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DOC 7 A PRIMAVERA MARCELISTA: DUAS VISÕES DISTINTAS

No documento Ae Lh12 Dossie Professor (páginas 184-187)

OS FASCISMOS: IDEOLOGIA E PRÁTICAS

DOC 7 A PRIMAVERA MARCELISTA: DUAS VISÕES DISTINTAS

A. Toda a gente conhecia a minha dedicação ao regime […]. Nunca me neguei fosse ao que fosse

desde que servisse o regime que sempre defendi e no qual me integrei desde estudante […]. O que mais me preocupou, ao longo destes quatro anos, foi o ultramar e a segurança interna, coisa indispensável para dar àqueles que em Angola, na Guiné e em Moçambique generosamente se batem pela integridade de Portugal e pela sua grandeza histórica e territorial. […] Graças a Deus e a todos os que não se recusaram a tudo sacrificar por ela, hoje, a África constitui, ou deve constituir, a nossa principal preocupação.

Como sempre, […] temos uma Assembleia pluralista. Nesta legislatura, com nas anteriores, houve sempre homens – naturalmente todos bem-intencionados – mais virados à esquerda, à direita ou ao centro […]. A situação político-económico-social do país tem evoluído muito favoravelmente nos últimos tempos. […] O esforço que se está a fazer em todos os campos é enorme. […] Os re- sultados que vêm sendo obtidos com algumas medidas são evidentes. […] Desde que no acordo entre Portugal e o Mercado Comum se salvaguardem – e salvaguardaram-se – a unidade portuguesa e os fundamentos da sua política multicontinental, não vejo como virar as costas à Europa. […] Como discordar e esquecer que Portugal é europeu, embora também africano?

Francisco Cazal-Ribeiro, deputado da ala mais conservadora da Assembleia Nacional.

B. Tinha o dever de procurar contribuir para a alteração de um estado de coisas com que não

concordava […]. Tinha a obrigação de corresponder ao convite que me foi feito para participar nas reformas tendentes à liberalização do regime e à institucionalização do apregoado pluralismo polí- tico, a meu ver condições mesmas do progressivo desenvolvimento e da crescente autonomia do Ultramar e da própria metrópole. […] O que mais me preocupou, ao longo destes quatro anos, foi a questão dos direitos e liberdades da pessoa humana […]. Contra o que se tem afirmado, não consi- dero que a guerra nas províncias ultramarinas justifique a inexistência das liberdades públicas e dos direitos cívicos. […]

MÓDULO 8

Foi-se impondo na Assembleia e nas Comissões a disciplina da Ação Nacional Popular, progressi- vamente mais rígida e intolerante, o que teve como efeito o isolamento daqueles que, fiéis ao pro- grama eleitoral de 1969, prosseguiam na defesa do pluralismo, da liberalização e da democratização. […] Fomos intencionalmente reduzidos a uma oposição a que eram negadas quaisquer possibilida- des de discutir os seus projetos. […] Este retrocesso político traduz, a meu ver, uma reação de autodefesa do regime […]. No campo económico, e social, nota-se sobretudo o aterrador aumento dos preços e a permanência da emigração. […] Os acordos entre Portugal e o Mercado Comum são apenas comerciais, sem implicações políticas. Elas surgirão quando essa situação, que é transitória, evoluir para a […] adesão.

Francisco Sá Carneiro, deputado independente da ala liberal da Assembleia Nacional.

1. Identifique o Presidente do Conselho entre 1968 e 1974.

2. Selecione a opção correta para cada uma das seguintes afirmações:

1. De acordo com o documento 7A, uma das razões que esteve na origem da guerra colonial foi…

a) a reafirmação do princípio de Portugal como país pluricontinental, do "Minho a Timor", composto pela metrópole e pelas províncias ultramarinas.

b) a necessidade dos militares em mostrar a superioridade do armamento português e da capacidade defensiva de Portugal.

c) a necessidade de defender as províncias ultramarinas dos ataques das potências estrangeiras, no- meadamente da URSS.

d) a reafirmação do princípio de Portugal como país defensor da autodeterminação dos povos africa- nos.

2. A partir da perspetiva do documento 7A, a eclosão da guerra colonial ocorreu num contexto marcado pela…

a) condenação das metrópoles que favoreciam o princípio da autodeterminação dos povos.

b) condenação das colónias cuja ação era causadora de inúmeros mortos e feridos.

c) condenação do colonialismo pela ONU e pelos países não alinhados a partir da Conferência de Ban- dung.

d) condenação do princípio da autodeterminação dos povos e reafirmação dos princípios colonialistas e imperialistas.

