1.2 A INSTITUIÇÃO CENECISTA: NO PAÍS, ESTADO E MUNICÍPIO
1.2.1 Documentos da escola e práticas que integram a gestão
O fazer diário da gestão escolar está para ser realizado com o suporte dos documentos que estão constituídos a partir das exigências da legislação, ancorados nos documentos da rede e nos locais, em forma de atas, editais, pareceres e resoluções. Além da orientação
sistêmica para com os procedimentos a serem tomados diante das diversas situações, a cada dia precisamos tomar decisões baseadas no que apreendemos com a formação específica, formação continuada, leituras pessoais, interações no grupo da escola e fora dela. Enfim, a gestão da sala de aula como a da escola em seu todo, diante das subjetividades que constituem a história da instituição, demandam a exposição dos valores e verdades que temos enquanto sujeitos que desempenham função de gestão.
O processo avaliativo está regulamentado nos documentos da escola. É implementado conforme o regimento da instituição a partir de pelo menos três instrumentos de avaliação: para as turmas do vespertino, ou seja, até o 6º ano, o professor marca com os alunos as avaliações do trimestre; no matutino, em que estudam os alunos da 6ª série até a 3ª série do Ensino Médio, as avaliações realizam-se em datas definidas no cronograma elaborado a partir da combinação de cada professor com seus alunos, durante suas aulas, no início do trimestre. As datas e os instrumentos a serem usados nas avaliações são entregues por cada professor para a coordenação, a qual organiza o cronograma de cada série, expondo-o no mural.
Para os alunos que, eventualmente, não realizarem alguma avaliação parcial, há um peso previsto para esta, incluído na avaliação trimestral, para isso o professor faz o acompanhamento do peso que precisará ser agregado à avaliação trimestral de seus alunos. Em caso de impossibilidade de o aluno realizar a avaliação trimestral, terá neste trimestre a pontuação parcial, regularizando sua situação na prova trimestral do próximo período escolar. Para a prova trimestral da 8ª série e do Ensino Médio a escola define, com o grupo de professores destas séries, qual o peso e quantas questões de cada componente curricular integrarão a prova. Nessas séries os alunos desenvolvem a prova que inclui até três componentes.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação tem atenção para com o aluno que apresenta alguma dificuldade de aprendizagem, quando em seu art.12, inciso V incumbe as escolas de
“prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento”. Assim sendo, a escola
oferece aulas em turno inverso, para os alunos que apresentam dificuldades no aproveitamento. Com o atendimento individualizado ou em pequenos grupos, identifica-se e atendem-se necessidades no que se refere ao conhecimento dos conteúdos abordados, conforme plano de trabalho de cada componente. Com esta medida a escola atende ao artigo
recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento
escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos”.
A escola oferece estudos de recuperação no final de cada trimestre, possibilitando sanar deficiências na aprendizagem e a substituição da nota. Realizam a prova aos alunos com aproveitamento inferior a 60%. As avaliações de recuperação são oferecidas em dias alternados, sendo um componente a cada dia, além disso, os alunos que não atingirem a média 60 após as recuperações trimestrais, realizam a prova final, como recuperação global.
O texto da lei 9394/96, no art. 24 inciso V, determina que
a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos
qualitativos sobre os quantitativos “e dos resultados ao longo do período sobre os
de eventuais provas finais; b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar; c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado; d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; [...].
Como prevê a legislação (9394/96) no art. 31. “na educação infantil a avaliação far- se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de
promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental”.
Para a elaboração dos planos de estudo, a rede cenecista de cada um dos estados brasileiros convocou no último trimestre do ano de 2010, os coordenadores pedagógicos das escolas para encontro de capacitação para orientarem a construção dos planos nos seus espaços de trabalho. Ao retornarem do encontro estadual as coordenadoras reuniram-se com os professores, apresentaram as orientações e definiram os prazos do trabalho local, adaptando-os ao tempo para serem encaminhados para a UDR - Unidade de Desenvolvimento Regional em Porto Alegre, RS.
Os planos de estudo, com vigência a partir de 2011, apresentam a organização por área de conhecimento, sendo construído um objetivo e a ementa para cada área, bem como as habilidades e competências por componente curricular. Os professores fizeram suas produções a partir do material didático da rede e dos planos que vinham sendo trabalhados, que haviam sido elaborados em 2009. Em anexo aos planos de estudo, cada professor elaborou seu plano de trabalho, no qual constam os conteúdos e as referências bibliográficas. Nas séries iniciais, além disso, a metodologia integrou os planos de trabalho. Concluído o trabalho na escola, o CD foi encaminhado com os planos de Estudo para a UDR.
A proposta de Ensino a partir dos conteúdos, metodologias e formas de avaliação desenvolvida até o final da Educação Básica, tem, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no art. 35 Inciso IV, parágrafo 1º, as expectativas para com as condições
do aluno, sendo esse capaz de demonstrar: “domínio dos princípios científicos e tecnológicos
que presidem a produção moderna; conhecimento das formas contemporâneas de linguagem” (BRASIL, 1996).
Essa construção de conhecimentos demanda o desenvolvimento do que está previsto na lei quanto às incumbências dos estabelecimentos de ensino apresentadas no art.12; as incumbências dos docentes abordadas no art. 13 da mesma lei. A lei representando o instituinte poderá ter seus objetivos alcançados, a partir da participação e comprometimento dos gestores do processo quer da equipe diretiva como dos professores, de cada um dos níveis de ensino que integram a Educação Básica. Visa-se a “formar” o sujeito para a vida,
conforme o art. 22, “para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”.
A proposta de trabalho em que o conhecimento é concebido como processo em construção, motiva a pesquisadora a entender a formação dos sujeitos considerando o início da trajetória. O art. 31 da LDBEN apresenta os procedimentos nas formas de avaliação da Educação Infantil. Neste período, deve-se buscar desenvolver a criança “em seus aspectos físico, psicológico e social”, não desconsiderando que há o trabalho e responsabilidades da família que integram o trabalho da escola.
O art. 32 apresenta os objetivos do ensino fundamental, considerando até a conclusão
deste nível de ensino o objetivo da “formação básica do cidadão”. Os objetivos serão
alcançados mediante habilidades a serem desenvolvidas, como:
o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos habilidades e a formação de atitudes e valores; o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social (art. 32, incisos I, II, III e IV BRASIL, 1996).
Pode-se perceber que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, como o seu próprio nome diz, apresenta diretrizes para o trabalho a ser realizado em educação em cada
um dos níveis de ensino. A lei é clara com relação às habilidades e competências para serem desenvolvidas pelas escolas.
No item que aqui concluímos, abordamos aspectos relacionados com a forma que a escola organiza seu trabalho com vistas a atingir os objetivos que lhe são apresentados pela legislação e os quais reconhece como integrantes de suas metas de trabalho. Apresentamos a forma organizada para a realização das avaliações dos alunos nos três níveis de ensino, que considera as orientações da LDBEN vigente ao oportunizar formas de recuperação aos alunos com rendimento escolar que demanda um maior tempo e condições diferenciadas; a avaliação do aproveitamento diante do trabalho realizado com vistas à aquisição dos conhecimentos.
Até o momento, abordamos o processo desenvolvido. A seguir, trataremos do contexto em que esse processo se desenvolve a partir da organização das atividades e sua relação no tempo do espaço escolar: o calendário. Este está como uma “moldura” e não um quadro pronto. Em seu limite de tempo, a instituição escolar conta com o trabalho desenvolvido pela equipe diretiva e pelos docentes para a formação dos alunos, constituindo- se o fazer escolar fazendo referência aos aspectos relacionados aos dias de aula.