Inclui os casos de gestação que ocorrem em mulheres portadoras de diabetes tipo 1, tipo 2 ou outros.
A gravidez deve ser programada para quan- do o diabetes estiver bem compensado, com
Figura 2 – Procedimento para o diagnóstico do diabetes gestacional
Rastreamento positivo 85-109mg/dl Repetir glicemia de jejum prontamente ≥ 110mg/dl Teste negativo Jejum < 110mg/dl 2h < 140mg/dl Diabetes gestacional ≥ 110mg/dl Diabetes gestacional Jejum ≥110mg/dl 2h ≥ 140mg/dl
realizado mais precocemente(1). A glicemia
de jejum de 100mg/dl, valor considerado su- perior em adultos normais, não está validada para aplicação na gestação.
1.3. Tratamento
Evidência recente sugere que a interven- ção em gestantes com diabetes gestacional pode diminuir a ocorrência de eventos adver- sos da gravidez (B, 2)(10).
O tratamento inicial do diabetes gestacio- nal consiste em orientação alimentar que per- mita ganho adequado(11). O cálculo do valor
calórico total da dieta pode ser feito de acordo com as tabelas(12) e visa a permitir um ganho
de peso em torno de 300-400g por semana a partir do segundo trimestre da gravidez. Os adoçantes artificiais (aspartame, sacarina, acessulfame-K e neotame) podem ser utiliza- dos com moderação(13, 14).
A prática de atividade física pode fazer parte do tratamento do diabetes gestacional, respeitando-se as contra-indicações obstétri- cas (B, 3)(15, 16). O controle glicêmico deve ser
feito com uma glicemia de jejum e duas pós- prandiais semanais, medidas em laboratório. A monitorização domiciliar pode ser realizada de três a sete vezes por dia, especialmente nas gestantes que usam insulina. Se após duas se- manas de dieta os níveis glicêmicos permane- cerem elevados (jejum ≥ 105 mg/dl e 2 horas pós-prandiais ≥ 130 mg/dl), recomenda-se ini- ciar tratamento com insulina (B, 3)(6, 7). O critério
hemoglobina glicada normal ou até 1% acima do valor máximo recomendado pelo labora- tório (B, 2), para a prevenção de malformações fetais, para as quais há maior risco nas primeiras semanas de gestação, quando o diabetes não estiver idealmente compensado. A avaliação e a estabilização das complicações crônicas do diabetes devem ser feitas antes da concepção. Algumas complicações, como retinopatia, ne- fropatia clínica e insuficiência renal, podem pio- rar com a gestação. A cardiopatia isquêmica, se não tratada, está associada a alta mortalidade. O uso do ácido fólico está recomendado desde o período pré-concepcional até o fechamento do tubo neural (A, 1)(31).
REFERÊNCIAS
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2.1. Tratamento
O tratamento é feito com prescrição de die- ta alimentar, segundo orientações descritas para o manejo do diabetes gestacional. Atividades fí- sicas poderão ser mantidas durante a gravidez, embora a presença de algumas complicações crônicas possa representar contra-indicação(32).
Os esquemas de aplicação da insulina são intensificados. Nas gestantes que não a usa- vam, a dose inicial pode ser calculada como 0,5U/kg/dia. Perfis glicêmicos domiciliares com ao menos três medidas devem ser realizados. Não sendo possível, sugere-se a realização de perfil glicêmico semanal em serviço de saúde.
2.2. Parto e pós-parto
A conduta no planejamento e no dia do parto é semelhante à adotada para as mulhe- res com diabetes gestacional.
Nos primeiros dias após o parto, a neces- sidade de insulina diminui, devendo ser admi- nistrado um terço da dose usual pré-gravídica ou fazer-se suplementação conforme monito- rização de glicemia capilar até a estabilização do quadro metabólico. A partir daí deve-se readaptar a dose de acordo com os controles glicêmicos, adequando dieta e insulina às de- mandas da lactação.
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1. INTRODUÇÃO
Os princípios básicos no tratamento do paciente idoso (acima dos 65 anos de idade) não diferem daqueles estabelecidos aos in- divíduos diabéticos mais jovens, incluindo os critérios no diagnóstico, na classificação e nas metas de controle metabólico (glicêmico e lipídico) e outros (pressão arterial e massa corpórea). Ressalta-se, entretanto, que essa população possui particularidades que fazem com que cuidados e considerações especiais devam ser enfatizados em capítulo próprio do nosso consenso brasileiro.
1.1. Problemas associados ao
envelhecimento que podem afetar o tratamento
1.1.1. Envelhecimento cerebral
Alterações nas funções cognitivas ou mesmo demência em qualquer grau poderão influenciar os cuidados relacionados a dieta, tratamento farmacológico e mesmo higiene pessoal.
1.1.2. Redução dos hormônios contra-regulatórios
Principalmente catecolaminas e cortisol, levando à instabilidade do controle glicêmico com maior risco de hipoglicemias sem aviso.
1.1.3. Redução do glicogênio hepático
Em função de má nutrição e diminuição do apetite, a reserva de glicogênio hepático pode- rá ficar comprometida, ocorrendo glicogenóli-