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2. APRESENTAÇÃO DOS ACHADOS

2.3. E STRATÉGIAS UTILIZADAS PARA LIDAR COM A PARENTALIDADE

O exercício da parentalidade confrontou os Pais com a falta de preparação e de experiência prévia para poderem comparar experiências e sentirem confiança na prestação de cuidados, e conduziu-os a irem ADOTANDO ESTRATÉGIAS DE APRENDIZ NA RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS, como formular e agir sobre as questões de cuidados infantis e de parentalidade, tarefas diárias de resolução de problemas, onde se inclui a aquiescência da necessidade da sua ação pessoal,

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Avaliando as situações e a necessidade de agir de um outro modo parece ser um dos passos

de uma “escalada” de aprendizagem parental iniciada no puerpério.

“estou a ver, se... se piorar vou para as urgências, se não piorar... se vejo, se vir que ele melhora, deixo-o estar aqui para já, espero que melhore, só se piorar é que vou ter que ir” (Sílvia)

Uma estratégia fundamental que os Pais adotam no processo de resolução de problemas parece ser a aprendizagem experiencial. Por um lado, sentem que precisam de ir fazendo

para aprender, e assim se entregam por inteiro à prestação de cuidados; por outro,

reconhecem que não são peritos e que precisam de ir experimentando estratégias para prestarem melhores cuidados, monitorizando a sua eficácia pelas reações do recém-nascido.

“eu mudo à... à minha maneira, faço as coisas à minha maneira, eu tenho que aprender! (risos), senão... não aprendo e assim aprendo mais rápido” (Sílvia)

“se ela sorri, para nós já é um sossego, então as coisas já estão ali, ela já aceitou, se ela não sorrisse ou se ela se manifesta de outra forma, então é porque já está a mostrar desagrado, já não é bem assim e… e nós mudámos, nem que se seja a posição, não é?!” (Ricardo)

Em situações idênticas, no futuro, responderão de forma mais ágil e adequada aos problemas ou necessidades do filho. O valor da experiência parece ser, assim, enaltecido, surgindo como um recurso fundamental e um alicerce da aprendizagem e da formação experiencial, numa altura em que estão conscientes de que “nenhum de nós percebe nada disto, ehm… e por isso,

estamos os dois em formação inicial…” (Ricardo).

Observando outros a cuidar, quer no contexto hospitalar quer em casa, aprendendo com conselhos de familiares, discutindo os cuidados com o cônjuge e mobilizando conhecimentos (sobretudo técnicas e procedimentos aprendidos no curso de preparação para

o parto que frequentaram), são outras das estratégias que os Pais adotam para fazer face aos problemas que encontram na prestação de cuidados.

“ia vendo… uma das coisas que me deu à-vontade, por exemplo, para pegar nela foi ver as enfermeiras a pegar nela com muita à-vontade, portanto… e tudo o mais e tal…, a partir daí eu deixei de pegar num bibelô que ia partir e comecei a pegar (risos) na, na criança…” (Ricardo)

“claro que uma pessoa ao primeiro não sabia… não sabia de nada… (…) os primeiros dias teve, teve que ser assim, uma pessoa teve que aprender algumas coisas através… dos outros familiares, não é?!” (Vasco) “acabamos sempre por, por o assunto ser ela ou se vamos dar banho àquelas horas ou se amanhã como é que vamos fazer ou se... (risos) e “ah, ela hoje está mais rabugenta, porque é que será, porque é que não será?! Será que foi por causa disto, será que foi porque estava aqui muita gente?! Olha, se calhar da próxima vez é melhor não... não estar a... a dar de comer na sala, é melhor ir para o quarto que está mais calma, porque....”, pronto, trocar essas ideias e...” (Daniela)

“eu acho que o que aprendi no curso (...), que já me... que foi um bom apoio e quero-me seguir por o que eu aprendi lá, nas aulas de preparação para o parto e...” (Sílvia)

A necessidade de informação acerca de questões gerais de saúde, do comportamento neonatal e dos cuidados a prestar ao bebé aparece como uma inquietação constante neste período, que leva os Pais a recorrer a ajuda externa para resolver as suas dúvidas/problemas, questionando:

“uma pessoa também quando tem dúvidas também pergunta…” (Vasco). A extensão desta

ajuda e as fontes mobilizadas, fontes próximas, questionando familiares e amigos, ou ajuda profissional, questionando profissionais de saúde, parecem variar de Pais para Pais, pelas

expectativas que têm sobre como os outros poderão ajudar. Em questões banais do quotidiano com a criança, o recurso mobilizado é a família, especialmente a avó materna, ou os amigos que já são Pais, buscando informação acerca da (a)normalidade da situação e sobre o que fazer, mas este recurso é substituído pelo profissional em questões de saúde ou de maior gravidade. O pediatra é visto como “um aliado” neste processo, assim como a enfermeira que conduziu o curso de preparação para o parto, nas questões relacionadas com a amamentação.

