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EFEITO DO TREINAMENTO DE FORTALECIMENTO SOBRE A

No documento PRISCILLA WEBER DOMINGUES (páginas 39-46)

2.2 ESTRUTURA DO MÚSCULO ESQUELÉTICO

2.2.7 EFEITO DO TREINAMENTO DE FORTALECIMENTO SOBRE A

Como um elemento de reabilitação física, o treinamento de força tem um impacto positivo, não só no músculo esquelético, mas também na excitação neuromotora, na integridade, na viabilidade do tecido conjuntivo e inclusive na sensação de bem-estar de uma pessoa (FRONTERA, DAWSON e SLOVIK, 1999).

Para propósitos conceituais, defini-se força como a "habilidade do músculo esquelético em desenvolver força, com o objetivo de fornecer estabilidade e mobilidade dentro do sistema musculoesquelético, de modo que possa ocorrer em um movimento funcional" (FRONTERA, DAWSON e SLOVIK, 1999). Já para WILMORE e COSTILL (2001), força é definida, como a capacidade máxima que um músculo ou grupo muscular pode gerar.

A força, nas suas formas de manifestação, pode ser dividida em diferentes tipos, de acordo com a forma de observação: (1) sob o aspecto da parcela de musculatura envolvida, diferencia-se força geral de local (músculos isolados, ou grupos musculares); (2) sob o aspecto de especificidade da modalidade esportiva, força geral e especial; e, (3) sob aspecto do tipo de trabalho do músculo, força dinâmica e estática (WEINECK, 2000).

A força estática é aquela tensão, que um músculo ou um grupo muscular pode exercer arbitrariamente, em uma determinada posição, contra uma resistência fixada. A força máxima estática que um músculo é capaz de desenvolver está diretamente relacionada à área de secção transversa do músculo, que é composta sumariamente das secções transversas das diversas UM (SHANKAR, 2002).

A secção transversa de uma UM, por sua vez, depende do número de miofibrilas presentes, do seu sarcoplasma e do tecido conjuntivo intersticial e gordura. Em conseqüência, ao aumento da secção transversa (em função da hipertrofia das fibras), obtida através do treinamento, a força total do músculo aumenta (MELLEROWICZ e MELLER, 1979).

As vantagens de estar utilizando um treinamento estático consistem em: (1) treinamento de fácil execução; (2) altas taxas de aumento de força, treinamento econômico em relação ao tempo, isto é, alta efetividade do treinamento; (3) possibilidade de influenciar de forma local e objetiva um grupo muscular escolhido, com o necessário ângulo articular; e, (4) pode também ser melhorada a capacidade para executar força rápida e explosiva. No entanto, este tipo de treinamento possui diversas desvantagens como: (1) influência negativa sobre a elasticidade muscular;

(2) soltura e capacidade de distensão, como conseqüência da tensão muscular máxima; (3) monotonia do treinamento; e, (4) provoca um rápido aumento da secção transversa, mas não uma capilarização do músculo (WEINECK, 2000).

Os fatores mecânicos do tipo de contração muscular, do comprimento muscular e da velocidade de contração afetam a habilidade do músculo para gerar força, pois a força criada pelas fibras musculares durante a ação muscular, depende da quantidade de pontes cruzadas que se encontram em contato com os filamentos de actina num determinado momento. Quanto mais pontes cruzadas estiverem em contato com os sítios ativos de actina, mas potente será a ação muscular (WILMORE e COSTLL, 2001).

O comprimento muscular afeta a capacidade de ligação entre as moléculas de actina e miosina. Em fibras musculares hiperalongadas, os filamentos de actina e de miosina encontram-se afastados, essa diminuição resulta em menos pontes

cruzadas, ligando-se para produzir a força. Preconiza-se que exista um comprimento favorável, no qual o maior número de pontes cruzadas entre as moléculas pode ser formado. A velocidade de contração, também afeta a capacidade de ligação, entre as moléculas de actina e miosina. Há uma velocidade ideal, onde pode ser verificada a formação de um maior número de pontes entre as moléculas (FRONTERA, DAWSON e SLOVIK, 1999).

