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Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho – Avenida Ipiranga, 80 – República

Figura 23 – Localização do edifício Esther Arthur Nogueira. Fonte: GEGRAN, setembro de 1974. Escala 1:2000.

Figura 24 – Edifício Esther Arthur Nogueira. Foto: Larissa Cipolla - 19.02.10.

Figura 25 – Detalhe do edifício Esther Arthur Nogueira. Foto: Larissa Cipolla - 19.02.10. Índices Urbanísticos e Arquitetônicos

Corpo principal da edificação: volume isolado Terreno:1.750 m² / 18,50 X 40,00 m / retangular Taxa de ocupação: 72% / 1.250 m²

Coeficiente de aproveitamento: 8,0 / 14.400 m²

de área construída

Gabarito: 11 pavimentos (térreo + 10) Altura: 41,90 m

Orientação: noroeste / sudeste Estilo / fachada: arquitetura moderna Elevadores: 5

Escadas: 2 perimetrais

Estacionamento: possui (20 vagas no subsolo,

1.061 m²)

Uso: misto (comércio e serviço + residencial) Unidades de habitação: 50 apartamentos Tamanho das unidades:

- A: 12 UH “kitchenettes” com 30m² cada; - B: 8 UH de 1 dormitórios com 35m² cada; - C: 16 UH de 2 dormitórios com 73m² cada; - D: 8 UH de 1 dormitórios com 50m² cada; - E: 24 UH de 3 dormitórios com 102, 153 e 177m²;

Recuos: frontal: sim / posterior: não / laterais: sim Fonte: DAMP, Revista Acrópole, 1938; Revista

Projeto, 1981 e 2001; SAMPAIO, 2002; ROSALES,2002

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Figura 26 – Edifício Esther Arthur Nogueira. Foto: José Hamilton Cipolla- 17.04.10.

Figura 27 – Edifício Esther Arthur Nogueira. Vista de cima do edifício Residencial Samambaia. Foto: Larissa Cipolla - 17.04.09.

Figura 28 – Edifício Esther Arthur Nogueira. Fonte: Revista Projeto - Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/memoria/edificio-esther-sao-paulo. html. Acessado: 17.02.10.

Na época, a capital federal era o Rio de Janeiro, que com o apoio do dinheiro público foi urbanizado por um ideário moderno. Já São Paulo “encontra apoio na iniciativa privada e na própria necessidade de construir uma metrópole vertiginosa que oferecesse vasta oportunidade com programas inéditos” (ROSALES, 2002 p.73).

Os proprietários do edifício Esther Arthur Nogueira era a tradicional família Nogueira, produtora de cana-de-açúcar na região de Campinas. Na época, esse terreno estava no “novo centro comercial da cidade” (SAMPAIO, 2002 p.122), próxima da Praça da República. A área possuía os melhores equipamentos de lazer da cidade, tais como os cinemas Ipiranga e Marabá e as ruas comerciais Barão de Itapetininga e Marconi, voltadas à população de alto padrão. A área representava: “É um marco econômico de capital proveniente do setor rural que se reproduz e diversifica, como demonstrou Yara Vicentini: um bom negócio, além de moderno, que participou do processo de transformação em curso na cidade, marcando o deslocamento de sua centralidade” (CONDURO, 2000 apud ROSALES, 2002 p.66).

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Segundo Rosales, o empreendimento era excepcional:

“Paulo de Almeida Nogueira, superintendente da Usina Esther Ltda., organizou em 1934 um concurso privado para escolher uma proposta arquitetônica que oferecesse a melhor relação entre aproveitamento construtivo e diversidade programática.

Isto pareceu ser a tônica dominante para a escolha do projeto da jovem dupla Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho. Pouco se sabe deste concurso, apenas que um dos outros concorrentes foi Oswaldo Bratke. A sua elegante proposta protomodernista de treze pavimentos ocupa totalmente o lote e compõe-se claramente por uma base comercial, dois pavimentos de escritórios e o restante de unidades de habitação. Segue o raciocínio do “continuum” edificado, que caracteriza o ambiente urbano paulista daquele momento histórico, e da tradição rua-corredor.

