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DO RECURSO PRINCIPAL

No documento QUESTÕES ATUAIS (páginas 137-143)

A questão quanto a suposta renovação das matérias de fundo, ou seja, o mérito do recurso a que se pretende prosseguimento ainda é controvertida no âmbito do Tribunal Superior do Trabalho, conforme trecho de decisão:

De plano, verifica-se que a Recorrente não renova, na minuta de agravo de instrumento, os argumentos tecidos quanto aos temas objeto da revista, o que inviabiliza a análise das matérias (princípio tantum devolutum quantum appellatum).

Ora, deve a Agravante, além de impugnar os fundamentos da decisão agravada, expor as razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão e o próprio pedido, nos termos do art. 1.016, III, do CPC/15.

Isso porque o agravo de instrumento constitui recurso autônomo e de fundamentação vinculada, incumbindo à Parte não só atacar os fundamentos da decisão denegatória, como também renovar as teses jurídicas e as violações, as contrariedades e as divergências jurisprudenciais veiculadas no apelo revisional, em atenção ao princípio da independência dos recursos. (AIRR-0011156-54.2013.5.01.0073 – Min Relator: Ives Gandra Martins Filho – publicado em 13/09/2018)

O Ministro Relator afirmou que a Recorrente não renova, na minuta de agravo de instrumento, os argumentos tecidos quanto aos temas objeto da revista, o que inviabiliza a análise das matérias. Por esse motivo, negou seguimento ao Agravo de Instrumento.

No entender do ora autor, foi olvidado pelo despacho ora em análise não ser necessário trazer à lume as matérias tratadas no Recurso de Revista, renovando-as no Agravo de Instrumento, porque as matérias tratadas no Recurso de Revista não foram objeto da decisão da douta Vice-Presidência do TRT que o inadmitiu.

Os precedentes do TST a seguir dão conta que, uma vez superado o óbice estabelecido no despacho agravado, que não foi objeto do recurso de revista, deve-se proceder o exame de admissibilidade quanto às demais questões tratadas no RR, independentemente da renovação dos argumentos em sede de agravo de instrumento, desde que constatada a presença dos demais requisitos extrínsecos da revista:

DESPACHO DENEGATÓRIO DE ADMISSIBILIDADE FUNDAMENTADO EM IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. ÓBICE AFASTADO. ANÁLISE DOS DEMAIS TEMAS SUSCITADOS NO APELO. POSSIBILIDADE. ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL Nº 282 DA SBDI-1 DO TST.

A embargante aponta omissão e contradição no acórdão prolatado por esta Turma. Sustenta que o despacho denegatório do recurso de revista foi fundamentado tão somente em suposta irregularidade de representação do apelo, o que foi devidamente impugnado pelo agravo de

instrumento. Assim, não cabe a exigência quanto à impugnação específica das matérias de mérito suscitadas no recurso de revista, sobre as quais não houve pronunciamento na decisão agravada. Requer atribuição de efeito modificativo. Aponta violação dos artigos 832 da CLT; 128 e 460 do CPC e 5º, XXXV, LIV e LV, e 93, IX, da Constituição Federal. Invoca a incidência das Súmulas nos 282 e 356 do STF e 297 do TST.

Esta colenda Turma acolheu a tese do agravo de instrumento interposto pela primeira reclamada (RIZAL CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA.) no que tange à regularidade de representação da Dra. Juliana Magalhães Assis Chami, subscritora do recurso de revista (fls. 1182/1191), ao constatar que esta possui poderes constituídos nos autos, conforme substabelecimento à fl. 1154 e procuração à fl. 292. Assim, afastou o óbice invocado pelo despacho denegatório (fls. 1237/1240) para a admissibilidade do apelo.

Nesse contexto, e já constatada a presença dos demais requisitos extrínsecos, tem-se por autorizada a análise dos pressupostos intrínsecos do recurso de revista, independentemente da renovação dos argumentos em sede de agravo de instrumento.

A hipótese difere-se daquela em que se identifica no despacho denegatório a análise dos argumentos de mérito suscitados no recurso de revista, contra os quais deverá a parte, necessariamente, apresentar impugnação fundamentada no agravo de instrumento, situação alheia a dos presentes autos.

No presente caso, não houve pronunciamento no despacho denegatório quanto aos temas suscitados no recurso de revista e, por conseguinte, não há como se exigir impugnação específica no agravo de instrumento de matéria não examinada na decisão agravada.

Na espécie, exige-se, apenas, a impugnação do fundamento adotado no despacho denegatório. Essa é a diretriz que se extrai da Orientação Jurisprudencial nº 282 da SBDI-1 desta Corte:

[...]

Essa situação justifica o acolhimento dos presentes embargos de declaração para, suprindo omissão, passar à análise dos pressupostos intrínsecos referente aos temas de mérito suscitados no recurso de revista.” (TST-ED-AIRR-342-52.2013.5.03.0129, julgado em 06/04/2016)

O art. 896, § 1º, da CLT determina que o Presidente do Tribunal Regional, prolator da primeira decisão de admissibilidade, poderá receber ou denegar o

recurso de revista, impondo como obrigação apenas a necessidade de fundamentação do entendimento adotado.

