com DIABETES
MELLITUS
da de educação foi equivalente na melhora do controle metabólico, porém o grupo foi considerado o com melhor relação custo/be- nefício(3).
Segundo a Organização Mundial da Saú- de (OMS), o diabetes tipo 1 é uma das mais importantes doenças crônicas da infância na esfera mundial. No Brasil, temos procurado, sem sucesso, por diabetes tipo 2 em crian- ças, pois a pesquisa tem se limitado à busca de crianças hiperglicêmicas, porém ela tem que ser voltada para crianças obesas, disli- pidêmicas e hipertensas, com componentes da síndrome metabólica, que futuramente serão hiperglicêmicas. Estima-se que, dentro dos próximos dez anos, o número de crianças diabéticas tipo 2 aumentará dramaticamente. Pensar num programa de educação em diabetes para crianças passa obrigatoria- mente pela organização dos serviços, priori- zando a capacitação dos profissionais, a fim de qualificar o atendimento a essa clientela, minimizar o impacto da doença na família e minorar o sofrimento das crianças e dos ado- lescentes e dos próprios pais em relação ao diabetes(4).
O principal processo de aprendizado é aquele que treina o paciente diabético a fazer decisões efetivas no seu autocuidado e utili- zar o sistema de saúde como recurso quando for necessário(5).
A Associação Americana de Educadores em Diabetes (AADE) sugere a aplicação de oito medidas de avaliação comportamental para identificar a qualidade dos resultados obtidos com um programa de educação efetivo(6):
prática de exercício regular; mudança de hábito alimentar; boa adaptação psicossocial; adesão à posologia da medicação;
automonitorização da glicemia capilar; redução dos riscos das complicações crônicas; capacidade de corrigir hipo e hiperglice-
mias;
automanejo nos dias de doenças rápidas,
viagens e situações especiais.
3. DIRETRIZES
As diretrizes da SBD têm como objetivo sistematizar a implementação dos programas de educação em diabetes, de acordo com a padronização das organizações internacio- nais(7) (Federação Internacional de Diabetes
[IDF], Associação Americana de Diabetes [ADA], AADE).
O aprendizado ativo é preferido em to-
das as situações, portanto o educador deve estabelecer as maiores necessidades do in- divíduo antes de iniciar o processo de edu- cação(8, 9).
A prática da educação em diabetes deve
integrar atendimento clínico, promoção de saúde, aconselhamento, manejo e pesquisa.
A educação deve ser multidisciplinar, cons-
tituída no mínimo por um enfermeiro e um nutricionista, podendo também dela parti- cipar especialistas de exercício, psicólogas, farmacêuticos e médicos coletivamente qua- lificados para ensinar.
O programa deve conter a documentação
dos objetivos e a avaliação dos resultados ob- tidos, de acordo com as seguintes categorias: – imediatos: aumentar o conhecimento;
– intermediários: desenvolver atitudes que levam a mudança de comportamento; – pós-intermediários: melhora clínica e meta- bólica;
– longo prazo: melhora do estado de saúde e da qualidade de vida, reduzindo ou prevenin- do as complicações crônicas.
O processo deve ser contínuo para atingir
todas as categorias de resultados.
A educação em diabetes na criança deve estar voltada para três áreas específicas: auto- educação; educação para pais e provedores; educação para a comunidade.
3.1. Auto-educação
Esse programa é dependente da idade da criança. Indicativos demonstram que a transferência da responsabilidade é ideal a partir dos 12 anos(10), porém a auto-aplicação
supervisionada e a automonitorização devem ser incentivadas a partir da idade escolar. Reu- niões em grupo, curso individual e material educativo lúdico têm sido as ferramentas in- dicadas para o autocuidado.
3.2. Educação para pais e provedores
A diversidade de problemas enfrentados pelos pais está freqüentemente relacionada a aplicação de insulina e mudanças de do- ses, plano alimentar, automonitorização e dinâmica familiar(11). Pais inseguros tendem
a apresentar filhos estressados e com grande labilidade do controle glicêmico.
A inclusão dos pais nos programas de educação é fundamental para a melhora do controle da criança, visto que mais de 70% das crianças aprendem o autocuidado com os pais e podem receber informações inadequa- das por vícios de erros.