“À minha mãe... é... ligo logo para a minha mãe, a perguntar como..., claro! Ela já sabe, não é?!, de resto..., ou à minha mãe ou então.... pessoas amigas, que já tiveram filhos, sei lá..., (...) eu sentia a mama dorida… e ele também não… não agarrava… e eu depois até liguei para a enfermeira Rita (...) a dizer o que, o que é que seria” (Sofia)

“o pediatra poderá ser um… um aliado também de toda a hora, não é?!, ahm… como foi em tempos a obstetra, não é?!, (...), a qualquer hora do dia se ligava e era uma… sempre uma voz confortante, no sentido de dizer que “é normal” (Manuel)

A pronta acessibilidade dos familiares, aliada à detenção de conhecimentos científicos na área, faz com que a escolha recaia em profissionais de saúde que cumulativamente sejam membros da família alargada, como tias e primas enfermeiras, questionando profissionais de

saúde da família, que outorgam maior credibilidade à informação obtida de um modo

informal e fácil.

“quando me surgiram algumas dúvidas mais profundas, alguma coisa que eu realmente não..., telefonei à minha tia, que é enfermeira, e foi ela que me... que me ajudou... e que me esclareceu essas dúvidas. E é a pessoa que eu acho que tem mais conhecimento no fundo, porque pronto, as nossas mães têm, mas é o conhecimento de..., portanto, essa minha tia não, já foi parteira também (...), e sinto-me à-vontade se lhe perguntar... e sei que... que ela que é... a pessoa mais indicada para... para me esclarecer” (Daniela)

Solicitando confirmação externa in locu sobre a normalidade da situação-problema

apresentada pelo bebé evidencia, não obstante, que o recurso ao questionamento de familiares ou profissionais da família nem sempre é suficiente para tranquilizar as puérperas.

“liguei para a minha mãe a dizer que o menino “ó mãe, o menino tem isto… é grave?”… e ela… e ela assim “não te preocupes, que isso é normal as crianças ganharem… e no inverno então é que é! Tu… tu nasceste no inverno, ganhaste tantas vezes isso…” e eu depois disse-lhe “mas anda aqui ver o menino, em antes de ires trabalhar, para ver se é mesmo normal” (Sofia)

Há também outras situações em que os conselhos dos familiares e amigos não são vistos como uma ajuda para enfrentar os desafios da parentalidade e, por isso, são declinados.

“Dizer-me para eu fazer isto ou para fazer aquilo?! Não... Eu sei aquilo que tenho para fazer, não... claro, se... se eu estiver errado e aquelas pessoas com mais experiência do que eu me disserem “olha que estás a fazer mal isto..., se calhar se fizeres assim é melhor!”, aceito, agora, se eu estiver a fazer bem e me vierem dizer..., se eu achar que estou a fazer bem e me vierem com... com conselhos disparatados claro que não..., isso não... não acato, não é?!” (Anselmo)

Rejeitando conselhos é, por isso, uma estratégia de seletividade da informação que os Pais

recebem de familiares e amigos. Por outro lado, a forma como é procurada ajuda na resolução de problemas, quer seja para definirem o problema, determinarem a ação ou para receberem um feedback acerca da estratégia de resolução de problemas adotada, parece influenciar a avaliação que os Pais fazem da sua competência parental.

Com 4/6 meses de experiência como prestadores de cuidados, os progenitores estão mais confiantes sobre como formular e agir sobre algumas questões de cuidados infantis e de

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parentalidade, mas não completamente autónomos na resolução de problemas. Deixam de sentir a necessidade constante de buscar informação acerca da (a)normalidade da situação e sobre o que fazer em questões triviais do dia a dia infantil, não sentindo necessidade de

questionar. Recorrem apenas a ajuda externa em situações atípicas e pontuais. Fazem-no

recrutando, igualmente, fontes próximas ou profissionais, dependendo da natureza e do grau de seriedade do problema.

