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Anexo 7 – Formulário de Coleta de Dados para o Exercício Aeróbio

2.2 Humor

2.2.2 Efeitos do Exercício sobre o Estado de Humor

O interesse pelo estudo da relação entre exercício e estados psicológicos não é recente. Segundo Craft & Landers (1998), a relação entre exercício e depressão, por exemplo, tem sido examinada desde 1900. Desde então, os estudos têm ampliado o enfoque para outras variáveis psicológicas, evoluindo tanto no aspecto conceitual quanto metodológico, procurando eliminar as limitações das pesquisas anteriores, analisando variáveis moderadoras desta relação em diferentes ambientes e populações e procurando estabelecer uma relação de dose-resposta e de causalidade entre exercício e benefícios psicológicos.

O crescente número de estudos sobre os efeitos psicológicos do exercício físico tem se dado, por um lado, na medida em que a saúde deixou de ser considerada uma condição meramente física e passou a ser concebida como uma interação de aspectos físicos, psicológicos e sociais, onde a saúde mental é crucial para o bem-estar geral dos indivíduos; e, por outro lado, a partir do momento em que os estudos na área de atividade física passaram a considerar estas interações, revelando implicações em diferentes aspectos.

No que tange à implicação clínica, social e econômica, observa-se que desordens mentais, como a ansiedade e a depressão, representam um problema crescente de saúde pública no mundo, gerando despesas econômicas e sofrimento humano, sendo fatores de risco

33 para doenças coronarianas (Dishman, 1995; Schwartzman & Glaus, 2000). Dados do U.S.Department of Health and Human Services (1996) e da World Health Organization (2001) revelam que um em cada dez adultos sofre de alguma depressão em algum momento de sua vida; que as mulheres possuem uma maior prevalência de distúrbios psicológicos do que os homens e que a maioria das pessoas não possui acesso aos serviços de saúde para o tratamento; os problemas de saúde mental representam 10% do total de custos médicos com a Previdência Social, sendo a quarta maior causa de incapacidade.

Duas metanálises, na temática do exercício físico e saúde mental, revelaram que o exercício é tão eficaz na diminuição da ansiedade (Petruzzello et al., 1991) e da depressão (Craft & Landers, 1998) quanto tratamentos psicoterapêuticos e farmacológicos, possuindo a vantagem de ser mais saudável, econômico e ter maior adesão quando comparado a esses tratamentos. De acordo com Thayer et al. (1994), a regulação do humor se dá através de três componentes inter-relacionados: alteração de um mau humor, elevação do nível de energia e redução da tensão. De todas as técnicas comportamentais usadas para regulação do humor, o exercício mostrou-se a mais efetiva na alteração de um mau humor, a quarta mais bem sucedida no aumento da energia e a terceira na redução da tensão. Neste sentido, o exercício tem sido proposto como uma alternativa no tratamento e na prevenção de distúrbios psicológicos e na melhoria do estado de humor.

No aspecto acadêmico e profissional, dois grandes desafios dos pesquisadores têm sido a prescrição de atividade física adequada para a regulação e melhoria dos estados psicológicos e a adesão ao exercício. A metanálise de Dishman & Buckworth (1996) mostrou uma relação inversa entre intensidade do exercício e adesão de modo que o exercício de alta intensidade está associado a uma menor adesão à atividade. Entretanto, Hall, Ekkekakis & Petruzzello (2002) salientam que não se sabe ainda até que ponto esta relação é moderada pelas respostas psicológicas ao exercício em diferentes intensidades. Moses et al. (1989), por

34 exemplo, encontraram um efeito da intensidade no estado de humor, mas não na adesão ao programa de exercício.

Sabe-se que muitas pessoas se exercitam porque se sentem bem após a atividade. Segundo Hall, Ekkekakis & Petruzzello (2002), as pessoas tendem a fazer aquilo que as fazem sentir bem e evitar o que as fazem sentir mal. Tem sido demonstrado que pessoas depressivas e com baixa motivação tendem abandonar com mais freqüência os programas de atividade física do que aquelas não-depressivas e com maior motivação (Norvell & Belles, 1993; Raglin, Morgan & Luchsinger, 1990). Por isso, acredita-se que o entendimento dos efeitos psicológicos do exercício pode contribuir para o aumento a sua adesão.

