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Efeitos dentoalveolares do aparelho Forsus

2. REVISÃO DA LITERATURA

2.3. O aparelho Forsus

2.3.3. Efeitos dentoalveolares do aparelho Forsus

Aras e Pasaoglu (2017) compararam a eficácia de tratamentos abrangentes de aparelhos fixos, implementados em combinação com o aparelho Forsus Resistente à Fadiga com módulo EZ2 ou elásticos intermaxilares, em uma amostra com má oclusão Classe II. Vinte e oito pacientes foram divididos em dois grupos randomicamente, sendo: grupo Forsus com 11 mulheres e 3 homens (idade média de 14,19 ± 1,02 anos) e o grupo de elásticos com 9 mulheres e 5 homens (idade média de 13,75 ± 1,16 anos). O estudo foi realizado com cefalogramas laterais e modelos digitais adquiridos antes do tratamento (T1) e 10 a 12 semanas após a remoção do aparelho fixo (T2). O tempo médio de tratamento foi menor com o aparelho Forsus em comparação com os elásticos (17,42 ± 0,85 meses e 20,74 ± 1,01 meses, respectivamente). Os resultados demonstraram que a amostra tratada com Forsus apresentou um avanço mandibular maior, embora não significante, quando comparado ao grupo com elásticos (grupo Forsus: SNB 0,53º e grupo com elásticos: SNB 0,42º).

Celikoglu et al. (2016) verificaram que, no grupo tratado com o aparelho Forsus com miniplacas, a Classe II foi corrigida principalmente por alterações mandibulares (SNB 2,01°, Co-Gn 4,59 mm, B-VRL 2,43 mm e Pog-VRL 2,37 mm).

2.3.3. Efeitos dentoalveolares do aparelho Forsus

Gunay et al. (2011) publicaram um estudo de curto prazo referente às alterações dentolaveolares em 15 pacientes tratados com o aparelho Forsus. Foram realizadas radiografias cefalométricas laterais antes da instalação e após a remoção do aparelho. O tempo médio de tratamento foi de 5 meses e 9 dias ± 1 mês e 16 dias, após a correção dos caninos em Classe I e da relação molar. Para o grupo controle (12 indivíduos) foram realizadas as radiografias no início e após 6 meses de acompanhamento. As alterações dentárias causadas pelo aparelho Forsus foram evidentes. Os incisivos inferiores foram

26 projetados em 10,73° (IMPA). As diferenças ocorreram em relação às linhas de referência e 2,53 mm na distância L1-NB. Uma insignificante diminuição na distância entre o molar superior e a linha de referência U6-RL1 de -1,03 mm revelou uma pequena intrusão destes dentes, enquanto os incisivos superiores foram retruídos (U1/SN -3,6°) e extruídos. Como resultado das mudanças dentoalveolares, o plano oclusal rotacionou no sentido horário. Os trespasses vertical (overbite de -2,09 mm) e horizontal (overjet de -4,32 mm) foram reduzidos em todos os pacientes. Neste estudo, pode ser verificado que a terapia com o aparelho Forsus foi eficaz na correção da Classe II por alterações dentoalveolares maxilares e mandibulares.

Um estudo retrospectivo foi publicado por Hanoun et al. (2014), o qual avaliou os efeitos produzidos produzidos pelos aparelhos Forsus (FRD) e Twin Block (TB) em pacientes que apresentavam má oclusão de Classe II, divisão 1, comparando-os com um grupo controle não tratado. Três grupos foram estudados e comparados entre si, a saber: o grupo TB com uma amostra de 37 pacientes e idade média de 11,2 anos; o grupo FRD com amostra igual a 30 pacientes e idade média de 12,9 anos; e o grupo controle com amostra de 25 indivíduos e idade média de 12,6 anos. As telerradiografias laterais foram avaliadas nas fases de pré-tratamento (T1) e pós-remoção do aparelho (T2) e em período de tempo equivalente no grupo controle. Os resultados indicaram que o grupo FRD obteve correção sagital de Classe II por alterações dentoalveolares, enquanto o grupo TB induziu alterações esqueléticas e dentoalveolares. Houve, também, uma significativa retroinclinação dos incisivos superiores no grupo TB de -12,42° e -4° no grupo FRD. Entretanto, no grupo FRD os incisivos inferiores proclinaram mais do que no grupo TB (-3,91° e -2,11°, respectivamente). A redução no trespasse horizontal dos incisivos foi de 62% e 56%, respectivamente para os grupos TB e FRD. A relação molar Classe I foi atingida em ambos os grupos tratados (4,38 mm para o grupo FRD e 4,89 mm para o grupo TB) e nenhuma alteração foi observada no grupo

27 controle. De acordo com os resultados, o aparelho Forsus se mostrou eficaz na correção da má oclusão de Classe II por alterações dentoalveolares.

