• Nenhum resultado encontrado

Doces Palavras: Um Romance Mafioso Bratva

No documento P R O P R I E D A D E D O M A F I O S O (páginas 166-172)

certeza do mundo, residiam naqueles prédios. Estavam dormindo, como eu deveria estar também.

Levava comigo algumas anotações. Elas eram de extrema relevância para o que havia vindo fazer aqui. Eu ainda me lembrava do cara que me falou sobre este lugar. Aquele prédio desolado no próximo quarteirão era supostamente mais uma propriedade de uma gangue da bratva. Já viviam aqui em Chicago há décadas. Era tempo suficiente para que o chefe deles já tivesse perfurado raízes profundas em nosso sistema político. Talvez até mesmo Washington D.C. estava hoje sob o seu domínio.

Eu sabia que entrar lá para encontrar informações sobre eles não seria uma coisa fácil a ser feita, mas não podia fugir da minha responsabilidade. Esta era a minha chance de deixar minha marca no mundo. Todos pensavam que a bratva não existia aqui na América. A verdade era muito diferente disso. A máfia russa estava sim presente aqui. Para que alguém suspeitasse um pouco disso, bastava estudar a ascensão da criminalidade neste estado. Muitas pessoas pensavam que isso havia acontecido por causa da proibição do porte e posse de armas de fogo, mas mal sabiam eles que a máfia russa provavelmente tinha muitas mãos envolvidas por trás dessa nova lei.

O nevoeiro que rodeava os prédios, os carros e as pessoas não me faziam temer minha missão. Eu não tinha medo de ir em frente com isso. O prédio parecia vazio e também o tipo de local que eu consideraria a residência de cracudos, mas tinha coragem suficiente para não deixar que isso me abalasse.

Uma coisa positiva sobre este lugar era que pequenas áreas com grama separavam ele das outras propriedades. Não era bem como com os outros prédios da região. Não parecia ser de uma complexidade peculiar também. Parecia quase como algo tirado diretamente de um filme de qualidade duvidosa com vilões bregas.

Esse pensamento me fez rir. Os bratvas, que deveriam estar lá a essa hora da noite, eram como se fossem tais vilões. Os crimes que eles cometiam... Eu nunca poderia me esquecer deles.

Fiz meu dever de casa antes de vir aqui. Espiei o local, sentada dentro de meu carro por horas e dias enquanto estudava os homens que entravam e saíam do prédio. Se ao menos meu trabalho me pagasse mais do que pagava… Me lembrar disso já me deixava aborrecida. Se ao menos fosse esse o caso, eu poderia estar gozando de rios de dinheiro e não ter que estar aqui, para começo de conversa.

Desde meu primeiro dia no mundo, minha vida sempre seria como hoje era. Havia nascido pobre, e apesar de me considerar de classe média, sabia que tinha que continuar lutando com garras afiadas. Era uma sobrevivente, e isso não mudaria, mesmo se eu ficasse rica.

Levando em conta a veracidade do que sabia sobre o esconderijo deles, deveria ser possível para mim entrar no prédio agora sem grandes problemas. Eles viviam como vampiros.

Realizavam os seus crimes apenas sob a luz da lua. Durante o dia, eles dormiam, contavam seu dinheiro e enchiam a cara de cerveja.

Apesar da relevância dos seus planos aqui em Chicago, sabia que eles não eram a sua galinha de ovos de ouro. A bratva se alimentava de influência política e dinheiro provindo dos seus crimes de extorsão. Eles conseguiam puxar uns pauzinhos aqui e lá e mudar decisões de pessoas que de fato governavam os EUA. Eu me perguntava se até mesmo o próprio presidente estava envolvido com eles...

Sob a luz penetrante da lua, abri um sorriso. Se o presidente tivesse qualquer relação com os bratvas aqui em Chicago e no resto do país, então eu não só faria a nação tremer, como também todo o mundo conheceria o meu nome, ganhando o prêmio Pulitzer.

Talvez eu estivesse sonhando alto demais, mas nada me impedia agora. A rua estava deserta como a mente de um político, e poucos carros circulavam por este bairro, com a sensação de firmeza do silêncio que me cercava. Eu me encontrava sozinha como um pássaro em sua gaiola, mas não me sentia assim - alguns

amigos meus sabiam que estava aqui. Eles me ajudariam no caso de algo ruim acontecer.

E eu também tinha amigos no ramo de política. Quem havia me dito sobre este lugar era um dos congressistas mais influentes de Chicago. Eu não podia ter certeza sobre isto, mas parece que ele também estava encrencado com alguma coisa. Se ele era um vigarista e merecia ser expulso, então eu não teria pena dele também. Se havia um crime que me impedia de dormir, era a corrupção. Era a real razão por trás das mortes de muitos, apesar da não concordância da maioria dos nossos congressistas. Quem duvidava disso precisaria apenas olhar para o número de pessoas que não podiam receber tratamento nos hospitais, por escassez de verba.

