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POLÍTICAS E GESTÃO EM PROL DA EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL

A MONITORIA NO PROGRAMA “MAIS EDUCAÇÃO”:

3. A PROPOSTA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL DO PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO

Pode-se afirmar que as discussões recentes sobre a educação integral foram estimuladas pela promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº 9.394 de 1996 (LDBEN/96). Numa análise da referida Lei, podemos perceber diversas passagens nas

III SEMINÁRIO NACIONAL DE POLÍTICA E GESTÃO DA EDUCAÇÃO I ENCONTRO INTERNACIONAL DE PESQUISA EMPÍRICA EM EDUCAÇÃO

TEMA: A ESCOLA EM TEMPO INTEGRAL

São Cristóvão/SE, 26 a 28 de março de 2014 Grupo de Pesquisa em

Avaliação, Política, Gestão e Organização da Educação

quais a educação integral é colocada como objetivo educacional a ser alcançado. Em seu artigo 34, a LDBEN/96 traz que a jornada escolar no Ensino Fundamental deve possuir, no mínimo, quatro horas de trabalho diário em sala de aula, que o período de permanência na escola deve ser ampliado progressivamente e que, no parágrafo 2º deste mesmo artigo, o Ensino Fundamental deverá ser oferecido em tempo integral, ficando a cargo dos sistemas de ensino a ampliação progressiva do tempo escolar. Já no artigo 87, parágrafo 5º, a LDBEN/96 coloca que “Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral.”

Porém, o que podemos perceber com a leitura e interpretação destes artigos é que a LDBEN/96 demonstra uma grande preocupação com a ampliação do tempo diário de permanência da criança na escola, pois, utiliza os termos “jornada integral” e “tempo integral”, o que, em nossa análise, pode provocar uma ampliação do tempo escolar sem, contudo, haver uma proposta de educação integral. É importante colocar aqui que não é intencionalidade da LDBEN/96 estimular a simples ampliação da jornada escolar; podemos entender que, na Lei referida, os conceitos de educação integral e tempo integral estão integrados.

Segundo Carvalho (2006), a educação integral é entendida sob diversas óticas.

Alguns pensam educação integral como escola de tempo integral. Outros pensam como conquista de qualidade social da educação. Outros, como proteção e desenvolvimento integral. Alguns a reivindicam a partir das agruras do baixo desempenho escolar de nossos alunos e apostam que mais tempo de escola aumenta a aprendizagem... Alguns outros a vêem [sic] como complemento socioeducativo à escola, pela inserção de outros projetos, advindos da política de assistência social, cultura, esporte. (CARVALHO, 2006, p. 7)

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(biológicos, psicológicos, cognitivos, éticos, ambientais, políticos, profissionais, dentre outros) de forma que ele possa atuar de forma saudável, humana, pacífica e solidária na vida. Esta concepção pode ser entendida como uma síntese dos entendimentos supracitados por Carvalho (2006), o que nos leva a afirmar que a educação integral é aquela que promove um desenvolvimento integral dos sujeitos, considerando todos os aspectos do ser humano e todas as possibilidades de sua integração com o meio em que vive. Já a ideia de tempo integral/horário integral tem relação com a manutenção do aluno por mais tempo dentro da escola.

A Educação Integral é, na verdade, fundamento do Tempo Integral, pois, é a partir do estudo dos seus princípios e diretrizes que melhor podemos desenvolver uma experiência escolar [...] de horário ou de tempo integral, aumentando a jornada de permanência dos alunos nas instituições educacionais onde elas estudam ou desenvolvem atividades diversas [...]. (ANTUNES; PADILHA, 2010, p. 18-19)

É neste sentido que podemos entender o Programa Mais Educação. Criado pela Portaria Normativa Interministerial Nº 17 de 24 de abril de 2007, o referido programa visa “contemplar a ampliação do tempo e do espaço educativo de suas redes e escolas, pautada pela noção de formação integral e emancipadora” (BRASIL, 2007, p. 3), surgindo, dessa forma, como contribuição para a formação integral dos educandos a partir da proposição e execução de projetos nos campos educacional, artístico, cultural, esportivo e de lazer em turno oposto ao das aulas regulares, “mobilizando-os para a melhoria do desempenho educacional, ao cultivo de relações entre professores, alunos e suas comunidades [...] e à formação para a cidadania” (BRASIL, 2007, p. 2).

Tendo em vista uma educação integral para a formação do sujeito para a cidadania, percebe-se que o Programa Mais Educação visa (também) estimular o relacionamento saudável, respeitoso e produtivo entre professores, alunos e comunidade a partir do desenvolvimento de projetos dentro de macrocampos estabelecidos pelo programa: acompanhamento pedagógico, educação ambiental, esporte e laser, direitos humanos em educação, cultura e artes, cultura digital, promoção da saúde, comunicação e uso de mídias, investigação no campo das ciências da natureza e educação econômica.

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A proposta de trabalho dentro de tais macrocampos pode ser entendida como uma possibilidade de integração da escola com a comunidade a qual está inserida, considerando os interesses e necessidades de seus membros. O trabalho nos macrocampos, numa proposta socioeducativa, vai ao encontro do posto por Carvalho (2006) ao afirmar que as diversas oportunidades de aprendizagem devem ultrapassar a repetição do espaço escolar e ter como base as demandas, interesses, potencialidades e protagonismo da comunidade à qual a escola está inserida.

O termo socioeducativo, contido na programática da educação integral, designa um campo de múltiplas aprendizagens além da escolaridade, voltadas para assegurar proteção social e oportunizar o desenvolvimento de interesses e talentos múltiplos que crianças e jovens aportam. Designa igualmente finalidades, como a convivência, sociabilidade e participação na vida pública comunitária, entendendo este campo como privilegiado para tratar, de forma intencional, valores éticos, estéticos e políticos.” (CARVALHO, 2006, p. 10)

As escolas integrantes ao Programa Mais Educação devem desenvolver, no âmbito dos macrocampos, seis atividades a cada ano, porém, é necessário o desenvolvimento de pelo menos uma atividade que contemple o macrocampo acompanhamento pedagógico. As atividades são propostas, descritas e apresentadas anualmente em publicações específicas ligadas ao Programa Mais Educação e são enviadas para as escolas participantes do referido programa. (BRASIL, 2012)

Tais atividades são desempenhadas por monitores selecionados de acordo com suas habilidades, disponibilidade e interesse e devem ser acompanhados por coordenadores do programa em cada instituição. Em experiências exitosas ligadas ao Programa Mais Educação, relatadas na publicação “Caminhos para elaborar uma proposta de Educação Integral em Jornada Ampliada” (BRASIL, 2011), os monitores são selecionados entre moradores da

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Nestas experiências, os monitores participam de formações constantes e planejamentos tanto das atividades relacionadas ao Mais Educação como das atividades escolares além do âmbito deste programa. Isso nos leva ao próximo tópico deste trabalho.

4. A ATUAÇÃO DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA E SUA POSSÍVEL