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TÓPICO 1 — ESCOLAS ANTROPOLÓGICAS: EVOLUCIONISMO, DIFUSIONISMO,

3.2 EDWARD BURNET TYLOR

Um dos grandes antropólogos deste período foi Edward Burnet Tylor.

Ele era britânico, nascido em Londres, em uma família abastada de comerciantes.

Tylor não concluiu os estudos devido às suas convicções religiosas (Educação

Quaker). Trabalhou no comércio com seu pai e irmão durante algum tempo, mas

logo, acometido de uma doença, viajou para recuperação em Cuba. Lá conheceu

o etnólogo Henry Christy e com ele viajou por Cuba e México por alguns anos,

realizando observações e estudos.

Mais tarde, quando retornou à Inglaterra, em 1896, foi nomeado o primeiro

professor britânico de Antropologia na Universidade de Oxford.

FIGURA 3 - EDWARD BURNET TYLOR

FONTE: <http://www.biografiasyvidas.com/biografia/t/tylor.htm>. Acesso em: 26 jul. 2015.

Tylor definiu a antropologia como a ciência da cultura e desenvolveu

uma teoria para compreender como ocorre o processo de desenvolvimento

dela. Para o autor, a cultura evolui num processo linear e uniforme, sendo que

algumas culturas não conseguem acompanhar esse processo e permanecem

paradas. Enquanto outras estariam em pleno auge do progresso, como a

sociedade europeia.

A partir da ideia de linearidade e uniformidade, de acordo com Barrio

(2005), Tylor procura explicar o desenvolvimento cultural religioso, analisando o

processo de crença e religiosidade dos povos.

Tylor acreditava que todas as religiões ou crenças, das sociedades ditas

civilizadas (fossem do passado ou do presente), possuíam seu equivalente nos

grupos humanos considerados primitivos ou arcaicos. Para Tylor, na prática, isso

significava que as sociedades civilizadas não haviam inventado nada novo nas

religiões, mas sim apenas realizado pequenas adaptações em crenças já existentes

de seus antepassados, de tempos remotos.

Um exemplo disso diz respeito à ideia de reencarnação da alma. Para

Tylor, de acordo com Rosa (2010), “a metempsicose, ou seja, a transmigração

da alma, era uma crença que se encontrava tanto em povos selvagens, da

África, como em populações civilizadas da Ásia meridional, por exemplo”.

Tylor reconhecia e enfatizava esses fundamentos como a pré-história da fé. O

que se pode perceber é que não havia a alteração/substituição de uma crença

por outra, mas a permanência de mesmas crenças, com pequenas adaptações,

éticas, morais etc.

Para compreender a gênese da religião, ou seja, a ideia que fundamentou

a religião primitiva, Tylor se baseou em um conceito chamado animismo.

Para Tylor, o animismo nasceu como culto aos antepassados mortos

para passar depois a ser culto a todo o tipo de alma ou espírito

abstrato. Da experiência do sonho em que o corpo permanece imóvel

e inerte, mas em que se dão experiências às vezes muito vívidas,

o primitivo “devia” inferir que depois da morte, embora o corpo

fosse destruído, poderia continuar a existir sob alguma forma. Esta

crença na existência de espíritos imateriais é a base do animismo

que, segundo Taylor, foi se generalizando cada vez mais até que

se foram associando os espíritos a algum fenômeno da natureza. O

culto à natureza, rios, fontes, raios, vento, fogo, etc., é outro estágio

dentro da evolução das crenças que deu origem, por progressiva

antropomorfização, ao politeísmo característico de sociedades como

a egípcia, grega e romana. Do politeísmo passa, finalmente, ao

monoteísmo por depuração e progressiva racionalização da ideia de

divindade. (BARRIO, 2005, p. 79).

O termo animismo vem da palavra latina “ânima”, que significa “alma”.

Esse termo remete à ideia de que todas as crenças, religiões e demais expressões

espirituais possuem uma característica fundamental comum, que é a presença da

“alma”. Dito de outra forma, Rosa (2010) relata que Tylor acreditava que, entre

todos os artigos de fé, o elemento “alma” tinha constituído na pré-história uma

espécie de protótipo a partir do qual tinham sido forjadas todas as outras crenças.

