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CAPÍTULO 6 – LICENCIAMENTO DE ATIVIDADES 6.1 Definição de Licenciamento
6.2. Efeitos decorrentes do Licenciamento Provisório
Ao assinalar a declaração de aceitação ao Termo de que trata o artigo 8º da Resolução CGSIM 16/09, o MEI está provisoriamente licenciado. Essa declaração significa que o MEI passa a assumir dupla responsabilidade. Uma, pelo atendimento às exigências e cumprimento dos procedimentos para o licenciamento, caso suas atividades sejam classificadas como de alto risco, antes de iniciar o exercício delas, ou seja, antes de iniciar a operação (ver itens 6.3 e 6.4 do Capítulo 6 deste Manual). Outra, pela observância de eventuais restrições impostas pelos órgãos e entidades para o exercício das atividades. Em outras palavras, assume a responsabilidade sobre o que precisa ser feito depois de iniciada a operação para manter a regularidade, ou seja, a licença, independente do grau de risco de suas atividades.
Mas o impacto mais significativo dessa declaração atinge os órgãos e entidades públicas responsáveis pelo licenciamento de atividades. Sem dúvida o licenciamento provisório obtido nos termos do artigo 8º da Resolução CGSIM 16/09 é fundamental no combate à burocracia excessiva. Grande parte das empresas em situação irregular, em relação ao licenciamento, se
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deve à imensa dificuldade de atendimento às exigências e procedimentos decorrentes. Isso fica mais claro ainda em relação ao MEI. O licenciamento feito pelas regras tradicionais seria totalmente incompatível com o porte econômico e o potencial de risco decorrentes das atividades do MEI. Daí a importância que o Comitê para a Gestão da REDESIM atribui a esse licenciamento provisório, dentro do processo de registro e legalização do MEI.
Em síntese, os efeitos do licenciamento provisório obtido pela declaração prevista no artigo 8º da Resolução CGSIM 16/09 estão previstos nos artigos 11 a 15 combinados com o artigo 19, todos da mesma Resolução, e são as seguintes:
6.2.1. Vale para todos os órgãos e entidades públicas, do estado e do município. Daí o artigo 12 da Resolução CGSIM 16/09 determinar a disponibilização eletrônica dos dados cadastrais colhidos no processo de registro e legalização do MEI, para os Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir do segundo dia do mês subseqüente ao registro. Caso o ente federativo esteja informatizado e integrado ao Portal do Empreendedor, os dados deverão ser repassados imediata e automaticamente à sua coleta.
6.2.2. Estão compreendidos no licenciamento provisório todos os tipos de licenças: sanitária, ambiental, de segurança contra incêndio, de uso e ocupação de solo e de posturas específicas previstas na legislação municipal, inclusive em relação a atividades domiciliares. Por isso, o artigo 13 da Resolução CGSIM 16/09, determina que, após o recebimento dos dados cadastrais colhidos no processo de registro e legalização, todos os órgãos e entidades responsáveis pela concessão de alvarás, licenças de funcionamento e pela fiscalização tributária deverão executar automaticamente a respectiva inscrição do MEI em seus cadastros.
6.2.3. Tem prazo de vigência de 180 (cento e oitenta) dias. Mas esse prazo corre contra os órgãos e entidades responsáveis pelo licenciamento. Findo esse prazo, sem que esses órgãos e entidades concluam suas análises, o licenciamento provisório é convertido automaticamente em definitivo, ou seja, em alvará de funcionamento. Assim determina o parágrafo 1º do artigo 8º da Resolução CGSIM 16/09. Nesse prazo de 180 dias, duas linhas de análise devem ser executadas.
A primeira é exclusiva da Prefeitura, posto que decorrente da fiscalização do cumprimento da lei de zoneamento ou de uso e ocupação do solo. Ao final dessa análise, a Prefeitura deve manifestar-se quanto à correção do endereço de exercício da atividade do MEI, relativamente à sua descrição oficial, assim como quanto à possibilidade do exercício das atividades nesse local. Essa manifestação pode ser tácita ou explícita. A manifestação tácita é sempre positiva ao MEI. Ela se opera nos termos do parágrafo 2º do artigo 8º da Resolução CGSIM 16/09: não havendo manifestação formal da Prefeitura, o MEI está autorizado a exercer a atividade declarada no local indicado. A manifestação explícita, por notificação da Prefeitura, é sempre negativa, posto que obriga o MEI a corrigir o endereço, caso não corresponda ao cadastro
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imobiliário do município, ou a transferir o estabelecimento ou o local de exercício das atividades, caso a lei de zoneamento ou de uso e ocupação do solo impeça esse exercício. Essas notificações estão previstas, respectivamente, nos parágrafos 3º e 4º do artigo 8º da Resolução CGSIM 16/09.
