Para a modula¸c˜ao o DVB-T2 carrega evolu¸c˜oes em rela¸c˜ao ao primeiro padr˜ao e algumas novidades para a radiodifus˜ao. Al´em de permitir constela¸c˜ao de maior ordem (at´e 256-QAM), neste padr˜ao tamb´em pode ser habilitada a rota¸c˜ao de constela¸c˜ao. Por´em, o ganho trazido pela rota¸c˜ao ´e condicionado ao canal em que o sinal est´a trafegando e `a ordem da constela¸c˜ao. Os resultados obtidos em (POLAK; KRATOCHVIL, 2012) mostram que os desempenhos dos sistemas com e sem rota¸c˜ao s˜ao quase iguais para um canal AWGN e, segundo Breiling, Z¨ollner e Robert (2014), quanto menor for a ordem da constela¸c˜ao maior o ganho obtido. O DVB-T2 realiza a transmiss˜ao do sinal em PLP‘s (Physical Layer Pipes), permitindo a transmiss˜ao de v´arios servi¸cos, ou seja, cada PLP
corresponde a um sinal de v´ıdeo j´a codificado.
Com o intuito de tornar mais flex´ıvel o dimensionamento do sistema de transmiss˜ao o DVB-T2 normaliza oito padr˜oes de piloto espalhadas que diferenciam ente si pela quantidade desses dados de referˆencia em um s´ımbolo OFDM. A Figura 23 mostra dois padr˜oes de pilotos.
Figura 23: Padr˜oes de pilotos espalhadas do DVB-T2: (a) PP1: Maior n´umero de pilotos, (b) PP8: Menor n´umero de pilotos.
(a) PP1
(b) PP8
Fonte: Adaptado de (ETSI TS 102 831 v1.2.1, 2012).
A Figura 23(a) mostra o PP1, o padr˜ao que possui maior n´umero de pilotos em um s´ımbolo OFDM. A Figura 23(b) mostra o padr˜ao com menor n´umero de pilotos entre os oito padr˜oes dispon´ıveis, o PP8. Analisando essas Figuras ´e poss´ıvel perceber que o n´umero de dados (quadrados brancos) transmitidos sobre o mesmo s´ımbolo OFDM ´e maior em PP8 que em PP1, ao passo que a transmiss˜ao utilizando PP1 se torna mais robusta por haver maior n´umero de pilotos. As pilotos de borda (quadrados hachurados) aparecem em todos os padr˜oes em mesma quantidade e nas mesmas posi¸c˜oes e, segundo ETSI TS 102 831 v1.2.1 (2012), s˜ao inseridas a fim de permitir a interpola¸c˜ao em frequˆencia at´e a borda do espectro. Portanto, a escolha do padr˜ao utilizado deve ser tomada considerando o cen´ario de transmiss˜ao (ambiente urbano ou rural, sistema m´ovel ou fixo, etc) e an´alise dos parˆametros Taxa versus Robustez.
O modo estendido de portatoras aumenta a eficiˆencia espectral. Para 8K, 16K e 32K de tamanho de FFT o modo estendido de portadoras permite uso de mais portadoras por s´ımbolo o que consequentemente aumenta a capacidade (EIZMENDI et al., 2014). A
Figura 24 mostra uma compara¸c˜ao do espectro para os diferentes modos.
Figura 24: Detalhe do espectro te´orico para intervalo de guarda de 1/8 (para canais de 8MHz).
Fonte: Adaptado de (ETSI TS 102 831 v1.2.1, 2012).
O DVB-T2 substituiu os codificadores de canal usados no DVB-T (Reed-Solomon concatenado com Convolucional) pela concatena¸c˜ao dos c´odigos BCH (externo) e LDPC (interno). Junto com obit interleaver e o modulador esses codificadores formam o BICM (Bit-Interleaver Coding Modulation). O c´odigo LDPC ´e o substituto do Convolucional como codificador interno. Ele tem atra´ıdo a aten¸c˜ao em v´arios campos de comunica¸c˜oes sem fio por atingir caracter´ısticas de BER aproximando do limite de Shannon (SHITOMI et al., 2012). O uso do LDPC ´e respons´avel pelo aumento de robustez se comparado com DVB-T, enquanto que o codificador BCH ´e destinado `a redu¸c˜ao do error floor do LDPC (EIZMENDI et al., 2014). Segundo ETSI TS 102 831 v1.2.1 (2012), o ganho de BER alcan¸cado ap´os o codificador interno (LDPC versus Codificador Convolucional) ´e da ordem de 5 dB.
Em Novembro de 2015 o DVB lan¸cou um documento chamadoA Long Term Vision for Terrestrial Broadcast - Study Mission Report of CM-T(DVB, 2015), no qual ´e apresentada uma vis˜ao do que se espera ser o papel da transmiss˜ao terrestre na d´ecada compreendida entre 2020 e 2030. Entre as previs˜oes est˜ao: consumo de conte´udo sob demanda pr´ e-carregado atrav´es de transmiss˜ao terrestre (espera-se que o servi¸co debroadband n˜ao estar´a dispon´ıvel satisfatoriamente a todos os domic´ılios); transmiss˜ao terrestre ser´a distribu´ıda pela rede dom´estica do usu´ario ap´os ser recebida no domic´ılio; programas e servi¸cos da transmiss˜ao terrestre ser˜ao completamente integrados dentro do mundo”all-IP”, mas sem
a necessidade substitui¸c˜ao doTransport Stream da transmiss˜ao terrestre pelo mecanismo IP.
A partir das previs˜oes s˜ao feitas 14 recomenda¸c˜oes. Na lista abaixo foram destacadas algumas das recomenda¸c˜oes julgadas pelo DVB (2015) como de alta prioridade.
• Canal de retorno
• Transmiss˜ao terrestre em redes dom´esticas
• Pr´oxima gera¸c˜ao da camada f´ısica
• Convergˆencia para um padr˜ao global
Para o canal de retorno DVB (2015) explica que com esse recurso as redes de radi-odifus˜ao ficar˜ao cientes do hist´orico individual de uso bem como das condi¸c˜oes t´ecnicas de recep¸c˜ao. Sobre a transmiss˜ao terrestre em redes dom´esticas DVB (2015) afirma que dispositivos conectados `a rede devem ser capazes de facilmente encontrar e acessar conte´udo de transmiss˜ao terrestre dentro de casa. Visando uma eficiˆencia espectral aprimorada, DVB (2015) recomenda que uma pr´oxima gera¸c˜ao de camada f´ısica seja desenvolvida a fim de substituir integralmente as redes DVB-T e DVB-T2. Sobre a convergˆencia para um padr˜ao global, DVB (2015) argumenta exemplificando os ecossistemas m´oveis que convergiram para um padr˜ao global(4G, 5G).
O texto de DVB (2015) deixa clara a inten¸c˜ao da organiza¸c˜ao europ´eia em desenvolver a transmiss˜ao terrestre a condi¸c˜ao de uma plataforma que converge tecnologias e servi¸cos, bem como est´a dentro de suas perspectivas a padroniza¸c˜ao global de um sistema de transmiss˜ao e recep¸c˜ao de TV terrestre.