No que tange à prescrição do exercício para a promoção da saúde mental, os estudos realizados até o presente momento não permitem determinar uma relação de dose-resposta, nem de causalidade, embora sejam plausíveis (Dunn, Trivedi & O’Neal, 2001; Ekkekakis & Petruzzello, 1999). Esta temática será discutida mais adiante. Talvez por isso, algumas entidades, como o U.S.Department of Health and Human Services (1999), ainda não reconheçam o exercício como tratamento para desordens mentais.

Os estudos na área de atividade física e saúde mental envolvem um grande número de constructos psicológicos, como humor, ansiedade, depressão, afeto negativo e positivo, auto-estima, auto-eficácia, função cognitiva, stress, entre outros. Uma das variáveis psicológicas mais estudadas, a partir da década de 70, foi o estado de humor. Os mais variados tipos de estudos científicos têm verificado uma melhoria do humor, associada à prática regular da atividade física e a sessões agudas de exercício, tanto em populações saudáveis normais quanto em populações clínicas. A presente revisão literária concentra-se nos estudos que analisaram os efeitos agudos de sessões de exercício sobre o estado de humor em populações saudáveis, principalmente sobre aqueles que utilizaram o POMS como instrumento de medida

35 psicológica e que analisaram variáveis moderadoras como o tipo e a intensidade do exercício, enfatizando o aspecto da prescrição do exercício.

Em geral, admite-se que pessoas fisicamente ativas e com maior aptidão física possuem um melhor estado de humor do que aquelas sedentárias e menos aptas. Revisões literárias (Berger & Motl, 2000; Dishman, 1995; Dunn, Trivedi & O’Neal, 2001; Yeung, 1996), metanálises (Craft & Landers, 1998; Petruzzello et al., 1991), posicionamentos (ISSP, 1992; USDHHS, 1996), estudos transversais (Hassmén, Koivula & Uutela, 2000; Lobstein, Mosbacher & Ismail, 1983; Thirlaway & Benton, 1992), longitudinais (Lampinen et al., 2000; Strawbridge et al., 2002) e experimentais (Cramer, Nieman & Lee, 1991; DiLorenzo et al., 1999; Moses et al., 1989; Norvel & Belles, 1993; Stanton & Arrol, 1996) têm fornecido evidências de que a prática regular da atividade física está associada a alterações positivas no estado de humor tanto agudas quanto crônicas. Entretanto, variáveis como tipo, intensidade, duração e ambiente de prática do exercício, o estado de humor inicial, o nível de aptidão física, gênero, idade, expectativa de mudança e preferência dos sujeitos parece interferir nos resultados.

Cortes transversais de comparação de variáveis psicológicas de indivíduos ativos e sedentários e de indivíduos com diferentes níveis de atividade e aptidão física mostram que os sedentários são mais introvertidos e depressivos do que os mais ativos (Lobstein, Mosbacher & Ismail, 1983) e que a participação no exercício melhor do que a melhora na aptidão física está associada a um melhor estado de humor, independente de gênero (Thirlaway & Benton, 1992), sendo mais importante, do ponto de vista da saúde psicológica, preocupar-se mais em fazer o exercício do que melhorar a aptidão física. Moses et al. (1989) corroboram esta premissa após estudo experimental de treinamento que encontrou mudanças no humor independente da melhoria de aptidão física. Hassmén, Koivula e Uutela (2000), num estudo epidemiológico transversal, mostraram que os indivíduos que se exercitavam com menor

36 freqüência tinham mais sintomas de depressão quando comparados com aqueles que tinham maiores níveis diários de atividade física, que possuíam menos sintomas de depressão e raiva, menos stress percebido, maior senso de coerência, integração social e percepção de saúde e aptidão física, independente de gênero e de idade. Corroborando estes autores, Strawbridge et al. (2002) verificaram que a prevalência de depressão é menor nos sujeitos mais ativos e que o exercício possui um efeito protetor contra a incidência da depressão em idades superiores. Outro estudo prospectivo mostrou que o decréscimo na intensidade das atividades físicas relacionadas à idade aumenta o risco de depressão, sugerindo medidas de manutenção de um nível adequado de atividade física para a população idosa (Lampinen, Heikkinen & Ruoppila, 2000).

