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POLÍTICAS E GESTÃO EM PROL DA EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL

GT 1: Política e Gestão em prol da Educação em Tempo Integral

1. EDUCAÇÃO INTEGRAL NO BRASIL: BASES LEGAIS E PROGRAMAS

É a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei 9394/96) que aponta a obrigação do Estado de ampliar o tempo de formação, os espaços de escolarização e socialização do conhecimento. Ela determina no Art. 34, parágrafo 2º que “O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, a critério dos sistemas de ensino” e no Art. 87, parágrafo 5º que “Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral” (BRASIL, 1996).

III SEMINÁRIO NACIONAL DE POLÍTICA E GESTÃO DA EDUCAÇÃO I ENCONTRO INTERNACIONAL DE PESQUISA EMPÍRICA EM EDUCAÇÃO

TEMA: A ESCOLA EM TEMPO INTEGRAL

São Cristóvão/SE, 26 a 28 de março de 2014 Grupo de Pesquisa em

Avaliação, Política, Gestão e Organização da Educação

Em 2001 é aprovado o Plano Nacional de Educação (PNE, Lei 10.172/01) que propõe a ampliação da jornada escolar, direcionada às classes menos privilegiadas, como um dos objetivos e metas do ensino fundamental e da educação infantil, apontando o mínimo de 7 horas diárias para a escola de tempo integral em que as atividades fossem desenvolvidas preferencialmente na mesma instituição. A atual proposta para o novo Plano Nacional de Educação (2011-2020) prevê inclusive que 50% das escolas públicas de Educação Básica desenvolvam suas atividades em jornada ampliada.

Desde 2007, com a aprovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da

Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb)8 há também um

direcionamento de recursos de aplicação específica à educação de tempo integral (GIOLO, 2012).

No contexto do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Ministério da Educação apresenta o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação (Decreto Presidencial nº 6.094/2007) que, entre outros, institui a ampliação da jornada escolar por meio do Programa Mais Educação(PME).

O PME é instituído pela Portaria Interministerial 17/2007 e pelo Decreto Presidencial 7083/2010, coordenado desde 2011 pela Diretoria de Currículos e Educação Integral da Secretaria de Educação Básica (SEB) e financiado pelo Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) que promove a transferência de recursos para o custeio, manutenção e pequenos investimentos na oferta da educação integral (BRASIL, 2013)

A Portaria Interministerial 17/2007 estabelece que:

Art. 2º O Programa tem por finalidade:

I - apoiar a ampliação do tempo e do espaço educativo e a extensão do ambiente escolar nas redes públicas de educação básica de Estados, Distrito Federal e municípios, mediante a realização de atividades no contraturno escolar, articulando ações desenvolvidas pelos Ministérios integrantes do

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São Cristóvão/SE, 26 a 28 de março de 2014 Grupo de Pesquisa em

Avaliação, Política, Gestão e Organização da Educação

V - promover a formação da sensibilidade, da percepção e da expressão de crianças, adolescentes e jovens nas linguagens artísticas, literárias e estéticas, aproximando o ambiente educacional da diversidade cultural brasileira, estimulando a sensorialidade, a leitura e a criatividade em torno das atividades escolares;

VII - promover a aproximação entre a escola, as famílias e as comunidades, mediante atividades que visem a responsabilização e a interação com o processo educacional, integrando os equipamentos sociais e comunitários entre si e à vida escolar; e capacidades para o desenvolvimento de projetos com vistas ao que trata o artigo 1º desta Portaria (BRASIL, 2007, Art. 2º). Esse Programa que tem como público-alvo escolas públicas com um baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB),localizadas em regiões marcadas por elevado índice de vulnerabilidade social e estudantes que estão em defasagem idade/série (em especial das séries finais da 1ª fase do ensino fundamental 4º e/ou 5º anos e das séries finais da 2ª fase do ensino fundamental 8º e/ou 9º anos), deve construir ações intersetorias aliando políticas públicas educacionais e sociais de modo que possa combater as desigualdades educacionais, bem como promover a valorização da cultura brasileira. Para tanto, devem ser conjugadas ações dos seguintes Ministérios: Ministério da Educação, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério do Esporte, Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Cultura, Ministério da Defesa e a Controladoria Geral da União.

O PME prevê a ênfase nas atividades sócio-educativas, no contraturno escolar, articuladas ao projeto pedagógico da escola com vistas à melhoria do desempenho escolar e a permanência do estudante na instituição. As práticas educativas devem ser organizadas de forma interdisciplinar e contribuir para que os estudantes compreendam o mundo em que vivem, a si mesmos e ao outro, o meio ambiente, a vida em sociedade, as mais variadas culturas, tecnologias e artes. As oficinas devem ser ministradas por profissionais da educação, educadores populares, estudantes e agentes culturais - monitores, estudantes universitários com formação relacionada aos macrocampos, coordenados por um professor comunitário, um docente designado pela secretaria de educação que possui um forte e afetivo vínculo com a comunidade local (BRASIL, 2013).

As atividades socioeducativas no contraturno podem ser escolhidas dentre os macrocampos propostos. Para as escolas urbanas que aderiram ao programa em 2013 foram

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TEMA: A ESCOLA EM TEMPO INTEGRAL

São Cristóvão/SE, 26 a 28 de março de 2014 Grupo de Pesquisa em

Avaliação, Política, Gestão e Organização da Educação

Desenvolvimento Sustentável e Economia Solidária e Criativa/Educação Econômica; 3) Esporte e Lazer; 4) Comunicação, Uso de Mídias e Cultura Digital e Tecnológica; 5) Cultura, Artes e Educação Patrimonial. Para as escolas do campo a proposta de macrocampos é a seguinte: 1) Acompanhamento Pedagógico, 2) Agroecologia, 3) Cultura, Artes e Educação Patrimonial, 4) Educação em Direitos Humanos, 5) Esporte e Lazer, 6) Iniciação Científica e 7) Memória e História das Comunidades Tradicionais (direcionado para as Comunidades Remanescentes de Quilombos, mas não exclusiva) (BRASIL/MEC, 2013).

Cientes de que é possível tratar a História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nos diversos macrocampos escolheu-se, como foco deste estudo, porém, a Capoeira, prevista como uma das atividades dentro do macrocampo Cultura, Artes e Educação Patrimonial.