3.3. Educação para a comunidade
A participação de escola, professores e clubes de esporte é fundamental para o suporte adequado à criança diabética. O de- senvolvimento de programas educacionais que envolvam material e cursos voltados à comunidade escolar deve ser um objetivo constante do médico assistente e das socie- dades organizadas.
4. CONCLUSÃO
Um programa de educação em diabetes deve passar inicialmente pela organização dos serviços de atendimento, onde a capa- citação dos profissionais deve ser o primeiro objetivo. O enfoque principal na escola é o de que a comunidade saiba reconhecer os sinto- mas e tratar rapidamente uma hipoglicemia em pessoas com diabetes tipo 1 e, por outro lado, a melhora no fornecimento de lanches saudáveis para prevenir o diabetes tipo 2 nos adolescentes na próxima década.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
1.Funnell MM, Anderson RM. Role of diabetes education in patient management. Therapy for diabetes mellitus and related disorders. 4 ed. American Diabetes Association, 2004. 2. Norris SL, Engelgau MM, Narayan KMV. Effectiveness
of self-management training in type 2 diabetes. Diabetes Care. 24: 561-87, 2001.
3. Rickheim PR, Weaver TW, Flader JL, Kendall DM. Assessment of group versus individual diabetes
education. Diabetes Care. 25: 269-74, 2002. 4. Dall’Antonia C, Zanetti ML. Auto-aplicação de
insulina em crianças portadoras de diabetes mellitus tipo 1. Rev Latino-Am Enfermagem. 2000; 8(3): 51-8.
5. International Standards for Diabetes Education. International Diabetes Federation (IDF). Disponível em: [email protected] , www.idf.org. 6. Mulcahy K, Maryniuk M, Peeples M, Peyrot
M, Tomky D, Weaver T, et al. Diabetes self- management education core outcomes measures. In: Diabetes Education and Program Management. 6 ed. Chicago: American Diabetes Educator, 2003.
7. Mensing C, et al. National standards for diabetes self-management education. Diabetes Care. 2005; 28 Suppl 1.
diabetes management: diabetes educator curriculum. Minneapolis, MN: International Diabetes Center, 2004.
9. Type 2 Diabetes BASICS. 2 ed. Minneapolis, MN:
International Diabetes Center, 2004.
10. Follansbee DS. Assuming responsability for diabetes management: What age? What price? Diabetes Educ. 1989; 15(4): 347-53.
11. Warzak WJ, Majors CT, Ayllon T, Milan MA, Delcher HK. Parenteral versus profissional perceptions of obstacles to pediatric diabetes care. Diabetes Educ. 1993; 19(2): 121-4.
1. INTRODUÇÃO
Transtornos alimentares caracterizam- se por graves distúrbios no comportamento alimentar. São classificados, nas doenças psi- quiátricas, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) e a Classificação Internacional de Doenças (CID), como bulimia, anorexia e transtorno compul- sivo alimentar periódico (TCAP)(1) (Tabela).
A prevalência de adolescentes com diabe- tes mellitus tipo 1 (DM1) e de jovens adultas que possuem transtornos é de cerca de 7% a 11%(2, 3), e naqueles com tipo 2 (DM2), varia de
6,5% a 9%. A bulimia e os transtornos alimen- tares não especificados (EDNOS), variedade compulsiva purgativa, são mais prevalentes nos indivíduos diabéticos tipo 1, e o TCAP, nos tipo 2 (cerca de 59,4%)(4, 5).
Co-morbidades psiquiátricas podem es- tar presentes, agravando o quadro clínico dos transtornos alimentares, como depressão, an- siedade e distúrbios de personalidade(6).
As conseqüências dos transtornos ali- mentares são graves, podendo levar inclusi- ve ao óbito, e, no caso das pessoas de dia- béticas, podem ser a causa do mau controle e do surgimento mais precoce de complica- ções crônicas(7).
O Diabetes Control and Complications Trial (DCCT) mostrou evidências de que o controle metabólico nos adolescentes diabé- ticos tende a ser mais difícil de ser alcançado. Fatores relativos à própria puberdade, fami- liares e psicossociais estão envolvidos(8). Na