Dessa maneira, nota-se que os estudos transversais e longitudinais suportam a hipótese de que o exercício traz benefícios psicológicos para indivíduos com diferentes níveis de condicionamento físico e que, na maioria das vezes, os benefícios são independentes do gênero e da idade dos sujeitos, sendo ainda protetor contra futuros distúrbios psicológicos. Outras variáveis podem influenciar a resposta psicológica ao exercício, como: expectativa de mudança, nível inicial do perfil psicológico, tipo e intensidade do exercício, aptidão física e preferências dos sujeitos.

Sobre as variáveis que influenciam as respostas emocionais ao exercício, sugere-se que quanto maior for a expectativa do sujeito de que seu humor irá melhorar após o exercício, maior será o benefício psicológico, de maneira que se deve controlar esta variável nos estudos ou então, como sugere Yeung (1996), realizar o estudo de forma que o sujeito não saiba que está sendo mensurado seu estado de humor. Segundo O’Halloran, Murphy & Webster (2002) existem duas formas de se controlar a expectativa de mudança: uso de um grupo placebo ou a mensuração da expectativa. Os estudos mostram resultados divergentes em relação a esta temática. Enquanto Moses et al. (1989), usando grupo placebo, verificou que o efeito do

37 exercício sobre o humor não parece ser devido à expectativa de mudança nem à atenção dada aos sujeitos, O’Halloran, Murphy & Webster (2002) desenvolveram e utilizaram uma medida de expectativa de mudança do humor para corredores, verificando uma correlação positiva moderada entre os escores da medida e as mudanças no humor durante e depois de uma sessão de corrida.

Outro aspecto que influencia as respostas psicológicas ao exercício é o escore inicial na variável psicológica considerada. Cramer, Nieman & Lee (1991), apesar de terem encontrado um aumento no bem-estar após treinamento aeróbio, não encontraram mudanças no estado de humor, mensurado pelo POMS, enfatizando que os sujeitos já possuíam um humor saudável, de modo que o questionário não foi capaz de detectar mudanças significativas. Outros estudos corroboram este resultado, onde o benefício é maior nos sujeitos com pior estado de humor (Craft & Landers, 1998; Hale & Raglin, 2002; Gauvin, Rejeski & Norris, 1996; Lane & Lovejoy, 2001). Craft & Landers (1998) verificaram que a diminuição da depressão foi maior naqueles com maior nível inicial de depressão, sendo a mudança independente do tipo e da intensidade do exercício.

Sobre as características do exercício necessárias para promover uma melhora no humor, a intensidade e o tipo do exercício têm sido considerados em muitas investigações. Desde a década de 80, há tentativas de formulação da dose-resposta entre exercício e benefício psicológico, com o objetivo de estabelecer causalidade e melhorar a prescrição do exercício e sua adesão (Ekkekakis & Petruzzello, 1999). Foi proposto que haveria um limiar de intensidade e duração do exercício para reduções na ansiedade. Berger (1996) propõe que o exercício para a melhoria do humor deve ser agradável, de caráter aeróbio, não-competitivo, de intensidade moderada e de duração entre 20 a 40 min, regular durante a semana e praticado em ambientes previsíveis e espacialmente fixos. De acordo com este autor, se o indivíduo deseja se sentir melhor após a atividade, ele deve evitar treinamentos com esforços máximos.