O projeto vencedor apresentava-se isolado e quase monolítico. O conjunto das janelas contínuas resultante não evidenciam a distinção das funções do edifício. Estas fachadas praticamente homogêneas sugeriam um edifício exclusivamente de escritórios apesar da intenção ter sido provavelmente a multiplicação das “fenestres em longueur” da Villa Stein [1927] de Le Corbusier. Desenvolvido e construído exclusivamente por Vital Brazil o Edifício Esther sofre transformações sutis e substanciais desde a versão do concurso até a definitiva.” (ROSALES, 2002 p.73) “...ainda convivem as referências tradicionais e modernas presentes nos trabalhos anteriores, mas com uma nítida indicação de superação dessa ambigüidade , pois os resquícios da tradição acadêmica estão controlados pelos preceitos da doutrina racionalista. Há uma certa estaticidade antropomórfica devida à composição axial simétrica e à divisão volumétrica tripartite – base, corpo e topo – que no entanto não se sobrepõe ao sentido dinâmico que advém do tratamento do edifício como produto de montagem com elementos construtivos e arquitetônicas, de articulação com partes interdependentes. Se a versão do concurso é um tanto anódina em sua aplicação dos princípios de Le Corbusier e das formas racionalistas, a versão final é mais criativa na transposição desses princípios em formas e na conjugação de diversas referências do movimento moderno” (CONDURO, 2000 apud ROSALES, 2002 p.73).

Esse prédio atende os cinco pontos da arquitetura nova de Le Corbusier, apresentando soluções econômicas, segue:

“volume construído elevado em pilotis, planta livre com estrutura independente, fachada livre, janelas dispostas na horizontal (frenêtre em longueur) e o terraço-jardim. Atender aos cinco pontos significou equacionar uma série de condicionantes inéditos e não necessariamente econômicos para a tecnologia ou para a rotina da construção da época. A adoção de plantas livres possibilitou acomodar diferentes arranjos em cada pavimento, abrigando lojas, andares para escritórios e unidades residenciais (algumas em duplex), demonstrando a versatilidade possível com o conceito da estrutura independente. O térreo embora com estrutura em pilotis, é aproveitado de maneira convencional, não se beneficiando integralmente a solução. Foi uma obra de impacto ao ser inaugurada em 1938” (SEGAWA, 1998 p.86).

Observa-se que se localiza em frente à Escola Caetano de Campos, que em 1978 foi transferida para a Aclimação. No prédio da Praça da República funciona atualmente a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

O edifício Esther Arthur Nogueira não ocupou o terreno inteiro, deixando uma rua paralela à Avenida Ipiranga e onde posteriormente foi construído o edifício Arthur Nogueira ou Estherzinho, que espelha o edifício original.

Considerado moderno tanto pelo projeto como pela implantação urbana. “Foi o primeiro edifício com estrutura independente e apartamentos duplex na cidade.” (SAMPAIO, 2002 P.122). Apresenta uso misto, o primeiro andar contém galeria, o segundo e o terceiro são compostos de uso comercial e de serviço (galerias e escritórios) e os outros andares são residenciais, soma-se 11 andares, mais o subsolo, que é em parte garagem.

É um terreno levemente irregular que forma quase um retângulo. Tem iluminação natural das ruas, porém deficiente. Alguns autores consideram a construção desse prédio como tendo sido pensada de dentro para fora (ROSALES, 2002 p.73). O contrário era o pensamento do classicismo, porém com suas fachadas

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rebuscadas. Na realidade o Esther Arthur Nogueira foi projetado de fora para dentro, mas com linguagem moderna.

Era um edifício voltado para o mercado rentista. Possui acesso principal pela Rua Ipiranga e acessos secundários nas ruas laterais, Rua 7 de Abril e Rua Basílio da Gama. As fachadas do Esther Arthur Nogueira eram muito sofisticadas:

“Citamos nesta construção a collocação do “vidro preto” da fachada, que foi collocado em todas as saliências de protecção à acção do tempo. Cada faixa forma uma pitangueira impedindo a penetração de humildade nas paredes do Edifício. Sem ter querido comparar, nem imitar, vamos mostrar que aqui não fizemos novidade, pois bastará observar mesmo sem sair de nosso país, as alvenarias revestidas de argamassa eram protegidas por saliências apropriadas, feitas em pedra natural e, portanto mais duráveis. (Em particular algumas igrejas de Minas, com pedra “Sabão”).

Em nosso caso o material escolhido obedeceu ao critério de “economia”, tendo em vista a “durabilidade”.

Construindo também a estructura com intercolumnio de 3 X 4 metros, a que nos obrigou o próprio programa estabelecido e a “economia” em sua verdadeira significação, não vimos com isso nenhum impedimento de formar bons salões de habitação, muito ao contrario, pensamos que as columnas somente vieram a ser elementos altamente decorativos” (BRAZIL, 1938).

O térreo apresenta lojas e os acessos ao interior do edifício. Este conforme a planta original tem “Insolação pelo tecto” e “Ventilação entre pizo da loja e passeio”.32

Os três primeiros andares foram projetados para escritórios, especificamente a clínicas médicas e dentarias. O subsolo é composto pela garagem e restaurantes. Os pavimentos não são iguais. Por ter uma estrutura modular de concreto armado, esta possibilitou a disposição diferente dos andares. Assim, existe uma variedade de apartamentos, em tipologias e áreas: kitchenettes e apartamentos de 1 a 3 dormitórios.