“uma pessoa procurou menos, não é?!, ao primeiro uma pessoa procurava mais, não é?!, qualquer coisinha… uma pessoa “ei, é assim que se faz?! E não-sei-quê mais…”, agora uma pessoa não, agora uma pessoa também… como já sabe, não é?!” (Vasco)

Pese embora se percebam com discernimento para desemaranhar as dificuldades/dúvidas do exercício parental, a validação profissional continua a ser muito importante para os Pais, que reconhecem na parentalidade a falta de uma ciência exata. Para Sílvia, telefonar à investigadora é a forma encontrada para descredibilizar a informação/pressão que recebe dos seus familiares e poder prosseguir com o percurso que idealizou para si e para o filho.

“era mais ou menos o entendimento que a gente já tinha sobre… sobre isso, só que…, lá está, por vezes é preciso… ouvir alguém com… com gabarito para falar da coisa, porque isso sossega, (...), ligámos e quando temos uma situação não entrámos cá com meias medidas, (...), isso também implica que não andemos aqui na dúvida, temos essa facilidade, qualquer coisa, à distância de um telefonema....” (Ricardo)

“a pessoa para quem eu ligo é para a enfermeira Catarina [referindo-se à investigadora], que é a única pessoa que… a quem eu procuro apoio porque… de resto, a minha família… uns dizem umas coisas, do lado do meu marido, outros dizem outras (…) a minha sogra diz para fazer de uma maneira e já não é aquilo que eu acho que deve ser e…” (Sílvia)

A competência que os Pais foram adquirindo ao longo do tempo permite-lhes, cada vez mais, avaliar as situações antes de atuarem e agirem por precaução. São capazes de detetar sinais clínicos de doença ou desconforto no bebé e de os monitorizar e minimizar sem serem dominados pelo stress e ansiedade que, antes, os faziam recorrer de imediato aos serviços de saúde: “nem fiquei muito stressada como quando ele ficou internado, fiquei foi sempre a

vigiá-lo…” (Sílvia); “também não ia a correr para o médico ver o que é porque se não ele ainda me dava uma corrida.” (Clara).

A mobilização de conhecimentos adquiridos em situações formais ou informais de aprendizagem no passado e a seletividade da informação recebida de outros cuidadores, rejeitando conselhos que não sejam proveitosos, permanecem estratégias de resolução de problemas adotadas pelos Pais aprendizes.

Episódios de doença ou choro contínuo do bebé perturbam os Pais e impele-os a restaurar a saúde e bem-estar comprometidos, TOMANDO DECISÕES EM SITUAÇÕES-PROBLEMA. No

puerpério, a trilha da resolução é marcada por muitas indecisões e retrocessos, tomando decisões nem sempre assertivas e lineares. Por um lado, os progenitores sentem necessidade de recorrer aos serviços de saúde e a terapêutica medicamentosa para solucionarem os

problemas com os quais não conseguem lidar, por outro, nem sempre cumprem prescrições ou orientações clínicas, decidindo, autonomamente, a sua suspensão.

O recurso a instituições públicas de saúde é uma decisão tomada depois de outras alternativas terem sido equacionadas e abandonadas por questões pragmáticas de indisponibilidade clínica, alheias à vontade dos Pais, “tentámos logo falar com a… com a… a… a pediatra, só

que ela não estava de serviço entretanto e tudo o mais…, aqui, ali e acolá, pronto, acabámos por ir ao hospital, às urgências…” (Ricardo), ou pelo dispêndio económico que teriam de

suportar “porque a clínica é cara!” (Anselmo), recorrendo ao hospital como último

recurso. A preferência dos Pais, que realizam vigilância de saúde infantil em instituição

privada de saúde, recai sobre o pediatra e a clínica habitual, seguida de outras opções de saúde, em detrimento do hospital, que chega a ser mobilizado num registo favorecido pela proximidade familiar a uma enfermeira do serviço de urgência, “isso foi uma questão de

facilidade, não foi uma questão de opção, não é?!” (Ricardo).

“Não, foi ir à clínica, depois de… como a clínica não estava, tentei ir… ao… não pensei no hospital, não sei porquê, mas pronto, tentei ir ao hospital privado de Viana, depois do hospital fiz, fiz… fiz, tentei arranjar uma série de soluções…, soluções a nível de… era médico, basicamente, ahm… ocorreu-nos a questão de ir ao hospital…, pronto, precisávamos…” (Ricardo)

A linha telefónica Saúde 24 é para os Pais, que não usufruem de vigilância de saúde infantil privada, uma alternativa privilegiada para evitar o recurso ao hospital, confiando e cumprindo as suas indicações, que podem culminar na inevitabilidade hospitalar.