38 Alguns estudos que observaram mudanças crônicas no estado de humor suportam a taxonomia proposta por Berger. Em relação à intensidade de esforço, Cramer, Nieman & Lee (1991), Moses et al. (1989), Thirlaway e Benton (1992) e Williams & Getty (1986) verificaram que a prática de exercícios físicos aeróbios moderados, entre 60-70 % FCMáx, promoveu a uma melhor regulação dos estados de humor do que o exercício de alta intensidade, diminuindo a tensão, a ansiedade, a raiva e a depressão e aumentando o bem-estar. Da mesma forma, Steinberg et al. (1998) encontraram uma melhora cumulativa nos fatores positivos do humor durante 7 semanas de ginástica aeróbia de intensidade moderada, sendo independente de gênero. Entretanto, como afirmam Ekkekakis & Petruzzello (1999), a generalização das curvas de dose-resposta é inconsistente, não possui suporte empírico e a prescrição de uma intensidade moderada para alcançar benefícios psicológicos é mais especulativa do que científica, não existindo consenso, pois alta intensidade também esteve associada a benefícios psicológicos. DiLorenzo et al. (1999) verificaram uma diminuição de depressão e de ansiedade, bem como um aumento do auto-conceito e do vigor após 12 semanas de treinamento aeróbio, praticado 4x/sem a 70-85% FCMR quando comparado a um grupo que não praticou exercício. Os autores constataram ainda que, mesmo após um ano, o estado de humor estava melhor do que antes do treinamento, corroborando os achados de Moses et al. (1989) que também verificaram benefícios em longo prazo. Estes resultados contraditórios em relação à intensidade de esforço na melhoria dos estados psicológicos podem ser explicados em parte pela aptidão física dos sujeitos, embora os resultados sejam divergentes.

Tem sido demonstrado que indivíduos com maior aptidão física apresentam benefícios psicológicos após treinos de maior intensidade (Boutcher & Landers, 1988; Dishman, Farquhar & Cureton, 1994; Steptoe & Cox, 1988). Steptoe & Cox (1988) encontraram um aumento de vigor após ciclismo com maior intensidade absoluta somente para os sujeitos com

39 maior aptidão física, com os de menor aptidão reportando maior percepção de esforço e fadiga. Dishman, Farquhar & Cureton (1994) verificaram que somente os indivíduos com maior aptidão física reportaram diminuição de ansiedade após ciclismo com intensidade auto-sugerida, corroborando os achados de Boutcher & Landers (1988) comparando corredores e não-corredores após treino de 80-85% FCMáx. Por outro lado, os estudos de Roth (1989), Steptoe, Kearsley & Walters (1993) e Tuson, Sinyor & Pelletier (1995) não encontraram efeito significativo da aptidão física nas respostas psicológicas ao exercício.

A esse respeito, de acordo com Ekkekakis & Petruzzello (1999), mesmo prescrevendo

a intensidade de forma relativa (Ex.: 70% VO2máx), um esforço dessa natureza pode ter um

componente apenas aeróbio para um indivíduo, mas pode ter um componente substancial anaeróbio para outro. Devido às diferenças nos parâmetros ventilatórios, bioquímicos e endócrinos entre os esforços aeróbios e anaeróbios, os autores sugerem que o padrão de intensidade seja determinado através do limiar ventilatório ou de lactato, onde uma intensidade moderada seria aquele esforço compreendido abaixo do limiar; o exercício intenso estaria localizado dentro do limiar e o exercício extenuante estaria acima do limiar e próximo

do VO2máx. Ekkekakis & Petruzzello (1999) sugerem que abaixo do limiar as respostas

psicológicas são independentes das alterações fisiológicas, uma vez que a homeostase não está ameaçada; dentro do limiar, o organismo está num estado de alerta, onde as respostas variam de indivíduo para indivíduo, sendo uma parte influenciada pelas mudanças fisiológicas e a outra por fatores cognitivos de como lidar com a situação; ao contrário, quando o esforço está acima do limiar, o organismo se encontra numa situação de severa perturbação homeostática que se reflete em respostas emocionais negativas. Petruzzello, Hall & Ekkekakis (2001) afirmam que as respostas afetivas ao exercício são o produto de uma contínua mudança entre cognição e a percepção direta dos fatores somáticos, onde nas baixas

40 intensidades predomina os fatores cognitivos, enquanto nas altas intensidades predominam os fatores somáticos.