O adensamento e o uso do transporte coletivo da época em relação à opção individual reflete o alto custo e a dificuldade de acesso ao automóvel. Em síntese a estrutura de ocupação do Esther Arthur Nogueira era do primeiro ao terceiro pavimento, o comércio e serviço, e depois serviço e residencial.

No Esther Arthur Nogueira foi onde tive maior dificuldade para se conseguir a assinatura do síndico, João Miguel Ferreira Jarra, para a autorização ao acesso junto a Divisão de Arquivo Municipal de Processos. Informou que apesar de terem as plantas numa sala do próprio edifício Esther, não queria ser incomodado. Portanto só teria um jeito, analisar o processo na prefeitura. Para isso precisávamos da autorização do síndico, porém este desligou o telefone diversas vezes “na cara”. Tive que insistir pessoalmente. Depois de muitas visitas ao edifício, ele me atendeu e consegui a assinatura. Diante de um edifício ícone na arquitetura, esperava maior rapidez, cordialidade, educação e respeito aos estudantes e arquitetos.

A situação atual é basicamente: os cinco primeiros pavimentos foram modificados para adaptarem a função comercial, enquanto o resto foi mantido como residencial. Os endereços atuais são: Praça da República, n° 64 a 80; Rua 7 de Abril, 415 e 425; Rua Gabus Mendes, n°24; Rua Basílio da Gama, 25 e 29; no Centro. O número de pavimentos é 12, com ático e subsolo.

A legislação pertinente ao do Esther Arthur Nogueira está sintetizada em seguida, junto ao volume desenhado. A altura mínima na região central era de 5 m e a máxima três vezes, nas larguras maiores que 12 m. Em lotes de esquina a medida será feita pela largura da rua mais larga

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Índices

Planta aprovada – 1930 Habite-se – 1931

O Código Municipal da época exigia poços de ventilação, que quando respeitado provocava perda de área nas áreas das cozinhas de habitações econômicas.

O estudo do processo confirma que o edifício Esther Arthur Nogueira era de propriedade da Usina Esther Limitada, com o superintendente Paulo de Almeida Nogueira, tendo sido construído pela Construtora Novelle. Sua obra observou o processo nº 38267, para alvará de licença e de aprovação da planta.

O responsável técnico pela obra foi o arquiteto Hermann José de Revoredo, inscrito no CREA sob o nº 5417 e no Departamento de Arquitetura do Município de São Paulo sob o nº 1448, com pedido de expansão na área frontal de 19.30 m. e alinhamento na parte da frente de 19 m. O aludido requerimento foi protocolado em 04.03.1953, sob o nº 50589.

Figura 30 – Processo nº 50589/53.

O estudo do processo permite destacar alguns aspectos relevantes:

• Conforme a P. 112. F. 6. “Planta do 4° andar – área total – 753,73 m²” e “sito a Rua 7 de Abril a 24,13 m depois do prédio n° 77” (nas plantas do 5° e 6° pav. Tipo Damp)

• “Planta entre 5° e 6° andares – área total – 726,23 m²”

• Conforme a P. 112. F. 8. “Planta entre 7° e 8° andares – área total – 726,23 m²” e “sito a Rua 7 de Abril a 24,13 m depois do prédio n° 77” • Conforme a P. 112. F. 9. “Planta do 9° andar – área total – 726,23 m²” e

“sito a Rua 7 de Abril a 24,13 m depois do prédio n° 77”

• Conforme a P. 112. F. 10. “Planta do 10° andar – área total – 726,23 m²” e “sito a Rua 7 de Abril a 24,13 m depois do prédio n° 77”

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• Conforme a P. 112. F. 11. “Planta do 11° andar – área total – 423,23 m²” e “sito a Rua 7 de Abril a 24,13 m depois do prédio n° 77”

O edifício Esther Arthur Nogueira acompanha os padrões mínimos exigidos: “As edificações são projetadas evitando os recuos, no alinhamento da calçada, colada às divisas laterais do lote” (ROSALES, 2002 p.66).

Pavimento Térreo

Redesenho: Larissa Cipolla

Planta do 5° e 6° pavimentos Redesenho: Larissa Cipolla

Planta do 4° pavimento Redesenho: Larissa Cipolla

Plantas do 7°, 8° e 10° pavimentos, respectivamente Redesenho: Larissa Cipolla

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Plantas do 11° pavimento fachada principal Redesenho: Larissa Cipolla

Figura 31 – "Esther-mínio". Essa gravura expressa o descuido e a falta de manutenção que este edifício se encontra atualmente. Crédito: João Luís Muterle

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