A pesquisa foi composta por cinco etapas: (1) avaliação inicial; (2) estimulação com 10 contrações, associadas e não à isometria; (3) primeira reavaliação; (4) estimulação com 20 contrações associadas e não à isometria; e, (5) reavaliação final.
A primeira etapa constituída pela avaliação foi realizada no primeiro dia do experimento, utilizando como instrumento de pesquisa uma ficha de avaliação. Essa ficha incluía questionamentos como: nome, idade, sexo, profissão, raça, endereço e
qual membro era dominante. Compunha-se de uma breve anamnese, verificando presença de histórias pregressas de lesões nos últimos 12 meses, ou até mesmo anterior a estes, no membro a ser analisado. Após a coleta desses dados foi procedida uma inspeção das partes óssea, muscular, articular e cutânea dos membros superiores, seguida por palpação das mesmas estruturas observadas durante a inspeção.
A perimetria foi também um item apenas da avaliação inicial, indicando observar diferença extrema dos membros analisados. A perimetria foi realizada com uma fita métrica da marca easyread de fabricação nacional, realizada após a divisão do antebraço em 3 partes, tendo como ponto de referência o processo do olécrano.
A partir deste ponto foram demarcados mais três pontos localizados a: 5 cm , 10 cm e 15 cm; o indivíduo permanecia sentado, com os membros superiores ao longo do tronco em posição anatômica. Observou-se também a presença de limitações de amplitude de movimento (ADM) ativamente, e se necessário seria realizada a goniometria, com a utilização de um goniômetro de acrilíco, fato este que não ocorreu. Verificou-se também a sensibilidade através dos dermatomos.
Para a mensuração da força muscular de preensão palmar, realizou-se a dinamometria (Figura 9), por meio de um dinamômetro de preensão palmar, da marca North Coast Medical, modelo NC70154, com escala em libras por centímetro ao quadrado (l/cm2). Cada voluntário foi orientado a permanecer na posição sentada em uma cadeira, de tal maneira que os quadris e joelhos ficassem com 90º de flexão, mantendo os pés apoiados no chão; os membros superiores foram posicionados com o ombro na posição de adução, junto ao tronco e flexão em torno de 45º; cotovelo a 45º com antebraço e punho em posição neutra (entre a pronação e supinação), apoiados sobre a mesa, sem que houvesse desvios (Figura 10 e 11).
Cada voluntário foi submetido a um período de adaptação ao dinamômetro, com 3 repetições mantidas por 6 s. Após esse período o voluntário realizou novamente 3 contrações sustentadas por 6 s, com 30 s de repouso entre cada contração. Dos 3 valores obtidos, realizou-se uma média determinando a força de preensão do voluntário em ambos os membros superiores. A dinamometria foi realizada em 3 momentos da pesquisa, na avaliação, na reavaliação (após 12 sessões de eletroestimulação) e na avaliação final completando 24 sessões de tratamento. Esse procedimento foi realizado com o objetivo de verificar se houve aumento de força dos músculos estimulados.
FIGURA 9 - DINAMÔMETRO UTILIZADO PARA AS MENSURAÇÕES
FONTE: A autora
A segunda etapa consta da aplicação do protocolo de eletroestimulação com corrente de média freqüência no grupo I (figura 12), e a aplicação do protocolo de eletroestimulação associado com a isometria (figura13). Nos grupos 1 e 2, antes da realização da estimulação, limpou-se a pele da região de antebraço, com um algodão embebido em álcool comum.
A estimulação elétrica neuromuscular foi realizada, através do aparelho Kinesis Corrente Russa, da marca KW. Este equipamento caracteriza-se pelas correntes alternadas, bifásicas simétricas, de intensidade variável de 0 a 60 miliamperes (mA), com 8 canais independentes, produzindo correntes com freqüência de 2500 Hz (quando utilizado a seleção de Corrente Russa).
FIGURA 10 - POSICIONAMENTO DO MEMBRO SUPERIOR DURANTE AS MENSURAÇÕES
FONTE: A Autora
Utilizaram-se eletrodos de silicone com gel hidrossolúvel na superfície, fixados na pele do paciente através de fita adesiva. Eram utilizados dois canais para cada antebraço, sendo que um era posicionado na região anterior sobre o ponto motor da musculatura extrínseca flexora de punho e dedos (Figura 12), tendo como ponto de referência o epicôndilo medial, o outro eletrodo era posicionado distalmente ao primeiro; o segundo canal era colocado sobre o ponto motor da musculatura extrínseca extensora de punho e dedos, tendo como ponto de referência o
epicôndilo lateral (Figura 13), e o outro colocado em uma região adjacente, totalizando a utilização de 4 canais (2 para cada antebraço).