Em relação ao tipo de exercício, Petruzzello et al. (1991) constataram que a redução na ansiedade esteve associada apenas ao exercício aeróbio e que este deveria ter, no mínimo, 21 min de duração, embora considerando os poucos estudos com exercício contra-resistência. Ao contrário do que preceitua a taxonomia proposta por Berger (1996), tem sido demonstrado que o exercício contra-resistência também é capaz de melhorar o estado de humor (Beniamini et al., 1997; Hale & Raglin, 2002; Norvell & Belles, 1993). Norvell & Belles (1993) encontraram maior satisfação no trabalho, menor depressão, ansiedade, hostilidade e sintomas de stress, assim como uma melhoria do humor em indivíduos que praticaram ECR em forma de circuito, 3x/sem durante 4 meses. Da mesma maneira, Beniamini et al. (1997) verificaram uma diminuição da tensão, depressão, fadiga e distúrbio do humor, assim como um aumento do vigor em pacientes de reabilitação cardíaca após 3 meses de treinamento com pesos de alta intensidade (80% 1RM). Corroborando estes autores, Hale & Raglin (2002) constataram que o treinamento com exercício aeróbio de step ou o treinamento contra-resistência (70-80% 1RM) promovem reduções significativas no estado de ansiedade, sendo este padrão de resposta similar ao longo de 2 meses de treinamento. Recentemente, uma extensa revisão de literatura sobre a relação dose-resposta entre exercício, ansiedade e depressão, verificou que tanto o exercício aeróbio quanto o anaeróbio promovem reduções na ansiedade e na depressão independente da intensidade, embora a maioria dos estudos tenha sido feito com exercício aeróbio (Dunn, Trivedi & O’Neal, 2001).

A preferência pelo tipo de exercício ou a possibilidade de auto-seleção da intensidade de esforço também são variáveis que influenciam as respostas psicológicas (Ekkekakis & Petruzzello, 1999). Os estudos em laboratório muitas vezes não permitem que o indivíduo pratique a sua atividade física habitual, podendo alterar suas respostas afetivas. Geralmente,

41 ocorre um efeito mais positivo no humor após exercício de intensidade auto-selecionada em indivíduos que são ativos (Dishman, Farqhar & Cureton, 1994). Estes autores encontraram uma redução na ansiedade após ciclismo com intensidade auto-selecionada somente para o grupo de maior aptidão física, reforçando a idéia de que existe um limiar de intensidade para

os benefícios psicológicos e que este limiar depende da condição física do indivíduo. Por

outro lado, Parfitt, Rose & Markland (2000) não encontraram diferença nas respostas psicológicas ao exercício de intensidade prescrita ou preferida. Dois estudos mais recentes suportam uma melhoria no estado de humor após o exercício de maior preferência, embora não tenham verificado a influência da preferência de intensidade (Daley & Maynard, 2003; Parfitt & Gledhill, 2003).

Portanto, diferentes tipos e intensidades de atividade física têm o potencial de melhorar o humor, desde que esteja adequada à individualidade do praticante, seja praticada num ambiente agradável e de forma prazerosa. Parece existir uma relação positiva entre a expectativa de melhoria do humor pelo sujeito e sua mudança real e uma relação inversa entre o perfil de humor pré-exercício e o benefício psicológico. Especula-se que os indivíduos bem condicionados se beneficiam de maiores intensidades ao contrário dos de menor aptidão, e que uma intensidade auto-selecionada pode ser melhor do que uma intensidade imposta, mas os resultados ainda são insuficientes para afirmações consistentes. Neste sentido, a melhoria do humor através do exercício está na dependência de uma interação ótima entre o praticante, as características do exercício e do ambiente, não existindo ainda uma relação de dose-resposta estabelecida entre atividade física e saúde mental.

Em parte, os resultados contraditórios e inconsistentes entre as pesquisas podem ser atribuídos às diferenças metodológicas entre as pesquisas e aos erros e limitações nos experimentos que incluem: falta de randomização e/ou grupo de controle, amostras pequenas e/ou não representativas da população, instrumento de medida inadequado, tempo de

42 mensuração após o exercício insuficiente para detectar mudanças, delineamentos pré-experimentais e falta de validade externa em relação ao ambiente de prática do exercício. A Tabela 1 mostra as características essenciais de diferentes estudos envolvendo o efeito agudo do exercício no estado de humor, com o propósito de observar as tendências dos experimentos no tempo e inferir novas condições a serem adotadas em novos experimentos, estabelecendo preliminares para o estudo em questão.

Setenta estudos foram selecionados através de busca em bases científicas por palavras-chave e pela análise das referências bibliográficas dos estudos. Procurou-se identificar as seguintes características nos estudos: delineamentos utilizados, características das amostras, influência de variáveis moderadoras, medidas do humor, intensidades de esforço e tipos de