“liguei para a linha “Saúde 24” a explicar a situação… e eles perguntaram-me como é que ele estava, o que é que tinha, o que é que não tinha… e depois aconselharam-me a ir… ao hospital, (…) mandaram um fax para lá e foi assim que nós fomos. (...) E acho que muitas vezes é… é mais prático utilizar, ahm… esse tipo de assistência, neste momento, do que ir diretamente a correr para o hospital…” (Anselmo)

Porque a situação problemática aconteceu mais do que uma vez, nunca tinha acontecido antes, não havia melhorias, não era de resolver por telefone e parecia indicar que o bebé não podia estar bem, os Pais acabam decidindo recorrer aos serviços de saúde, opção que parecia ser a única solução para apaziguar o desconforto do recém-nascido e lhes proporcionar tranquilidade, quando se veem sem conseguir esperar mais: “só que depois de mais uma hora

ela assim…” (Daniela).

“pronto, deixou-nos mesmo preocupados porque foi uma situação nova… e nunca tínhamos visto ela a fazer aquilo (riso)… e como aconteceu isso à noite, e depois voltou a acontecer no outro dia de manhã, e já tinha acontecido no dia à tarde, (...) nós achávamos que ela realmente tinha qualquer coisa… que ela tinha algum problema de saúde… (...) achámos que a solução era mesmo levá-la ao médico, pronto… (risos) só assim é que dava para ficar mais descansada e… e foi isso que fizemos, ehm, paciência!” (Daniela)

Socorrer-se de ajuda familiar parece nem chegar a ser ponderado por esta puérpera, que não queria incomodar ninguém à noite: “a situação foi durante a noite, não é?!, durante a noite

não ia estar a ligar às pessoas…” (Daniela). Para outra mãe, ter recorrido a ajuda materna

não é suficiente para se sentir confiante sem assistência profissional.

“ela veio ver e ela assim “oh, o menino não te faz nada…”, mas faz “olha ele, está a fazer! (...) vou ligar para o pediatra” e ela assim “não ligues, não vale a pena!” e eu “ai, eu vou ligar” e ela “pronto, tu é que

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Decidindo administrar terapêutica anticólicas é uma solução encontrada por Pais

desesperados, que procuram na internet respostas sobre posologia e indicação terapêutica que auxilie a sua decisão.

“É… aquele acumular de tensão, quer dizer, ela vinha… vinha já de… de… de uma noite mal passada…, depois… de uma manhã mal passada, uma tarde mal passada… e a gente não tinha ido à consulta ainda à pediatra, e estávamos naquela insegurança se lhe poderíamos dar ou não o Colimil®…, entretanto fizemos algumas consultas, fomos beber à internet alguma informação e tudo o mais, ehm… pronto, e depois do… decidimos, vamos-lhe dar o Colimil®, porque aparentemente… já… já tinha idade para isso” (Ricardo)

Nem tudo o que é prescrito e aconselhado pelos profissionais de saúde é, no entanto, cumprido pelos progenitores, que parecem ter uma palavra a dizer na resolução de situações- problemas que afetam a saúde e bem-estar do filho. A perceção de indicação terapêutica duvidosa, de má adesão do bebé, de indisposição e sufoco do bebé após a sua toma e de que a terapêutica decorria há tempo a mais, leva-os a ponderar decisões clínicas, suspendendo

terapêutica anticólicas prescrita.

“nós nunca mais demos o chá, eu também não sei até que ponto… o chá… muitas informações que tive, o chá nunca foi… nunca foi mencionado, de muitos remédios, ahm… embora o chá seja indicado para esse tipo de… de situações, (...) cólicas e tudo o mais… para adultos, porque ela o que fez foi dar… (…) foi desconcentrar o… desconcentrar um bocadinho o produto (...) só que aquilo…, é assim, primeiro era complicado porque ela não…, tínhamos que lhe dar o biberão e ela… não pegava muito bem no chá, ahm… e no Colimil® era uma… é uma alegria, (...) depois… já estávamos no Colimil®, andávamos sempre com aquela coisa do Colimil®, também dar-lhe Colimil® todos os dias e tudo o mais, um dia a Daniela tirou-lhe o Colimil®, à noite, ahm… pronto, nunca mais lhe demos Colimil®, já para aí há…” (Ricardo)

Não cumprindo orientações do ortopedista é outra decisão autónoma que colide com o

aconselhamento sobre o uso de dupla fralda num recém-nascido com suspeita de displasia de desenvolvimento da anca. Ancorando-se no facto de que ninguém deu a certeza do diagnóstico, nem o pediatra deu muita importância à situação clínica, a resposta dos Pais é descontínua, especialmente porque consideram causar incómodo ao bebé na época de verão e não confirmam um comprometimento dos movimentos do filho.

