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Anexo 7 – Formulário de Coleta de Dados para o Exercício Aeróbio

2.3 Pressão Arterial

2.3.1 Efeitos do Exercício sobre a Pressão Arterial

Sabe-se, atualmente, que diferentes características do exercício, como tipo, freqüência, intensidade e duração promovem respostas hipotensivas diferenciadas e que os pesquisadores buscam estabelecer uma relação de dose-resposta entre exercício e pressão arterial. A intensidade e o tipo do exercício e seus efeitos agudos na PA serão objeto de uma análise pormenorizada neste momento. No entanto, corroborando Thompson et al. (2001), entende-se que os efeitos do exercício sobre a pressão arterial, assim como em outras variáveis, acontecem tanto de forma aguda quanto crônica, de maneira que não devem ser vistos de forma isolada, ou seja, a repetição de respostas hipotensivas agudas promovem reduções crônicas na PA. Na Tabela 2, observam-se estudos e posicionamentos sobre os efeitos agudos e crônicos do exercício sobre a PA em indivíduos normotensos e hipertensos.

Num contexto de dose-resposta, uma revisão de literatura sustenta que a redução aguda da PA é independente da intensidade relativa de esforço, enquanto que as reduções a longo prazo parecem ser maiores para intensidades moderadas do que para maiores intensidades (Shephard, 2001). Neste último caso, porém, trata-se mais de uma recomendação para evitar-se treinamentos intensos do que uma superioridade de resposta para intensidade moderada.

O posicionamento oficial do American College of Sports Medicine (1993) sobre atividade física e hipertensão estabelece que as atividades físicas aeróbias de intensidade

moderada (40 a 70% do VO2máx) promovem reduções de 10mmHg na pressão arterial de

repouso em indivíduos hipertensos tanto quanto intensidades maiores. As metanálises, que avaliaram estudos de treinamento, revelaram que tanto indivíduos normotensos quanto hipertensos, praticando tanto o exercício aeróbio quanto exercício contra-resistência, têm

64 demonstrado redução na pressão arterial de repouso (Keley & Kelley, 2000; Kelley & Tran, 1995; Whelton et al., 2002). Kelley & Tran (1995) encontraram reduções de 4,4mmHg e 3,2mmHg na pressão arterial sistólica e diastólica, respectivamente, em indivíduos normotensos que praticaram exercício aeróbio numa intensidade de 65 a 89% FCMáx. Essa resposta hipotensiva parece ser independente do gênero, apesar de a maioria dos estudos terem utilizado amostras do gênero masculino. Num outro estudo, Keley & Kelley (2000), analisando estudos de treinamento contra-resistência com 30 a 90% de 1RM de intensidade, encontraram uma redução de 3,3mmHg e 3,2mmHg na PAS e PAD, respectivamente. Tanto protocolos convencionais com maior carga e intervalo de recuperação quanto protocolos em circuito com menor carga e tempo de recuperação foram eficazes na redução da PA.

Existe, porém, diferença de resposta entre normotensos e hipertensos. Fagard (2001), analisando apenas estudos randomizados e controlados, encontrou reduções de 3,4mmHg e 2,4mmHg para normotensos e de 7,4mmHg e 5,8mmHg para hipertensos, na pressão sistólica e diastólica, respectivamente, após treinamento aeróbio com intensidade entre 40 a 70% da performance máxima dos sujeitos. Whelton et al. (2002) corroboram o efeito hipotensivo do exercício tanto em hipertensos e normotensos, acrescentando que este efeito é independente do tipo e da intensidade do exercício aeróbio. Em relação ao ECR, sujeitos normotensos, submetidos a um treinamento de 3 vezes por semana durante oito semanas, demonstraram reduções de 9mmHg e 8mmHg na PAS e na PAD, respectivamente (Carter et al., 2003).

Portanto, os estudos que analisaram os efeitos crônicos do exercício sobre a PA demonstraram uma redução significativa na pressão arterial sistólica e diastólica após treinamentos com exercícios aeróbios e contra-resistência em diferentes intensidades, sendo as maiores reduções encontradas nos sujeitos hipertensos.