Cacciatore et al. (2014a) verificou as alterações dentoalveloras ocorridas com a terapia Forsus versus a um grupo controle de Classe II não tratado. Durante o intervalo T1-T2, ou seja, no início do tratamento fixo e no tratamento com o aparelho Forsus, todas as medidas interdentais mostraram correções estatisticamente significativas no grupo tratado com Forsus, comparando-se ao grupo controle (overjet -5,1 mm, overbite -3,0 mm e relação molar +3,6 mm). Os incisivos superiores demonstraram uma retrusão significativa (U1 horizontal de -1,6 mm) no grupo tratado com Forsus e os incisivos inferiores mostraram uma proclinação significante (L1 a MPA +5.6°) associada a protrusão significativa (L1 horizontal +1,5 mm) e intrusão (L1 vertical -1,6 mm). Não foram detectadas alterações significativas na posição horizontal ou vertical dos molares superiores no grupo tratado com Forsus versus grupo controle, enquanto os primeiros molares inferiores apresentaram uma extrusão significativa (L6 vertical +1,3 mm). Durante o período de pós-tratamento (T2-T3), tanto overjet quanto overbite mostraram aumentos significativos (+1,3 mm e +1,5 mm, respectivamente) no grupo Forsus e os incisivos superiores apresentaram uma intrusão significativa (U1 vertical -1,2 mm). No final do intervalo de observação (T1-T3), o grupo Forsus apresentou overjet de -3,8 mm e sobremordida de -1,5 mm, bem como uma melhora significativa na relação molar (+3,7 mm). Os incisivos superiores exibiram uma retrusão significativamente maior (U1 horizontal -1,1 mm) no grupo tratado com Forsus e os incisivos inferiores demonstraram uma intrusão significativa (L1 vertical de -1,2 mm).

Cacciatore et al. (2014b) demonstrou que as alterações produzidas pelo aparelho Forsus foram predominantemente dentoalveolares, contribuindo de forma eficaz para a correção da Classe II. Durante a fase de nivelamento e alinhamento (T1-T2), a sobremordida diminuiu (overbite -1,7 mm e o ângulo interincisal -5,9°) devido à proclinação significativa

28 dos incisivos maxilares em relação ao plano horizontal de Frankfort (U1 a FH de 3,3°). Os molares superiores e inferiores apresentaram mesialização e extrusão significativas (U6 horizontal +1,7 mm e U6 vertical +1,1 mm; L6 horizontal 1,2 mm L6 vertical 1,6 mm). Na fase ativa do Forsus (T2-T3), o tratamento produziu alterações dentoalveolares no arco mandibular. O overjet e overbite diminuíram significativamente (-3,5 mm e -1,5 mm, respectivamente) e a relação molar melhorou em 4,3 mm. Essas alterações foram associadas à retroclinação significativa dos incisivos maxilares (U1 a FH de -3.1°), proclinação e intrusão dos incisivos inferiores (L1 a plano mandibular +5.0°; L1 vertical -1.5 mm) e mesialização dos molares inferiores (L6 horizontal 2,0 mm). Durante a fase terapêutica final (T3-T4), as alterações dentoalveolares permaneceram bastante estáveis, com a extrusão significativa dos incisivos inferiores (L1 vertical +1,1 mm).

Giuntini et al. (2015) concluíram que a amostra tratada com o aparelho de Forsus apresentou uma maior inclinação dos incisivos inferiores em relação ao grupo tratado com o aparelho Twin Block e grupo controle (2,9° e 5,6°, respectivamente). No início de tratamento (T1), não houve diferenças estatisticamente significativas entre os três grupos (Forsus, TB e controle) para nenhuma das variáveis. As únicas exceções foram overjet, que foi significativamente maior no grupo TB com relação tanto ao grupo Forsus quanto à amostra controle (2,2 mm e 3,3 mm, respectivamente) e a inclinação dos incisivos superiores para o plano horizontal de Frankfort, que foi significativamente maior no grupo TB comparado com o grupo Forsus (incisivo inferior – HF igual a 8,7°). Com relação às alterações dentoalveolares em T1-T2, o grupo TB apresentou reduções significativamente maiores no overjet do que na amostra tratada com Forsus (TB: -8,0 mm; Forsus: -5,0 mm; Diferença: - 3,0 mm). Tanto o TB quanto o Forsus produziram decréscimos significativamente maiores nas medidas de overjet (-7,9 mm e -5,0 mm, respectivamente) e overbite (-3,2 mm e -3,0 mm, respectivamente) que no grupo controle. O grupo TB apresentou incrementos

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