A força surge de uma interação entre o sistema músculo esquelético e os sistemas que fornecem os suportes neurológicos, metabólicos e hormonais requeridos. O bem-estar psicológico, o estilo de vida, a nutrição, o nível de atividade física e de condicionamento, bem como o estado de saúde geral, também influenciam a performance muscular, portanto os profissionais de reabilitação devem considerar todos esses fatores ao estabelecerem um programa. Os efeitos da idade, o desuso, a imobilização e o trauma músculo esquelético exigem consideração especial, por causa de seu impacto imediato e direto na função muscular (CANAVAN, 1995).

Para POWERS e HOWLEY (2000), a habilidade para gerar força diminui com a idade, pois, verifica-se a perda de massa muscular, processo que resulta, do declínio da área de secção transversa músculo (sarcopenia). Nota-se também, que o tamanho da fibra muscular do tipo I, não muda substancialmente com a idade, já as fibras do tipo II, caminham para uma atrofia seletiva, produto do declínio do número de neurônios motores, principalmente aqueles que inervam as fibras musculares do tipo II. Ao decorrer do envelhecimento, torna-se notável o declínio da taxa de síntese de proteína pelos músculos, e uma redução da concentração de íons de cálcio no retículo sarcoplasmático (WILLIAMS, HIGGINS e LEWEK, 2002).

As adaptações do treinamento de fortalecimento, induzido nos idosos, são recorrentes do aumento do tamanho do número de fibras (diminuição da sarcopenia), aumento da massa magra esquelética, e um aumento da produção de força. Logo, o ganho de força é maior que a hipertrofia, em idosos submetidos a um programa de treinamento de força. Esse achado é entendido, porque o aumento da produção de força ocorre não somente devido ao aumento da hipertrofia, mas como resultado da adaptação neural ao treinamento (WILLIAMS, HIGGINS e LEWEK, 2002).

Além do envelhecimento, o trauma músculo esquelético, envolvendo o tecido conjuntivo ou estruturas articulares, pode causar atrofia e performance muscular diminuída, fato este, resultado do processo inflamatório, da tumefação, da dor e dos eventos que ocorrem durante o processo de cicatrização, pois, o tecido cicatricial imaturo diminui a força tensil, tornando o músculo vulnerável a sofrer uma nova lesão (CANAVAN, 1995).

Outro fator de fundamental importância, para o incremento da força muscular, detêm-se na quantidade de UM que se contraem simultaneamente, e da freqüência de contração de uma UM. Na contração voluntária, as UMs são recrutadas de maneira assincrônica. Portanto, o músculo voluntariamente inervado nunca desenvolve sua força latente absoluta, mas somente a sua força máxima (MELLEROWICZ e MELLER, 1979).

O ganho de força pode ser resultante, do recrutamento de UMs adicionais, que atuam de forma sincrônica, facilitando a contração e aumentando a capacidade do músculo em gerar força. Essa melhoria do padrão de recrutamento pode ser resultante de um bloqueio ou de uma redução de impulsos inibitórios, permitindo que mais UMs sejam ativadas simultaneamente (POWERS e HOWLEY, 2000) .

Para FRONTERA, DAWSON e SLOVIK (1999), a seqüência normal de ativação da UM invoca primeiro as menores. Entretanto, com esforço fraco, as UMs do tipo I são recrutadas. À medida que a demanda, para níveis de força mais altos aumenta, as UMs do tipo II tornam-se ativas. Esse fenômeno é conhecido como princípio do recrutamento, este tem implicações para o treinamento de força. Os pacientes cujo programa de exercícios é limitado ao esforço submáximo podem estar estressando somente as fibras do tipo I, porém quando o limiar desse estímulo aumenta, são as UMs do tipo II que experimentarão os efeitos do treinamento.

O resultado mais óbvio do treinamento de força é um aumento na capacidade funcional do músculo em gerar força, aumento que surge de várias alterações na morfologia e fisiologia, causado pelo estresse do exercício. Essas alterações são provocadas por uma variedade de efeitos fisiológicos, desencadeados na musculatura esquelética (CARVALHO, SHIMANO e VOLPON, 2002).

Os efeitos fisiológicos desencadeados na musculatura esquelética, durante períodos de treinamento de fortalecimento, incluem os fatores neurais, o aumento muscular, a hipertrofia e hiperplasia. Tornou-se claro, que parte do ganho de força que ocorre com o treinamento, especialmente no início de um programa, deve-se às adaptações neurais, e não à hipertrofia. As adaptações neurais relacionadas ao treinamento de força incluem, um recrutamento aumentado das UMs e sincronização de descarga das UMs (POWERS e HOWLEY, 2000).