Recentemente, o consenso resultante de um simpósio sobre dose-resposta relacionada à atividade física e saúde, promovido pelo American College of Sports Medicine em 2001,

65 revelou que uma sessão aguda de exercício aeróbio numa intensidade entre 50 e 100%

VO2máx produz uma redução de 18-20mmHg na PAS e de 7-9mmHg na PAD em indivíduos

com hipertensão leve, havendo, todavia, evidência insuficiente para definir um efeito de dose-resposta (Kesaniemi et al., 2001). Analisando os estudos que usaram a medida ambulatorial da PA, que consiste no monitoramento constante da PA durante as atividades diárias dos indivíduos num período de 24h em sujeitos hipertensos e normotensos, Thompson et al. (2001) encontraram reduções de 2,1±4,6mmHg e 0,3±4,5mmHg para PAS e PAD, respectivamente, que persistiram por 12-16h após o término do exercício. Esta variação de resposta pode ser vista também nos estudos agudos da Tabela 2 que usaram o método auscultatório. Observa-se uma divergência nos resultados quanto ao efeito do tipo e da intensidade do exercício na pressão arterial, o que suporta os achados de Shephard (2001).

De acordo com a Tabela 2, em relação ao tipo de exercício, enquanto que os exercícios aeróbios diminuíram (Raglin & Morgan, 1987; Porcari et al., 1988; Flory & Holmes, 1991; Raglin, Turner & Ekstein, 1993; Taylor-Tolbert et al., 2000; Nami et al., 2000) ou não modificaram (Szabo et al., 1993; Brownley, 1996) a PA, o exercício contra-resistência promoveu diminuição (Hill et al., 1989; O’Connor & Cook, 1998; Focht & Koltyn, 1999), aumento (O’Connor et al., 1993; Koltyn et al., 1995; Focht & Koltyn, 1999) ou nenhuma mudança (Wang et al., 1991; Raglin, Turner & Ekstein, 1993; O’Connor et al., 1993; O’Connor & Cook, 1998).

A redução da PA após o exercício aeróbio variou entre 4 a 9mmHg e de 3 a 6mmHg para a PAS e PAD, respectivamente. Após o ECR, a redução na PA variou entre 3 a 10mmHg e de 5 a 10mmHg para PAS e PAD, respectivamente. Embora a amplitude do efeito hipotensivo seja semelhante entre o exercício aeróbio e o ECR, o exercício aeróbio demonstra este efeito com mais freqüência nos estudos. Grande parte dos estudos com ECR não mostrou mudança na PA, alguns até reportando aumentos significativos.

66 Em relação à intensidade, os resultados também são inconsistentes. Os exercícios aeróbios com intensidade moderada promoveram diminuição na PAS (Flory & Holmes, 1991; O’Connor & Davis, 1992; Raglin, Turner & Ekstein, 1993; Taylor & Tolbert, 2000) e nenhuma mudança na PAD (Raglin, Turner & Ekstein, 1993) ou em ambas (Brownley, 1996; Szabo et al., 1993). Browley (1996) verificou uma hipotensão que durou cerca de 5h, apenas em indivíduos hipertensos. Alta intensidade promoveu redução na PA tanto quanto baixa e moderada intensidade (Forjaz et al., 1998; Marceau et al., 1993). Estes dois estudos, juntamente com o estudo de Porcari et al. (1988), corroboram a premissa de que a redução da PA após exercícios aeróbios parece ser independente da intensidade. O mesmo não ocorrendo com o ECR, onde O’Connor et al. (1993) não encontraram reduções na PA após sessões com 40, 60 ou 80% de 10RM.

Nos estudos com ECR, intensidade moderada promoveu diminuição na PA (Hill et al.,1989) ou nenhuma mudança (Raglin, Turner & Ekstein, 1993); alta intensidade promoveu elevação (Focht & Koltyn, 1999); e baixa intensidade promoveu diminuição na PAS e nenhuma mudança na PAD (O’Connor & Cook, 1998) ou diminuição na PAD (Focht & Koltyn, 1999). Um estudo não reportou a intensidade, não encontrando mudanças na PA (Wang et al., 1991).

Nos dois estudos que utilizaram intensidade auto-selecionada, a redução de PA ocorreu apenas para o exercício aeróbio quando comparado ao exercício contra-resistência (Raglin & Morgan, 1987; Koltyn et al., 1995). Koltyn et al. (1995) encontraram aumento na PAS de 5mmHg após ECR auto-selecionado.

Na Tabela 2, observa-se que a mensuração da intensidade para os exercícios aeróbios foi de forma relativa utilizando um %VO2máx (Porcari et al., 1988; Szabo et al., 1993; Taylor –Tolbert et al., 2000 ) e %FCMáx (Flory & Holmes, 1991; Raglin, Turner & Ekstein, 1993; Brownley, 1996) ou auto-selecionada (Raglin & Morgan, 1987). Para o ECR, a intensidade

67 também foi expressa de forma relativa como %1RM (Hill et al., 1989; Raglin, Turner & Ekstein, 1993; O’Connor & Cook, 1998; Focht & Koltyn, 1999), %10RM (O’Connor et al., 1993), auto-selecionada (Koltyn et al., 1995) ou não foi reportada (Wang et al., 1991).