6.2.4. O não atendimento à notificação prevista no parágrafo 4º do artigo 8º da Resolução CGSIM 16/09, para transferência do estabelecimento ou do local de exercício da atividade, gera necessariamente o cancelamento do registro do MEI na Junta Comercial e, conseqüentemente, a inscrição no CNPJ. Entretanto, esse cancelamento tem que ocorrer dentro do prazo de vigência do licenciamento provisório, ou seja, 180 (cento e oitenta) dias. Dentro desse prazo a Prefeitura deve executar todas as ações decorrentes. Começando pela análise inicial do registro, com base no recebimento dos dados do Portal do Empreendedor, passando pela notificação de transferência do local de exercício da atividade, incluindo obviamente a verificação da efetiva transferência e da respectiva alteração do registro na Junta Comercial. Tudo isso deve estar concluído no prazo de 180 (cento e oitenta) dias porque esse é o prazo que o “caput” do artigo 19 da Resolução CGSIM 16/09 dá à Prefeitura para expedir e encaminhar à Junta Comercial a comunicação de cancelamento do registro e inscrições do MEI.
6.2.5. O ato de alteração do registro mercantil em função da notificação da Prefeitura deverá ser gratuito, nos termos do parágrafo 5º do artigo 8º da Resolução CGSIM 16/09, mediante apresentação à Junta Comercial de requerimento do MEI acompanhado da referida notificação. O ato de cancelamento do registro mercantil em função do não atendimento à notificação de transferência de estabelecimento ou local de exercício de atividade, também será gratuito. Para isso, a Prefeitura deve expedir ofício que aponte o NIRE, o CNPJ, o motivo e a data da deliberação, tudo conforme o parágrafo 1º do artigo 19 da Resolução CGSIM 16/09, com a redação dada pela Resolução CGSIM 17/10. A Junta Comercial, com base no ofício, além de cancelar o respectivo registro, dará ciência à Receita Federal do Brasil, para fins do conseqüente cancelamento do CNPJ, de acordo com o parágrafo 2º do artigo 19 da Resolução CGSIM 16/09, com a redação dada pela Resolução CGSIM 17/10.
Quanto aos demais órgãos e entidades públicas envolvidas no processo de registro e legalização, mais especificamente os órgãos estaduais tributários e de licenciamento, receberão a informação do cancelamento do alvará provisório diretamente do Portal do Empreendedor, conforme o parágrafo único do artigo 19 combinado com os artigos 12 e 13 todos da Resolução CGSIM 16/2009. Com base na informação recebida, deve ser procedido o cancelamento das respectivas inscrições e licenciamentos concedidos.
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Futuramente, o Portal do Empreendedor deverá disponibilizar instrumento informatizado para que as Prefeituras possam registrar diretamente o cancelamento, sem passar pela Junta Comercial, e oferecer consulta a todos os órgãos e entidades envolvidos no processo de registro e legalização, principalmente os responsáveis pelo licenciamento. É o que prevê a alínea "b" do inciso II do parágrafo 1º combinado com o parágrafo 3º, ambos do artigo 19 da Resolução CGSIM 16/09, alterado pela Resolução CGSIM 17/10 (ver item 6.2 do Capítulo 6 deste Manual).
6.2.6. Permite o início imediato das atividades pelo MEI, obviamente quando essas atividades forem classificadas como de baixo risco. Portanto, fica dispensada a vistoria prévia. Conforme os artigos 14 e 15 da Resolução CGSIM 16/09 as vistorias necessárias à emissão de licenças como também à inscrição nos órgãos fazendários, deverão ser realizadas somente após o início das atividades do MEI. Portanto, a dispensa de vistoria prévia para o MEI que exerce atividades de baixo risco é impositiva para os órgãos e entidades estaduais e municipais responsáveis pelo licenciamento e inscrições tributárias.
6.2.7. Pode permitir o exercício das atividades, mesmo que o local indicado esteja irregular do ponto de vista fundiário ou que seja a própria residência do MEI. O artigo 11 da Resolução CGSIM 16/09 permite à Prefeitura não se manifestar, caso ocorra um desses casos, o que equivale à conversão do alvará provisório em definitivo. É importante lembrar que o parágrafo único do artigo 7º da Lei Complementar 123/06, também prevê que o município possa conceder Alvará de Funcionamento Provisório nos casos de irregularidade fundiária e exercício de atividade na residência. Isso indica a importância e precedência da legalização do MEI, que inclui o licenciamento completo da atividade, frente a eventuais irregularidades formais que possam recair sobre o imóvel. Igualmente indica o reconhecimento de que ao MEI, em função do seu porte econômico e de suas atividades e ocupações, muitas vezes é obrigado a exercê-las em sua própria residência. Obviamente, neste caso, o parágrafo único do artigo 7º da Lei Complementar 123/06 e o inciso II do artigo 11 da Resolução CGSIM 16/09, excepciona o licenciamento provisório não se aplica às atividades que produzam grande circulação de pessoas. Sendo discricionário o ato de aceitação do exercício da atividade em imóvel desprovido de regularidade fundiária ou na própria residência, é de boa prática que o MEI obtenha informações e orientações diretamente na Prefeitura, antes de início do processo de registro e legalização.