À medida que a eficácia dos elementos neurais melhoram, ocorre hipertrofia do músculo esquelético, quando o exercício é adequado. As mudanças que resultam no aumento do diâmetro da fibra muscular, incluem remodelação das proteínas musculares (actina e miosina), aumento no tamanho e no número de miofibrilas por fibra muscular, aumento da densidade capilar, aumento quantitativo de substâncias

(há um aumento na quantidade de glicogênio e mioglobina em músculos treinados), aumento no número de sarcômeros, e aumento na quantidade e na força dos tecidos conjuntivos tendinosos e ligamentares (MELLEROWICZ e MELLER, 1979).

Cada um dos tipos de fibras pode ser afetada diferencialmente, dependendo da intensidade da resistência imposta e do tipo de contração. Há um aumento da área de secção transversa das fibras do tipo I e do tipo II. Além disso, observa-se uma resposta metabólica dos dois tipos de fibra, com uma conversão das fibras do tipo IIb para fibras do tipo IIa, indicando um aumento na capacidade oxidativa, após o treinamento de força (WILLIAMS, HIGGINS e LEWEK, 2002).

Embora a hipertrofia seja verdadeira tanto para o homem quanto para mulher, o fenômeno é muito menos pronunciado na mulher. Pois a hipertrofia é regulada principalmente pelo hormônio testosterona, cujos níveis são cerca de 10 vezes, mais altos no sangue de homens, do que nas mulheres. Outros fatores podem ser considerados como: (1) menor quantidade de massa corporal; e, (2) maior reserva de gordura corporal (POLLOCOK e WILMORE, 1993).

Evidencia-se também, que o exercício pode induzir a hiperplasia, que é um aumento no número de fibras musculares. O mecanismo para a hiperplasia pode ser resultado de uma ruptura da fibra muscular, ou ativação das células satélites; esta ativação, pode ser causada por exercício de forte resistência, uso excessivo, ou pelo alongamento prolongado induzido pelo uso de pesos (WILMORE e COSTILL, 2001).

Outro fator fisiológico, que se destaca auxiliando no incremento da força muscular é a inibição autogêna. Os mecanismos inibitórios do sistema neuromuscular, como o Órgão Tendinoso de Golgi (OTG), podem ser necessários para impedir que os músculos exerçam mais força do que os ossos e o tecido conjuntivo possam suportar. O efeito do treinamento de fortalecimento, sobre essas

estruturas, baseia-se na neutralização, ou na redução de forma gradativa desses impulsos inibitórios. Isto permite ao músculo atingir níveis maiores de força (POWERS e HOWLEY, 2000).

2.2.7.1 Condições ideais necessárias para o desenvolvimento muscular no treino de fortalecimento

A arte de treinar ou fortalecer os músculos está em se criar condições, nos quais eles sejam chamados a trabalhar em sua capacidade total (GARDINER, 1995).

Todos os programas de treino de fortalecimento começam com um plano básico de exercícios. Dentre as variáveis que devem ser consideradas no desenvolvimento de exercícios tem-se: (1) a escolha do tipo de exercício; (2) a seqüência deste; (3) o número de séries; (4) a intensidade dos exercícios; e, (5) a quantidade de repouso entre as séries (CANAVAN, 1995).

O treinamento em pacientes saudáveis provoca mudanças de força, durante as primeiras 6 a 12 semanas de um programa de treinamento através do recrutamento de UMs adicionais e do aprendizado motor. E nas semanas seguintes, o incremento da força muscular é resultado da hipertrofia muscular (CANAVAN,1995).

Para indivíduos normais em idade universitária pode-se conseguir alterações fisiológicas significativas, graças a programas de treinamento realizados apenas 2 ou 3 vezes por semana, pois, os dias de repouso entre as atividades de força parecem, ser fundamentais para o aumento ideal da força, reduzindo o risco de lesões e treinamento excessivo (overtraining). A intensidade deve ser mantida entre 4 a 8 repetições máximas, aplicadas em 3 a 4 séries (MELLEROWICZ e MELLER,

1979). Para o treinamento com força máxima 2, a duração da contração deve ser de 5 a 25 s. Para WEINECK (2000), o tempo de tensão ótimo está em cerca de 6 a 8 s.

Já a intensidade do estímulo deve atingir cerca de 50 a 70% da força máxima.

2.3 ELETROESTIMULAÇÃO

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