Alguns estudos mensuraram a PA somente antes e logo após o exercício (Wang et al., 1991; Flory & Holmes, 1991; Szabo et al., 1993; Koltyn et al., 1995), enquanto que outros acompanharam o seu comportamento ao longo de um período que variou de 1min a 72h (Raglin & Morgan, 1987; Porcari et al., 1988; Hill et al., 1989; Raglin, Turner & Ekstein, 1993; O’Connor et al., 1993; Brownley, 1996; O’Connor & Cook, 1998; Focht & Koltyn, 1999; Taylor-Tolbert et al., 2000). Três dos 4 estudos que não demonstraram mudanças mediram a PA somente após o exercício, enquanto os estudos que mediram a PA 10 minutos ou mais após o exercício detectaram uma hipotensão.

Conclui-se, por esta revisão, que as características ótimas dos exercícios necessárias para promover uma maior redução na PA ainda são inconclusivas, principalmente em relação à intensidade do exercício. Os estudos de metanálise sobre os efeitos crônicos têm demonstrado que o exercício aeróbio regular, assim como o ECR, reduz a pressão arterial tanto em indivíduos hipertensos quanto em normotensos, embora a magnitude da redução pareça ser maior em atividades aeróbias do que no ECR, e em hipertensos comparados com normotensos. Estes estudos demonstram reduções que variam de –3mmHg a –10mmHg para PAS e de –2mmHg a –10mmHg para PAD com exercícios aeróbios e ECR.. Em relação ao tipo de atividade, aparentemente os exercícios aeróbios estariam associados com reduções mais significativas na PA pós-exercício, enquanto que o ECR sugere resultados divergentes. Observa-se uma tendência de mensuração da intensidade no exercício aeróbio através da FCMáx, ajustada pela idade, devido a sua maior aplicabilidade prática e à importância de medições da PA minutos após o término do exercício.

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Tabela 2: Estudos e posicionamentos sobre os efeitos crônicos e agudos do exercício sobre a pressão arterial

Estudo Atividade Delineamento Resultados

Raglin & Morgan (1987) Aeróbios Intensidade: auto-selecionada por 40min Efeito agudo Medida da PA: pré, pós, 20, 60, 120, 180min

Exercício: PAS= -9mmHg até 3h após PAD: -6mmHg até 2h após

Controle: <PAS até 20min após Porcari et al. (1988) Caminhada

Corrida

Efeito agudo

Intensidade: 35,50, 65%VO2máx ou auto-selecionada 40min Medidas: pré, pós, pós banho, 120min após

PAS: -4mmHg até 2h após PAD: --3mmHg até 2h após Independente da intensidade Hill et al. (1989) ECR

Efeito agudo

Intensidade: 70% 1RM por 14min Medida da PA: 15pré, pré, pós, 1, 2, 15, 30, 60min

PA: -20mmHg imediatamente após, mantendo-se +baixa (-3mmHgPAS e – 10mmHgPAD) por 60min.

Wang et al. (1991) ECR

Efeito agudo-crônico

Intensidade: não reportada Duração: 25min por 12 semanas Medida da PA: pré, 10min pós

PAS: sem mudança após sessão de TCR PAD: aumentou após sessão de TCR Flory & Holmes (1991)

Dança Aeróbia

Efeito agudo

Intensidade de 60-80%FCMáx por 50min

Medida da PA: pré, pós PAS: <2% O’Connor & Davis (1992) Corrida

Efeito agudo

Corrida: 20min a 70% VO2máx em 4horários distintos Medida: 10min pré, 10min pós, 20min pós

PAS: -4mmHg 10min após o exercício até 20min após, independente da hora do dia de realização do exercício

PAD: -3mmHg Szabo et al. (1993) Ciclismo Intensidade: 60%VOEfeito agudo 2máx por 30min

Medida da PA: pré, pós

PA: Sem mudança Raglin, Turner & Eksten (1993) Ciclismo

ECR

Efeito agudo

TCR e Ciclismo: 70-80% 1Rme 70-80%FCMáx por 30min Medida da PA: pré, pós, 20, 60min