Tinha conhecimento do banimento do porte de armas de fogo em Chicago, mas, por via das dúvidas, tinha uma comigo. Estava na minha cintura, para ser mais exata. Caso as coisas fossem de mal para pior, eu não teria medo de usá-la. Nada era mais importante do que sair disto viva e com todas as informações de que precisava.

Sabia que vários documentos detalhando os seus crimes estavam escondidos pelos quartos da propriedade...

Vlad

Seu torso tombou e caiu, me dando a impressão de que estava dormindo. Ela era linda. Tinha um rosto angelical que me fez querer beijá-la, e isso sem mencionar o resto do seu corpo, que era uma verdadeira delícia. Que coisa estranha era ter encontrado ela aqui.

Bem, não havia tempo a perder. Era hora de descobrir quem ela era.

Peguei a sua bolsa e abri o zíper, o som que isso fez muito alto para os meus ouvidos. Vim aqui fazer xixi e acabei encontrando-a bisbilhotando as minhas coisas. Havia uma grande probabilidade de que ela era uma espiã...

Peguei algumas folhas de papel e outros documentos dentro da bolsa dela, notando que eles continham informações sobre mim e

não sobre ela. Revistei dentro dos bolsos da sua calça e camisa -ainda ciente da sua beleza exuberante - e não encontrei nada.

Quem era ela? Essa mulher tinha que ter alguma documentação consigo.

Ah, claro. Ela não era uma pessoa comum, era? Talvez ela fosse uma espiã de uma outra gangue ou até mesmo do FBI. Não duvidaria nada disso.

Eu dei uma última olhada nela antes de me levantar. Havia apenas uma coisa a ser feita aqui, e ela não iria gostar disso. Desci, expliquei aos meus homens o que acabara de acontecer e fiz com que eles a levassem para fora. Não podíamos mantê-la aqui. Ela sabia demais sobre este lugar, o que significava que outras pessoas também sabiam sobre ele.

Meus homens entenderam minhas razões e a levaram para um SUV preto antes de sair. "Vamos levar ela para aquela cabana fora da cidade. O que está acontecendo aqui é sério demais, e não quero nenhum pio chegando aos ouvidos do chefe," eu ordenei enquanto eles dirigiam.

Algemei os braços e as pernas da bonita mulher, para o caso de ela acordar de repente. Não podia tomar nenhum risco.

Eu não me senti mal por ter batido nela com força.

Francamente, eu pensei que ela era uma boa lutadora, e isso sem mencionar que havia entrado furtivamente no prédio sem que ninguém a tivesse visto. Estava claro como uma lua cheia que ela era alguém especial, o que significava que descobrir a sua identidade era de extrema importância.

O SUV saiu da cidade e meu subordinado estacionou em frente ao nosso antigo esconderijo. Não o usávamos mais com muita frequência. Fazíamos uso dele em situações como esta apenas. Se ela encontrou aquele outro lugar, e ela assim fez, então precisávamos pensar em nos mudar de lá. Precisávamos encontrar um local melhor para nos esconder.

Meus homens carregaram a mulher para dentro do local e eu disse, “Lá embaixo, dentro do porão. Não há necessidade de sentir

pena dela. Ela sabia no que estava se metendo."

Eu os segui e observei enquanto eles a acorrentaram à parede traseira do porão. Sorri e disse, "Talvez eu dê uma barra de chocolate ou duas para vocês depois que eu terminar com ela."

Todos eles sorriram, brincando com algumas piadas. Eles não iriam ganhar nenhuma barra de chocolate e sabiam que havia sido apenas mais uma brincadeira minha. Sempre prometi a eles algo que nunca iria cumprir. Éramos amigos e nos dávamos muito bem.

Eu examinei a mulher acorrentada na minha frente. As correntes eram a única coisa que impediam que ela caísse.

Agora que tudo estava mais calmo, meu crush por ela aumentou ainda mais, e não achei isso estranho. Ela era uma mulher muito diferente das outras. Um pouco mais baixa do que eu, lábios carnudos e vermelhos, cabelo liso castanho escuro e parecia ter mais ou menos a minha idade. Eu me perguntei, mais uma vez, quem ela era.

Liguei para meu chefe e pedi para ele vir aqui. O pakhan logo estaria conosco, pensei com um sorriso tímido no rosto.

Eu dei uma última olhada nela antes de pegar uma cadeira e sentar do lado de fora da porta que levava ao porão. Eu poderia ter pedido a alguns de meus subordinados para vigiar a porta, mas decidi não fazer isso. Tinha uma obsessão por ela. Nunca alguém havia me desafiado daquela forma.

E ela não fez apenas isso. Ela também apontou uma arma para meu rosto e foi então que descobri que havia algo especial nela.

Talvez, porém, isso era nada mais do que o meu crush por ela falando mais alto do que deveria. Em todo caso, pensei enquanto acendia um cigarro, precisava ter certeza de que ela não escaparia, e a melhor maneira de fazer isso era ficar aqui vigiando esta porta...

Continue sua leitura AQUI

No documento P R O P R I E D A D E D O M A F I O S O (páginas 166-172)

Documentos relacionados