Logo, encontrando-se a decisão de admissibilidade do Eg. Regional fundamentada tão somente na suposta intempestividade da Revista, deve ser apenas este o objeto de insurgência do AIRR. O que ocorreu.

Nos termos das disposições contidas nos arts. 897, alínea “b”, da CLT e 1.016, inciso III, do CPC/15, a finalidade do agravo de instrumento é desconstituir os fundamentos do despacho pelo qual se denegou seguimento a recurso, sendo necessário, para tanto, que o agravante exponha, de maneira específica, os argumentos jurídicos necessários à demonstração do equívoco da decisão agravada.

Restando superado tal óbice, deve ser procedida a análise do Recurso de Revista diretamente pelo TST, não cabendo exigência de impugnação específica via AIRR das outras matérias suscitadas no RR, sobre as quais não houve pronunciamento na decisão da Vice-Presidência do TRT.

No Processo do Trabalho é consagrada a dupla análise dos pressupostos recursais inerentes à revista, sendo o juízo de admissibilidade exercido tanto pelo Tribunal Regional, quanto pela Corte ad quem.

Impondo-se o exame dos pressupostos intrínsecos e extrínsecos da revista como dever da Corte Superior, por força de sua competência (tanto é que o TST não está vinculado à manifestação do juízo primeiro de admissibilidade, podendo ele mesmo soberanamente realizar a sua análise acerca dos pressupostos recursais do RR), tem-se que o TST pode e deve fazer a análise das matérias da Revista, em casos como o dos autos, mesmo não havendo renovação destas em sede de AIRR.

A hipótese difere-se daquela em que se identifica no despacho denegatório a análise dos argumentos de mérito suscitados no recurso de revista, contra os quais deverá a parte, necessariamente, apresentar impugnação fundamentada no agravo de instrumento, situação alheia a dos presentes autos.

Não se trata aqui de inobservância do princípio da delimitação recursal, ou de subverter o princípio da dialeticidade.

Isso porque no presente caso não houve pronunciamento no despacho denegatório acerca dos temas suscitados no Recurso de Revista e, por conseguinte, não há como se exigir impugnação específica no Agravo de Instrumento de matéria não examinada na decisão agravada.

Afastada a intempestividade, nada obsta que o C. TST julgue de imediato a lide, conforme a metodologia tratada no art. 1.013, § 4º, do novo CPC, aplicado analogicamente, que visa diminuir a atividade processual, reduzindo as idas e voltas do processo do juízo de um grau para outro, em razão dos princípios da finalidade e utilidade processuais, assim como os da economia e celeridade.

Diante de tudo isso, há necessidade, no caso, de averiguar se o Recurso de Revista é tempestivo. E, restando atendidos este e os demais pressupostos extrínsecos, deve-se passar à análise dos argumentos da Revista, nos termos da Orientação Jurisprudencial n° 282 da SBDI-1 do TST.

O correto, nessa hipótese, é exigir da Agravante tão somente a impugnação ao fundamento adotado no despacho denegatório, ou seja, à suposta intempestividade, não se podendo considerar desfundamentado o AIRR no caso, sob pena de violação aos princípios da inafastabilidade de jurisdição, do juiz natural e do respeito às regras objetivas de determinação de competência, do devido processo legal, do amplo direito de defesa e contraditório, da entrega da completa e devida prestação jurisdicional com celeridade e economia processuais – violação direta aos arts. 5º, XXXV, LIII, LIV, LV e LXXVIII, e 93, IX, da CF; 896, § 1º, 897, alínea “b”, da CLT; 1.013, § 4º e 1.016, inciso III, do CPC/2015; bem como contrariedade à Orientação Jurisprudencial nº 282 da SBDI-1 do TST.

4 CONCLUSÃO

O tema do Agravo de Instrumento, como recurso próprio, com a finalidade de processamento de recurso obstado na origem, ainda é objeto de

controvérsia quanto a sua forma e requisitos no âmbito do Tribunal Superior do Trabalho.

Na opinião do autor do presente artigo, possuindo o Agravo de Instrumento, em determinado caso, a única finalidade de “destrancar” um recurso principal, deveria ser requisitado ao mesmo unicamente o combate ao despacho denegatório proferido pelo juízo a quo.

Têm-se em vista que o atual ordenamento processual civil, bem como a justiça trabalhista, visa a celeridade e a efetividade dos atos, ou seja, causar uma nova reprodução dos argumentos despendidos no recurso principal, que será analisado no caso de provimento do Agravo, somente causará tautologia, posto inclusive que o mesmo constará anexado ao presente.

Peças processuais demasiadamente extensas, causam uma sobrecarga desnecessárias tanto às partes quanto ao poder judiciário, sendo uma nova reprodução dos argumentos chamados de mérito, despedidos no recurso que se pretende o processamento e futuramente analisado, um formalismo injustificável.

REFERÊNCIAS

ASSIS, Araken de. Manual de recursos. 9. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2017.

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito processual do trabalho. 22. ed. São Pualo: Saraiva, 2007.

PINTO, José Augusto Rodrigues. Manual dos recursos nos dissídios do trabalho. São Paulo: LTr, 2006.

SCHIAVI, Mauro. Manual de direito processual do trabalho. 11. ed. De acordo com Novo CPC – São Paulo: LTr, 2016.

No documento QUESTÕES ATUAIS (páginas 137-143)