Ciclismo: PAS: -6,5mmHg até 60min / PAD: sem mudança ECR: PAS e PAD: sem mudança

O’Connor et al. (1993) ECR Intensidade: 40,60 e 80%10RM por 30min Efeito agudo Medida da PA: pré, pós,15,30,45,60,75,90,105,120min

PAS: >1min pós 60%; >1min até 15min pós 80% PAD: sem mudança

PA não foi reduzida Marceau et al. (1993) Aeróbia Efeito agudo

Intensidade: 50 ou 70% VO2máx

Decréscimo de 5mmHg para ambas intensidades ACSM (1993) Aeróbia Posicionamento sobre Efeito crônico Intensidade: 40-70%VO2máx

Duração: 20-60min TCR em circuito pode ser auxiliar

PAS e PAD: -10mmHg

Koltyn et al. (1995) ECR

Efeito agudo

Intensidade: auto-selecionada por 50min

69 Continuação Tabela 2

Estudo Atividade Delineamento Resultados Kelley & Tran (1995) Aeróbia Meta-análise sobre Efeito crônico em normotensos Intensidade: 30-96% FCMáx (M=77% FCMáx)

Duração: 10-90min (M=37min)

PAS –4,4mmHg PAD –3,2mmHg

Brownley (1996) Ciclismo

Efeito agudo em normotensos e hipertensos Intensidade: 60-70% FCMáx por 20min

Medida da PA: pré e durante 72h após

Hipertensos: <PA por 5h Normotensos: Sem mudança Forjaz et al. (1998) Ciclismo Intensidade: 30, 50 ou 80% VOEfeito agudo 2máx por 45min Decréscimos similares para as três intensidades PAS: -5mmHg / PAD: -3mmHg O’Connor & Cook (1998) ECR Intensidade: 10%1RM, 24min c/ exercício estático/dinâmico Efeito agudo

Medida da PA: pré, 3, 13 e 23min após

PAD: Sem mudança PAS: -10mmHg Independente do tipo de contração Focht & Koltyn (1999) ECR Intensidade: 50% e 80%1RM por 30min Efeito agudo

Medida da PA: pré, 1min pós, 20,60,120,180min

50%: PAD: -5mmHg até 20min

80%: PAS: +8mmHg 1min pós, retornando ao nível de repouso após 20min

Kelley & Kelley (2000) ECR Meta-análise sobre Efeito crônico em normotensos

Intensidade: 30-90%1RM / Duração: 20-60min PAD –3,2mmHg = -4% PAS –3,3mmHg = -2% Harbach et al. (2000)

Corrida Subir escadas

Efeito agudo

3Km de Corrida + subida de 8 andares de escada: Int. Máxima

Duração: ± 20min Medida: pré, pós, 15min após PAS: - 3,6mmHg Taylor-Tolbert et a.l. (2000) Corrida Intensidade: 70% VOEfeito agudo em hipertensos 2máx por 45min

Medida da PA: pré e durante 24h após

PAS: -7,4mmHg PAD: -3,6mmHg Mudança permaneceu por 16h Nami et al. (2000) Ciclismo Intensidade: 40-60% VOEfeito crônico após 3meses 2máx por 1h, 3x/sem

Medida PA: pré e durante 48h pós, início e final do estudo

<PAS e PAD em hipertensos com menor PA durante o sono; Sem mudanças para aqueles sem diminuição da PA durante o sono Fagard (2001) Aeróbia

Meta-análise Efeito crônico normotensos e hipertensos Intensidade: 45-85% VO2máx

Duração: 30-60min

PAS: –3,4mmHg PAD: –2,4mmHg Kelley et al. (2001) Caminhada

Meta-análise Efeito crônico normotensos e hipertensos Intensidade: 45-86%VO2máx (M=63%% VO2máx)

Duração: 28-60min (M= 42min)

PAS: –3,0mmHg PAD: –2,0mmHg Whelton et al. (2002) Aeróbia Meta-análise Efeito crônico normotensos e hipertensos

Intensidade: baixa, moderada e alta

PAS: –3,84mmHg PAD: –2,58mmHg Polito et al. (2003) ECR

Efeito agudo ECR: 6 e 12RM

Medida: pré, pós, e durante 60min após

PAD: Sem mudança para treino de 12RM e redução para 6RM até 20min PAS: Redução para treino de 12RM até 40min após / treino de 6RM

reduziu até 60min após

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2.3.2 POSSÍVEIS MECANISMOS RESPONSÁVEIS PELO EFEITO HIPOTENSIVO