6.2.8. Pode permitir a dispensa de licenciamento, caso a atividade seja considerada de baixo risco e o endereço indicado seja para mera correspondência, ou seja, cujo exercício se dê exclusivamente na residência ou estabelecimento de seus clientes. É o que prevê o parágrafo único do artigo 11 da Resolução CGSIM 16/09. Nestes casos, a rigor, não se está diante de hipótese de dispensa, mas
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sim de inexistência de direito da Prefeitura exigir o licenciamento. Não se pode exigir que o MEI obtenha licenciamento para sua residência, cuja indicação no registro tenha sido feita apenas para eleição de domicílio e recebimento de correspondência. De qualquer forma, tendo em vista a possibilidade, mesmo que absurda, da legislação municipal impedir a indicação da residência como endereço do MEI que exerce atividade exclusivamente na residência ou estabelecimento de seus clientes, também é de boa prática que o MEI obtenha informações e orientações diretamente na Prefeitura, antes de início do processo de registro e legalização.
Dica Importante
Há três evidentes lacunas nos dispositivos da Resolução CGSIM 16/09, em relação ao licenciamento provisório e ao processo de cancelamento de registro.
Deve-se lembrar que o Termo de Ciência e Responsabilidade com Efeito de Alvará de Licença e Funcionamento Provisório substitui duas etapas distintas dentro do processo de registro e legalização do MEI, conforme já abordado nos itens 5.3.2 e 5.3.5.3 do Capítulo 5 deste Manual. A primeira é a chamada pesquisa prévia de viabilidade e a segunda é o próprio licenciamento das atividades. O processo de análise e cancelamento previstos nos parágrafos 3º, 4º e 5º do artigo 8º combinado com o artigo 19, todos da Resolução CGSIM 16/09, só atinge a viabilidade. Por isso, só a Prefeitura tem, segundo esses dispositivos, o poder de efetuar o cancelamento. Afinal, a viabilidade tem relação com a lei municipal de zoneamento ou de uso e ocupação do solo. Ou seja, todo o processo previsto nesses dispositivos está estruturado para que a Prefeitura reconheça a possibilidade do MEI exercer as atividades no local indicado.
Mas esses dispositivos não contemplam a análise e cancelamento do licenciamento provisório pelos órgãos e entidades estaduais responsáveis pela fiscalização do cumprimento de exigências e atendimento a restrições de operação referente aos aspectos sanitários, ambientais e de segurança contra incêndio. Também não contemplam o eventual cancelamento por parte de outros órgãos municipais responsáveis pela fiscalização de posturas específicas da legislação municipal de natureza de licenciamento e não de viabilidade. Essa lacuna poderia estar sanada com a Resolução CGSIM 22/10 (ver item 6.3 do Capítulo 6 deste Manual). Porém, a interpretação que se abre é a de que a falta da transferência do estabelecimento ou do local do exercício da atividade, quando notificada pela Prefeitura, é o único caso autorizado para cancelamento do registro e inscrições do MEI. Qualquer ação de fiscalização realizada pelos demais órgãos e entidades responsáveis pelo licenciamento, poderá gerar somente procedimentos de natureza orientadora, podendo até culminar na imposição de penalidade e cassação da respectiva licença ou alvará. Porém, não poderá gerar o cancelamento do registro e inscrições. De qualquer forma, conforme já foi discutido no item 6.2 deste Manual, o licenciamento provisório, e sua eventual conversão em definitivo, alcança apenas as hipóteses de atividades de baixo risco.
Outra lacuna da Resolução CGSIM 16/09, tem relação com o início da contagem do prazo de vigência do licenciamento provisório (180 dias). Tanto poderia ser considerada a data do registro do MEI, consignada no Certificado da Condição de Microempreendedor Individual – CCMEI (ver item 5.3.7 do Capítulo 5 deste Manual), quanto a data do recebimento dos dados
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enviados pelo Portal do Empreendedor à Prefeitura. Tendo em vista o prazo de vigência correr contra a Administração Pública, é defensável que a sua contagem tenha início com o recebimento dos dados, enviados pelo Portal do Empreendedor, desde que esse envio tenha se dado em prazo aceitável em função da tecnologia empregada.
Outro ponto obscuro da Resolução CGSIM 16/09, tem relação com o prazo de vigência do Alvará de Licenciamento definitivo, concedido tacitamente em função da ausência de manifestação da Prefeitura dentro dos 180 dias. Partindo do pressuposto de que o MEI merece tratamento ainda mais favorecido e diferenciado, nos termos da Lei Complementar 123/06, e de que a Resolução CGSIM 16/09 não impõe limitação, é aceitável a conclusão de que o licenciamento é de prazo indeterminado.