FIGURA 11 - POSTURA ADOTADA DURANTE A MENSURAÇÃO DA FORÇA, E OS PROTOCOLOS DE ELETROESTIMULAÇÃO
FONTE: A Autora
A postura adotada durante a realização da EENM foi à mesma utilizada durante a dinamometria. O membro superior permaneceu apoiado sobre a mesa, com o ombro em adução, junto ao corpo e uma flexão de aproximadamente 45º, cotovelos mantidos em 45º de flexão, com antebraço e punho em posição neutra e relaxada.
Os procedimentos foram efetuados na Clínica de Fisioterapia da UNIOESTE, em um box contendo um divã (1,90 x 0,65 x 0,80 cm) e, um banco de altura regulável. Para que o tratamento fosse realizado com a mesma postura determinada durante a avaliação, foi necessário o uso de um travesseiro de courvin (6 x 18,5 cm) em baixo dos antebraços.
FIGURA 12 - POSICIONAMENTO DOS ELETRODOS EM MUSCULATURA INTRÍNSECA E EXTRÍNSECA FLEXORA DE PUNHO E DEDOS, E A ESTIMULAÇÃO SOMENTE COM O ELETROESTIMULADOR PORTADOR DA CORRENTE RUSSA
FONTE: A Autora
A aplicação dos protocolos de eletroestimulação ocorreram 3 vezes por semana, durante um período de 8 semanas, totalizado 24 terapias. Sendo que durante os 12 primeiros procedimentos de eletroestimulação, foram realizadas 10 contrações, caracterizando a segunda etapa; nos outros doze procedimentos foram 20 contrações, caracterizando a quarta etapa.
Durante a aplicação, a intensidade da corrente foi mantida, após ser atingido o limiar de excitabilidade motor, na intensidade referida pelo paciente como intensa,
mas, suportável. Os parâmetros utilizados durante a aplicação dos protocolos de eletroestimulação com Corrente Russa foram: corrente portadora de 2500 Hz, modulada em 50 Hz, ciclo de subida de 0,5 s, tempo de manutenção de 6 s, tempo de descida de 0,5 s, e, tempo de repouso de 13 s.
FIGURA 13 - ESTIMULAÇÃO COM CORRENTE RUSSA ASSOCIADA À ISOMETRIA, COM PUNHO EM POSIÇÃO NEUTRA, E O POSICIONAMENTO DOS ELETRODOS EM MUSCULATURA INTRINSECA E EXTRINSECA EXTENSORA DE PUNHO E DEDOS
FONTE: A Autora
O aparelho produziu uma contração sincrônica entre a musculatura extensora e flexora de punho e dedos, surgindo isometria não voluntária para os 2 grupos estimulados, além de ter sido solicitado para os voluntários do grupo 2 realizarem junto com a contração provocada pela corrente a contração isométrica da musculatura extrínseca flexora e extensora de punho e dedos voluntária.
Após o 12.º procedimento foi realizado a reavaliação de maneira semelhante à avaliação inicial (terceira etapa), monitorando o ganho de força através do dinamômetro de preensão palmar, como relatado anteriormente. Ao final do experimento foi efetuada uma reavaliação final, da mesma forma que a inicial (quinta etapa) para verificar se houve incremento da força de preensão palmar nos indivíduos estimulados. Com o grupo controle as avaliações foram realizadas de forma semelhante aos grupos estimulados, verificando alterações na sua força de preensão palmar, para posteriormente comparar com os resultados obtidos com os demais grupos que realizaram o tratamento.
A análise dos resultados foi feita através de uma avaliação quantitativa, comparando os resultados dos indivíduos dos três grupos. Os dados foram analisados através da estatística discritiva e do teste t de student, do programa Excell 2000 Microsoft Office, com nível de significância de 5%, a fim de verificar as relações entre os grupos.
4 RESULTADOS
Nesta parte do estudo serão apresentados os resultados obtidos através da dinamometria. Esta, por sua vez foi realizada em três etapas: (1) avaliação inicial; (2) primeira reavaliação, realizada após 12 sessões de tratamento e (3) reavaliação final realizada após as 24 sessões de tratamento. Em cada avaliação, foi efetuado três mensurações, mantendo sempre 30 s de intervalo entre elas, com o objetivo de ser evitado a fadiga muscular. Essas mensurações foram realizadas em ambas as mãos utilizando o mesmo procedimento. Em cada mensuração foi obtido um valor que discrimina a força que o indivíduo possui. Contudo, para se obter um resultado mais significativo, foi realizada a média das três mensurações.