3. A EDUAÇÃO INFANTIL E O ENSINO FUNDAMENTAL NOS DOCUMENTOS
3.1. DOCUMENTOS NORMATIVOS E ORIENTADORES PARA EDUCAÇÃO
3.1.1. Os documentos de abrangência nacional
3.1.1.2. Documentos específicos para o Ensino Fundamental
- Projeto de Resolução, anexo ao Parecer nº 11 de 07 de julho de 2010 (BRASIL, 2010B)– Conselho Nacional de Educação13
, este documento destina-se a normatização do Sistema Nacional de Educação. A primeira consideração que merece ser destacada neste momento, tal qual a educação infantil, refere-se à articulação com as demais etapas de ensino, ou seja, com a educação infantil e o ensino médio, e ainda, considerando a divisão interna a que o Ensino Fundamental é submetido para atender as necessidades administrativas e estruturais da oferta, apresenta-se uma preocupação com a articulação entre os anos iniciais e finais do ensino fundamental. Quanto ao aspecto estrutural o documento está dividido em seções que tratam dos fundamentos e princípios para o Ensino Fundamental, matricula, carga horária, currículo, a especificidade do projeto político pedagógico que contemplar a organização do tempo, do espaço, gestão democrática, conteúdos, avaliação e articulação com as demais etapas de ensino enfatizando a especificidade do trabalho com os três primeiros anos do ensino fundamental. O
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A Resolução nº 07/2010, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, foi publicada em dezembro de 2010, sem nenhuma alteração no texto do Projeto de Resolução anexo ao Parecer nº 11/2010 – CNE. Portanto, optou-se por manter a redação visto que esta era a nomenclatura do documento disponível no momento em que a análise foi realizada. O Projeto de Resolução foi aprovado e disponibilizado em julho de 2010, porém aguardava homologação e despacho do Ministro da Educação para publicação no Diário Oficial da União.
Parecer nº11/2010 – CNE, não é um documento que possua força de lei como ocorre com a Resolução, porém este texto está fundamentado em autores que privilegiam as discussões relacionadas às condições socioculturais.
Embora no Ensino Fundamental existam estudantes de seis a 14 anos, no decorrer do texto é possível perceber uma maior preocupação com crianças nos três primeiros anos. O entendimento proposto neste texto é o de uma criança ativa, conforme se pode observar no item que recomenda aos professores
adotar formas de trabalho que proporcionem maior mobilidade das crianças nas salas de aula e as levem a explorar mais intensamente as diversas linguagens artísticas, a começar pela literatura, a utilizar materiais que ofereçam oportunidades de raciocinar, manuseando-os e explorando as suas características e propriedades (BRASIL, 2010b, p. 38).
Essa constatação é um avanço em relação ao ensino fundamental, pois possibilita compreender que, embora estejam no Ensino Fundamental, as crianças pequenas apresentam particularidades próprias de seu momento de vida.
- Subsídios para as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Básica: Diretrizes Curriculares Nacionais Específicas para o Ensino Fundamental - MEC (BRASIL, 2009c). O documento construído pelo Ministério da Educação visa amparar as discussões realizadas por entidades representativas dos Sistemas de Ensino, profissionais da educação, instituições de formação de professores e pesquisadores em educação, no intuito reformular as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, discussões essas que foram realizadas no formato de Audiências Públicas em Salvador, Brasília e São Paulo. Diante da ampliação do Ensino Fundamental e da intenção de construir uma diretriz orgânica para toda Educação Básica, o documento de subsídios busca a aproximação de elementos consolidados na Educação Infantil, como a ludicidade, a infância, o cuidar, e que são indicados como parte de um novo Projeto Político Pedagógico para o Ensino Fundamental. O documento aborda, ainda, o entendimento da educação como um direito e do ensino fundamental como a possibilidade de distribuição social do conhecimento e recriação.
- Ensino Fundamental de Nove Anos: Orientações Gerais – MEC/SEB (BRASIL, 2004a): o documento é produto da sistematização das discussões
realizadas em encontros regionais da cultura. A partir dessa premissa, observa-se um dos paradoxos inerentes aos estudos da infância relacionadas às privações e a exclusão em relação ao direito à educação. Neste documento são abordadas ainda questões relacionadas ao currículo, tempos, valores, prática pedagógica, dentre outras.
Considerando a discussão apresentada, é possível inferir que os gestores educacionais são os autores deste documento. As considerações provocadas pelas questões entre os gestores foram organizadas a partir de temas: I - educação com qualidade social, que aborda os índices de ingresso e conclusão do Ensino Fundamental como um das justificativas para ampliação e também algumas limitações observadas na organização do espaço, do tempo escolar e no entendimento do currículo. Aponta ainda que uma escola firmada como polo gerador e irradiador de conhecimento e cultura em que o desenvolvimento do aluno, compreendido em suas múltiplas dimensões, torna-se referência para organização do tempo e do espaço na escola. Esses aspectos são considerados significativos para a construção de uma “Escola com Qualidade Social”; II – ampliação do Ensino Fundamental para nove anos: neste tema apresenta-se o amparo legal para a ampliação, inclusive, com a utilização de elementos da Diretriz de Educação Infantil para revisão da proposta pedagógica e a especificidade da inclusão da criança com seis anos; III – Organização do Trabalho Pedagógico como princípio coletivo e que possibilita a formação do professor para o atendimento da criança com seis anos. Ao longo do texto evidencia-se a preocupação da equidade em relação ao acesso das crianças de classes menos favorecidas ao Sistema Educacional, bem como a qualificação da aprendizagem.
- Ensino Fundamental de Nove Anos: orientações para inclusão da criança de seis anos de idade, MEC/SEB (BEAUCHAMP; PAGEL; NASCIMENTO, 2007): este foi o primeiro documento a apresentar discussões teóricas cujo objetivo foi fortalecer o processo de debate de professores e gestores sobre a infância na Educação Básica e subsidiar a implementação da política de ampliação. Apresenta orientações organizadas na perspectiva do respeito às crianças como sujeitos da aprendizagem. O documento constitui-se em uma coletânea de textos cujos autores, na sua maioria, possuem considerável reconhecimento acadêmico no campo de
estudos da infância. Os textos que tratam das especificidades da infância, do brincar, das diversas expressões da criança, das áreas de conhecimentos, alfabetização e letramento, avaliação e a organização do trabalho pedagógico, mesmo escritos por diferentes autores, articulam-se pela coerência no entendimento de criança, da infância e da escola onde a criança possa viver as especificidades da infância ao mesmo tempo em que se apropriam de conhecimentos que constituem o Ensino Fundamental e também do referencial teórico da psicologia, filosofia, pedagogia, história, da linguística e inclusive da sociologia da infância.
- Ensino Fundamental de Nove Anos: passo a passo do processo de implantação, publicado pelo MEC-SEB (BRASIL, 2009d): este documento visa subsidiar gestores educacionais, Conselhos de Educação e comunidade escolar no processo de implantação do novo Ensino Fundamental. Por tratar-se de um documento de caráter instrumental não são apresentados referenciais teóricos que o fundamentam porém é possível compreender que sua constituição ancora-se na mesma perspectiva teórica dos outros documentos publicados pelo MEC sobre o assunto. Assim, apresenta todo embasamento legal que normatiza a etapa de ensino seguida de todos os encaminhamentos necessários para regulamentar a oferta. Ao final do documento apresenta-se, ainda, um rol de perguntas e respostas frequentemente realizadas ao MEC. Entre os questionamentos prevalecem questões referentes à transferência, matriculas, nomenclatura, formação de professores, currículo, organização das turmas e livros didáticos.