Por meio de suas inúmeras pesquisas etnográficas, Tylor fez o levantamento

das ideias relativas ao termo alma, entre as variadas tribos e grupos sociais com

os quais teve contato, conforme descreve Rosa (2010, p. 300):

Alma é uma imagem humana, imaterial, uma espécie de vapor,

uma nuvem, uma sombra. É a causa da vida e do pensamento no

indivíduo que ela anima. É dona da consciência e da vontade do seu

possuidor corporal, presente ou passado. Pode deixar o corpo junto

de si e viajar rapidamente. É geralmente impalpável e invisível, mas

também suscetível de manifestar alguma propriedade física. Aparece

aos homens durante o sono, como um fantasma separado do corpo,

mas conservando a sua aparência. Após a morte do corpo, ela continua

a existir e a aparecer e tem a faculdade de entrar, dominar e agir no

corpo de outros homens, animais e mesmo em objetos inanimados.

Havia duas concepções básicas para a construção da ideia de alma, na

visão de Tylor:

1- A personificação da natureza, na medida em que se atribui alma aos elementos

externos, como animais, plantas, montanhas, terra etc.

2- Noção de espírito/alma separado do corpo.

De maneira geral, em sua obra mais importante, Primitive Culture

Cultura Primitiva (1871), ele propôs uma síntese da sua teoria evolucionista,

que em muitos pontos se aproximava dos pensamentos de Morgan, uma vez

que os dois se apoiavam na explicação material para compreender o processo

evolutivo das diferentes culturas. Uma das contribuições mais importantes

de Taylor para os antropólogos atuais é o conceito de cultura, que permanece

coerente ainda hoje.

CULTURA, ou civilização, tomada em seu sentido amplo,

etnográfico, é aquele todo complexo que inclui conhecimento, crença,

arte, moral, lei, costume e quaisquer outras capacidades e hábitos

adquiridos pelo homem como membro da sociedade. (ERIKSEN;

NIELSEN, 2012, p. 35).

Outros autores evolucionistas poderiam ser discutidos neste tópico,

mas acreditamos que as perspectivas de Morgan e Tylor foram suficientes

para compreender o sentido e as principais características da Antropologia

Evolucionista ou Evolucionismo Social.

4 A ESCOLA DIFUSIONISTA

O Difusionismo teve início no início do século XIX e refere-se a um

conjunto de teorias que criticou a teoria evolucionista e opôs-se ao entendimento

de que as culturas se desenvolvem de forma linear para todas as sociedades.

Os antropólogos difusionistas acreditavam que a cultura se constrói de forma

multidimensional e provém de outras culturas.

Difusão é um processo, na dinâmica cultural, em que os elementos

ou complexos culturais se difundem de uma sociedade para outra. As

culturas, quando vigorosas, tendem a se estender a outras, sob a forma

de empréstimo mais ou menos consistente. A difusão de um elemento

da cultura pode realizar-se por imitação ou por estímulo, dependendo

das condições sociais, favoráveis ou não, à difusão. O tipo mais

significativo de difusão é o das relações pacíficas entre os povos, numa

troca contínua de pensamentos e invenções. (MARCONI, 2001, p. 64).

Para reconhecer a escola difusionista é necessário levar em conta três

postulados básicos. São eles:

a) Método Histórico: A antropologia difusionista trabalha com o método de

reconstituição histórica, que observa o passado e o presente.

b) Pesquisa de Campo: Ocorre de forma extensiva e é altamente aplicada, por

meio de coleta de dados, principalmente de dados primários.

c) Formulação de Conceitos: Enriquecimento da teoria e surgimento de vários

termos/conceitos, utilizados ainda hoje na antropologia.

O difusionismo predominou entre os anos 1900 a 1930, sendo que na

década de 20 teve expressivo reconhecimento. Essa escola antropológica pode

ser dividida em três correntes de pesquisa: A escola hiperdifusionista inglesa,

que possui como expoentes os autores G. E Smith e W. J. Perry; a escola

histórico-cultural alemã-austríaca, que tem como defensores os autores F. Grabner e W.

Schmidt; e a escola histórico-cultural norte-americana, que possui como referência

o importantíssimo antropólogo Franz Boas.