3. A luta pela emancipação nas colónias africanas contou com a formação de movimentos nacionalistas como…

a) a FLA, a UPLA, a ULM e o PLCG.

b) a FNLA, a UNITA, a FRELIMO e o PAIGC.

c) a FNLAM, a ULPM, FREMOL e o PLGC.

d) a FANL, a ULPA, a FREMO e o PALGC.

4. A recusa de Portugal em reconhecer o direito à autodeterminação dos povos africanos provocou…

a) o cada vez maior isolamento das províncias ultramarinas, que estavam pressionadas para estabele- cer a paz com a metrópole e apoiar o governo português.

b) a aceitação na ONU e pelas potências internacionais da política colonial portuguesa, largamente seguida por outros países europeus.

c) a aceitação da política colonial portuguesa assente no federalismo conducente à autonomia pro- gressiva das províncias ultramarinas.

d) o isolamento de Portugal, que era cada vez mais pressionado internacionalmente para descolonizar, e o crescimento da oposição interna à manutenção da guerra colonial.

3. Compare as duas perspetivas acerca da "primavera marcelista", expressas nos documentos 7A e 7B,

quanto a três dos aspetos em que se opõem.

4. Explicite, a partir do documento B, três dos aspetos que revelam que a "primavera marcelista" foi um

período de transição falhada para a "liberalização do regime".

5. Ordene cronologicamente os seguintes documentos relativos à "primavera marcelista":

A – Publicação de Portugal e o Futuro, de Spínola; B – Abandono da ala liberal da Assembleia Nacional; C – II Congresso Republicano de Aveiro; D – Visita de Marcello Caetano a Londres; E – Crise académica de Lisboa.

Proposta de resolução

1. Identificação clara do Presidente do Conselho entre 1968 e 1974:

• Marcello Caetano.

2. 1 – a); 2 – c); 3 – b); 4 – d).

3. Comparação clara das duas perspetivas acerca da "primavera marcelista", referindo três dos se- guintes aspetos em que se opõem:

Doc. A – total identificação com o regime do Estado Novo; Doc. B – discordância relativamente a deter-

minados princípios que tinham de ser alterados;

Doc. A – o Ultramar e a segurança do país são considerados como assuntos fundamentais; Doc. B – a

inexistência de liberdade individuais é o assunto mais preocupante e para o qual não há justificação possível;

Doc. A – defesa da continuação da guerra colonial; Doc. B – defesa da independência progressiva do

ultramar;

Doc. A – defesa da Assembleia Nacional como um parlamento pluralista; Doc. B – defesa da Assembleia

Nacional como um parlamento onde se impede a discussão dos projetos da ala liberal;

Doc. A – a situação do país durante o marcelismo é vista positivamente; Doc. B – a situação do país é

vista com pessimismo, em consequência da inflação e da emigração;

Doc. A – defesa de que o Acordo entre Portugal e a Europa não implica o fim da política ultramarina; Doc. B – defesa de que o Acordo entre Portugal e a Europa irá provocar alterações na política interna do

país.

4. Explicitação clara de três dos aspetos que revelam que a "primavera marcelista" foi um período de transição falhada para a "liberalização do regime", de entre os seguintes:

• os sinais de abertura política e de liberalização foram contrariados;

• as propostas da ala liberal não eram discutidas na Assembleia Nacional, o que acabou por levar ao abandono dos deputados da Assembleia;

• o regime manteve os seus traços autoritários, continuando a não reconhecer os direitos e liberdades individuais ou alteração formal da designação das instituições do regime (ANP; DGS; Exame Prévio);

• reafirmação do princípio de Portugal como país pluricontinental do "Minho a Timor", composto pela metrópole e pelas províncias ultramarinas;

MÓDULO 8

• aprovação pela ONU de condenações sucessivas do colonialismo português, contribuindo para o isola- mento de Portugal na cena internacional;

• distanciamento dos setores conservadores face às medidas liberalizantes, das quais desconfiam e que vão impedir que sejam concretizadas;

• descontentamento no seio das forças armadas quanto ao impasse militar em que tinha caído a guerra colonial;

• contestação ao regime por parte dos setores oposicionistas ou dos católicos progressistas ou dos jo-

vens mobilizados para a guerra;

• dificuldades económico-financeiras do país devido à crise dos anos 70 ou aos gastos com a guerra

colonial;

• insuficiência das reformas no domínio económico-social ou do acordo comercial com a CEE ou das

medidas no domínio da segurança social.

4. (C) – (E) – (B) – (D) – (A).

No documento Ae Lh12 Dossie Professor (páginas 184-187)