamentais para fomentar o desenvolvimento rural sustentável no Distrito Federal.

Embora não esteja explícito nos documentos de referência que trataram do Programa Reflorestar, a citação da Lei n˚ 3.833/06 (que instituiu a Política de Educação Ambiental do DF, e criou o Programa de Educação Ambiental do Distrito Federal, complementando a Lei Federal nº 9.795/99 no âmbito do Distrito Federal), esta propõe enfaticamente, o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente. Dentre os objetivos fundamentais da educação ambiental citados no texto da referida lei distrital, estão o “estímulo e fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e

social e o incentivo à participação comunitária, ativa, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente”, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania, que vão ao encontro das premissas expressas no Programa Reflorestar. Este embasamento legal poderá constar explicitamente do seu decreto de regulamentação em complementariedade, às demais leis utilizadas como marco legal.

QUADRO SÍNTESE DOS DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA

LEGISLAÇÃO INICIAL DE REFERÊNCIA

 Código Florestal à época (Lei n˚ 4.771/65);  Política Ambiental do DF (Lei n˚41/89).

SUGESTÃO DE AMPLIAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE REFERÊNCIA

Novo Código Florestal (Lei nº 12.651, de 25/05/12);

Política Nacional de Educação Ambiental (Lei Federal nº 9.795/99); Política de Educação Ambiental do DF (Lei n˚ 3.833/06);

Decreto de regulamentação nº 31.129, de 04/12/09. Resolução CONAMA N° 429, de 28/02/11;

Decreto nº 36.579, de 30/06/15;

Regulamenta o Cadastro Ambiental Rural no Distrito Federal. Decreto Distrital n˚31.084 de 25 de novembro de 2009 e; Portaria n˚ 25 de 10 de março de 2011.

Dispõe sobre a Política de Regularização Fundiária dos imóveis sob tutela da SEAGRI-DF. Quadro 1. Quadro síntese dos documentos de referência inicial e de ampliação do Programa Reflorestar. Fonte: Elaboração própria.

Temos que o conceito de educação ambiental não-formal presente na Lei n˚ 3.833/06, no seu artigo 13 caput, é o mesmo adotado no Programa Reflorestar, (...) “entende-se por educação ambiental não-formal as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da comunidade, organização, mobilização e participação da coletividade na defesa da qualidade do meio ambiente, que traz no seu inciso VI como linha de atuação a sensibilização ambiental dos agricultores e trabalhadores rurais, inclusive nos assentamentos rurais.

No Decreto nº 31.129, de 04 de dezembro de 2009 que regulamentou a referida lei que instituiu a Política de Educação ambiental do DF, consta explícita em seu artigo 2˚ que os órgãos ambientais atuarão na inserção de políticas públicas de cunho ambiental nas ações do Governo do Distrito Federal, tais como agricultura e pecuária, dentre outras como desenvolvimento urbano e industrial, saúde pública.

5.1.1.3 Equipe multidisciplinar que elaborou o projeto do Reflorestar

A equipe que elaborou o projeto que viria a ser o Programa de Reabilitação Ambiental da Área Rural do DF, da Subsecretaria de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar da SEAPA, era formada por uma bióloga, uma engenheira florestal, um engenheiro agrônomo, um engenheiro mecânico, um médico veterinário, uma socióloga e um geógrafo. Sendo que a primeira encampou a ideia e passou a buscar parcerias e recursos para dar início às primeiras ações de mobilização e plantio de mudas.