“eu agora… olhe, o ortopedista, quando eu fui lá ele disse “eu acho que o menino não tem nada, mas sem fazer o exame… não vou dizer a certeza”…, fui ao… ao pediatra, quarta-feira, ele também disse “o menino, para mim, não tem nada, mas como nasceu sentado, eles têm sempre que ser vigiados, ele tem estado tanto calor e eu assim “oh, coitadinho do menino, com duas fraldas!, (...), quando está assim muito calor não meto. (...) Se as pessoas dissessem assim “eu acho que tem”, aí eu… claro, mas oh está tanto calor” (Sofia)

A procura de suporte profissional volta a ser acionada em problemas de amamentação, numa tentativa de apaziguar o “trauma” e o “desgosto” que a escassez de leite materno representa para mães motivadas a amamentar o seu filho.

“pelo facto dela não ter…, para já, o leite suficiente para o… para o bebé, isso acho que de certa forma é traumático, acho que deverá ser traumático para qualquer mãe que queira amamentar um filho a… com o leite, e penso que essa… esse nervosismo que às vezes é um desgosto e não-sei-quê, não sei que mais, acho que se calhar foi essa mais a situação de tentar controlar essa situação da ansiedade dela” (Manuel)

Para além do acompanhamento médico do pediatra, em quem se confia o desfecho da tomada de decisão, “aquilo que ele disser é aquilo que nós vamos fazer, por isso é que vamos lá, (…)

para que ele nos aconselhe da melhor forma.” (Manuel), o impacto desta situação é

amamentação sem dramatismo. Procuram tranquilizar a esposa, encarar a situação com

naturalidade e sem dramatismo, destacar que há soluções alternativas, tentar estimular a produção de leite, numa tentativa de reverter a situação, enquanto vão vendo a evolução.

“É assim, encarando isso com naturalidade, (…) se houver leite suficiente, materno, suficiente para ele se… se sustentar dessa forma, ahm… tudo bem, se não houver, também não há que haver dramatismos e… e parte-se para a situação do… do aleitamento artificial, sem problema nenhum, (...), vamos ver a evolução, manter a calma, tentar que ele mame, (...), pode ser que resulte numa… numa maior… numa maior produção de leite, vamos lá ver.” (Manuel)

Os meses que se seguem ao puerpério, parecem não ser marcados por muitas situações- problema que exijam tomadas de decisão parental. Apenas a doença do filho continua a preocupar os Pais e justifica socorrerem-se dos serviços de saúde em busca de uma resolução. Clara chega a recorrer três vezes ao pediatra porque, apesar de ser primípara e pela primeira vez confrontada com sinais clínicos pediátricos de doença, não se conforma com as medidas terapêuticas instituídas, que não promovem uma rápida regressão da sintomatologia apresentada. A primeira visita foi realizada por uma questão de precaução, mas as seguintes porque achava não se tratar de uma situação normal, exigindo perseverança da sua parte.

“inclusive, fui três vezes ao pediatra porque a primeira, pronto, foi… foi para precaver, a segunda entretanto ele já… eu já achava que não era muito normal andar quase uma semana, mas ele ainda não estava assim naquele estado mesmo… ahm, e ele, pronto, aí disse “ah, um Ben-u-ron® e isso passa”, mas eu achei que aquilo não era muito normal, insisti outra vez, (...), ele aí viu que não havia hipótese, já quase há uma semana e qualquer coisa e ele a fazer sempre aquilo, não é muito normal, então deu-lhe o antibiótico (...), fui persistente, tipo isto não é normal, acho eu que não é normal, embora seja o primeiro, (...) e insisti” (Clara)

PARTILHANDO OU ASSUMINDO DIFERENTES TAREFAS representa a organização muito própria que cada casal adota para fazer frente às tarefas e responsabilidades que se multiplicam após o nascimento do bebé. Parece haver uma cooperação entre o casal quando os seus membros trabalham/atuam ao mesmo tempo e para o mesmo fim, prestando cuidados em conjunto,