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Licenciamento Provisório para as atividades de Baixo Risco

No documento ENTENDENDO E ATENDENDO O MEI (páginas 36-38)

ENTENDENDO E ATENDENDO O MEI

CAPÍTULO 6 – LICENCIAMENTO DE ATIVIDADES 6.1 Definição de Licenciamento

6.2. Licenciamento Provisório para as atividades de Baixo Risco

O Portal do Empreendedor ainda não disponibiliza os instrumentos informatizados necessários à execução integrada do licenciamento abrangendo todos os tipos de licenças de todos os órgãos e entidades públicas (ver item 5.2 do Capítulo 5 deste Manual). Não disponibiliza igualmente a funcionalidade que permite a pesquisa prévia de viabilidade para o exercício das atividades em local específico (ver item 5.3.2 do Capítulo 5 deste Manual). Por derradeiro, no Portal do Empreendedor também não constam informações e orientações suficientes sobre os requisitos que o MEI deve atender perante os órgãos e entidades públicas responsáveis pelo licenciamento de cada tipo de licença (ver item 5.3.1 do Capítulo 5 deste Manual).

Como alternativa, enquanto essas informações e instrumentos informatizados não são disponibilizados no Portal do Empreendedor, de forma integrada, o artigo 8º e seguintes da Resolução CGSIM 16/09 concede a permissão provisória para início das atividades do MEI, logo após o registro mercantil e a inscrição no CNPJ. Isso é viabilizado pela declaração do MEI de aceitação ao Termo de Ciência e de Responsabilidade com Efeito de Alvará e Licença de Funcionamento Provisório (ver itens 5.1.4 e 5.3.5.3 do Capítulo 5 deste Manual).

O artigo 8º da Resolução CGSIM 16/09 está baseado no artigo 7º da Lei Complementar 123/06. Entretanto, o artigo 7º da Lei Complementar 123/06 limitou seu comando aos municípios, provavelmente porque o legislador tenha considerado que o alvará ou licença municipal

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represente a consolidação das licenças de todos os órgãos de licenciamento, incluindo aí os estaduais.

Porém, o “caput” do artigo 9º da Resolução CGSIM 16/09, não deixa qualquer dúvida. O licenciamento provisório obtido pela declaração de aceitação ao Termo de Ciência e de Responsabilidade previsto no artigo 8º da mesma Resolução alcança os requisitos sanitários, ambientais, tributários, de segurança contra incêndio, uso e ocupação do solo, atividades domiciliares e restrições ao uso de espaços públicos. De fato, ao fazer a declaração, o MEI manifesta seu conhecimento e o seu compromisso de atendimento aos requisitos legais exigidos pelos órgãos do Estado e pela Prefeitura do Município para emissão dos respectivos alvarás e licenças de funcionamento. Manifesta também a ciência de que o não atendimento a esses requisitos acarretará o cancelamento do Alvará de Licença e Funcionamento Provisório. Entretanto, tanto o artigo 7º da Lei Complementar 123/06 quanto o artigo 8º da Resolução CGSIM 16/09 não se aplicam nos casos em que as atividades sejam classificadas como de grau de risco alto (ver item 6.4 do Capítulo 6 deste Manual). Portanto, não tem validade o licenciamento provisório obtido pela declaração de aceitação ao referido Termo, se a atividade exercida pelo MEI for classificada como de alto risco pelos órgãos e entidades responsáveis pelo licenciamento. Isso significa que, para poder iniciar suas atividades imediatamente após o registro, em função da declaração de aceitação ao referido Termo, o MEI precisa ter certeza de que a sua atividade é de baixo risco.

Considerando que o Portal do Empreendedor não disponibiliza orientações e instrumentos informatizados e integrados, como o MEI pode ter certeza de que as suas atividades são consideradas de baixo risco pelos órgãos e entidades responsáveis pelo licenciamento?

A resposta a essa pergunta está no parágrafo único do artigo 9º da Resolução CGSIM 16/09. Os órgãos e entidades responsáveis pelo licenciamento terão que organizar um serviço de consulta presencial para que o MEI possa ter a certeza de que as suas atividades são consideradas de baixo risco. Por outro lado, o mesmo parágrafo único do artigo 9º da Resolução CGSIM 16/09 determina que os órgãos e entidades responsáveis pelo licenciamento informem e orientem o MEI sobre todas as exigências e procedimentos relativos ao licenciamento de suas atividades, caso a atividade seja classificada como de alto risco. Não se trata apenas de uma recomendação. Trata-se de obrigação em prestar orientações e fornecer informações.

Mas essa consulta presencial precisa ser contextualizada dentro do processo de registro e legalização do MEI, regulamentado pela Resolução CGSIM 16/09.

Em primeiro lugar, o atendimento único é uma diretriz de todo o processo de registro e legalização do MEI. A consulta presencial tem o objetivo de suprir as insuficiências do Portal do Empreendedor. Portanto, ela também deve obediência às diretrizes definidas no artigo 3º da mesma Resolução CGSIM 16/09 (ver itens 5.1.1 a 5.1.4 do Capítulo 5 deste Manual). Em outras palavras, se é inevitável o reconhecimento de que o atendimento único somente será

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possível após a informatização e racionalização de todo o processo de registro e legalização, é legítimo reconhecer que a consulta presencial do MEI deve ser definitiva em termos de informação e orientação. Inclusive sobre a classificação da atividade em baixo ou alto risco. Portanto, a partir dessa consulta presencial, não pode restar dúvida alguma ao MEI.

Em segundo lugar, para ser única, a consulta presencial nos órgãos e entidades de licenciamento deve resultar em resposta imediata e categórica sobre o grau de risco, mediante a descrição da atividade econômica (CNAE) e mais informações sobre a forma do exercício da atividade ou do processo produtivo. Em decorrência da classificação em grau de risco alto, outro resultado é esperado na consulta presencial: informações sobre as exigências e procedimentos, previstos na respectiva legislação dos órgãos e entidades de licenciamento, que precisam ser cumpridos antes do início das atividades.

Em resumo, após a consulta presencial, o MEI deve sair uma ou duas das três informações. Caso a atividade for classificada como de baixo risco, que sua declaração de aceitação ao Termo previsto no artigo 8º da Resolução CGSIM 16/2009 produz o efeito de licença e que, portanto, pode ser iniciado o exercício de suas atividades, sem necessidade de cumprir exigências ou procedimentos adicionais. Caso a atividade for classificada como de alto risco, que a declaração de aceitação ao Termo de Ciência e Responsabilidade não resulta em licenciamento provisório e que, portanto, deve ser atendidas exigências e cumpridos procedimentos (licenciamento) antes de ser iniciado o exercício de suas atividades. Caso o exercício da atividade se dê em espaço público, sobre as exigências e procedimentos para obtenção de uma autorização especial (ver Capítulo 7 deste Manual).

Em terceiro lugar, as empresas de serviços contábeis não estão obrigadas a fazer a consulta presencial, em função do que já foi dito no item 5.4 do Capítulo 5 deste Manual. Portanto, a obrigação do MEI em fazer consulta presencial junto aos órgãos e entidades de licenciamento não se estende às empresas de serviços contábeis.

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